Curva de Desenvolvimento – E o Deus Certo Para Cada Panteão…

Olá! Na semana passada, começamos o processo de construção dos panteões divinos em cenários de fantasia, que continuamos nessa semana! Definida a condição dos deuses, origem e a organização do panteão, chegou a hora de defini-los propriamente. A essa altura, o Mestre muito provavelmente já deve ter algumas idéias a respeito dos deuses que deseja em seu cenário, as dicas a seguir visam auxiliar na construção das características básicas do deus, seu elemento essencial de inclusão na campanha. A relevância das divindades no cenário de fantasia será abordada em artigos futuros; temos aqui apenas uma visão breve a respeito dos deuses da fantasia e como elaborá-los de maneira interessante em um cenário fantástico de RPG.

O PODER VEM DO DOMÍNIO

Iremos utilizar a terminologia “domínio” para representar os campos de influência de um deus sobre o mundo. O domínio é o primeiro ponto de definição a respeito de um deus, e pode estar relacionado a qualquer aspecto do mundo. É importante notar que os aspectos primordiais têm mais chances de estarem relacionados a uma divindade, principalmente em um cenário com poucos deuses.

Domínios primordiais regem as questões essenciais do mundo: vida, morte, os elementos (onde você pode optar por uma definição clássica, ou criar a sua própria!); e conceitos básicos, como guerra, conhecimento ou magia. Que domínios serão realmente primordiais é uma escolha pessoal, bastante subjetiva, e que diz muito a respeito do foco que você deseja dar ao cenário.

Quanto menos deuses, maior a concentração de domínios em cada divindade. Um panteão maior pode levar à pulverização dos domínios primordiais, mesmo quebrando-os em vários aspectos. Além disso, aumentam também as esferas de influência menos significativas de modo geral. Essa amplitude de domínios não é obrigatória; é possível termos um cenário com um grande número de deuses regendo aspectos semelhantes ou até mesmo iguais, diferenciando-se entre si apenas por inclinações morais e éticas ou cultura.

É mais esperado, porém que um cenário com uma grande profusão de divindades permita a existência de domínios de menor prioridade. A definição é difícil, visto que cada cenário possui um foco específico que pode mudar essa prioridade. Um bom ponto de partida é pensar em um domínio de grande abrangência, e então procurar o que está incluso dentro dele. Assim, vejamos, por exemplo, a esfera de influência sobre a morte: em um cenário com poucos deuses e pequena divisão de domínios, o deus da morte irá regular o momento da passagem dos mortais para o mundo dos mortos, irá reger os mortos-vivos, e também os reinos que os mortais habitarão na além vida. Em um cenário com uma maior quantidade de deuses, e domínios fracionados, podemos ter morte (regendo a passagem do estado de vivo para o estágio de não-vivo), e mortos (atuando sobre aqueles que já morreram e mortos-vivos). Ainda sim, este não é o único fator de personalização das divindades. Quanto maior a divisão dos domínios, maior é a possibilidade de combinação entre eles, dando origem a deuses mais diversificados.

DE QUE LADO ELE ESTÁ?

As inclinações éticas e morais de um deus também compõem um aspecto de relevância fundamental na sua construção. Na fantasia clássica, os eixos mais utilizados são bem x mal e ordem x caos. A escolha de qual dos dois eixos irá influenciar os seus deuses muito provavelmente já terá sido feita, estando, de fato, intrínseca a definição do cenário. Se um dos pontos principais do seu cenário fantástico é a batalha entre as forças da ordem e do caos, este será o eixo utilizado. Note-se que é possível a combinação de ambos os eixos, auxiliando ainda a personalização de cada divindade.

A definição do alinhamento de um deus é interessante por delinear a forma como irá se relacionar com suas esferas de influência. Um deus do fogo de alinhamento benigno pode representar o aspecto purificador das chamas; um deus do fogo de aspecto maligno pode representar a morte e a destruição causada pelo fogo. De fato, é possível atingirmos níveis maiores de complexidade com as sombras de cinza possíveis dentro dos eixos, especialmente ao trabalharmos com domínios mais conceituais, como guerra, conhecimento, e magia.

E COM QUEM?

Outro aspecto relativo à esfera de influência dos deuses é a relação que cultivarão com seus seguidores. Considerando que os eixos de alinhamentos influem diretamente sobre as culturas de um cenário, sociedades ordeiras terão preferência por deuses da ordem; sociedades caóticas, por deuses do caos. O medo, porém, pode alterar esse padrão, levando um deus maligno a reinar supremo em terras cujos habitantes são bondosos, porque seus representantes estabeleceram o reinado do terror.

O último aspecto de relevância em relação à criação de um deus é a sua relação com as sociedades do cenário fantástico. Um único deus pode ser reverenciado em várias culturas, apresentando aspectos físicos diferentes, mas dominando as mesmas esferas de influência. É comum, porém que cada cultura do cenário, e mais especificamente, cada raça, apresente divindades características, as raças não-humanas apresentam divindades patronas, com as características mais marcantes da raça como principais domínios.

É possível que essa divindade seja, na verdade, parte de um panteão particular; em muitos cenários fantásticos populares, os deuses do panteão são os deuses dos humanos, e as outras raças possuem seus próprios panteões. Uma pergunta importante a ser feita pelo Mestre, nesse aspecto, é a relação entre a existência dos deuses e seus adoradores: se os deuses existem apenas devido à crença de seus fiéis, reflexos no mundo dos mortais possuem crucial relevância no status da divindade (assim, a aniquilação dos anões por invasores gigantes muito provavelmente representará a morte, ou o grande enfraquecimento dos deuses anões). Caso eles existam separados da crença, sendo divindades por si só, e utilizando seus seguidores apenas como possibilidades de ação no mundo mortal, o contrário se torna o comum: a destruição da deusa dos elfos por outros deuses tem como relevância na decadência da raça élfica.

Um meio termo também pode ser obtido nesse aspecto, considerando que a crença é fundamental para a existência dos deuses: conflitos em um panteão podem ter severos reflexos nas sociedades mortais, embora não sejam, necessariamente, decisivos. De fato, esses momentos podem representar o surgimento de novos deuses, ou a expansão de influência de deuses já existentes.

Bem, aqui terminamos nossa pequena, mas produtiva discussão sobre a criação de panteões em cenários de fantasia. Espero que as dicas ajudem no desenvolvimento das divindades de seu cenário, e quem vocês estejam aqui mais uma vez na semana que vem, colocando todos esses deuses pra trabalhar de verdade!

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