Dia 1° de Outubro e dai?

Segundo a Game System Licence divulgada em Abril, ontem dia 1° de Outubro foi a data na qual produtos que utilizam as regras do Dungeons & Dragons 4ª edição poderiam ser lançados. Mas adivinhem? Alguém ouviu falar de um grande lançamento? Ou dezenas de pequenos? Não, ontem a maior notícia em termos de lançamento foi o Earthbound do Monte Cook disponibilizado de graça. É, para a 3ª edição do D&D e usando a boa e velha OGL…

É engraçado, porque em Abril e nos meses seguintes eu estava esperando que o dia 1° de Outubro fosse marcado por uma verdadeira avalanche de produtos. Na verdade não era só eu, já que me lembro da discussão no fórum exclusivo de vendedores da RPGNow sobre a criação de um mecanismo para impedir que o excesso de lançamentos no dia 1° de Outubro tirassem os produtos da página inicial apenas alguns minutos após serem colocados lá (geralmente um produto fica na página principal por 2 ou 3 dias), e alguns chegaram a pensar que seria necessária a criação de um site irmão da RPGNow dedicado somente a 4ª edição.

Fazia sentido não é? A 4ª edição do Dungeons & Dragons foi um sucesso comercial tremendo, superando em seu lançamento as vendas dos livros básicos da 3ª edição no mesmo contexto, e nada mais natural esperar que este boom, aliado a falta de suplementos oficiais destes primeiros meses fosse gerar uma incrível onda de lançamentos em PDF como nunca visto anteriormente. Mas se o dia 1° passou e praticamente nada (a excessão digna de nota aqui é o Advanced Player’s Guide da Expeditious Retreat) foi lançado, o que deu errado?

Como agora todos nós sabemos, a resposta é a GSL. Primeiro a Wizards lança uma licença tão restritiva que várias editoras preferiram perder o incrível mercado dos jogadores de Dungeons & Dragons do que lançar produtos seguindo suas regras dracônicas (trocadilho!). Depois que um monte de editoras peso-pesadas anunciaram que não iam adotar a GSL – algumas lançando produtos compatíveis com a 4ª edição usando as leis de fair use, outras simplesmente deixando a nova edição do D&D de lado, a WoC voltou atrás e anunciou uma revisão na maldita GSL, que apesar de ter sido anunciada para logo depois da GenCon (que aconteceu em Agosto) ainda não saiu. E como isso tudo se liga ao fiasco do dia 1° de Outubro?

Bom o primeiro e mais óbvio fator é a rejeição a GSL. Simplesmente muitas editoras não querem usar a parada, por a considerarem restritiva em excesso. Mas mesmo assim várias editoras estavam dispostas a lançarem produtos para a 4ª edição no dia 1° de Outubro, principalmente as menores, como a Secular e dezenas de outras segundo os fóruns internos da RPGNow. Paradoxalmente, o que quebrou mesmo foi o anúncio da revisão na GSL. Ninguém quer lançar um produto agora, seguindo aquelas regras ultra rígidas, e ser surpreendido com uma Game System Licence mais aberta duas semanas depois, que possibilitaria um produto mais interessante. Ou ainda, para os pessimistas de plantão (acho que estou me tornando um deles), lançar algo e ver a GSL mudar de forma que obstrua a legalidade daquele produto, restringindo o determinado uso de uma regra ou parte do sistema.

Por outro lado, muitos acreditam que a WoC está segurando a versão revisada da GSL para recompensar as editoras que decidiram seguir a versão antiga e criticada da licença, garantindo assim algumas semanas de mercado livre para estes bravos e ousados que seguiram fielmente a licença de publicação da 4ª edição. Se isto for verdade, a questão é ainda mais maluca – a Wizards está segurando a nova GSL para recompensar as editoras que adotaram a licença original, e as editoras estão esperando a GSL revisada para lançarem seus produtos usando as regras da nova edição do D&D.

O resultado é esse, o dia 1° de Outubro passou em branco, o que evidencia não só o fracasso da GSL, mas também a incrível seqüência de erros que a Wizards of the Coast vem comentendo no que se refere a licença da 4ª edição do Dungeons & Dragons. E o dia 01/10/2008, que tinha tudo para ser um marco na história da venda de PDFs de RPG, foi só mais um dia como os outros…

30 Comentários

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  1. Cassaro disse:

    Não diga que eu não avisei…

  2. jrmariano disse:

    Bem, não foram os únicos. Parece que há uma parceria da Red Hat Games (editora “indie” do Spirit of the Century e do Don’t Rest Your Head e futuramente o Dresden Files), da End Game e da Blue Devil Games (editora “indie” do Dawning Star e do Poisoncraft: The Dark Art) para lançar produtos exclusivos para a 4ª Edição de D&D chamada “One Bad Egg” ( http://www.onebadegg.com/egg/ ).

