Encontro Internacional de RPG cara!

Eu nem precisei procurar por uma lan house em São Paulo, afinal o hotel bacana que o Giltônio arrumou de graça tinha internet liberada no saguão (além de piscina aquecida!), mas claro que eu não consegui postar nada de interessante. O problema nem foi o cansaço ou mesmo preguiça, mas no fim de cada dia eu senti que não havia grandes pontos altos para relatar, enfim foi meio estranho. Ainda assim achei o evento bem melhor que o do ano passado, mesmo com algumas ausências, principalmente de amigos como o Barbi e o Garrell, que fizeram falta lá. Novamente o EIRPG rolou no Marista Arquidiocesano, o melhor lugar do mundo para um evento. Tanto no sábado quanto no domingo o Internacional pareceu um pouco vazio, provavelmente pela concorrência direta do Anime Con realizado nos mesmo dias. Como resultado acho que tivemos um EIRPG com uma média de idade um pouco mais alta e com definitivamente menos plaquinhas (e antes que o Garrell pergunte – parece que ninguém vendeu beijo de língua esse ano, ainda bem que você não foi!). Não sei como foram as vendas dos stands, ou mesmo o número de entradas vendidas para o evento, mas algo bem perceptível foi a diminuição das filas – acho que nem mesmo no sábado de manhã, quando o leilão de livros usados estava em seu auge cheguei a ficar mais de 20 minutos esperando.

Após reencontrar alguns companheiros de anos anteriores fomos para o stand da Conclave, onde o Crônicas da Sétima Lua estava sendo lançado! Além de reencontrar os caras – Tzimisce, Cuty, Marcelo e Telles, foi realmente bacana ver o livro finalmente impresso, a capa ficou ainda mais bonita nas minhas mãos do que na tela do computador. Foi meio estranho dar alguns autógrafos, ao mesmo tempo é uma sensação legal de que alguém tem uma expectativa positiva do seu trabalho, mas por outro lado fiquei me sentindo meio cretino também. Ano que vem se eu me ver nessa situação novamente só irei autografar o livro de quem me der o número do celular, e marcamos uma cerveja depois do evento. Isso sim vai ser mais legal para todo mundo!

Antes do almoço de sábado rolou o bate-papo com as editoras Conclave, Conrad, Daemon, Devir, Mantícora, Melody, Objetiva e Pixel, mas isso só na programação mesmo, pois enviaram representantes apenas a Conclave, Daemon, Devir, Mantícora e Pixel. A primeira parte do bate-papo foi basicamente uma breve rodada onde o representante de cada editora anunciou seus lançamentos no evento e os planejados para o restante do ano. A maior surpresa foi a confirmação da Devir que o Arcana Evoluída realmente não seria lançado no evento, devido aos atrasos na classificação do livro. A editora prometeu lançá-lo ainda este mês no EIRPG Curitiba. A segunda parte foi composta de perguntas da platéia, e as mais interessantes ao meu ver foram as endereçadas a Devir, questionando os atrasos constantes, a falta de atenção aos seus consumidores e a petição online sobre a editora. As respostas foram basicamente as mesmas que os representantes da Devir haviam enviado a um dos criadores da petição, com a adição de problemas com tradutores.

Enfim, bastante decepcionante. É só um chute, mas acho que o Arcana Evoluída nunca será lançado, e nem fico triste por isso, pois sempre achei um lançamento bem estranho e caro para o mercado nacional. Mas o lance é, a Devir aparentemente gastou horas e horas de tradução e revisão neste livro que não é nada pequeno, e a única justificativa para lançá-lo dada pela própria editora foi a presença do Monte Cook. Provavelmente o cara não vai voltar, e se o fizer será só daqui uns anos. Vale a pena para a Devir lançar um livro caro e com um público alvo muito restrito apenas para falar que cumpriu o prometido? Eu acho que não. Novamente, mais uma jogada de mestre da editora, que poderia ter investido esses recursos em um livro mais certo, como outro da série dos Livros Completos de D&D, ou mesmo o Vampiro: Réquiem.

Falando nele, o Monte Cook é um cara extremamente simpático e engraçado, e que durante as palestras esbanjou simpatia e proximidade com os jogadores, quase uma miss RPG mesmo! A primeira das palestras foi Como Escrevi Meu Primeiro RPG aos 19 Anos, onde ele contou como conheceu o RPG (durante as aulas de educação religiosa!), como decidiu se tornar um escritor com 14 anos, e suas aventuras para publicar seu primeiro livro, Creatures and Treasures II, lançado em 1989 pela Iron Crown Enterprises para Rolemaster. Achei essa primeira palestra menos interessante que a segunda, e apesar de muito legal, foi muito mais um relato das dificuldades que o Monte enfrentou até que conseguisse lançar o primeiro livro, bem pessoal mesmo.

