Curva de Desenvolvimento -Viajando pelos Planos…

As formas de criação de planos apresentadas no artigo anterior são as diretrizes mais fáceis de serem seguidas; são ideais no desenvolvimento do multiverso de um cenário fantástico em que os planos não serão um ponto de destaque. De fato, é necessário levar em conta que embora relevantes para responder as perguntas levantadas no artigo anterior, os planos de existência surgem como elemento opcional em um cenário fantástico- se não forem utilizados em detalhes pelo mestre de jogo, apenas algumas idéias básicas serão necessárias, sem precisarem ser aprofundados por demais. As idéias apresentadas nesse artigo levam em conta que os planos representarão um elemento de maior destaque no cenário fantástico, requerendo assim um pouco mais de trabalho.

O ponto de partida aqui será no desenvolvimento de planos de existência que existem de maneira independente dos deuses. Seu surgimento pode estar atrelado a divindades; ele pode ser habitado pelos mais poderosos seres do multiverso, e neles eles exercem sua influência- mas ainda assim, não são meros reflexos das divindades.

Um bom começo é pensar em planos surgidos da intercessão dos eixos Bem x Mal e Ordem x Caos-. Um plano é muito mais absoluto que o mundo material; um plano do Bem, será um local inerentemente de bem absoluto; um plano da Ordem, será sempre ordeiro- isso não quer dizer que agentes dos eixos opostos possam transitar por um plano oposto, mas sua capacidade de influência é limitada: os tons de cinza são muito fracos nos planos. Planos surgidos sobre a influência do Bem são locais permeados por todo o espectro de características que podem ser consideradas como benéficas; de reinos de paz e tranqüilidade, onde raças variadas se congregam em monastérios contemplativos a povoadas cidades peroladas, onde qualquer atividade prazerosa (sem a presença do mal!) pode ser exercida livremente, passando por colinas onde exércitos de guerreiros virtuosos se confrontam pela eternidade. Planos marcados pelo Mal são lugares de dor e sofrimento, de tortura e privação; de desertos de sal onde ventos cortantes dilaceram qualquer coisa que se mova, a cidadelas de ferro e ossos onde seres malignos traçam planos para destruir seus rivais, os planos do Mal são provavelmente os piores locais do multiverso. Planos de existência da Ordem são locais absurdamente metódicos, lógicos, previsíveis: padrões permeiam todo o ambiente- um Plano da Ordem e do Mal seria um abismo com centenas de níveis, onde cada nível apresenta seres maléficos executando funções determinadas, em regiões com características específicas. Um Plano da Ordem e do Bem poderia ser uma utopia urbana, uma cidadela de luz e prata, onde sábios de todas as raças estudam com deuses do conhecimento e da magia. Os planos do Caos são a mais pura concentração de aleatoriedade em todo o multiverso. Marcados pela imprevisibilidade e acaso, a própria geografia desses planos se mostra perigosamente instável. Um plano do Caos e do Bem seriam as Terras do Verão, colinas, bosques e lagos móveis, habitados por bem humorados seres féericos; um deserto de areia escarlate, com tempestades de ferro e sangue varrendo o deserto em períodos aleatórios de tempo seria um exemplo de plano do Caos e do Mal.

Seguindo a tradição planar fantástica, planos que podem ser relevantes em um cenário de fantasia são os Planos Elementais. A definição dos elementos básicos em um cenário fantástico provavelmente terá uma relação com os deuses e com o sistema mágico vigente- mas definidos os elementos, planos elementais não são apenas interessantes em uma cosmologia como particularmente úteis para o mestre povoar seu cenário fantástico com antagonistas e raças exóticas, oriundas desses locais. Um Plano Elemental é uma representação absoluta de determinado elemento, embora o rigor com que isso é tratado, varie do estilo de campanha almejado pelo Mestre. Em uma campanha em que os planos apresentem certa letalidade, o Reino Elemental da Terra será um ambiente hostil, com pouco ou nenhum ar, com terremotos constantes e blocos impenetráveis de minério. Em um cenário fantástico com planos mais acessíveis, o Reino Elemental da Terra pode ser um enorme complexo de cavernas, com raças construindo magníficos impérios subterrâneos. Os eixos dos alinhamentos também podem ser importantes aqui- embora de modo geral Planos Elementais sejam encarados como neutros, orbitando em uma posição média em ambos os eixos, eles podem estar sob influência dos eixos. Se é por um lado uma possibilidade interessante, por outra, cria uma maior complexidade: se o Plano Elemental do Fogo está tendendo para o Caos e o Mal, a magia elemental ígnea será obrigatoriamente caótica e maligna? Talvez existam variados planos Elementais- em um cenário onde a cosmologia é um detalhe importante, poderemos ter variadas combinações de eixos!

Outros planos populares são planos relacionados a estados particulares, como os sonhos. O “Plano Astral” (embora ele possa, obviamente, se chamar da maneira que achar melhor em seu cenário) é muito recorrente na fantasia, representando o lugar onde os mortais vão quando estão sonhando. É corriqueiramente retratado como um plano maleável, mutante (o que não quer dizer necessariamente uma tendência para o Caos, embora essa possibilidade também seja recorrente). Uma idéia é a divisão entre o Plano dos Sonhos e o Plano dos Pesadelos, com seus respectivos habitantes. Outros planos relacionados a estados também podem existir em seu cenário; uma idéia é um “Outro Mundo”, aonde estariam os seres quando invisíveis e intangíveis, ou um plano das sombras (embora a idéia de um plano das sombras possa assumir conotações elementais dependendo do sistema adotado em seu cenário, e pela lógica, exija também um plano luminoso- o que é uma idéia menos popular, mas igualmente interessante). Assim como os planos elementais, esses outros planos podem ser encarados sem problemas como flutuando entre os eixos de alinhamento, assim como podem ser influenciados pelos mesmos (voltando a questão apresentada acima, uma possibilidade para cenários com forte apelo planar é a divisão do Plano Astral em diferentes alinhamentos, representando diversas possibilidades oníricas- ou talvez um plano em que a própria posição perante os eixos é variável ao longo do tempo!).

Com uma estrutura planar básica traçada, é importante definir alguns pontos de ligação entre os planos. Obviamente isso não é uma necessidade; cada plano pode estar ligado a outro, não estar ligado a plano algum (o que convenhamos, torna sua existência questionável) ou conectado de alguma maneira ao Plano Material- mas em um cenário onde os planos são relevantes, a existência de uma ou mais Cidade Planar é bem vinda. Uma Cidade Planar é um ponto de interseção, um nexo, entre vários planos: uma grande metrópole existindo em um plano específico (ou flutuando entre eles, ou até mesmo sendo ela mesma um plano), que conduz a outras regiões do multiverso. Podem existir várias Cidades Planares em seu cenário de campanha; de fato, talvez o próprio cenário seja focado em uma ou mais Cidades Planares! Embora sujeitas as mesmas questões dos planos analisados anteriormente (como a predisposição para determinado Eixo de Alinhamento, e as influências disso em sua estrutura e habitantes), considerando suas variáveis importantes (como a profusão de raças e culturas), pode-se utilizar os artigos vindouros. sobre cidades para desenvolvê-la (ou quem sabe, escrevemos um artigo só sobre elas futuramente?).

Bem, com isso, terminamos mais um ciclo. A partir de semana que vem, traremos um novo ponto a ser explorado na Curva de Desenvolvimento. Espero que tenham desenvolvido ainda mais a cosmologia de seus cenários, e até mais!

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