Enquanto isso no Brasil…

Se nos últimos meses o mercado de RPG gringo esteve cercado de expectativas e especulações por causa da 4ª edição do Dungeons & Dragons, cujo último desenvolvimento foi o anúncio da Paizo que não vai converter seus produtos para a nova edição, no Brasil as coisas ainda devem continuar as mesmas por algum tempo. Mas algumas conseqüências inesperadas e possibilidades já são discutidas em listas, fóruns e blogs.

Até agora nada de muito sólido havia sido dito, exceto por editoriais recentes da Dragonslayer questionando a necessidade e viabilidade da 4ª edição no mercado brasileiro. Essa semana no entanto, ao responder ao tópico casa de vidro na RedeRPG, o Douglas D3 da Devir falou sobre o Arcana Evoluída:

Embora tenhamos perdido o momento mais adequado para o lançamento deste livro, o anúncio da Paizo sobre a continuidade do suporte aos jogadores de D&D 3.X com os produtos da linha Pathfinder criou um novo panorama de mercado.
No momento, a publicação de Arcana Evoluída está suspensa (mas não cancelada) até que saibamos mais sobre esse produto e sobre a reação do mercado com essa notícia.

Bom sobre o Arcana Evoluída isso já era mais que esperado. Com o lançamento originalmente planejado para Julho de 2007, durante a visita do Monte Cook ao EIRPG, o livro foi adiado consecutivas vezes, e finalmente colocado em suspensão, o que me parece uma ótima idéia em vista do lançamento da nova edição e do preço previsto da edição nacional do livro (cerca de R$120 reais). Mas o interessante é a possibilidade levantada pelo D3 da iniciativa da Paizo dar uma nova vida à 3ª edição também no Brasil. Em outro tópico o D3 complementou seu comentário, deixando claro que a Devir não tem intenção de traduzir o Pathfinder Roleplaying Game:

Isso não significa que eu substituiria o Arcana Evoluída pela Pathfinder. O que eu quis dizer foi: se a notícia da Pathfinder — ou seja, a continuidade de suporte à edição 3.5 OGL — agradar ao público e funcionar, tanto nos EUA quanto nos mercados menores, Brasil incluso, posso reavaliar a publicação de Arcana, já que o mercado de 3.x continuará ativo. Até lá, o livro está suspenso (mas não cancelado).

Sobre a possibilidade da Devir publicar a Pathfinder 3.75: Até onde eu entendo, boa parte desse material será feito pelos fãs, com base nas regras abertas, então a minha conclusão lógica é que parte dele será gratuito. Nesse caso, as únicas parcelas comerciais da Pathfinder seriam as alterações que não foram inclusas na Licença Aberta e o cenário da editora. Não me parece muito promissor comercialmente, visto o potencial que temos com a 4ª Edição e Forgotten Realms, por exemplo. Certo pelo duvidoso.

Por outro lado, se esse material fosse vendido em PDF, talvez valeria a pena ingressar nesse mercado. Ainda assim, seria contra-producente, porque estaríamos dividindo mais um mercado altamente limitado. Além disso, sendo de conteúdo aberto e automaticamente tornando-se parte da OGL, os jogadores poderiam simplesmente atualizar seus sistemas usando o material gratuito da internet (como muitos fizeram da 3.0 para a 3.5) ou apenas “piratear” as atualizações. De uma forma ou de outra, eu não venderia livros; nesse sentido, os jogadores “continuam” na edição anterior e não “migram” para a nova. Efetivamente eles migram, mas eu não vendo livros — comercialmente, é o mesmo resultado para mim.

Finalmente, e se o material não for aberto e outra editora fizer essa tradução? Nesse caso, é possível que o mercado de 3.x continue existindo e se aqueça durante algum tempo OU os jogadores brasileiros simplesmente ignorem a versão comercial da Pathfinder. Então, eu teria duas opções: 1) voltar a publicar material de D&D e/ou D20 para a 3ª Edição ou 2) ignorar essa fatia do público e investir na atualização do mercado para a 4ª Edição.

Eu tenho que esperar para descobrir qual será a reação efetiva do mercado em relação à essa iniciativa e também ao lançamento da 4ª Edição.

Ainda que algumas hipóteses sejam meio distantes, achei muito interessante o post e as possibilidades que ele coloca para o mercado nacional, e a questão que se torna cada vez mais crucial da divisão do público do D&D em fatias – formadas por jogadores da terceira edição, da quarta e de ambas. Se no mercado norte-americano a decisão da Paizo de se manter na terceira edição foi considerada ousada e arriscada, já que não se sabe se terá público suficiente para manter a iniciativa, o que dizer então do Brasil, onde o número de jogadores é infinitamente menor?

5 Comentários

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  1. Tek disse:

    Rocha, acho que o fato do número de jogadores aqui ser menor não significa que não venderia. Se no fringir dos ovos o preço fosse mais barato, imagino que o pessoal se manteria.
    Mas também prefiro esperar pra ver…

  2. valberto disse:

    Cada vez mais a nova edição e suas decisões mercadológicas me desagradam. Atualmente eu tenho gostado muito mais do material apresentado pela Paizo que o material da Wizards.
    Se para os editores a edição 3.qualquer-coisa-acima-de-5 não é interessante, para mim, preservar parte de oto o meu investimento na linha 3.X é mais do que interessante. Afinal quando a 4° sair ou eu compro ou me desatualizo, uma vez que não vai mais existir a OGL.
    Sendo assim, loamento que não havja uma editora capaz de trazer o pathfinder para o Brasil – o melhor sistema de 3.X atualmente no mundo.

  3. Avoloch disse:

    O problema é que a Wizards quer agradar gregos e troianos, e no final gera uma gama enorme de descontentes.
    O grande problema da quarta edição é a saída completa da realidade em seu jogo, o que desagrada muito jogadores antigo/tradicionalistas/normais , mas devemos esperar pra falar.
    a pergunta é, sendo o D&D o alicerce do RPG existente existe cabimento para tanta inovação ?

    tenho medo

  4. Rocha disse:

    Opa, eu também acho que seria muito interessante o lançamento do Pathfinder Roleplaying Game no Brasil, ainda que como escrevi no post, tenha dúvidas sobre como os jogadores (e em última instância as editoras) reagiriam a esta fragmentação.

    Mas a verdade é que se essa idéia vingar mesmo, o Brasil seria um campo fértil, já que teve ainda menos tempo de 3ª edição que nos EUA (nem todos os completes foram traduzidos ainda, assim como as continuações do Livro do Jogador e do Mestre), e a indisposição com a 4ª edição parece ser bem grande, pelo menos por enquanto. E isso sem contar a variável da velocidade de tradução dos livros da 4ª para o português: se por algum motivo eles chegarem em 2010, uma eventual versão traduzida do Pathfinder RPG teria além de todas as suas vantagens relacionadas à compatibilidade, um ano de dianteira para o público brasileiro…

  5. valberto disse:

    O PRPG nem precisa vir. eu já estou traduzindo o que eu gosto para usar. E com todo o respeito, que se dane a devir, a quarta edição, o parmênides…

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