    A ideia é lançarem sumplementos em formato .pdf altamente modulares e opcionais, acrescentando ao jogo potencial e ideais e estórias e nada de listas exaustivas de feitos e items mágicos. Se se alcançar massa crítica publica-se tudo em papel.

    Existem duas linhas, uma de settings opcionais e alternativos que se podem introduzir em qualquer campanha chamada Worldseeds (o primeiro é uma espécie de mundo de fantasia após o degelo das calotas polares com gorilas falante e monstros pálidos de olhos azuis chamado “Shroud). A outra linha chama-se Hard Boiled Ideas e são suplementos que incidem sobre uma certa ideia ou tema que cada membro do grupo de criadores ache interessante. A primeira será sobre venenos e poções letais sob a forma do Poisoncraft: Fourth Edition.

    É de notar também que tudo isto va figurar arte da Jennifer Rodgers, uma artista com algum sucesso nos comics indies e de que já saíu (foi mesmo hoje!) em pdf o “Races of the Shroud: The Apelord” na Indie Press Revolution ( http://www.indiepressrevolution.com/xcart/product.php?productid=16730&cat=0&page=1 ) e na RPG Now ( http://www.rpgnow.com/product_info.php?products_id=58360&affiliate_id=231162 ) 10 páginas sobre uma raça jogável de gorilas inteligentes.

    P.S.: Eu sou um fã português de RPGs que vêm acompanhando este blog e outros devido à minha curiosidade de como anda este hobby no outro lado do atlântico. Saudações de Portugal! :) Parabéns ao Área cinza e que continue o bom trabalho.

  3. RogerioSaladino disse:

    Cada vez mais fica a impressão que a Wizards está meio desorientada, meio perdida…
    Certo, os três livros básicos da 4a edição venderam bem, mas passada a curiosidade e o entusiasmo inicial, quero ver como a coisa vai ficar pra Wizards (no que diz respeito ao D&D 4th) daqui pra frente.

  4. valberto disse:

    primeuiro de outubro com jeitão de primeiro de janeiro… ressaca total…

  5. Garrell disse:

    Achei da hora o camarada de Portugal deixando a preza. Interessante também o toque que ele deu!

  6. Pinguim disse:

    Pois é… parece que eles estão se perdendo… vão criar a propria crise…

  7. Rey Ooze disse:

    Parece que o trio tormenta não gostou da 4e…
    Será que não veremos um Tormenta 4E?

    eu acho que a wizards meteu os pés pelas mãos já no inicio quando a Amazon não tinha os livros pra entregar.
    A partir daí degringolou ainda mais com a GSL, que aliás, eles não tem obrigação de produzir.
    Eles podem dizer: É só meu, pronto, acabou. Como fazem outras editoras. Mas o pessoal acostumou mal. E a wizards não soube transformar a expectativa em realidade.
    Sempre ele, o monstro da expectativa..

  8. valberto disse:

    Mas… e se ela não quiser fazer um GLS? ai ser o fim do mundo? Provavelmente não. Vai ter um drawback nos livros…

  9. Rocha disse: (Author)

    Bem, não foram os únicos. Parece que há uma parceria da Red Hat Games (editora “indie” do Spirit of the Century e do Don’t Rest Your Head e futuramente o Dresden Files), da End Game e da Blue Devil Games (editora “indie” do Dawning Star e do Poisoncraft: The Dark Art) para lançar produtos exclusivos para a 4ª Edição de D&D chamada “One Bad Egg” ( http://www.onebadegg.com/egg/ ).

    Excelente toque jrmariano, vou acompanhar de perto a proposta da One Bad Egg, parece promissor demais! O Races of the Shroud: The Apelord já está em primeiro lugar dentre os Hottest Itens da RPGNow, vou comprar o meu agora e dar uma sacada.

    P.S.: Eu sou um fã português de RPGs que vêm acompanhando este blog e outros devido à minha curiosidade de como anda este hobby no outro lado do atlântico. Saudações de Portugal! :) Parabéns ao Área cinza e que continue o bom trabalho.

