Armadilhas e Acertos Decisivos

Os últimos dois artigos da sessão Design & Development trataram respectivamente das mecânicas e modificações de dois aspectos importantes do D&D – as armadilhas e os acertos decisivos.

A primeira metade do artigo sobre as armadilhas conta a história destes mecânismos durante as três edições e como a importância deles no jogo foi progressivamente sendo diminuída, até serem quase extintos na 4ª edição. Mas elas foram mantidas, e tiveram as encounter traps do Secrets of Xen’drik como ponto de partida de sua reformulação.

As encounter traps são um tipo um pouco mais complexo de armadilhas, que geralmente duram várias rodadas, e fazem vários ataques em múltiplos alvos em uma iniciativa específica. Um exemplo descrito no livro é o de uma sala cheia de lanças retráteis que saem do solo continuamente até serem desativadas, mas o sistema permite a criação de armadilhas bem mais complicadas, para Indiana Jones nenhum botar defeito. O artigo indica a mistura de monstros com um armadilha como um encontro ideal da nova edição, com o grupo dividido em derrotar os inimigos e desativar/sobreviver aos perigos da armadilha.

Outra mudança importante na nova edição foi a de transformar as perícias de Procurar e de percepção em geral em testes passivos, partindo do pressuposto que durante todo o tempo os aventureiros estão procurando por perigos e ameaças, o que convenhamos, faz algum sentido e torna o jogo mais fluído. Assim, as Classes de Dificuldade das armadilhas são comparadas com os valores de percepção dos personagens, e isso se aplica também às criaturas escondidas (a CD neste caso é o resultado do teste de Furtividade do monstro), portas secretas e itens ocultos.

Já o artigo sobre os acertos decisivos confirma o que já suspeitávamos a partir dos relatos de playtest – a rolagem de confirmação dos críticos já era. Um 20 em uma jogada de ataque, é acerto decisivo imediato. Além disso, o dano dos críticos também mudou, e agora os dados de dano são maximizados ao invés de dobrados. Então, um acerto decisivo com uma arma que normalmente causa 1d10+4 agora provoca 14 pontos de dano ao invés de 2d10+8. Essa mudança ocorreu porque dobrar o número de dados levava a variações muito grandes no dano, e também graças a confirmação (um tanto óbvia) que os personagens são mais sucetiveis aos acertos decisivos que os monstros, já que teoricamente eles devem passar por centenas de encontros durante suas carreiras, e no sistema antigo um crítico seguido de uma rolagem de sorte no dano poderia não só desequilibrar um combate, mas enviar os pontos de vida do personagem direto para a casa dos negativos com alguma facilidade.

Mas existem maneiras de aumentar esse dano. As armas mágicas acrescentam 1d6 na rolagem de dano dos acertos decisivos para cada bônus mágico de +1 que possuirem (se feito com uma espada +1, o acerto decisivo de 1d10+4 do exemplo acima causaria 14+1d6 de dano). Outras armas, poderes e magias também podem acrescentar dados de dano nas rolagens dos acertos decisivos.

Essas mudanças tanto nas armadilhas e nos acertos decisivos são exatamente o tipo de coisa que eu quero ver na próxima edição. Regras e mecânicas que parecem ter alcançado o ápice da regulagem voltada para um jogo mais legal, com encontros mais dinâmicos, acertos decisivos menos letais, mas mais comuns, menos rolagens para coisas inúteis ou rotineiras, e todo o tipo de coisa que se aproxima do que eu imagino que seja uma versão ainda mais divertida do D&D. Essa é a parte que eu gosto da 4ª edição : )

2 Comentários

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  1. Cobbi disse:

    Fala Rocha,

    Gostei bastante da idéia dos caras colocarem a mistura de armadilhas com monstros já nos livros básicos. Eu já faço isso na 3.5, misturando monstros, armadilhas, perigos do terreno e objetivos diversificados dentro do mesmo encontro e fica bem legal!

    Bom que os caras estão ensinando os truques pro povo já na base. Isso já vem desde o PHB 2 e do DMG 2 né? Os caras meio que ensinam como fazer um jogo legal! Não é por nada não, mas acho esses dois básicos suplementares os livros mais legais da 3.5 por eqto! Vale a pena mesmo pra quem vai mudar de edição!

    Abraço forte!
    b.Cobbi

  2. Rocha disse:

    Sim, concordo totalmente, o PHB II e o DMG II são bem isso mesmo. Ainda bem que toda essa filosofia esta sendo incorporada na nova edição!

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