Os verdadeiros MMORPGs
Ok, enquanto minha vida esta um caos e eu saio de casa as 7 e volto as 23, geralmente meio alterado, vou demorar um pouquinho para postar sobre o segundo, e extremamente bom, artigo da Dragon sobre os gladiadores. Enquanto isso vou comentar um post do Savoir-Faire, o blog do meu grande amigo Barbi.
Aviso: este é um post com referências históricas e datas que provavelmente estão erradas, não consigo me lembrar sequer o que fiz semana passada, muito menos coisas de 7 ou 8 anos atrás.
Estavam criado os primeiros MUDs (Multi-User Dungeons) e, até onde eu sei, foram os primeiros jogos com modo multiplayer remoto da história. Muitas versões de MUDs seriam desenvolvidas, alguns usando a logomarca Dungeons & Dragons sem permissão, e eventualmente levadas para o DOS.
Com o advento dos computadores baratos (no 1o Mundo, claro) e conexões BBS via modem os MUDs se tornaram variados e numerosos. E chegaram até a década de 90 como uma das mais interessantes e acessíveis formas de entretenimento online.
Não me lembro exatamente como conheci os MUDs, provavelmente foi em 97 ou 98 através do Barbi quando entrei no Coltec. Eram jogos de texto estranhos, praticamente todos com temáticas medievais e em inglês – dois grandes problemas para mim na época, afinal meu domínio da língua nunca foi dos melhores, e eu um puta crisento à respeito de fantasia medieval: nunca tinha lido Senhor dos Anéis e achava AD&D um jogo para fracassados. Ironia do destino não?
Minha primeira experiência com esses jogos se deu em 1997, quando eu tinha acabado de entrar no Colégio Técnico da UFMG. Como o caipira que era, eu nunca tinha usado a internet até por os pés no laboratório de informática de lá. Um colega me falou de um jogo, que parecia uma sala de chat, e deixava ele acordado à noite inteira. Era um tal de Avalon.
(…)
Em uma outra oportunidade, dois anos mais tarde, eu estava vagando por alguns sites com ilustrações e textos a respeito de O Senhor dos Anéis. Acabei achando na parte de links o endereço de um tal de The Two Towers, um MUD ambientado na Terra Média. Algum tempo depois eu comprei o meu primeiro computador e pude jogar o T2T, como ele era chamado.
Apesar do Barbi ser realmente um caipira, em meados da década de 90 ainda era bastante comum adolescentes que não tinham uma extensa experiência com a internet, algo bastante raro atualmente. Já tinha passado umas horas para catar uma ou duas músicas em MP3, acompanhava um ou dois sites, mas uma experiência de imersão mesmo, ficar horas fazendo a mesma coisa e me comunicando com outras pessoas para mim também só surgiu através dos MUDs – sempre achei os chats meio estúpidos e não fui da geração mIRC.
Quando o Barbi me mostrou o The Two Towers, eu até joguei por alguns dias, mas a parada ainda não tinha me pego. Achava Tolkien meio bobo e a galera se levava muito à sério para minha maturidade de 17 anos, então eu admirava o MUD mas não tinha saco pra jogar direito. Até que o desbravador dos MUDs descolou a lista do “The Mud Connector“ e a diversão realmente começou para mim.
Na época o Mud Connector devia ter seus 200 ou 300 MUDs listados, e embora a maioria deles fossem o arroz-com-feijão medieval, tinha umas exceções fodas, tipo um MUD de Shadowrun, umas coisas de Vampire, e o grande amor da minha primeira fase de internet – O SWMUD, ou Star Wars Mud.
O que dizer da parada? Era um jogo baseado não só não só na maior trilogia de filmes já feita (lembre-se, estávamos em 98, ainda não havíamos sido assombrados pela Ameaça Fantasma) mas com uma comunidade grande e divertida, que levava o MUD como uma diversão ocasional para fugir do trabalho ou estudos, e não como uma peça de Shakespeare online. E tinha jedis. Muitos jedi. Na verdade no SWMUD mais da metade da galera era jedi. Ou seja, era um Star Wars melhorado, e isso para quando você tem 17 anos é tipo encontrar deus e trocar idéia com ele todo dia depois da meia noite.
Joguei quase que exclusivament o SWMUD até o fim dos meus dias de MUD, que se não me engano começaram a terminar com a faculdade. Tinha umas coisas malucas que que não faria novamente de jeito nenhum – tipo dormir até a meia-noite, acordar com o despertador, jogar até as 6 da manhã e sair correndo e amassado para aula; ou ainda na greve/férias juntar com o Barbi e Aguirre para jogarmos nos computadores do campus, onde a internet de dia era liberada. Era meio coisa de noiado, mas que eu admito que sinto saudades e ajudaram a moldar meu caráter!
No fim das contas (literalmente) eu apaguei meus personagens sempre em crises existênciais, onde questionava como estava vivendo minha vida, qual seria meu futuro, enfim, essas coisas que assolam os jogadores de jogos online quando percebem que estão deixando o mundo real um de lado demais. E no último piti/crise existêncial a vida real estava começando a ficar hardcore e os MUDs ultrapassados, então larguei definitivamente o SWMUD.
Depois disso até joguei outras coisas como Ragnarok Online (Vamos lembrar que eu era jovem e isso foi a muito tempo atrás ok?) e até um pouquinho de World of Warcraft logo que ele saiu. Mas depois de passar 3 ou 4 anos nos MUDs diversas horas por semana, olhando para letrinhas verdes em uma tela preta, eu sabia o efeito que um jogo online com gráficos fodas poderia ter sobre mim, e me mantive distante. E no fim das contas, eu curtia mesmo a tal tela preta com letras verdes.




