Sessão 01: Início da campanha!

Como finalmente vou tirar minha campanha de Eberron do limbo daqui umas semanas, nada mais adequado do que continuar a série de posts sobre a campanha. Comecei falando sobre os preparativos para a campanha e o formato dos posts, depois escrevi um pouco sobre os seis aventureiros, e agora vamos para a primeira tarde de aventuras! Meus objetivos com esta sessão inicial eram:

  1. Unir o grupo – Durante a criação dos personagens se formaram dois núcleos, com Totem e Dave que já estavam em Sharn e travado contato com Faheria ao pesquisarem na biblioteca de Morgrave, e Ozz, Urien e Lil na caravana da Casa Vadalis.
  2. Apresentar um pouco de Sharn – A cidade das torres é uma das mais legais e bem descritas que já coloquei as mãos, e como meu objetivo é passar as primeiras aventuras por lá, deveria apresentar um pouco de como a cidade é organizada logo na primeira sessão.
  3. Introduzir um possível patrono – Patronos são uma forma fácil de se introduzir aventuras e conectar personagens, além do mais eles sempre podem ferrar o grupo quando as coisas começam a ficar paradas demais, seja sendo raptados ou com uma traição inesperada!

O primeiro objetivo, que parecia bem simples, foi mais mal sucedido dos três. Tentei unir os dois sub-grupos em uma busca por uma estatueta roubada, mas ao invés de dar a pista direto para ambos, deixei que o grupo de Dave, Faheria e Totem fosse contatado diretamente pelo patrono interessado na recuperação da estatueta, da forma bem tradicional. Enquanto isso Urien, Ozz e Lil foram envolvidos na busca por um jovem desaparecido, cuja relação com uma perigosa gangue de Sharn, os Daask, era notória. Claro que eles possuiam uma ligação com o cara que roubou a estatueta, mas isso demorou mais para aparecer do que eu gostaria…

[Aviso: a idéia aqui não é fazer um texto com pretensões literárias ou minimamente romanceado, mas apenas descrever brevemente o que rolou na sessão ok? Não teremos um Crônicas de Sharn por aqui : ]

Unidos pela caravana da Casa Vadalis, Urien, Lil e Ozz chegaram a Sharn e em poucas horas se viram frente a frente com um grupo de arruaceiros em uma confeitaria. Após algumas trocas de insultos e ameaças, os goblins e seu líder, um gnoll carregando um enorme machado, se retiraram prometendo ao dono do estabelecimento voltar em breve para recolher o pagamento.

Bastante assustado, o homem se apresentou aos três aventureiros como Janil Hogarth, e revelou que estava sendo perseguido por membros da gangue conhecida por Daask, graças a uma dívida de 19 peças de ouro feita por seu irmão Jarin, viciado no alucinógeno conhecido como Lírio dos Sonhos. Ao desaparecer, Jarin também levou consigo o rendimento de meses da confeitaria, deixando Janil e sua esposa Lirena em situação um tanto desesperadora.

Prontamente Urien e Ozz se colocaram a disposição do casal para tentar resolver a situação, apoiados por uma Lil relutante. De posse de uma ilustração de Jarin, e do endereço de Thul, seu fornecedor de Lírio, os aventureiros partiram para o distrito da Torre Caída, onde obtiveram o auxílio de um estranho homem, não sem antes Lil lhe escorregar algumas moedas de cobre e sorrisos amistosos. O ponto de Thul foi localizado em meio a residências abandonadas e escombros da Torre de Cristal, e Urien tomou a iniciativa de conversar com o goblin que vigiava a porta.

Apesar dos esforços do jovem cavalheiro de obter informações sobre Jarin de maneira civilizada, a conversa foi infrutífera e logo surgiu á porta um bugbear cuja parca paciência foi rapidamente esgotada por Urien. Com um golpe de sua maça o goblinoíde derrubou o nobre da Casa Vadalis, enquanto Lil, Ozz e sua feroz montaria Xaron, e dois outros goblins se juntaram ao confuso combate na porta. O bugbear foi parcialmente devorado por Xaron, e os goblins fugiram aterrorizados, assim como um vulto que pulou do telhado em direção a casa ao lado.

Lil e Ozz recolheram o seriamente ferido Urien e o levaram a uma casa de cura Jorasco, mas não sem antes recuperarem uma bolsa acidentalmente deixada dentro da casa pela figura em fuga…

Enquanto isso no distrito Universitário…

Na rotina diária de visitas a biblioteca de Morgrave, Totem de Guerra e Dave conheceram Faheria Morgal, uma jovem enfadada com a vida universitária. Foi através dela que receberam a indicação para um trabalho, no qual os acompanharia. O contratante, Frederic Gelnir, marcou um encontro com os aventureiros em conhecido restaurante anão, o Morragan’s na parte superior do platô de Menthis.