No domingo o tema da palestra foi De Rolemaster a Ptolus: 20 anos de RPG, e foi de longe mais interessante que a do sábado. Com toda sua simpatia o Monte Cook falou sobre sua contratação na ICE, e depois como começou a trabalhar como freelancer para a TSR, onde posteriormente passou a trabalhar com várias linhas como Planescape e Dark Sun. Foi realmente legal ouvir algumas histórias de bastidores e a visão que o Monte tem sobre algumas mudanças importantes na indústria dos jogos, como os efeitos do surgimento do Magic: The Gathering e do Vampire: The Masquerade claro que ele falou sobre a experiência de escrever uma nova edição de Dungeons & Dragons e visivelmente se emocionou quando citou o comentário do Gary Gigax, que achou o Livro do Mestre, escrito principalmente pelo Monte Cook, o melhor dos três livros básicos da terceira edição. No fim das contas o tema das palestras circulou bastante em volta dos dois artigos de uma série que o Monte está escrevendo sobre sua visão da história recente da indústria de jogos, que pode ser encontrados aqui e aqui. Mas ainda assim, a experiência de ouvir os relatos diretos do cara, com muito mais piadas e comentários legais, foi realmente inspirador. Eu (e conversando com o Marcelão, Tiago e Giltônio vi que eles também) sai da segunda palestra decidido a sentar na cadeira e escrever tudo que eu tenho na cabeça, e principalmente, me divertir com o que escrevo, pois assim a parada final não será apenas melhor, mas também mais honesta e divertida para os jogadores que irão usá-la.

Além das palestras do Monte, os pontos altos do evento na minha opinião, tivemos também o de sempre – leilão de livros usados, compras e alguma confusão. O leilão estava médio, eu realmente não achei nada de muito interessante, mas acho que o problema foi comigo, já que todo ano vou sem uma listinha ou qualquer coisa organizada do tipo. A única coisa que peguei lá nem foi de RPG, o Comic Book Nation – The Transformation of Youth Culture in America um calhamaço aparentemente bem bacana sobre a influência dos quadrinhos na cultura norte-americana, por míseros R$25 reais. O stand da Devir estava com ótimos preços, além de uma promoção matadora das revistas Dungeon e Dragon por R$2 cada. Acabei levando algumas e dois suplementos de Eberron – Dragonmarked e Secrets of Sarlona, mas curiosamente algumas das minhas melhores compras nerds rolaram do lado de fora do evento, em um camelô de livros usados na esquina com a Paulista, cerca de um quarteirão da entrada do evento. Parece que o cara comprou o estoque de uma loja falida de RPG, e sua banquinha tinha um monte de quadrinhos, romances e livros de RPG por preços incríveis. Catei algumas graphic novels e dois romances do Neil Gaiman – Deuses Americanos e Filhos de Anansi por R$25 cada, mas para isso tive que deixar para trás várias coisas que partiram meu coração, como encadernados de Watchmen, V de Vingança, Supremo, Invisíveis e mais um monte de coisa por preços ridículos. Tomara que o cara esteja lá ano que vem! E a tal briga eu perdi, estava na palestra do Monte Cook de sábado durante a parada. Os dois lados falaram que agora foi acertada uma espécie de trégua, e espero que dessa vez tudo se resolva. Melhor para todo mundo.

No final das contas o XV EIRPG foi muito bom, mas senti falta dos rolês de galera que rolaram nos anos anteriores, assim como passar mais tempo com o pessoal de outros estados e tal. No fim me diverti um monte com o Giltônio, Marcelão, Tiago e Ig, conheci ótimos caras (o pessoal do fórum brasileiro de D20 minis merece um post a parte!), vi o meu truta Rafael “D.Brain” Cardoso “Paladine” ser novamente campeão nacional de D&D Miniatures, e tive o livro que escrevi com meus amigos publicado. Nada mal mesmo!

Um Comentário

O que acha? Tem alguma crítica ou sugestão? Só mandar! Deixe um Comentário

Trackbacks for this post

  1. » Enquanto isso no Brasil… RPG Brasil: O RPG Brasil é um agregador de blogs e conteúdos de Role Playing Game.

Comments are now closed for this article.