    Sja bem vindo deste lado do oceano!

  10. Shin disse:

    Bem,
    Primeiro gostaria de dizer que é a primeira vez que venho neste blog e gostei muito do texto.

    Sobre a GSL, ninguem fala nada de Gurps, Storyteller, eles são 10x mais restritivos que o D&D, e isso considerando a nova GSL.

    Então não me importo se a Wizards fizer uma regulamentação mais restritiva.

    De fato, muitos se aproveitaram da OGL e fizeram de gato e sapato da mesma, com uma enxurada de suplementos esquisitos (magos duas vezes mais apelativos, guerreiros absurdos, suplementos inapropriados como Erotic Fantasy…)

    Então, fazer uma regulamentação que permita empresas a fazer material de qualidade para o D&D e evitar que empresas com ideias ruims façam suplementos que acabem com o sistema.

    Claro que muitos agumentam: “Mas todo bom jogador sabe diferenciar um conteúdo de qualidade de um conteúdo inadequado”… Porém os pais desses jogadores podem não saber, e imagina um pai levando seu filho para comprar um livro e olha na estante: “Livro Completo da Fantasia Erótica”…

    Desculpe se ofendi alguem ou me expressei errado.

  11. Rocha disse: (Author)

    Bem,
    Primeiro gostaria de dizer que é a primeira vez que venho neste blog e gostei muito do texto.

    Opa bem vindo!

    Sobre a GSL, ninguem fala nada de Gurps, Storyteller, eles são 10x mais restritivos que o D&D, e isso considerando a nova GSL.

    Ué isso vem da proposta. Hora nenhuma a White Wolf ou a Steve Jackson Games propuseram abrir seus sistemas de regras para que outras editoras os utilizassem. A partir do momento que a Wizards se propõe a fazer isto, cabe avaliar como esse processo está sendo feito não? Ainda mais depois da excelente repercussão da OGL durante a terceira edição.

    Não que eles tenham algum tipo de obrigação de criar uma licença parecida, ou até mesmo de criar uma licença aberta em primeiro lugar, mas usar como argumento que outras editoras não fizeram o mesmo, e logo todos deveriam agradecer a WotC não me parece lógico. Eles não criaram a OGL porque são legais, mas porque pareceu uma decisão interessante de acordo com a leitura de mercado da empresa.

    Então não me importo se a Wizards fizer uma regulamentação mais restritiva.

    Bom eu me importo, tanto como membro de uma editora (por menor que seja) que lança produtos d20, como jogador, que sabe que produtos geniais como Iron Heroes e Mutants & Masterminds não serão mais possíveis. Na verdade a atual GSL é tão restritiva que até mesmo produtos mais convencionais seriam difíceis de serem lançados.

    De fato, muitos se aproveitaram da OGL e fizeram de gato e sapato da mesma, com uma enxurada de suplementos esquisitos (magos duas vezes mais apelativos, guerreiros absurdos, suplementos inapropriados como Erotic Fantasy…)
    Então, fazer uma regulamentação que permita empresas a fazer material de qualidade para o D&D e evitar que empresas com ideias ruims façam suplementos que acabem com o sistema.

    Cara discordo completamente aqui. Deixando de lado a questão do “abuso da OGL” que eu já considero bem estranha, a nova GSL não limita em nada a qualidade do material em si! Não no sentido que você disse ai em cima de “classes apelonas e tal”, talvez no máximo em relação a temáticas “adultas”, mas em relação a isso, mesmo com a antiga OGL a WotC já tomou providências para garantir que outro Book of Erotic Fantasy não aconteça:

    When gaming company The Valar Project, under former WotC brand manager Anthony Valtera, attempted to publish the d20 Book of Erotic Fantasy (BoEF), which contained Human sexuality, WotC altered the d20 System Trademark License in advance of publication of BoEF by adding a “quality standards” provision that required publishers comply with “community standards of decency.”

    Fonte: http://www.gamingreport.com/article.php?sid=10243&mode=thread

    A nova GSL não me parece ter sido feita com o objetivo de impedir “magos duas vezes mais apelativos, guerreiros absurdos” e outros “abusos”. O que ela faz é restringir o tipo de produtos que podem usar as regras do D&D – basicamente aventuras, novos poderes, classes e raças. É bem difícil fazer algo fora dessa proposta de módulos com pequenas adições, algo como um novo cenário completo, já que as variações das raças é classes são impossíveis.