Lá os três aventureiros foram recebidos por um elegante, ainda que levemente acima do peso, Gelnir que de maneira breve apresentou seu problema: desejava reaver uma antiga estatueta pela qual pagou e não recebeu. Onze dias atrás, exploradores de ruínas contataram um de seus assistentes, Faren Sakala, para comprar uma antiqüíssima estatueta encontrada nas profundezas de Sharn. Gelnir enviou Sakala com a quantia de 1000 peças de ouro, e no dia seguinte o shifter (aqui eu não consegui uma tradução decente que não se pareça um nome de X-Men…) retornou ao seu escritório com a estatua. No entanto o artefato era falso, como identificado dias depois. Óbviamente, após a entrega da estátua Sakala nunca mais retornou ao escritório de Gelnir, apesar de ter sido contatado duas vezes por mensageiros…

Frederic Gelnir então solicitou que o grupo lhe traga Faren Sakala e lhes pagará 200 peças de ouro caso sejam bem sucedidos. Se recuperarem a estatueta, a recompensa sobe para 1500 moedas. Ele também informou ao trio que Sakala freqüenta um armazém no distrito de Precarious, geralmente cercado por o que ele chamou de “seus lacaios violentos”. Gelnir deixou a estátua falsa com os três aventureiros e partiu, esperando ser contatado em uma semana com resultados.

No dia seguinte, enquanto Faheria buscava nas praticamente infinitas lojas de Sharn por possíveis escultores que pudessem ter feito a falsificação, Totem e Dave foram a Precarious em busca do armazém de Sakala e pistas sobre o shifter. Faheria encontrou um possível candidato a falsificador em Dura Mediana, enquanto os dois guerreiros, após localizarem o esconderijo de Sakala e verificarem que estava vazio, retornaram para Morgrave, onde se encontraram com Faheria.

Ao anoitecer os três retornaram a Precarious, e logo avistaram um grupo entrando no galpão de Sakala. Ao investigar mais de perto, Dave viu um o que parecia serem lutadores e apostadores em torno de um ringue, enquanto dois shifters se enfrentavam. Um deles era Sakala.

A primeira sessão foi divertida, acho que deu para introduzir algumas das particularidades de Sharn que eu gosto, como a questão da divisão entre os níveis da cidade – quanto mais baixas as torres, mais pobres, poluídas, e claro, perigosas, e logo de cara já quis que os jogadores sentissem isso subindo aos níveis mais altos e ricos, apenas para terem que resolver alguma coisa na parte baixa.

A idéia de juntar o grupo não colou por culpa minha, que extendi demais a busca por Jarin Hogarth, que também estava atrás da estatueta para pagar sua dívida com os Daask, já que a gangue identificou um comprador potencial. Outra coisa que não funcionou muito bem, embora seja um falha do sistema, que eu deveria ter prestado mais atenção, é o quanto os combates de 1° nível são frustrantes. Um ataque pode te derrubar, e foi o que exatamente o que aconteceu com Urien, e deixou os outros dois personagens Lil e Ozz em problemas. A sorte foi o dinossauro Xaron estar por lá para segurar as pontas!

E o patrono entrou normalmente, mas acho que consegui passar a idéia, pelo menos neste primeiro encontro, de um cara que encara toda a situação como um hobby, um colecionador interessado em alguma peça rara, e disposto a pagar uma pequena fortuna por isso. Foi interessante ver como os aventureiros se dirigiram a ele após resolverem o caso (e sofrerem algumas consequências), mas vamos deixar isso para o próximo post.

Claro que a bolsa encontrada pelos três aventureiros no ponto de drogas de Thul continha informações sobre o último paradeiro conhecido da estatueta, ou seja, o galpão de Faren Sakala em Precarious, mas o lance dos personagens terem apanhado um bocado os fez diminuir o ritmo, o que deixou a união para a segunda sessão. E nem assim aconteceu muito bem…

Vou postar em seguida o Guia de NPCs que fiz para o jogo, com um pequeno resumo de cada personagem, e que será atualizado a cada nova aparição. Essas são informações que eu envio por e-mail para os jogadores e que considero cruciais em uma campanha urbana, onde um NPC pode aparecer novamente após muito tempo sumido, ou um inimigo ocasional pode se revelar um importante contato, como aconteceu nesta campanha.

8 Comentários

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  1. Cobbi disse:

    Meus objetivos com esta sessão inicial eram:
    Unir o grupo (…)
    Apresentar um pouco de Sharn (…)
    Introduzir um possível patrono (…)

    Fala Rocha,

    Curti a mecânica de preparação que vc usou pra bolar a aventura. Simples, prático e eficaz. :-)

    Aliás, a aventura é toda de sua autoria?

    Aliás, vcs jogam pela RPGA? (a curiosidade mata)

    Gelnir enviou Sakala com a quantia de 1000 peças de ouro, e no dia seguinte o shifter (aqui eu não consegui uma tradução decente que não se pareça um nome de X-Men…)

    Ainda não temos o termo fixo para a 4E. Por hora, nossas opções são Feral, Bestial, Ferino, Lican, Morfo, Licano, Lupino, Metamórfico, Mutante, Transmorfo e Feramorfo.

