Curva de Desenvolvimento – Do Fogo à Fusão

Olá! Nesta e na próxima semana falaremos sobre tecnologia, começando pelas mais primitivas, e evoluindo até semana que vem. Durante a história as tecnologias usadas na produção de artigos, agricultura, locomoção e guerra se tornaram características importantes de uma determinada sociedade. Assim para muitos de nós a Idade Média é definida por cavaleiros em armaduras usando espada e armadura, e a Renascença sempre é lembrada pela difusão do uso da pólvora, invenção da imprensa e balões de ar quente.

Cenários de baixa tecnologia são mais comuns que os de avançados tecnologicamente, talvez por serem mais próximos do padrão da fantasia medieval, mas ainda assim apresentarem suas variantes características. Trataremos aqui como baixa tecnologia os cenários os principais elementos tecnológicos anteriores a Idade Média. Assim um cenário baseado na Roma antiga pode ser considerado de baixa tecnologia, mesmo que tenha um ou outro elemento mais avançado, como armas de aço ou matemática com zero.

FONTES DE ALIMENTO

Quanto menor a tecnologia de um cenário, mais seus habitantes dependem das condições naturais para se alimentar, contando com poucas opções além da coleta e da caça. A técnica de caça utilizada depende bastante dos animais típicos da região, mas geralmente os pequenos animais como pássaros, lagartos e mamíferos menores são caçados com armas de alcance como flechas, dardos e fundas. Já animais maiores, como mamíferos de médio e grande porte necessitam serem caçados em grupos, onde parte pode utilizar flechas e assustam os animais na direção dos caçadores armados com lanças, que em um processo que pode levar horas dependendo do tamanho do animal, vão atacando e recuando, enquanto cansam e enfraquecem o animal para o abate.

A horticultura também foi uma das primeiras alternativas dos seres humanos, mas estavam limitadas as terras ao redor dos rios, que devido às enchentes constantes estão sempre úmidas e nutridas. Nessas terras era possível a coleta de cereais simples e resistentes como o trigo e arroz, que cresciam naturalmente na margem dos cursos d’água.

O surgimento de duas novas tecnologias revolucionou a agricultura durante a Idade de Bronze, o arado e a irrigação em larga escala. A irrigação permitiu que as plantações fossem levadas para regiões relativamente distantes das margens dos rios, e tornavam os períodos de secas um pouco menos danosos para a colheita, pelo menos até o rio próximo começar a secar. O arado tornava possível aplicar a tração animal no plantio, o que acelerava a etapa do plantio em até quatro vezes. Assim sua presença em um cenário significa que extensões muito maiores de terras são cultivadas, e que até mesmo regiões de solo mais pobre podem manter famílias, desde que tenham mão de obra e animais suficientes.

Finalmente, a última invenção a ser difundida antes da Idade Média no que se refere ao plantio foi o rodízio das terras cultivadas, que consistia em intercalar as áreas de plantio durante, para que assim o solo renove os minerais.

Cenários com técnicas mais rudimentares para o cultivo de alimentos apresentam cidades e reinos com populações bem menores do que a média dos mundos de fantasia medieval, já que a média de produtividade de cada hectare será menor que o de sociedades com técnicas ainda mais avançadas de plantio e criação de animais. Também é de se esperar que o mundo tenha uma gigantesca área de vegetação intocada, e que os leitos dos rios sejam as regiões mais propensas para o surgimento de cidades e povoados.

ARMAS E GUERRA

O fato de um cenário ser menos desenvolvido tecnologicamente não significa que ele não tenha diversas formas de guerra e dominação pela força.

As armas de pedra, osso e madeira são geralmente as primeiras a surgirem em um mundo, e dependendo da existência ou não do domínio da pedra lascada, elas podem ser simplesmente de contusão como maças e porretes, ou afiadas como machados e lanças. Arcos, arpões e escudos de madeira podem já são avanços em relação e essas primeiras armas, e exceto por condições especiais da região, sempre surgem antes das armas de metal.

A construção de armas de metal e o uso de cavalos nas batalhas tornam os exércitos ainda mais perigosos. E com o aumento da capacidade ofensiva do homem, a tendência é que sua preocupação com sua proteção aumente na mesma escala, e por isso as armaduras e escudos só se popularizam verdadeiramente com o advento das armas de metal, por sua vez que também propiciava novas opções na construção de armaduras.

Finalmente o último grande avanço na tecnologia marcial antes da Idade Média foram às formações de batalhas e artilharia, tornando as escaramuças e batalhas muito mais complexas e estratégicas. As formações exigiam que os guerreiros lutassem em blocos muito compactos, protegendo uns aos outros da cavalaria inimiga. Catapultas, aríetes montados em carroças e outras grandes armas de artilharia surgem em guerras onde a invasão se torna impossível devido a grandes muralhas ou mesmo uma localização estratégica.

OUTRAS CARACTERÍSTICAS

Existem centenas de outras variáveis onde a baixa tecnologia pode tornar seu cenário ainda mais único e exótico. Um mundo onde a matemática não contenha o zero nem números negativos, ou onde a linguagem escrita não seja tão difundida como a oral, pode surpreender seus jogadores e criar uma atmosfera de novidade e estranheza a seu cenário. O segredo aqui é analisar quais as mudanças que esses elementos de baixa tecnologia trariam a seu cenário, principalmente nas coisas mais simples e mundanas. Voltando ao exemplo anterior, uma cultura sem zero e números negativos provavelmente teria um sistema econômico um pouco diferente, assim como novas unidades e maneiras para medir áreas, distâncias e peso.

Outra opção ao invés de adicionar um ou alguns elementos de baixa tecnologia é usar como modelo uma Era ou império para a construção de seu mundo. Assim um cenário com armas de metal, animais domesticados, formações de guerra e um Estado forte poderia ter sido criado usando o Império Romano como exemplo. Alguns cenários, como o Maztica de D&D já usaram desta premissa, no caso se baseando nas civilizações pré-colombianas.

A MAGIA EM CENÁRIOS DE BAIXA TECNOLOGIA

A magia pode facilmente ocupar o lugar da tecnologia em um cenário. Na verdade em vários mundos de fantasia medieval, principalmente os mais clássicos, quanto se deseja demonstrar uma cultura ou povo como avançado, os autores tendem a demonstrar essa superioridade não apenas pela tecnologia, que muitas vezes não difere do nível padrão do mundo, mas sim através da magia atuante no cotidiano e realizando as tarefas de invenções muito mais avançadas como máquinas a vapor e energia elétrica. Exemplo disso são os elfos em vários cenários, como Midnight e Dragonlance, que apesar de deterem quase os mesmos recursos tecnológicos dos humanos, tem uma sociedade muito mais harmoniosa e organizada, muito disso se devendo ao uso ostensivo de magia no dia-a-dia. Seguindo o mesmo raciocínio, mas se aplicando em cenários de baixa tecnologia, seria possível que os povos destes mundos criassem maravilhosas obras arquitetônicas e tivessem grandes colheitas, mas dependendo mais da magia pura do que do conhecimento técnico e de ferramentas e meio desenvolvidos.

Sema que vem continuamos o debate, caminhando para uma tecnologia mais desenvolvida, que também pode estar contida em cenários de fantasia. Até mais!

Um Comentário

O que acha? Tem alguma crítica ou sugestão? Só mandar! Deixe um Comentário

  1. alvaro disse:

    gosto muito dessas materias são ótimas para aqueles que como eu estão escrevendo um cenário continue sempre postando!

Comments are now closed for this article.