    Isso sem entrar nas questões legais altamente nebulosas, como a cláusula que diz que você deve pagar os custos de qualquer ação contra a Wizards, mesmo que vença na justiça!

    Claro que muitos agumentam: “Mas todo bom jogador sabe diferenciar um conteúdo de qualidade de um conteúdo inadequado”… Porém os pais desses jogadores podem não saber, e imagina um pai levando seu filho para comprar um livro e olha na estante: “Livro Completo da Fantasia Erótica”…

    Bom Shin, acho esse argumento complicado, primeiro porque me parece simplório do ponto de vista prático, e segundo porque pode se virar contra nós jogadores de RPG com relativa facilidade. Repare que essa linha de argumentação sua cobre só o caso de “livros com conteúdo impróprio” e não aquelas com regras esdrúxulas e material ruim.

    Olhando a história da licença aberta no D&D, que eu sei o único caso de “livro com conteúdo impróprio” (e uso o termo entre parênteses porque acho uma definição complicada) é o do Book of Erotic Fantasy, que como explicado ali em cima foi resolvido na própria OGL antiga, sem grandes modificações que afetassem os outros lançamentos “convencionais”. Então defender a mudança da licença do D&D com base neste único caso me parece fechar os olhos para as implicações mercadológicas de ter ou não outras editoras produzindo material para o seu sistema, e a forma como isso é feito.

    E o argumento dos pais me parece dúbio quando usado nos livros de RPG. Os pais deste mesmo jogador podem levá-lo na livraria e ver na estante os bacanudos Fiendish Codex I e II, ou ainda o Book of Vile Darkness, todos lançados pela Wizards. Vamos comparar as capas:

    Fiendish Codex I:
    http://www.amazon.com/gp/product/images/0786939192/sr=8-1/qid=1223039221/ref=dp_image_text_0?ie=UTF8&n=283155&s=books&qid=1223039221&sr=8-1

    Book of Erotic Fantasy
    :
    http://www.coverbrowser.com/image/bestselling-sci-fi-fantasy-2007/3662-1.jpg

    A capa do Book of Erotic Fantasy me parece até tranqüila comparada com a Marilith oriental nervosa do FC I. E indo além da capa, centenas de capetas (ou demônios) em um livro pode ser considerado “menos ofensivo” por um hipotético pai preocupado do que uma livro sobre sexo na fantasia? Acho que isso é bem discutível, e por isso mesmo o rótulo de “suplementos com conteúdo impróprio” me parece algo bem subjetivo. Ainda mais em um jogo no qual o exercício de tirar a vida de outra criatura é algo recorrente!

    Desculpe se ofendi alguem ou me expressei errado.

    Sem problemas cara, não tem nada que pedir desculpas, o espaço é para discussão mesmo, e você apresentou seus pontos de vista. Abração!

  12. Gilson disse:

    De fato, muitos se aproveitaram da OGL e fizeram de gato e sapato da mesma.(…)
    Então, fazer uma regulamentação que permita empresas a fazer material de qualidade para o D&D e evitar que empresas com ideias ruims façam suplementos que acabem com o sistema.

    Só se você for muito ingênuo em acreditar que eles não previram isso, ou eles foram muito arrogantes em acreditar que apenas a Hasbro/Wotc poderia fazer coisas interessantes.

    Gilson

  13. Shin disse:

    Olá Rocha,

    Realmente, minha critica é basicamente quanto ao material erotico em mesa de D&D.

    Sobre o M&M, eles remodelaram TANTO o sistema que eu em alguns pontos esqueço que é D20. O True20 (também da Green Honin) é uma mudanaça clara, porém ainda possui muito do original.

    Ou seja, seria necessário REALMENTE usar o selo D20 para aumentar as vendas?
    Pelo que eu tenho lido a respeito do copyright da wizards sobre o D20 sistem, o M&M é um sistema novo, assim como o True20.

    Então usar o marketing do D&D para ganhar nas custas e acima de tudo não pagando NADA para a wizards… isso é complicado, pois a wizards perde no seu proprio mercado.

    A wizards ainda é um empresa, tem funcionários que precisam de dinheiro para sustentar suas respectivas famílias. Então colocar uma OGL que faça não vender mais livros basicos é perda de dinheiro. Uma perda BEM grande eu acredito.

    Novamente, desculpe qualquer coisa.

  14. Rocha disse: (Author)

    Realmente, minha critica é basicamente quanto ao material erotico em mesa de D&D.