    É um termo complicado pq, semanticamente, esbarra fácil fácil no Changeling e no conceito do Doppelganger, deixando de lado a herança de licantrópica, que é fundamental.

    Qualquer ajuda construtiva de gente entendida no assunto é bem vinda. :-D

  2. Barba disse:

    Escreva uma dessa pra cada sessão e eu prometo que não falto – como não faltei até hoje, hehe.

  3. Rocha disse: (Author)

    Curti a mecânica de preparação que vc usou pra bolar a aventura. Simples, prático e eficaz. :-)

    Opa, legal! Na verdade tô usando um sistema um pouquinho mais completo, algo semi-estruturado, com os objetivos guiando. Depois escrevo algumas linhas sobre os principais NPCs da trama, uma linha de tempo dos eventos, e finalmente a descrição de uns cinco lugares que eu acho que os aventureiros podem (ou devem : ) visitar.

    Aliás, a aventura é toda de sua autoria?

    Sim e não, roubei umas idéias aqui e ali. Nessa aventura misturei alguns elementos do Falcão Maltês do Dashiell Hammett, e um NPC roubado do Rel da ENWorld.

    Aliás, vcs jogam pela RPGA? (a curiosidade mata)

    Não, eu até estava com essa idéia uma época, mas o resto do grupo não é cadastrado e fiquei com um pouco de preguiça…

    Ainda não temos o termo fixo para a 4E. Por hora, nossas opções são Feral, Bestial, Ferino, Lican, Morfo, Licano, Lupino, Metamórfico, Mutante, Transmorfo e Feramorfo.

    É um termo complicado pq, semanticamente, esbarra fácil fácil no Changeling e no conceito do Doppelganger, deixando de lado a herança de licantrópica, que é fundamental.

    Pois é, eu não sou muito ligado na exatidão da tradução, inclusive minhas traduções são meio freestyle… E nesse caso, tanto pela idéia da raça, como pela confusão com os changelings, eu sou mais feral, inclusive vou adotar essa no meu jogo, valeu!

  4. Rocha disse: (Author)

    Escreva uma dessa pra cada sessão e eu prometo que não falto – como não faltei até hoje, hehe.

    A idéia é exatamente escrever uma para cada sessão! E marca na sua agenda o dia 13 a ressurreição do jogo!

  5. Daniel disse:

    Muito bacana, Rocha! A aventura parece legal, a sessão parece ter sido muito de boa e realmente a construção da aventura é bem eficaz, eu nunca tinha visto uma preparação assim.

    Queria dar uma olhada nessa inspiração sua. É um romance ou um livro-aventura?

    Quanto aos combates de 1º nível, acho que isso rolou por causa das “limitações de pessoal” da 4E. Tinham 3 personas ao invés de cinco, o padrão pra encontros do nível do grupo, e além disso tem aquele esquema dos roles, que conta muito. Nas nossas sessões de 1º nível os combates não foram tão difíceis, só depois de um milestone que ficávamos mais desesperados, porque um ou dois caíam.

  6. Rocha disse: (Author)

    Muito bacana, Rocha! A aventura parece legal, a sessão parece ter sido muito de boa e realmente a construção da aventura é bem eficaz, eu nunca tinha visto uma preparação assim.

    Valeu : )

    Queria dar uma olhada nessa inspiração sua. É um romance ou um livro-aventura?

    É um romance, tido por muitos como o primeiro e mais importante da literatura policial noir. É bem fácil de ler e altamente recomendado. Outra aventura do grupo, se não me engano a terceira, foi bem inspirada em outro romance noir, O Sono Eterno de Raymond Chandler. Esse sim eu peguei várias idéias mesmo, NPCs, cenas e tal, e modéstia a parte acho que foi muito legal.

    Quanto aos combates de 1º nível, acho que isso rolou por causa das “limitações de pessoal” da 4E.

    Opa mas ai que está, está campanha usa o D&D 3.5. Acho que não deixei isso claro, mas esta sessão relatada aconteceu se não me engano em Novembro de 2006! E na 3ª edição era foda, os personagen tinham muito menos pontos de vida no primeiro nível. Chegou o Urien (personagem do Giltônio, paladino 1) lá para dialogar com o Bigbear, levou uma porretada na cabeça e já caiu com zero de vida… Isso dificilmente rola na 4ª edição, acho que na maioria dos casos nem com crítico, só se for um monstro muito bruto mesmo.

  7. Daniel disse:

    Ah, eu achava que era na 4ª. Por isso estranhei.

    Mas realmente, na 3.5 combate de 1º nível é foda mesmo, o decisivo de um orc mata qualquer bárbaro. Por isso eu uso um sistema alterado de PVs e PFs. =D

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