Curva de Desenvolvimento – Oceanos de Criatividade

Olá! Nessa semana e na próxima, falaremos sobre hidrografia, outro fator essencial em qualquer mundo de fantasia. A hidrografia trata da distribuição das massas de água em seu cenário, na forma de mares, oceanos, rios e lagos.

A água é fundamental para a sobrevivência em qualquer planeta. Foi nela que surgiram as primeiras formas de vida da Terra, e em um processo de evolução contínua, a partir dela originaram-se as formas adaptadas à vida terrestre, que somente conseguiram sobreviver depois de desenvolverem mecanismos fisiológicos que lhes permitiram coletar a água do meio ambiente e retê-la em seus próprios organismos. A água é o elemento mais crítico e importante para a vida humana em qualquer mundo, pois compreende mais de 70% do nosso peso corporal, além de regular a temperatura interna do corpo e ser essencial em diversas outras funções orgânicas.

Além de todas essas funções nos organismos, a disposição da água nos rios e mares de seu mundo será determinante quando futuramente começarmos a discutir a localização das cidades no mapa, além de afetar o clima, tamanho e economia de seu mundo. Alguns mundos de fantasia medieval também apresentam variações mágicas como oceanos de lava, rios que causam o esquecimento e lagos de profundidade infinita, que escondem monstruosidades jamais vistas. Isso sem mencionar as várias raças marinhas, que podem ser variações de raças clássicas de fantasia, como os elfos do mar, ou completamente novas como os Aboleth e os Sahuagin. Neste artigo trataremos dos mares e oceanos, e na semana que vem abordaremos os rios, lagos e suas variantes mágicas, que são sempre estranhas, mas nunca desinteressantes.

MARES E OCEANOS

Mesmo que seu mundo de fantasia seja de clima desértico, ele deverá ter ao menos um oceano para tornar viável a existência de vida. Oceano é uma vasta extensão de água salgada que envolve os continentes, e que, de acordo com a hidrografia de seu mundo, pode cobrir ou não a maior parte de sua superfície.

Enquanto os oceanos podem vir a cobrir vastas extensões e envolver as massas continentais, um Mar é uma larga expansão de água salgada conectada a um oceano, sendo considerado parte dele. O termo mar também é utilizado para grandes lagos de água salgada que não tem saída natural.

Como já mencionamos, é dos oceanos que se originou toda a vida em nosso planeta, mas isso não quer dizer que necessariamente as coisas serão assim em seu novo mundo. Em artigos futuros veremos que o surgimento de vida em seu mundo pode ser ocasionado pela vontade de um ou mais Deuses, ou ainda por algum motivo mais exótico e inacreditável. E mesmo que as primeiras formas de vida tenham evoluído nas águas oceânicas por milhares de anos, é quase certo que nenhum habitante de um mundo de fantasia medieval convencional tenha conhecimento dessa informação certo? Então para que servem os mares e oceanos além de serem (ou não) o berço de toda a vida existente?

As respostas são tantas que exigiriam muito mais que um simples artigo. Os oceanos têm várias funções, como reguladores do clima, através das correntes marítimas que levam água quente dos trópicos aos pólos influenciando o clima global; celeiros biológicos, que conservam milhões de espécies-chave na cadeia alimentar; absorção do gás carbono, pela fotossíntese marinha feita por alguns tipos de alga, apenas para citar alguns exemplos. Mas para além dessas funções, quando seu cenário estiver plenamente povoado, as comunidades litorâneas serão diferentes das outras em dois pontos determinantes: fornecimento de alimento e disponibilidade de transporte.

PESCA E OUTRAS FONTES DE ALIMENTO

O fornecimento de alimento será obviamente afetado pela pesca. Os mares tendem a apresentar uma maior produção de peixe do que rios e lagos, podendo suportar o crescimento de pequenas comunidades sem a necessidade de outras culturas. Vilas maiores e pequenas cidades podem ainda tirar a maior parte de seu sustento da pesca marítima, mas há a necessidade de agricultura ou criação de animais como um suporte à atividade principal. Na verdade, por menor que seja o vilarejo e mais farta a pesca, dificilmente uma comunidade se manterá exclusivamente de peixes e frutos do mar, exceto em locais extremamente quentes ou frios, onde o plantio seja impossível e a caça escassa.

Em regiões de águas geladas as opções mais viáveis são as expedições de caça às baleias e focas (ou animais que possam fazer o mesmo papel em seu mundo), na qual um grande número de homens parte durante semanas ou até meses e retorna com enormes quantidades de carne, que geralmente alimentam a vila por certo período.

Outra fonte de alimentação proveniente do mar são as algas, que são largamente utilizadas apenas em algumas regiões de nosso mundo, como o Japão e parte da Polinésia. As algas marinhas tendem a ser um recurso secundário em comparação à pesca e coleta de frutos do mar, mas em condições que dificultem ou impeçam a pesca, podem se tornar um excelente substituto, podendo até ser cultivadas em tanques artificiais inseridos no mar.

O TRANSPORTE PELO MAR

O transporte marítimo é outra opção a mais ao alcance das comunidades litorâneas de médio e grande porte. Esse transporte afeta principalmente o comércio, o poderio militar e exploratório da cidade ou reino em questão.

O transporte de cargas através dos mares pode ser considerado um dos meios mais baratos em um mundo medieval, desde que os estes não apresentem tantos perigos e desafios a ponto de tornar a jornada arriscada ou longa demais. Apesar do alto custo inicial dos grandes navios, o comercio através do mar é considerado econômico devido à velocidade e principalmente pela capacidade de carga das embarcações.

Além do baixo custo essa via comercial é uma vantagem, pois dá acesso a áreas até então inacessíveis por terra. Acredito que não sejam necessários muitos exemplos, já que o próprio processo de colonização do Brasil se iniciou com uma tentativa de alcançar novos mercados e especiarias na Índia. Claro que isso presume um governo devotado à expansão econômica e mesmo territorial, e geralmente esta disponível apenas a cidades muito desenvolvidas e reinos em situação favorável.

O equilíbrio militar também é afetado pela existência ou não dos mares na região. Da mesma forma como possuíam grande capacidade de carga, cada navio da Idade Média podia transportar algumas centenas de soldados equipados para a invasão, o que pode multiplicar as oportunidades de conflitos em seu mundo. E caso o comércio através dos mares se torne algo comum em seu cenário, é muito provável que parte desse poderio militar se converta em pirataria, que cria a chance do surgimento de corsários que atuam segundo as ordens de determinado reino…

A capacidade de exploração também aumenta consideravelmente com navios a seu dispor e o mar aberto à frente. A exploração pode ocorrer por parte de indivíduos e grupos que desejam conhecer que outras terras são banhadas pelas águas oceânicas, ou por um governante sedento em expandir seu império e criar colônias de exploração. De um jeito ou de outro a exploração é um empreendimento arriscado (como todo aventureiro deveria saber) e que pode ter custos não compatíveis com os resultados. Mas a mera possibilidade de descobertas é o suficiente para fixar o olhar dos homens no mar e suas mentes em novas terras cheias de riquezas intocadas.

Estejam conosco na próxima sexta, para retomarmos as águas, desta vez em rios e lagos, além de algumas formações “hidrográficas” exóticas, como rios que correm ao contrário, lagos de lava e coisas do gênero!

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