O Fim da Dungeon e da Dragon

Foi anunciado hoje pela Paizo e Wizards of the Coast o fim da Dragon, a revista de RPG icônica por excelência. Também será cancelada a Dungeon, publicação “irmã” especializada em aventuras prontas.

Lançada em 1976 pela TSR inicialmente como Dragon Magazine, a Dragon encerará suas atividades na edição #359. Dez anos mais tarde surgiu a Dungeon, um suplemento bimestral especializado em aventuras que permaneceu nas sombras da Dragon até 2002 quando a licença das revistas foi adquirida pela Paizo. Neste período a revista passou a ser mensal e sofreu uma intensa e consagrada reformulação, na qual se destacaram os três Adventure Paths – Shacked City, Age of Worms e Savage Tide, cada um composto por aproximadamente 11 partes.

O cancelamento se deu devido ao interesse da WotC de desenvolver uma área de seu site com material oficial e outros recursos, que poderá ser acessada através do pagamento de uma mensalidade de valor ainda não estipulado. Essa novidade tem sido chamada pela WotC de Electronic Gaming Initiative, e segundo Scott Rouse, um dos responsáveis pela marca Dungeons & Dragons dentro da WotC, “By moving to an online model we are using a delivery system that broadens our reach to fans around the world. Paizo has been a great partner to us over the last several years. We wish them well on their future endeavors.”.

E parece que a Paizo vai se virar bem. Através de um completo FAQ eles estão tentando fazer o fim das revistas o mais transparente possível para os fãs e já anunciaram uma nova publicação mensal, a Pathfinder com 96 páginas coloridas que dará seguimento aos bem sucedidos Adventure Paths além de contar com alguns artigos de apoio no estilo consagrado pela Dragon.

O futuro destas duas iniciativas ainda é incerto, mas as primeiras manifestações apontam o óbvio desgosto dos jogadores com a decisão da WotC, tanto pela forma como uma revista com mais de 30 anos foi cancelada como pela idéia de cobrar por conteúdo online, que já fracassou em muitas outras áreas e que até o momento não convenceu os jogadores de que pode ser um substituto das revistas. Já a Paizo tem recebido um apoio surpreendente por parte da comunidade, e Erik Mona e sua equipe já provaram que são perfeitamente capazes de fazer a Pathfinder à altura do legado de suas predecessoras.

Aparentemente a WotC tem optado por tomar atitudes de “pagar para ver” sem se importar muito com a opinião da massa de jogadores enfurecidos, sempre apostando que mais cedo ou mais tarde esses podem mudar de idéia sem danos a imagem da empresa. Foi assim com o lançamento dos livros em PDF da edição 3.5 à preço de capa e com o odiado Digital Rights Management, posição que atraiu uma saraivada de críticas e que durou alguns meses até que o DRM foi abandonado e os preços tiveram um leve desconto. O e-Tools também não foi para frente e no final de 2006 a WotC escolheu não renovar a licença da Code Monkey para produzir o software oficial de criação de personagens de D&D – mas parece que algo neste sentido será incorporado ao novo pacote de material online pago da empresa.

Acho que o formato de cobrar mensalidades para acessar material em um site é pífio e tende a fracassar miseravelmente. A WotC também não me parece ser uma empresa que tem o perfil necessário para fazer esse tipo de jogada dar certo, e o ódio dos milhares de “órfãos” da Dragon não deve ajudar muito o futuro da novidade. Mas no fim das contas, se tudo der errado a WotC sempre pode mudar de idéia no meio do caminho e voltar atrás, coisa que não tem tipo pudor de fazer nos últimos anos. Até lá resta amargar o fim das revistas de RPG que trouxeram algumas das melhores matérias que já li e torcer que a Pathfinder seja tudo aquilo que promete.

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