    Ah ok. Mas você sabe que foi um livro na história da 3ª edição inteira, e que mesmo assim ele não foi aceito para usar o selo d20 né? Então não precisa se preocupar!

    Sobre o M&M, eles remodelaram TANTO o sistema que eu em alguns pontos esqueço que é D20. O True20 (também da Green Honin) é uma mudanaça clara, porém ainda possui muito do original.

    Ou seja, seria necessário REALMENTE usar o selo D20 para aumentar as vendas?
    Pelo que eu tenho lido a respeito do copyright da wizards sobre o D20 sistem, o M&M é um sistema novo, assim como o True20.

    Então usar o marketing do D&D para ganhar nas custas e acima de tudo não pagando NADA para a wizards… isso é complicado, pois a wizards perde no seu proprio mercado.

    A wizards ainda é um empresa, tem funcionários que precisam de dinheiro para sustentar suas respectivas famílias. Então colocar uma OGL que faça não vender mais livros basicos é perda de dinheiro. Uma perda BEM grande eu acredito.

    Nesse ponto eu concordo com você. Não como jogador, já que como disse no comentário anterior, fico triste em saber que não teremos mais esses jogos spin-offs geniais. Mas concordo que é uma decisão mercadológica interessante para a Wizards, afinal de contas livros que não precisam dos três básicos do D&D para serem jogados não trazem nenhuma vantagem para a WotC, pelo menos não diretamente.

    A questão aqui Shin, é que seus comentários, apesar de trazerem questões bem pertinentes, a meu ver não tocam o cerne da questão da GSL. A WotC se propôs a lançar uma licença aberta do D&D, mas a fez de maneira tão rígida e engessada, que a grande maioria das editoras decidiu não usá-la! Acredito que isso é pior que não oferecer uma licença aberta saca? Uma licença que não só restringe livros que sejam independentes dos core books (o que eu concordo, embora me deixe meio frustrado), mas também que não permite que você modifique ou redefina nada que esteja na SRD. Ou seja, não são permitidas novas versões do Clérigo ou do Guerreiro, assim como uma nova estatística para o Goblin Warrior ou para qualquer ritual ou poder já existente. Uma licença que não permite sequer que você coloque as estatísticas dos poderes do PH ou das criaturas do Monster Manual em suas aventuras!

    Essa é a treta da GSL. Não são os livros de qualidade duvidosa, nem os de “temática adulta”, mas uma oferta que de tão ruim as outras editoras declinaram. E isso ficou evidente quando a Wizards anuncia a revisão da GSL, que é minha última esperança na licença aberta da 4ª edição do Dungeons & Dragons.

    Abraços e pare de pedir desculpas!

  15. Shin disse:

    Ok Rocha, sem mais desculpas.

    Agora te faço uma pergunta: “Você colocaria material no mercado sobre o selo D20, contanto que use os tres livros basicos?”

    O que quero dizer é: “Você acha ruim os 3 livros basicos?” Pois se você acha eles bons, então não teremos problemas, afinal você irá usa-los.

    Se quer um clérigo diferente, basta colocar um nome diferente, afinal será mesmo um clérigo diferente.

    Ou então teremos livros publicados com 2 paginas de material novo, e 100 paginas de mais do mesmo. E novamente a Wizards perde aqui.

    Afinal eu posso comprar o core rules, ou comprar aquele livro de piratas, que vem com TUDO o que preciso para jogar, e 3 paginas com coisas novas.

    Acredito que com a GSL você poderia facilmente fazer material de boa qualidade e ainda assim não precisar fazer cópia do material já impresso no basico. Tanto que poderia fazer um tipo de “goblin” (leia isso “Gobber”, vide Reinos de Ferro) e ainda ser inovador no seu cenário.

    Sei lá, ao meu ver, não custa nada mudar o nome ou mesmo usar o que se tem no core rules.
    Mas como eu disse: “ao meu ver”, ou seja opnião pessoal.

  16. Garrell disse:

    Olá Shin,

    O que quero dizer é: “Você acha ruim os 3 livros basicos?” Pois se você acha eles bons, então não teremos problemas, afinal você irá usa-los.

    Se quer um clérigo diferente, basta colocar um nome diferente, afinal será mesmo um clérigo diferente.

    Acho que você simplificou as coisas por aqui.

