Minha opinião (que ninguém pediu) sobre a Devir

Semana passada o Douglas “D3” postou no fórum da REDE RPG sobre os planos de lançamento da Devir para o D&D 4ª edição. Acabei comendo mosca e não dei a notícia aqui. Hoje entrei novamente no tópico dele na REDE e encontrei a mensagem abaixo, onde ele comenta sobre a sugestão de um dos membros do fórum de piratear os livros que a Devir possui licenças de publicação, mas que por algum motivo não vai lançar:

Olá Nibelung,

Eu li o fórum da Wizards. Eu lembro do comentário dele.

Agora, honestamente, você deve estar brincando certo?

Se não estiver, eu quero afirmar com VEEMÊNCIA que não apóio a pirataria. A licença custa dinheiro, quer eu publique os livros ou não. A Devir pagou por ela. Porque, em sã consciência, ela permitiria que alguém a utilizasse de graça?

Muitas vezes, analisando as comunidades da internet, eu penso se não seria melhor se a Devir abandonasse o RPG.

Definitivamente.

Então, eu lembro que uma grande parcela dos jogadores não tem acesso às listas de traduções, impressoras laser, fóruns com as novidades e não sabem inglês. Então descarto o devaneio e volto a trabalhar.

Porque ACREDITO que se a Devir fechar as portas ao RPG, eu poderia afirmar que haverá um hiato bem longo até que outra editora seja capaz de abri-las novamente.

Podem postar isso em seus blogs e comunidades. Essa é a crença do Douglas3, e eu mantenho a afirmação.

D3

Bom já que ele pediu para postar vamos lá: )

Nem vou comentar sobre a idéia da pirataria, acho que é outro assunto e não vem ao caso aqui. O grande lance é quando ele fala que quando ouve essas coisas pensa que não seria melhor se a Devir abandonasse o RPG definitivamente, mas que depois se lembra dos jogadores sem internet e volta atrás. Acho essa uma idéia bem estranha, e que nos últimos dois meses ouvi mais de uma vez vinda de algum Douglas da Devir.

Mas antes, eu não sou um dos que acha que a Devir devia acabar e que isso seria melhor para o RPG nacional. Não mesmo. Também respeito o trabalho do D3, principalmente depois do esforço que ele tem feito no tópico da REDE RPG, e de vê-lo gastar mais de 40 minutos de seu domingo no EIRPG discutindo com o Giltônio, Tiago e vários caras da REDE, todos bem afiados com suas perguntas, questionamentos e teorias. Claro que acho que a Devir dá suas pisadas na bola e torço para que com a 4ª edição a editora consiga manter um ritmo de lançamentos legal, cobrindo os principais livros do D&D, o que infelizmente não aconteceu com a edição 3.5.

Meu problema com o post do D3 se resume basicamente em duas partes: Quando ele fala que talvez fosse melhor se a Devir saísse do mercado de RPG; e quando ele pensa nos jogadores sem internet e desiste da idéia.

Esse lance de desistir do mercado de RPG também foi dito na palestra das editoras no EIRPG, mais especificamente na parte de perguntas do público. Lá, o outro Douglas apontou as inúmeras causas responsáveis pelo atraso de 1 ano no lançamento do GURPS 4ª edição, e conclui que o RPG é um péssimo negócio, que as vendas são baixas e geralmente mal pagam as tiragens. Enfim, que RPG no Brasil é uma furada. Mensagem captada, e acho que ele devia ganhar pontos pela honestidade nesta resposta. Mas a questão é: Por que diabos a Devir continua nessa?

Pela palestra deu para perceber que ambos os Douglas são caras apaixonados pelo que fazem, o que é ótimo. Mas eles também colocaram que precisam vender livros, que a Devir é uma empresa, e que várias pessoas dependem de seu sucesso comercial para viver. Olha eu realmente não peguei então o porque deles continuarem nessa de RPG. Por que não importa o quão apaixonado você seja, aguentar jogador te enchendo o saco todo dia (e jogador de RPG é um cara chato, eu sou e eu sei), críticas de todo o lado, cobranças pra depois ainda ficar cheio de dívidas? Numa boa, se a Devir saísse do mercado ia ser uma droga, mas ninguém ia morrer, temos outras editoras nacionais mandando muito bem tanto em questão de lançamentos próprios como em material gringo. Sim, as coisas inicialmente seriam uma droga, mas quem sabe um dia não voltassem mais ou menos ao normal?

O lance é que essa postura de “somos uma empresa, mas antes de tudo somos um bando de caras apaixonados como vocês” é bacana até certo ponto, e terrível a partir de outro. É bacana quando o cara se senta com você para discutir a ordem de lançamentos, o porque desta ou daquela tradução específica (como tem sido feito de forma brilhante na REDE), mas a partir do momento que esse argumento se torna uma desculpa para justificar um monte de problemas estruturais e mais sérios a coisa complica. Acho que não estamos mais no momento de precisar da boa vontade ou caridade de ninguém no RPG nacional, ainda bem. O mercado é pequeno e frágil, mas não estamos mais em 94, quando se a Devir por acaso abandonasse o RPG provavelmente ele desapareceria do país. Esse momento já passou, e graças a Devir, que marcou seu nome definitivamente como uma das principais (senão a principal) responsável pelo crescimento do nosso hobby no Brasil. Mas agora, esse argumento de que sem a Devir os jogadores que não possuem acesso a internet estarão perdidos não pode ser mais aceito.

O que eu estou tentando colocar aqui (e esta foda, já são 2 da manhã) é que se a Devir esta se dando mal com o RPG ela não tem obrigação nenhuma de continuar. Seu papel já está feito, e apesar das críticas, acho que a empresa já o fez de maneira soberba. Mas ela é antes de tudo uma empresa – e deveria se focar primeiro em seu sucesso financeiro e depois no atendimento ao seus clientes. E com esse lance de pensar em abandonar o RPG, mas ficar por amor ao hobby e para manter a chama acessa aonde a internet não alcança, a Devir não me parece estar fazendo nenhum dos dois de maneira satisfatória.

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