Resenha: Exterminador do Futuro 4: A Salvação

Eu sei que não ou muito de fazer resenhas de filmes por aqui (nem de RPGs pelo jeito, afinal a do Robin’s Laws of Good Game Mastering tá mega atrasada!), mas ontem assisti ao Exterminador do Futuro 4: A Salvação, e aproveitando minha onda Terminator das últimas semanas vou deixar algumas opiniões por aqui.

Como todo moleque nascido nos anos 80 eu acho os dois primeiros filmes da série fodas – uma mistura bastante honesta de alguma ficção-científica com doses cavalares de ação desenfreada. O primeiro filme,  de 1984, tem seus méritos no conceito até então inovador, atmosfera sombria e desesperada, e no lance dos protagonistas estarem enfrentando praticamente sem recursos um inimigo quase indestrutível. O segundo filme lançado em 1991 e também dirigido por James Cameron é simplesmente o modelo pelo qual se orientaram todos os filmes de ação blockbuster da década de 90, e até hoje é provavelmente o maior filme do gênero. Já o terceiro e tardio filme de 2002 é o primeiro sem a mão pesada de Cameron, e se resume a ser uma espécie deremake do filme anterior, com um monte de citações e auto-referências, mas que só se salva pelo final interessante e surpreendente. Além desta trilogia foram lançados também um monte de quadrinhos, a maioria pela Dark Horse, e a série de televisão The Sarah Connor Chronicles recentemente cancelada em sua segunda temporada pela Fox, emissora exterminadora de séries sci-fi.

Apesar de curtir muito a franquia eu sabia que não podia esperar muito de Exterminador do Futuro 4: A Salvação – apesar dos trailers fodas, dos novos robôs, e Christian Bale como John Connor, desde o início havia algo muito errado com a idéia do McG (diretor de As Panteras e produtor da série The O.C) conseguir fazer algo de bom. Com as expectativas baixas eu fui assistir ao filme neste fim de semana, e o resultado foi negativo, embora com algumas idéias interessantes.

O filme é o primeiro que foge da fórmula clássica da franquia – aqui não temos mais dois viajantes do tempo lutando para matar/proteger o futuro salvador da humanidade e alterar os rumos da guerra entre seres humanos e o super computador Skynet. Exterminador do Futuro 4: A Salvação segue a porta aberta no final do terceiro filme e se passa em 2018, alguns anos após o Dia do Julgamento Final. Com uma pegada de filme de guerra, somos rapidamente apresentados aos três personagens principais: Marcus Wright, um ex-condenado à morte em 2003 que misteriosamente acorda no futuro e se torna próximo do jovem Kyle Reese, perseguido pela Skynet por ser destinado a se tornar pai de John Connor, “líder informal” da resistência humana que é desprezado pelos seus comandantes, que parte em uma missão para testar uma freqüência de rádio que pode desativar as máquinas e encerrar a guerra.

E é Connor o maior problema do filme. Nem o roteiro nem Bale se esforçam minimamente para justificar porque diabos seu destino é profundamente interligado com a sobrevivência da raça humana. Ele não é um bom estrategista, visto sua opção por não ganhar a guerra em determinado momento do filme em nome de salvar prisioneiros que seriam sacrificados no ataque; não é também um bom orador e líder carismático, seus discursos no rádio não só são bobos como por serem transmitidos em canal aberto deviam alertar toda rede da Skynet de seus movimentos (Duh!); talvez na melhor das hipóteses ele seja um bom soldado, já que sobrevive a umas batalhas hardcore e se infiltra no quartel general da Skynet com incrível facilidade. Mas caramba, três filmes perseguindo o cara e sua pobre mãe para isso? É bom que no quinto filme da série (confirmado para 2011 e com Bale e McG de volta) eles mostrem Connor fazendo alguma coisa a mais que cara de bravo enquanto sobrevive a um monte de explosões.

Já o Kyle Reese de Anton Yelchin é bem legal, um personagem divertido e que segura o primeiro terço da narrativa, mas que a partir daí se torna um mero alvo comum  da Skynet e de Connor. Aliás esse é um dos grandes furos do roteiro, e vou retomá-lo mais para frente. Interpretado por Sam Worthington, Marcus Wright acaba sendo o personagem mais complexo (para padrões de Exterminador ok?) do trio, um cara em busca de redenção, perdido no futuro das máquinas e que se descobre em uma situação bizarra na metade do filme, em um plot twist que pode ser percebido chegando à quilômetros de distância mas que não deixa de ser interessante.

Aliás o personagem de Worthington é ao mesmo tempo um problema e ponto forte do filme. Se por um lado ele é o menos raso e mais imprevisível dos três, com uma história enigmática e adequada a série, por outro ele é o protagonista de Exterminador do Futuro 4: A Salvação algo que eu não sabia quando comprei meu ingresso. Quem diabos quer ver um filme passado após o Dia do Julgamento Final onde John Connor é um coadjuvante? Eu queria ver um filme que narrasse como Connor comanda a resistência na luta contra as máquinas, algo que foi martelado na minha cabeça em três filmes e uma série de TV, e não um filme neste cenário mas com outroprotagonista!

