Sunderheart – Domínios do medo na Dungeon

Como já foi muito discutido por aqui e outras paragens, a Dragon vai trazer a polêmica adaptação de alguns dos domínios do medo de Ravenloft para a 4ª edição do Dungeons & Dragons, e começou este mês com Sunderheart, a cidade dos mortos.

O artigo começa situando Sunderheart e os outros domínios do medo dentro do plano de Shadowfell como já sabíamos, e o apresenta como um domínio voltado para personagens de nível paragon, cujo principal desafio aos aventureiros, como todos os domínios, é escapar com vida.

A historia da cidade é bem contada, embora não seja das mais inspiradas – começa como uma espécie de “Romeu e Julieta” com magia, na qual os nobres Ivania Dreygu e Vorno Kahnebor, ambos herdeiros de casas nobres obviamente inimigas do império de Bael Turath, que fogem e tomam em seu poder a cidade de Harrack Unarth. Lá eles se unem e formam uma corte decadente e nefasta dedicada a todo tipo de perversão e prazeres proibidos, que conta até mesmo com a presença do Imperador.

Quando o fatídico pacto que sela o destino do império de Bael Turath (e o surgimento dos tieflings) é feito, Ivania e Vorno fizeram um pacto separado com o diabo Nephigor, que os deixaria viver sem envelhecer em troca das almas do casal. Mas como em toda história, a vida eterna é digamos… um saco. Vorno começou a se encher depois de séculos e se tornou uma pessoa ainda mais estranha, reclusa e paranóica sobre o destino de sua alma. Como é normal em um casamento, Ivania ficou de saco cheio por Vorno estar de saco cheio, e decidiu dar um jeito na situação.

Ela pegou a garota mais bonita do reino, e em uma festa a embebedou e a ofereceu para Vorno, que depois de se divertir com a garota comeu ela. No sentido literal. Também. Só que Ivania tinha enchido a ninfeta de venenos, e ficou assistindo a morte lenta e dolorosa de Vorno. Nessa hora nasceu uma dark lord.

Harrack Unarth caiu em decadência. Logo começaram os nascimentos de crianças deformadas, e depois um inverno longo e terrível se abateu sobre a cidade. Os últimos sobreviventes a escapar afirmaram que viram vultos demoníacos andando sobre a neve. Quando a longa nevasca acabou, a cidade estava deserta, sem nenhum corpo congelado ou sinal que alguns meses antes alguém havia morado ali. O exército de Bael Turath ocupou a cidade, mas logo as maldições vieram a tona – cada casa, cada objeto, tudo carregava uma maldição única, e logo a cidade foi abandonada novamente e passou a ser conhecida como Harrack Unarth, a cidade das maldições.

A história é divertida, embora não seja nada que se destaque ou entre para o hall das tragédias do RPG. Séculos depois da treta com a nevasca e o longo inverno, Harrack Unarth continua existindo e é brevemewnte descrita no artigo. Já Lady Ivania Dreygu e os poucos que não escaparam do inverno sombrio foram tomados por um certa névoa, e acordaram em Sunderheart, uma versão bizarra e distorcida da antiga cidade. Agora vem o twist maligno – ao acordar neste lugar, Ivania percebe algo preso ao seu corpo, e descobre que é o corpo morto-vivo de Vorno que foi fundido as suas costas, afinal eles haviam pedido para viverem juntos para sempre, e o diabo Nephigor ia forcá-los a cumprir a promessa!

15 localidades da cidade de Sunderheart são descritas em pouco mais de 4 páginas, o que mostra como a parada é sucinta, e tem como objetivo mesmo jogar idéias para o mestre, e não apresentar algo pronto ou definitivo. A primeira destas localidades é justamente a névoa que cerca todo o perímetro da cidade e não deixa que nenhum de seus moradores ou visitantes escape. No mais Sunderheart é uma cidade amaldiçoada normal, e achei a descrição da cidade em si menos interessante que a história de sua criação. As formas de sair de lá (não vou contar aqui!) são bem pensadas, e embora como muitos temiam, uma das maneiras de sair seja através da porrada – esta solução trás algumas consequeências morais para os personagens.