    Não se trata apenas dessa dicotomia bom/ruim; se estou publicando um cenário onde todos os clérigos pertencem a ordens religiosas militares, não basta mudar o nome para “templários”: talvez eu queira acrescentar ou suprimir algumas preces, expandir a proficiência com armas e armaduras, etc

    Posso adorar o clérigo da 4E, mas quero que o meu seja um pouco diferente. Pela GSL vigente, isso não seria possível.

    Ou então teremos livros publicados com 2 paginas de material novo, e 100 paginas de mais do mesmo. E novamente a Wizards perde aqui.

    Mas aqui há uma mistura de duas situações (jurídicas, até) diferentes: nos livros d20, de modo geralnão havia repetição de conteúdo.

    O normal era na verdade remeter aos livros básicos, destacando apenas o diferente em determinada raça ou classe alterada, para exemplificar.

    Nos livros OGL é mais usual ocorrer esse tipo de repetição, mas trata-se nesse caso de um sistema “novo”, seja lá qual for a graduação de novidade. De qualquer forma, com relação a OGL, não tem muita coisa que a WotC possa fazer:)

  17. Gilson disse:

    Ei, Shin! Como consigo emprego na WotC?
    Tem algum pré-requisito, como defender a empresa sempre?

    Gilson

  18. Gilson disse:

    Então usar o marketing do D&D para ganhar nas custas e acima de tudo não pagando NADA para a wizards… isso é complicado, pois a wizards perde no seu proprio mercado.

    A wizards ainda é um empresa, tem funcionários que precisam de dinheiro para sustentar suas respectivas famílias. Então colocar uma OGL que faça não vender mais livros basicos é perda de dinheiro. Uma perda BEM grande eu acredito.

    Minha primeira postagem, de novo:

    Só se você for muito ingênuo em acreditar que eles não previram isso, ou eles foram muito arrogantes em acreditar que apenas a Hasbro/Wotc poderia fazer coisas interessantes.

    Gilson

  19. Garrell disse:

    Só se você for muito ingênuo em acreditar que eles não previram isso, ou eles foram muito arrogantes em acreditar que apenas a Hasbro/Wotc poderia fazer coisas interessantes..

    Na boa? Acho que foram nesse caminho sim.

    Talvez não exatamente por arrogância, mas por talvez acreditar que nem tanta gente compraria a idéia…

    O mercado gringo de RPG cresceu com a 3E em decorrência do d20/OGL. Gente nova apareceu por ai e gente antiga que já tinha alguma moral, ganhou muito destaque (como o Monte Cook). Obviamente, foi algo que a WotC não conseguiu mensurar, até por seu caráter único e admirável na história do RPG/editoras de RPG.

    Acho que a decisão foi na linha do pensamento do Shin mesmo: assustaram com tanta gente mandando bem e ganhando grana em cima do sistema de regras que eles desenvolveram, e resolveram cortar as asinhas.

    O lance é quantificar agora a sinergia que as editoras possuiam entre si. Até que ponto a pujança do d20 não se reverteu também para Wizards? Quanto eles perderam efetivamente com o d20/OGL? Será que o aumento de vendas de produtos d20 como um todo não fortalecia também a venda dos produtos mais rentáveis da Wizards (aparentemente, os cores)?

    A questão é saber isso. Creio, sem qualquer embasamento, que seria mais vantajoso para Wizards ter uma cena d20 forte que uma cena D&D forte. No entanto, acredito também que lá pelas tantas, quando jogos com a qualidade de por exemplo o Mutantes & Malfeitores começaram a surgir utilizando o OGL, a Wizards começou realmente a perder.

    O d20 Modern mesmo tinha estrutura para lançar um livro de supers (o básico mesmo já tinha essa proposta), o que não rolou depois de um título OGL foda. Os OGLs do Monte Cook também venderam bem, como mostra o número de edições, e poderiam ter sido feitos pela WotC, e por ai vai.

  20. Gilson disse:

    Putz, Garrell, se você estiver correto com essas especulações, então essa empresa é mais idiota do que eu pensava (implicâncias pessoais minhas com as estranhezas do D&D).

    E, na boa, fazer algo como essa OGL, do ponto de vista de uma empresa, foi muita idiotice imensurável, pois eis o que acontece que todos podem ver: ótimos títulos concorrentes. Agora como jogador, foi e está sendo ótimo!

    Algo me chamou a atenção na nova GSL: que essas restrições eram apenas para títulos de fantasia/medieval, se não estiver enganado.

    Gilson

  21. Shin disse:

    Gilson, para trabalhar na Wizards precisa ter competencia, assim como em qualquer outro emprego, se você não se sente incapaz no seu proprio emprego acho que deveria troca-lo, ou se especializar.