Fico pensando que com todas as cenas de ação bem feitas, novos robôs estilosos e o novato Marcus Wright,Exterminador do Futuro 4: A Salvação seria um filme muito melhor se não se ligasse a franquia popularizada por Cameron. Teríamos todos os ingredientes de uma filme de ação sci-fi bacana, com um protagonista interessante e sem grandes expectativas. Porque é justamente quando o filme tenta se amarrar com os três anteriores que a coisa não funciona. E olha que McG e seu time de roteiristas tentaram um bocado, inserindo duas das principais linhas da série (”Eu voltarei” e “Venha comigo se quiser viver“, e não duvido que uma versão anterior do roteiro tivesse “Hasta la vista baby“), a música You Could be Mine do Guns, e até mesmo a participação relâmpago em CG do bom e velho Governator, na única referência que efetivamente funciona dentro do filme. Mas não conseguem evitar o que logo se torna óbvio – que o filme se torna mais fraco e problemático quando a trama se volta para John Connor.

Ainda assim para quem curte robôs assassinos e explosões pode ser uma boa diversão. Paradoxalmente, embora o filme na minha opinião o filme não valha as 12 pratas de uma sessão inteira, deve ser muito pior visto no computador ou na TV, já que boa parte de seu mérito são justamente as cenas de ação, que devem ser vistas com o volume no talo. Para os fãs da série vale a título de curiosidade, afinal trás um monte de novos exterminadores, em especial um tipo interessante de cyborgue meio humano. Mas não vai muito além disso…

Após a imagem seguem alguns comentários que estragam as principais surpresas do filme. Leia por sua conta e risco!

Como disse lá em cima o filme tem um monte de buracos de roteiro, mas dois deles se destacam de maneira brutal. O primeiro é porque diabos a Skynet não mata Kyle Reese logo que o captura na metade do filme. Naquela parte que ele chega ao campo de prisioneiros e um T-600 o identifica, só mandar uma bala na cabeça dele e pronto, podemos ir para os créditos finais, já que ele nunca seria mandando para o passado, conheceria Sarah Connor e então não teríamos John Connor (e os três primeiros filmes da franquia). Deve ser por isso aliás que a Skynet não extermina Reese ao invés de o guardar em uma confortável jaulinha – porque apesar de ser a coisa mais lógica e óbvia a se fazer, os pobres roteiristas não conseguiram pensar outra forma de passar por cima desta questão senão convenientemente ignorá-la.

O segundo erro bizarro do roteiro é a descoberta que Marcus Wright é um novo tipo de exterminador criado pela Skynet em 2003. A premissa é até bacana e se encaixa bem com os filmes anteriores da série, embora seja uma das viradas de roteiro mais previsíveis do mundo. Mas a cena final, onde Marcus após aprender sobre sua origem e seu propósito simplesmente se recusa a servir a Skynet e destrói  o chip de sua cabeça é simplesmente risível. Quer dizer que depois de todo o trabalho de voltar no tempo, achar um prisioneiro que tem o perfil adequado, fingir sua morte, modificar seu corpo todo mantendo apenas seu cérebro e coração, e armazená-lo por 15 anos, a droga da Inteligência Artificial mais foda da história esqueceu de colocar uma trava impedindo que o cyborgue se rebelasse? Simplesmente terrível, preguiça mental absoluta dos roteiristas, afinal custava colocar Marcus contra John Connor por alguns minutos, em uma cena de porrada bacana, e depois descolar um jeito para que Connor zoasse o chip do cyborgue? Ou ainda, em uma saída mais baranga e Holywoodiana, que ele desse um pau em Connor, para depois de alguns momentos de dúvida seu lado humano prevalecesse, ou pelo menos desse a líder da resistência a dica para arrancar seu chip. Lembrando inclusive que a idéia de diretrizes para as ações dos exterminadores já apareceu antes na série, como no segundo filme quando o T-850 fala para o jovem John Connor que eles não podem se auto-exterminarem, assim como imagino não podem arrancar seus chips… Mas não, os roteiristas preferiram deixar o cyborgue com livre arbítrio, então foi só ele coçar a cabeça,  esmagar o chip e lá se vai o plano da Skynet. Me espanta que com um inimigo destes a humanidade ainda não tenha ganho a guerra!

2 Comentários

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  1. D. Malk disse:

    Eu parei no segundo filme. Todos me desencorajaram de assistir o terceiro, e o tempo passou. Fui atrás agora, assisti o 3 e o 4.

    Quando terminou o 4º, fiquei com cara de tacho, olhando pra tela e corri no Google pra ver se lia alguma explicação plausível para o filme. Nem o Google sabe. Aqui eu confirmei o que eu mais temia: que eu não estava viajando.

    =/

    Parabéns pela postagem.

  2. KK disse:

    Acabei de assistir o filme, você não poderia ter descrito melhor a minha opinião !

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