Dungeons & Dragons Sem Limites – Isso pode funcionar?

Essa noite eu sonhei que estava jogando RPG, o que é um péssimo sinal. Já fazem uns bons 4 meses que não rolo uns dadinhos, e tenho sentido falta de sentar com meus companheiros ao redor de uma mesa e ter um pouco de diversão nerd. No entanto o motivo pelo qual tanto eu, como vários dos meus amigos e jogadores não temos estado na ativa é a falta de tempo, seja por causa de trampo, compromissos acadêmicos, World of Warcraft e por ai vai…

Essa falta de tempo e disponibilidade para jogar campanhas longas, praticamente o único tipo de coisa que eu joguei até hoje (embora a grande maioria termine pela metade) me fez pensar em outra forma de jogar RPG, com ênfase não só em um jogo com menos preparação, mas também que não exija um compromisso semanal/quinzenal de todo jogador, e que inclusive possa acontecer mesmo com boa parte do grupo faltando.

Na verdade essa me parece ser uma das propostas da Wizards of the Coast para a 4ª edição do Dungeons & Dragons:  aproximar o RPG mais famoso do mundo de um jogo normal, sem toda a mística da preparação e dedicação infinita do mestre, que todos nós não só conhecemos, como falamos mal e adoramos. No fim das contas seria possível chegar em casa com os amigos, abrir os livros de D&D como quem abre uma caixa de Jogo da Vida ou War e se divertir por algumas horas?

Eu acho que sim, embora de uma forma bem diferente da qual a maioria de nós está acostumado. E é nisso que eu fiquei pensando hoje, em uma maneira de jogar RPG sem tanto peso da preparação e mesmo do compromisso da presença, com ênfase em fazer combates divertidos, sessões despretensiosas e reencontrar os amigos para tomar umas cervejas no meio de tudo isso.

A idéia então seria convidar todos os meus amigos jogadores de RPG daqui de BH, e apresentar a proposta de um dia fixo da semana, tipo um domingo de tarde. Reparem que a idéia então não é tão freestyle assim, já que teria um dia definido, mas a facilidade de ter uma data certa ajuda quem quiser participar a se organizar, e de brinde ainda pode ficar como um dia de beber com os amigos depois do jogo. Todos os interessados fariam um ou mais personagens, e a cada sessão um pequeno grupo de NPC’s, seja uma organização, uma guilda, ou patrono, apresentaria uma missão ou aventura. Até ai nada de anormal não é?

Mas o grande lance seria a idéia que o jogo teria muito mais jogadores (e personagens) do que um grupo de “D&D normal” (como se isso existisse), que se revezariam em cada aventura de acordo com sua disponibilidade. Bem nos moldes do excelente desenho Liga da Justiça Sem limites, onde dezenas de heróis se alternam formando grupos diferentes a cada episódio. Isso permitiria um twist que acho interessante, que é a possibilidade do mesmo jogador jogar com personagens diferentes a cada aventura. Por exemplo, eu criei a clériga Sirene, e joguei com ela em três sessões, mas na minha quarta participação posso querer estrear a carreira do bárbaro Karn, ou ainda, jogar com o personagem criado por outro jogador, suponhamos o guerreiro Durgar, criado originalmente pelo Barbi, mas que não pode vir nesta sessão pois está visitando os índios por ai (ele realmente faz isso da vida). Uma proposta bem libertina em relação aos personagens!

Sabemos o quanto essa idéia pode deixar a desejar em relação a uma campanha convencional, com grupo de jogadores e personagens fixos – vai ser mais difícil criar longos arcos e tramas mais complexas, talvez os personagens não se desenvolvam tanto e por ai vai. Mas acho que pode ter pontos positivos também:

  • O mais importante seria permitir uma grande flexibilidade. Se um ou mais jogadores viajarem, ou alguma coisa assim que os impeçam de jogar por um tempo, o jogo continua rolando sem problemas.
  • Testar o sistema. A verdade é que eu e mesmo amigos escrevemos mais sobre a 4ª edição do D&D do que jogamos, e isso é um saco. Um jogo com essa proposta permitiria não só jogar sempre, como testar novas possibilidades, sejam elas  classes, poderes, itens e por ai vai. Uma semana você pode estar com seu ranger de estimação, mas nada impede que crie um feiticeiro só para testar a nova classe em uma ou duas sessões.
  • Ação veloz e furiosa. A proposta do jogo é de uma aventura que seja concluída pelo grupo em 3 ou 4 horas, então a parada tem que fluir rápido! Não que isso signifique que as sessões sejam só combates do início ao fim, mas sim que coisas tem que acontecer o tempo todo. Sejam elas combates, testes de pericias, descobertas e reviravoltas, ou termina em 4 horas ou fracasso!
  • Uma última questão é a escolha do Dungeons & Dragons 4ª edição para um jogo destes. Para mim fica claro o esforço da WotC de aproximar o D&D dos jogos mais despretensiosos e simples, ou pelo menos de apresentar esta opção para os jogadores. O próprio Dungeon Delve, que sai mês que vem, trás essa proposta explicitamente (e vai ser de grande ajuda para o meu jogo se rolar mesmo!). Isso se reflete não só nos lançamentos, mas também em outros aspectos do sistema, como a criação de encontros, que usa uma mecânica elegante e fácil de usar. Somado a minha impressão que a 4ª edição pode se tornar uma pouco chata em uma longa campanha, pela repetição de alguns elementos como os poderes parecidos e falta de opções (pelo menos em relação a 3ª edição), mas que me parece excelente para jogos curtos e aventuras isoladas, por seu sistema de combate dinâmico e divertido, esta edição me parece uma boa escolha para esta proposta esquisita de jogo.

    O que vocês acham? Pode funcionar? Alguém já tentou algo assim ou jogou neste modelo? Sugestões ou críticas? Se ninguém me impedir eu vou continuar com isto, estejam avisados!

    Comments are closed.