    Se eu defendo alguma coisa é, basicamente, pelo fato de ter gostado de algo, e não querer que erros a grosso modo se repitam.

    Coloquei a mão nos meus livros de Forgotten hoje, e percebi que tinha muito mais do que esperava, nada apelativo, nada de coisas acima do normal, num geral ficou bem equilibrado e bem organizado.

    Coisa que eu não via a muito tempo na terceira edição (agora vão atacar pedras em mim).

    Mais uma coisa Gilson, se você está implicando, deve ser porque você deve adorar cenário nacional certo? (Tormenta) Que eu não gosto.

    Ou então não gostou da SRD porque não poder jogar com ela, e precisará comprar os livros basicos, e provavelmente você acabou de completar a coleção de livros de 3.5…

    Se for isso eu te intendo.
    Muitos jogadores brasileiros não gostaram desse ponto. Vejo em foruns extrangeiros um bom grado pela nova edição, pela suas novas mecanicas e todo o resto.

  22. JMTrevisan disse:

    Caramba,,ces vão longe, hein?

    O que diabos tem a ver alguém achar que Forgotten e a 4E ficaram um lixo com gostar de Tormenta?

    Deus do céu…

    Cheers!

    T.

  23. Gilson disse:

    Só se você for muito ingênuo em acreditar que eles não previram isso, ou eles foram muito arrogantes em acreditar que apenas a Hasbro/Wotc poderia fazer coisas interessantes.

    Ae, Shin, de novo para você minha colocação, você não entendeu. E as coisas estranhas são pontos de vida diferentes por classe, aprendizados estilo filme Matrix, magias novas do nada, coisas bizarras nesse sentido.

    Gilson

  24. Shin disse:

    Olá JMTrevisan!
    Primeiro eu gostei do Forgotten novo, e não gosto do Tormenta.

    Não gosto de tormenta talvez pelo fato de sempre ser NPC’s impossivelmente absurdos fazerem tudo, e os jogadores (que deveriam ser as estrelas) ficarem observando tudo de longe.

    Coisa que não acontece mais em forgotten, graças ao “Forgotten Vivo” (que adorei essa ideia).

    Gilson, não intendo exatamente o que você quer dizer.

    Você realmente acha que existem pessoas sem qualificação para trabalhar numa multinacional do porte da Wizards? Ou mesmo pessoas sem conhecimento especializado?

    Lembrando que a Wizards é uma parte da Hasbro… e a Hasbro entende de “games” e “jogos”.

    Sinceramente, acho que houve uma grande pesquisa, uma grande quantidade de design, e por final um trabalho excelente nos livros basicos de D&D, desde sua “remodelação” até o produto final.

  25. JMTrevisan disse:

    Beleza Shin.

    Que você não gosta de Tormenta e gosta do Forgotten novo eu entendi. E você tem todo o direito. Ia ser meio estupido querer que todo mundo gostasse do cenário.

    Mas o que eu questionei não foi isso. Foi o que diabos Tormenta tem a ver com a discussão..

    Capicci?

    Cheers!

    T.

  26. rsemente disse:

    A GSL deveria ter permitido a colocação dos monstros na aventura (limitando a quantidade dessas criaturas por aventura, algo em torno de 5%). Permitir pequenas alterações no sistema (nada de um Arcana Unearthed, muito menos mutantes e masterminds).

    Isso já seria suficiente para criar suplementos bons, e com liberdade, e impedir os livros substitutos!

  27. João Mariano disse:

    No seguimento daquela nota que postei acerca da One Bad Egg mais acima, e tendo em vista o lançamento do Bárbaro como classe em antevisão pelo D&D Insider na Wizards noticiado noutra entrada posterior do blogue da Área Cinza, é só para dizer que a OBE publicou gratuitamente um PDF de 8 páginas com o Witch Doctor, um shamã de Heroic Level Tier ainda em playtest, que pactua com espíritos e comanda as forças conjuntos dos seus anscestrais, os elementos e a natureza, e empunhando apenas o seu bastão mágico e a sua medonha máscara esculpida em madeira. Contemplem o terror do seu mau-olhado e sintam a terra tremer com seu terrível ataque estremecedor! (eh, eh, é o que dá traduzir publicidade das editoras americanas!) :)

    Podem descarregar o pdf aqui: http://www.onebadegg.com/dl/The%20Witch%20Doctor%20Heroic%20Tier%20Playtest.pdf

    E podem mandar sugestões e comentários para o pessoal na One Bad Egg para que possam melhorar a classe, aqui: feedback@onebadegg.com

    Interessante, posso estar enganado ou parece que as restrições do GSL fazem com que as editoras 3rd Party têm que efectivamente ser mais originais e contribuirem com ideias mais “fora-da-caixa” para o D&D?

