Sobre a 4ª Edição (a opinião do Giltônio)

As mais de 300 (!!!) mensagens hoje na Área RPG e o recorde de visitas aqui no blog nos últimos meses mostram como as coisas estão insanas na internerd após o vazamento dos livros da 4ª edição. Ainda estou lendo o Player’s Handbook e mal vi os outros dois livros, mas pretendo muito em breve fazer um comentário sobre cada livro. Até lá acho que é uma boa postar a avaliação do Giltônio, que como vocês vão perceber tem uma posição bem diferente da minha, mas não deixa de ser bem embasada e com mais lógica que o “tá igual WoW!!!” que algumas pessoas não cansam de falar.

Não resisti e fui ‘dar uma espiadinha’ nos pdfs vazados na 4E. Peguei os três livros nos links passados pela galera e fui ver o que me espera. Na verdade, fomos tomar uma cerva ontem dando uma olhada no Player’s, graças ao pen drive do Rocha e ao notebook do Tiago. Os outros dois eu folheei com mais cuidado em casa. Sem mais delongas, a 4E até agora:

Brochante. Os livros são secos e sem sal. Não são nada evocativos, não empolgam e não fazem ter vontade de jogar o jogo. Aliás, se o sistema tivesse saído do jeitinho que eu queria ainda sim não sei se teria saco pra mestrar a 4E, simplesmente porque não me imagino tendo saco pra ler os livros. Elaboro um pouco mais em cada um:

O Player’s: um gringo disse que parece o manual de Baldur’s Gate (uma versão deveras turbinada, de fato). Eu discordo. Pra mim tá com muito mais cara de spoiler da mais recente expansão de Magic. Quando sai uma expansão nova de Magic, eu pego o spoiler e leio carta por carta o que elas fazem. Não faço porque seja uma leitura agradável, mas porque é necessário conhecer as cartas pra jogar o jogo. Livros de RPG eu prefiro que sejam leituras agradáveis. O Player’s parece um módulo básico de GURPS que não é nem genérico nem universal, ou talvez um código civil ou penal.

Os poderes são muito pouco inspirados. A uma certa altura da leitura alguém comentou ‘toda classe tem um poder 7[W] no nível 29’. Enquanto olhávamos o warlock o Tiago falou ‘ele não tem, o poder dele é 5d10’ ao que eu respondi ‘aposto que tem sim, um poder 7d10’. Abaixamos a página mais um pouco e lá estava o poder 7d10. Tudo extremamente genérico e pasteurizado. Os poderes são todos bastante iguais, todo mundo ganha X[W] no nível Y, e cada classe adiciona um outro efeito interessante para o seu ‘role’.

A introdução do livro ainda tem as supostas ‘informações de roleplay’, mas todos nós sabemos que colocar esse tipo de informação quando o sistema inteiro dá suporte para que o jogo seja jogado de outra forma é mera demagogia. Os caras perdem três parágrafos mandando o player pensar maneirismos e características de personalidade para o personagem só pra dizer em seguida “Play a dragonborn if you want… to breathe acid, cold, fire, lightning, or poison.” Detalhe: continuo procurando regras para o meu personagem saber construir armas e armaduras, por exemplo. Se alguém achar, me avise.

O DM’s Guide: é um grande manual sobre como construir encontros/aventuras. Até agora, me parece o melhor dos três, embora sofra de males semelhantes no que diz respeito ao estilo de escrita (bula de remédio). Eu diria que ele acabou virando uma grande caixa de ferramentas pra quem conduz o jogo, mas de forma muito pouco inspirada. Aliás, me parece que todos os livros da 4E pecam por serem excessivamente funcionais, o que é bizarro se levarmos em conta que muitos jogadores (o que provavelmente deve incluir alguns dos designers do jogo) estão lá pela viagem, e não pelo destino. O típico fã de RPG gosta de ler tanto quanto jogar. Os manuais da 4E não servem pras duas coisas; lê-los será muito mais uma necessidade do jogo do que um prazer à parte.

Senti falta nesse DM’s Guide principalmente de material pra quem gosta de mexer no sistema. Acho o cúmulo da má vontade colocar trocentas páginas de armadilhas e não ser capaz de colocar duas sobre como mexer nas classes/raças ou introduzir classes/raças novas. Nesse sentido, esse acabou sendo o DM’s mais fraco que eu já vi, o que me levou a concluir que não temos em mãos uma ferramenta para explorar a criatividade dos participantes no jogo, e sim um grande manual de lingüagem de programação que permitirá ao mestre dar aos jogadores a simulação de WoW que essa edição propõe.

O Monster Manual: Deixei o pior para o final. O Monster Manual é a cereja no topo do sundae da bomba que está sendo a 4E pra mim. Nada de descrição, nada de período de atividades ou clima preferido, nada de organização, nada de qualquer coisa que não sejam stats de combate. De fato, os stat blocks parecem as cartas das miniaturas. O que temos são informações sobre como utilizar as criaturas em… encontros combativos! Nada de descritivo, apenas táticas e mais táticas. Ser o DM na 4E virou mesmo o equivalente a ser um programador, o que me deixa bem triste.

Como alguém já falou aqui na lista, o D&D também não tem mais animais naturais. Toda criatura tem que vir com spikes, presas protuberantes ou soltando fogo pelas ventas. Como um mestre que sempre gostou de utilizar animais para completar encontros e deixá-los mais variados/interessantes, acheio bem frustrante ver que vou precisar mexer nas regras se quiser utilizar um urso que não tenha espinhos saindo das costas ou presas de um palmo e meio.

