Curva de Desenvolvimento – O Deus Certo Para Cada Fiel

Olá! Essa semana, a mantemos a divindade no centro das atenções. Em partes anteriores da “Curva de Desenvolvimento”, já falamos sobre a existência dos deuses, sua atuação e sobre a eventual ascensão de mortais a condição de divindade. “Panteão” vem do grego “pan theon”, ou “todos os deuses”. Definimos, assim, “Panteão” como um grupo de deuses cultuados por mortais. Hoje, e também na próxima semana, discutiremos a elaboração do panteão divino em seu cenário de fantasia.

No artigo O Poder que faz a diferença, discutimos um cenário fantástico sem a presença dos deuses, ou com deuses existindo de maneira extremamente particular. Embora algumas situações apresentadas no artigo anterior sejam perfeitamente compatíveis com a idéia de um panteão de deuses, aqui estaremos considerando que os deuses estão presentes no seu cenário, e de uma maneira razoavelmente tradicional. Consideramos também que diferentes culturas podem apresentar panteões próprios, e é possível ter panteões diversos para um único cenário de fantasia.

Nesse momento, ainda não será abordada a criação dos deuses em sua totalidade e o estabelecimento de seus domínios de influência. No entanto, a esta altura, você provavelmente já terá algumas idéias a respeito dos deuses que quer incluir em seu cenário de fantasia (mais adiante trabalharemos exclusivamente com a criação das divindades). Por enquanto, abordaremos apenas os pontos da criação dos deuses relevantes à estruturação do panteão fantástico.

DANDO FORMA AO PANTEÃO

A primeira decisão a ser feita na elaboração de seu panteão divino e acerca da condição dos deuses que irão constituí-lo: cada um dos deuses é um ser único ou são todos eles aspectos de uma só divindade? A própria idéia de um panteão remonta a uma sociedade à parte, constituída por deuses e seus consortes. À primeira vista, uma divindade única com vários aspectos (conhecida como monoteísmo substancial, pois todos são compostos da mesma substância) elimina a idéia de um panteão como sociedade; trataríamos apenas da distribuição de responsabilidades para cada um dos aspectos, e o panteão perderia seu aspecto social.

É possível, porém haver interação nesse panteão, caso exista mais de uma substância em questão. Duas forças antagônicas características, como lei e caos, bem e mal, nas abordagens fantásticas mais comuns, embora outras formas de antagonismo sejam possíveis; de eixos elementais, como terra e água, ar e fogo, a aspectos mais inusitados, como selvagem e civilizado, ou dia e noite, ou até mesmo mais que duas, com suas respectivas entidades derivadas (nas Terras do Sul, o Grande Império e seus deuses da ordem combatem os selvagens homens das Planícies Escarlates, seguidores dos deuses do caos).

ORIGEM

Tendo a condição dos deuses sido definida, deve-se então preocupar-se com a origem de seu panteão. A primeira possibilidade é o panteão se basear na idéia de deuses com uma origem comum. Filhos de um deus criador, resultado da união de forças não-racionais ou semi-racionais, mortais ascendidos à condição divina (possibilidade já discutida, em “Voando tão alto quanto o sol…”). Possuindo uma origem comum, o panteão assume um caráter familiar, com deuses se relacionando diretamente por parentesco. Embora membros de uma mesma família, os deuses nessa opção ainda podem ter relacionamentos amorosos entre si, dando origens a outros deuses, igualmente relacionados entre si.

Uma possibilidade oposta é um panteão composto por deuses de origem diversa. Um único panteão pode possuir divindades originadas de deuses criadores, humanos ascendidos à condição divina, além de deuses ancestrais nascidos de forças naturais primitivas. O panteão diverso abrange todas as idéias apresentadas no panteão familiar e as expande; os deuses nessa possibilidade de panteão podem não apenas se relacionar em seus núcleos familiares, como também com deuses de origem externa. É um panteão mais amplo, com possibilidade maior de complexidade nas relações entre os deuses.

ORDEM PARA OS DEUSES

A organização é o próximo ponto a ser observado na criação do panteão. A sociedade dos deuses em seu mundo fantástico pode ser um ambiente de anarquia, com todos os deuses convivendo sem líderes ou leis. Em um panteão sem um poder central ou regras, muito provavelmente os deuses mais poderosos irão se impor, e com o tempo assumirão alguma liderança, mesmo que de maneira informal, muito provavelmente liderando deuses que regem aspectos relacionados aos seus. Em um cenário onde os deuses podem morrer, esse tipo de panteão será palco para a morte de várias divindades. De fato, é possível que, em algumas eras, um panteão sem líderes ou leis evolua para um panteão com poucos deuses, abrangendo vários domínios, bastante polarizados.

A quantidade de deuses malignos ou neutros também é relevante nesse ponto: um panteão sem líderes ou leis, mas com um número reduzido de deuses de tendências más ou neutras pode se configurar em um panteão razoavelmente estável, com os deuses do bem convivendo de maneira harmoniosa e tendo apenas os deuses malignos e eventualmente neutros como adversários. Por serem agressivos, esses deuses acabarão tendo domínios mais abrangentes, obtidos de deuses mortos em conflitos, sendo assim, individualmente mais poderosos que a média dos deuses do panteão. Caso não seja assim, muito provavelmente os deuses bondosos tentarão destruir os poucos deuses malignos, evento catastrófico que talvez mobilize deuses da neutralidade na defesa dos deuses do mal! Note que o eixo Bem x Mal é essencial aqui. Um panteão com esse eixo concebe melhor a idéia de uma sociedade sem líderes ou regras, e é o mais forte candidato a estabelecer certa harmonia entre seus deuses. Divindades do bem não destroem outras divindades do bem para se tornarem mais poderosas; deuses da Ordem por outro lado poderiam ter intensos conflitos internos, tão fortes quanto teriam contra os deuses do Caos.

Outra possibilidade de organização do panteão é a existência de um líder, ou de líderes. Um panteão com lideranças é muito provavelmente um panteão com uma inclinação para o eixo da Ordem x Caos, ou com uma presença forte de deuses ordeiros, se considerarmos uma liderança até certo ponto formal. É perfeitamente possível a existência de um líder em panteões com menor influência da Ordem, mas nesse caso, a liderança se dá pelo poder bruto de determinado deus, e não por uma tendência natural a organização.

A liderança em um panteão é destinada às divindades mais poderosas. Embora possa não fazer sentido inicialmente, a divindade mais poderosa não será necessariamente aquela com os domínios mais abrangentes (veremos mais sobre isso em artigos subseqüentes). Apenas elas irão possuir poder para impor sua vontade sobre outros deuses. Eventualmente uma divindade poderá ser eleita líder de determinado panteão por ser aquela capaz de agregar mais deuses de determinado ideal; uma possibilidade em panteões com um número razoável de deuses ordeiros e benignos.

Quando um panteão apresenta mais de um deus de poder particularmente elevado, é possível que a liderança do panteão seja dividida entre os deuses. Em um panteão familiar, isso muito provavelmente será representado sob a forma de algum vínculo. Em um panteão com deuses de origem diversa a liderança se dará devido ao poder, embora seja eventualmente possível que deuses líderes se unam, permitindo o surgimento de novas famílias de deuses.

Bem, falamos bastante sobre as concepções divinas, mas ainda estamos apenas na metade do caminho! Estejam conosco novamente na próxima semana, juntando as últimas pontas soltas do seu panteão.

Comments are closed.