Resenha: Wizards Presents Races and Classes [Parte 1]

No último mês acompanhei as notícias da 4ª edição de uma forma bem desordenada, e por culpa do fim do semestre e da minha (falta de) organização perdi algumas coisas bem importantes. Uma delas foi o lançamento do Wizards Presents Races and Classes, o primeiro dos dois livros de preview que a WotC vai publicar antes dos livros básicos da nova edição, e sobre o qual eu havia lido muito pouco.

É isso ai!

Mas duas coisas mudaram isso. A primeira foi o fato insólito do livro, que foi lançado em Dezembro, já ter chegado a uma livraria de BH, em especial a Leitura, que é bem caótica com suas importações. A segunda foi meu amigo e companheiro de Secular Tiago ter comprado o livro (duh!) e levado o dito cujo para nosso campeonato mensal de miniaturas. Resumo da história – o livro esta em minhas mãos, como vocês podem ver na foto besta ao lado.

Minha relação com o Wizards Presents Races and Classes é bastante dúbia. Ainda que esteja bastante curioso e animado com a 4ª edição (como já deve ter dado para perceber pelo blog) eu jamais compraria por mais de $20 dólares um livro de 96 páginas que não tem absolutamente nada de útil para uma mesa de jogo. E não estou falando só de regras aqui, mas de descrições também. O livro funciona muito mais como uma “olhada por trás das cortinas” da 4ª edição, uma espécie de disco de extras de DVD, e sua parte mais interessante são justamente os comentários e histórico do desenvolvimento da nova edição. O restante do livro, as tais classes e raças do título, repetem muito do que já foi dito em outros canais como os fórums da WotC e a ENWorld, com apenas um ou outro detalhe extra, e algumas ilustrações bacanas. Mas se eu não compraria o livro, isso não quer dizer que rejeitaria dar uma boa olhada de alguns dias se ele caísse do nada em minhas mãos, e como foi justamente isso que aconteceu, farei uma resenha dividida em quatro partes durante esta semana.

O livro começa com o texto D&D and the Birth of a New Edition do Bill Slavicsek, uma espécie de editorial onde ele fala brevemente sobre a decisão, tomada em 2005, de desenvolver uma nova edição do Dungeons & Dragons com base na 3.5, e da importância do feedback dos jogadores acumulado durante os anos para o desenvolvimento dos livros que veremos em 2008. Nada de novo até aqui…

Depois somos apresentados a 4th Edition Design Timeline escrita pelo Rob Heinsoo, que descreve o processo de criação da nova edição desde os primeiros rascunhos e brainstorms feitos no início de 2005 até os playtests no segundo semestre de 2007. A linha de tempo é meio superficial, mas é interessante por permitir acompanhar a forma como os dois departamentos de criação da WotC – design e development, trabalham lado a lado no desenvolvimento de um produto. Outras informações bacanas também estão presentes, como a de que o grupo de development (Mike Meals, Rich Baker e Mike Donais) incorporou mecânicas do primeiro manuscrito da equipe de design, chamado de Orcus I, ao Tome of Battle: Book of Nine Swords.

The Process of Recreation, também do Rob Heinsoo, fala sobre a parte específica do processo apelidada de Flywheel, na qual os escritores tiveram como principal objetivo adaptar as oito classes de jogadores criadas na fase de design Orcus II para uma forma mais próxima da edição 3.5. No inicio o swashbuckler era uma das classes básicas, mas foi cortado e suas habilidades divididas entre o ladino e o ranger, e em seu lugar foi colocado o warlock. O artigo também fala do papel específico de cada um dos participantes do Flywheel – Rob Heinsoo, Mike Mearls, Andy Collins, Jesse Decker e Dave Noonam, e como cada um deles contribuiu para a primeira versão das classes, regras e monstros criados nesta etapa.

A seção também tem pequenos artigos dos artistas responsáveis pela criação das imagens, logo e identidade visual da nova edição, além de breves trechos de e-mails com as primeiras versões de conceitos básicos utilizados no processo de design das regras e mecânicas.

Heroes in the World trata das mudanças sofridas pelos personagens na 4ª edição. A primeira destas mudanças é a expansão do chamado sweet spot, aqueles níveis (geralmente entre o 4° e o 13°) onde a matemática do sistema funciona melhor e possibilita um jogo mais divertido para jogadores e mestres. Na teoria a nova edição funciona de modo a expandir o sweet spot por todos os 30 níveis de personagens, com menos desequilíbrio das habilidades e poderes de cada classe.

As fontes de poder também são abordadas, e enquanto Heinsoo afirma que elas sempre existiram no D&D – magias arcanas sempre foram diferentes das divinas – agora a diferenciação entre as origens e funcionamento dos poderes será maior, com subsistemas de regras alternativos para cada um deles. Uma novidade em especial é a fonte de poder marcial, que permite aos não-usuários de magia, como guerreiros e ladinos, realizarem feitos sobre-humanos em níveis mais altos.

A seção termina com o texto Longswords e Lightsabers do Rodney Thompson, que trata da relação entre a nova edição do D&D e o Star Wars Saga, que serviu como uma espécie de plataforma de testes de algumas das mecânicas desenvolvidas para a 4ª edição. Um texto curtinho, mas interessante, que confirma a ligação profunda entre o Star Wars Saga, Tome of Battle: Book of Nine Swords e os rumos tomados na criação da 4ª edição do Dungeons & Dragons.

Esta primeira parte do livro, com informações dos bastidores e do funcionamento do longo processo de criação da nova edição foi de longe a mais interessante para mim. Não que o preview das novas raças e classes não seja legal, longe disso. Mas é algo que em poucos meses estará ultrapassado e incompleto, afinal, ninguém vai ler a descrição misteriosa e cheia de lacunas dos ladinos deste livro quando tiver o Players Handbook em mãos. Mas a espiada nos bastidores do processo de criação é algo que torna o Wizards Presents Races and Classes um livro um pouco mais relevante, e é justamente nesta primeira parte do livro onde isto é feito de maneira mais sistemática e aprofundada.

Na próxima parte, Choosing the Iconic Races

Um Comentário

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  1. Diego disse:

    Legal. Ao menos alguma coisa pra tornar o livro menos supérfulo. A respeito de Estatísticas de Raças, ele aborda alguma coisa?! Estou muito curioso quanto como ficaram os anões.

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