E falando em porrada, como muitos previram a ficha da dark lord Ivania está presente na matéria (Level 17 Solo Skirmisher para os curiosos), assim como do diabo Nephigor. Como discutido no outro post, se antes no Ravenloft muitas aventuras ou mesmo campanhas aconteciam sem a presença direta dos temíveis dark lords, pelo que vi nesta matéria não será o caso dos novos Domínios do Medo. Mas também vale lembrar que não é uma nova versão do clássico cenário de horror fantástico, mas apenas uma reciclagem de alguns de seus conceitos para a nova edição. Dentro desta perspectiva eu acho que Sunderheart cumpre seu papel, com umas boas 12 páginas de descrição e história, que obviamente não aproximam das centenas existentes nos livros de Ravenloft, mas também não se resumem as fichas de combate e poderes que temos visto na maioria do material da 4ª edição.

12 Comentários

O que acha? Tem alguma crítica ou sugestão? Só mandar! Deixe um Comentário

  1. rsemente disse:

    Esse domínio existia antes? alguém sabe a história anterior? No final das contas me parece bem interessante a matéria, e a história também, mesmo que haja outras melhores.

  2. Phil Souza disse:

    A melhor coisa definitivamente na matéria é o bom humor do seu texto rocha…

  3. Raul disse:

    Parece que ficou legal. Espero que depois de algumas matérias na Dragon, saia um livro com uma coletânea desses artigos.

  4. Gilson disse:

    A parte do casamento relatada pelo texto aqui está ótima! Dei umas risadas!

    Gilson

  5. Garrell disse:

    História meio estranha mesmo. A maldição é da hora, mas o conjunto tá sambado.

    Ao contrário da facção mais conservadora, curti ter a possibilidade de escapar do domínio. Esse esquema Caverna do Dragão de Ravenloft pode ser fera quando o jogo é focado no cenário, mas atrapalha a utilização dos domínios do Medo como um elemento transitório da campanha.

    Se ligou nos brown dragons? Divertidíssimos!

  6. Nume disse:

    Os Brown Dragon’s? Quando vi por alto achei legal. Daí vi a ilustração e fechei a janela. Como diabos vou fazer meus jogadores terem medo de uma galinha gigante sem penas?

  7. Daniel Anand disse:

    Eu gostei do artigo, é old school Ravenloft com uma roupagem nova.

  8. Garrell disse:

    É Nume, nem quero saber de que fazenda você vem meu camarada, porque se as galinhas por ai são assim, imagina o resto!;)

    Achei foda o esquema deles serem die-hard gourmets.

  9. Nume disse:

    Ah, fala sério, aquilo é uma mistura de galinha com cobra e mais um daqueles bichos do Vermes Malditos 2 que comem tudo que encontram pela frente, só pode!

  10. Gun_Hazard disse:

    Bom sem querer dar uma de Puritano…

    Mas…

    Torço para que não seja realmente uma nova edição do Ravenloft e sim Aproveitamento de alguns temas…

    Inclusive espero que nem o nome “Ravenloft” seja usado.

  11. rsemente disse:

    Realmente, não tem nada a ver com galinhas, parece mais um monte de saco de tripas com asas!

  12. Rocha disse: (Author)

    Ao contrário da facção mais conservadora, curti ter a possibilidade de escapar do domínio. Esse esquema Caverna do Dragão de Ravenloft pode ser fera quando o jogo é focado no cenário, mas atrapalha a utilização dos domínios do Medo como um elemento transitório da campanha.

    E ai GaHell! Sim, só esta possibilidade de saída mais tangível é o que faz os novos Domains of Dread úteis para o jogo como um desafio de algumas sessões.

    Achei foda o esquema deles serem die-hard gourmets.

    Ok, isso vai ser um dos pecados D&Dísticos, mas eu nunca me liguei muito nos dragões. Mas dentro da repetição dos dragões e seus vários tipos, achei legal os browns serem meio medrosos e metidos a comerem coisas boas e variadas. São tipo dragões franceses!

Comments are now closed for this article.