Se isso não bastasse, o MM também veio cheio de imagems recicladas. O Death Knight é velho conhecido, assim como Drow, Gorgon e outros. Cheguei a ver uma imagem reciclada do Oriental Adventures! Vergonhoso sair por aí arrotando que gastou não sei quantos milhões pra fazer a nova edição e me aparecer com desenhos antigos de monstros.

Falando honestamente, só não cancelo o meu pre-order porque pelo preço que paguei no gift set na amazon, provavelmente conseguirei vender por aqui sem levar prejuízo (talvez até com lucro), mas o fato é que a 4E conseguiu me frustrar muito mais do que eu tinha imaginado, o bastante até pra eu perder a vontade de ter os livros como colecionador (não vou ter saco de ler mesmo…).

Quem achava que não ia virar um WoW de papel estava equivocado, foi exatamente isso que virou. Tudo remete ao célebre MMO, sem salvação nesse quesito. Não vai ter jeito mesmo, D&D pra mim vai até a 3ª Edição, e talvez o Pathfinder. Esse novo D&D definitivamente não vai me servir pra nada (não tô tendo vontade nem de escrever coisas da 4E pra Secular).

Sem mais por hoje (tô decepcionado demais)…

Ops, ele termina falando que virou WoW! Mas o caminho que fez até ai é interessante e vou tentar usar a análise do Giltônio para pautar a minha. Vamos ver como vai ficar!

9 Comentários

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  1. Chuck disse:

    Nas minhas palavras está a verdade… :D

  2. Lieo disse:

    Poxa, e eu que achei justamente o Monsters o melhor dos três. Estatísticas concisas, bem organizadas, um agrupamento melhor das criaturas em grupo e tipos.. E a descrição delas dando um banho no que era feito nas edições anteriores.

  3. Diego disse:

    1- Aff… falou e disse.

    Alguém conseguiu entender quantos poderes você conhece de cada nível??! Se são só aqueles da tabela, vc vai substituindo os poderes existente??!

    2- Aff… nem precisam responder… acho que vou eu mesmo mecher na 3.5ª edição e manter oq eu achei interessante na quarta edição e excluir o restante.

    3- Aff… acho que nem convém o trabalho.

  4. Diego disse:

    E mesmo as imagens novas… Powww…

    Pelo amor de Deus. Eles não souberam nem manter o nível de qualidade nas imagens novas. E nem precisa de muito pra saber disso, quem quiser compare a ilustra dos Efreets e depois a ilustra dos Wraiths que saiu ontem.

    Alguém achou algum ritual de invocação de criaturas??! Pq eu num vi nenhum.

  5. RAFAEL ROCHA disse:

    1 – nao tem nada haver com o post

    OI, pelo jeito um outro eu que estranhamente tbm tem um blog sobre rpg,( multiverso??? )
    comecei meu blog a pouco tempo gostaria de saber se existe uma blogsfera rpgistica presente, para que eu possa interagir mais.

  6. Chuck disse:

    E a descrição delas dando um banho no que era feito nas edições anteriores.

    É… acho que não vimos o mesmo livro. O meu não tinha organização, período de atividade, clima ou terreno, frequência… sei lá, essas coisas que pra mim são uma mão na roda na hora de pensar um encontro ou elaborar a região de um cenário de campanha. O melhor livro dos monstros é o da 2ª Edição. Depois dele as descrições dos monstros vem diminuindo cada vez mais.

  7. Rocha disse: (Author)

    comecei meu blog a pouco tempo gostaria de saber se existe uma blogsfera rpgistica presente, para que eu possa interagir mais.

    Opa e ai homônimo! Tem um monte de blogs legais de RPG por ai, na minha lista de links tem alguns. Também recomendo fortemente entrar na lista Área RPG, onde todo blogueiro (odeio essa palavra!) que se preze já esta : )

  8. Thiago disse:

    Concordo plenamente contigo Giltônio. Fui comentar os livros como o meu irmão, que tbm é rpgista e disse pra ele que o livro do jogador parecia um tutorial do WoW. O Design gráfico é horrível.
    O livro dos monstros parece um livro de dinossauros malvados que você encontra na área infantil das livrarias. Estou dando uma lida do Players Handbook, mas não estou muito animado.
    Um desastre essa quarta edição!

  9. Leonardo A. Souza disse:

    Realmente o MM é horrivel… tudo bem que as estatisticas ficaram legais, mas cadê as descrições dos monstros?

    Onde eles vivem? De onde eles vem? Pra onde eles vão? O que que eles fazem além de bater?

    Monstro agora só serve pra bater ou apanhar de player… Meio ambiente do cenário? Nichos? Organização? Nada! Tem exemplos de encontros literalmente misturando monstros, mas nada explica o pq deles estarem juntos! Ridiculo.

    Tem monstro que não tem nem uma linha de descrição… e os animais??? Só existem criaturas fantasticas no mundo agora? Completamente brochante esse MM pra qualquer mestre que preze interpretação além do hack’n slash.

    Não reclamo mt do Player’s não… até gostei da maioria das novas regras… e não tive tempo de ler o DMG direito. Mas o MM revoltou e muito.

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