    Ok, um raça de macacos falantes não é ao gosto de toda a gente (parece que o pessoal que quer criar monstros adora o Ape Lord da One Bad Egg) mas realmente é algo novo e não o “Warlock-como-nós-na-nossa-editora-que-não-a-Wizards-achamos-que-devia-ter-sido-desde-o-início” ou algo parecido (um exemplo ao calhas, nem conheço muito da nova edição). ;)

  28. Gilson disse:

    Hummm… Parece muito uma unidade do jogo Warcraft3:
    http://www.battle.net/war3/orc/units/witchdoctor.shtml

    Gilson

  29. cochise disse:

    Sobre a GSL, ninguem fala nada de Gurps, Storyteller, eles são 10x mais restritivos que o D&D, e isso considerando a nova GSL.

    Interessante… Pessoalmente não gosto de d20, e por isso a cena d20 OGL para mim é indiferente. Gostaria que a WW abrisse o Storytelling, mas isso não vai acontecer.
    Mas isso não tem a vercom a discussão tem? A WotC decidiu criar licensas abertas por um único motivo. A TSR quase faliu por causa do excesso de títulos. Alguém lembrou disso? Não.
    Ela criou as licensas d20 OGL porque desde o lançamento da 3e disse “não vamos ter tantos cenários oficiais” e para manter o público de AD&D que jogava 147468 cenários diferentes da TSR disse “qualquer um pode criar um cenário”.
    Aí coisas como Deadlands e reinos de ferro se encaixam e ajudam D&D a vender.
    No entanto a Wotc vacilou grandão ao não criar um livro contendo o sistema de regras puro e cru.
    Quem quer jogar Mutants e martermins ou spycraft vai achar um absurdo comprar dois livros de fantasia medieval. (jogaor e mestre) com classes e montros que não vai utilizar. E não me falem de D20 modern que esse é um produto que surgiu tarde no mercado e por isso não teve penetração.
    Se ao invés de lançar a OGL para esses cenários não-fantasia tivesse lançado um livro “D20 System” com regras e sem ambientação teria mantido uma parte esse mercado.
    A OGL foi criada para suprir cenários muito diferentes o D&D, mas acabou sno um tiro no pé.

    De fato, muitos se aproveitaram da OGL e fizeram de gato e sapato da mesma, com uma enxurada de suplementos esquisitos (magos duas vezes mais apelativos, guerreiros absurdos, suplementos inapropriados como Erotic Fantasy…)

    Aqui vou ter qie discordar muito. Acho o Book of Erótic Fantasy muito bom. Um suplemento excelente (exceto na parte das classes de prestgio e taletos, onde vira lixo.)
    Sempre faltou um estudo da vida sexual dos PJs em D&D e esse livo veio resolver isso. Não é recomendado para garotos de 13 anos que acabam de começar a jogar, mas para jogadores experientes é legal.

    A nova GSL não me parece ter sido feita com o objetivo de impedir “magos duas vezes mais apelativos, guerreiros absurdos” e outros “abusos”. O que ela faz é restringir o tipo de produtos que podem usar as regras do D&D – basicamente aventuras, novos poderes, classes e raças. É bem difícil fazer algo fora dessa proposta de módulos com pequenas adições, algo como um novo cenário completo, já que as variações das raças é classes são impossíveis.

    Aí está a questão dos cenários diferentes.
    Como fica um cenário Sci-Fi, ou um de spionagem?
    Eu precido de dois livros caros de fantasia medieval para jogar isso. e o tempo todo tendo que largar o suplemento para consultar coisas no livro?
    O problema por trás isso é meio que esse:
    Os executivos da Wizards querm tanformar D20 em um sistma genérico sem vender um livro de regras genérico, mas apenas os livros básicos de um sistema de fantasia medieval.
    E isso desagrada os jogadores e gerou os fenômenos como M&M True20.
    Ou a Wizards lança um produto similar ao Gurps Compendium ou visa a GSL ou vê as editoras que publicam sob OGL se tonarem mais independentes ainda e ter que produzir o material que o & precisa.

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