A Dragão Brasil #121

Finalmente minhas opiniões sobre a Dragão Brasil #121, a primeira após um hiato de oito meses e com o novo editor Silvio Compagnoni. Como demorei um bocado para comentar a revista vou tentar ser menos pontual e colocar minhas impressões de forma mais geral, pois é certo todos interessados na DB já devem ter dado uma olhada na DB #121 à essa altura. E segue também uma entrevista com o Sílvio, para compensar meu atraso com um bônus legal.

Já havia feito uma análise da capa quando o preview foi liberado, e acho que não tenho muito a acrescentar. Esta realmente bonita, com a volta do logo clássico e uma identidade visual que preza pela elegância com uma bela pegada old school. No entanto revendo a capa acho que ela poderia ser ainda mais limpa caso o texto das chamadas fosse um pouco mais curto. As novidades que todo mundo já deve ter sacado são o aumento de R$ 1,00 no preço e a mudança definitiva do nome da editora, que depois de uma pendenga que se estendeu por mais de um ano, mudou seu nome pela terceira vez, agora para Editora Melody.

O editorial do Sílvio é bem positivo e propõe uma ampliação dos horizontes da revista, abarcando também card games, jogos de tabuleiro, livros e jogos de computador, uma mudança que já era indicada na revista desde as últimas edições e que deve continuar.

O índice da revista ficou enorme e meio feio, acho que foi resultado do fundo branco na primeira página e a mistureba de fontes de cores diferentes. No entanto passado esse começo estranho é notável a melhoria na diagramação e identidade visual da revista. Cada matéria tem seu layout próprio, e todos ficaram muito bons. Destaque para as matérias em P&B, limitação que não impediu que o visual das matérias ficasse melhor que a médias das últimas DBs.

Agora considerações mais gerais: O número de matérias oficiais é enorme, preenchendo metade da revista com material das editoras Devir, Jambô e Daemon. Todo esse material oficial, com exceção da aventura O Filho de Maria –Parte 1 que se não me engano é originalmente em P&B, se encontra nas 16 folhas coloridas da revista, talvez para aproveitar as ilustrações originais em seu maior potencial. No entanto não sei o que é pior, observar a arte genial do Wayne Reynolds em P&B ou em um quadrinho minúsculo como saiu na revista… Além das matérias oficiais, também saíram nas páginas coloridas os anúncios, índice e pergaminhos dos leitores, agora sem um personagem respondendo as cartas, o que é ótimo.

Ainda sobre o material oficial, às vezes a revista deixa me deu a impressão de estar lendo um suplemento da Devir, já que o material referente a seus produtos ocupa 24 das 64 páginas da DB#121. Isso pode ser explicado pelo volume de cenários e sistemas os quais a editora possuí os direitos de publicação, ou mesmo pela experiência do Silvio de anos na editora. No entanto em alguns momentos acho que poderia ter sido feito um esforço extra em direção a uma posição mais distanciada entre a editora e a revista, como por exemplo, no caso da resenha de Hunter: The Rekoning, que apesar de descrever muito bem o produto não comenta em momento algum a decisão polêmica da Devir de lançar um livro do velho Mundo das Trevas após ter publicado o manual básico do novo cenário no EIRPG do ano passado e então suspendido o já anunciado lançamento do Antagonistas e Vampiro: O Réquiem. A matéria Matador de Dragões também começa de uma maneira estranha, pois antes da classe de prestígio anunciada temos uma espécie de release do Draconomicon, livro do qual foram retiradas a classe e a majestosa capa da revista. Nada mais justo então falar do lançamento, mas acho que o modo como isso foi feito – sem uma indicação que era um release, ou mesmo sem sequer uma chamada, não foi a mais adequada.

Um dos destaques foi A Forja do Ron Edwards. A matéria em si é bem bacana, e nela o autor ataca com base em sua teoria dos sistemas uma das idéias mais batidas e difundidas sobre o RPG, a de que o sistema de jogo não importa desde que se tenham os jogadores e mestres certos. Discordo de muitas definições posteriores de Edwards, e acho que Robin Laws apresenta uma teoria bem mais legal quando se volta a análise dos tipos de jogadores, mas mesmo assim não deixa de ser surpreendente ver em uma revista nacional um artigo com uma discussão tão bem estruturada como essa. Realmente espero que mais artigos do Ron Edwards e de outros que escrevam o sobre o tema sejam publicados!

E finalmente a matéria de D&D Miniatures, que pode não ter acrescentado muito aos já iniciados, mas que foi uma mão na roda para aqueles que se interessavam no jogo mas não sabiam bem por onde começar como eu. Informativa, fez um apanhado bacana do que já rolou com o jogo, de sua situação atual e da construção de bandos, com explicações sucintas e úteis sobre cada alinhamento. O pessoal do D20 Minis está de parabéns!

A Dragão Brasil #121 é um ótimo re-começo. Com esforços para atrair novatos e veteranos, além de um pesado suporte ao material oficial, a revista tenta alcançar uma estabilidade que não tem há algum tempo, e na minha opinião esta indo na direção certa. Agora resta acompanhar as próximas edições e torcer para que o começo com o pé-direito se estenda por um bom tempo.

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