Curva de Desenvolvimento – Da Cidade Para o Mundo

Nesta semana abordaremos os tipos de governo e outras questões fundamentais que afetam o cenário político de um reino, império ou até mesmo de uma cidade. É claro que a política é muito mais complexa do que a forma como será apresentada a seguir, e mesmo os jogos e cenários mais complexos dificilmente terão sucesso em retratar todas as esferas e facetas da vida política em uma sociedade complexa.

A política também não pode ser encarada como uma variante isolada, sem levar em consideração a situação econômica, conflitos religiosos e raciais, e no caso de cenários fantásticos, a presença e poder dos usuários de magia. Assim esperamos que esse artigo seja útil na construção dos sistemas políticos de seu cenário, mas não só ele, já que toda a série de artigos referente às sociedades será de grande valia neste processo.

TIPOS DE GOVERNO

Quem governa aqui? Essa é uma das primeiras perguntas feitas por um aventureiro recém chegado em uma nova região. No entanto, mais significativo do que quem governa é a forma como exerce esse poder. O tipo de governo diz muito sobre a sociedade, e também sobre as leis, tabus e costumes de um povo. Além disso, dois reinos com o mesmo tipo de governo apresentam uma tendência menor de guerrearem entre si, já que eles partilham ao menos minimamente um mesmo formato para suas instituições e protocolos diplomáticos.

Em uma sociedade medieval fantástica existem dezenas de possibilidades de governo, desde as mais conhecidas como a monarquia e aristocracia, até as mais exóticas como a Matriarquia, uma espécie de monarquia ou conselho de regentes formado exclusivamente pelas mulheres mais velhas e sábias. Abordarei a seguir os modelos mais comuns e algumas de suas características e possibilidades, mas nada impede que o próprio mestre crie seus sistemas de governo, seja a partir de algum desses modelos ou algo inteiramente novo.

O Feudalismo é um sistema social, político e econômico, que predominou na Europa durante a Idade Média. A base do sistema é a relação de servidão dos camponeses aos proprietários de terras, que por sua vez eram divididas em feudos. Os servos eram obrigados a prestar serviços ao senhor e a pagar-lhe diversos tributos em troca da permissão de uso da terra para sua subsistência e proteção militar fornecida pelo senhor feudal. O sistema pode apresentar diversas variáveis, e inclusive coexistir com características de outros modelos como a presença de um rei ou um conselho de regentes. No entanto estes devem ser obrigatoriamente enfraquecidos, já que não tem o monopólio do uso e manutenção de exércitos e nem da cunhagem de moedas, tarefas necessariamente dos lordes feudais.

Pode ser considerado uma Monarquia o regime no qual o chefe de Estado é um monarca que governa durante toda sua vida e tem o poder a ele transmitido ao longo da linha sucessória. O rei em uma sociedade medieval típica é a fonte absoluta de todo o poder político, não dependendo do apoio popular e nem de leis. Uma variação da monarquia é aquela em que o monarca coexiste com outra forma de governo, como a democracia ou aristocracia, e tem seus poderes controlados por leis específicas e pela vontade dos grupos de poder influentes no cenário político.

A Aristocracia é o sistema de governo de uma determinada elite, com base em superioridade intelectual ou moral. Em um cenário de fantasia medieval a aristocracia pode não apenas favorecer os intelectuais, nobres e o clero, mas também os usuários de magia, que através de uma presença política forte podem apresentar os benefícios do governo através de um conselho de magos.

A Democracia é o sistema mais comum e aceito hoje, mas permaneceu esquecida durante milhares de anos, tendo atingido a atual popularidade através de sua difusão nos últimos dois séculos. A democracia pode ser definida como o governo pelo povo, seja diretamente, através de assembléias constantes, ou indiretamente por representantes eleitos. Em um cenário com usuários de magia, as eleições seriam uma grande oportunidade para feitiços de dominação, ou ainda mais facilmente o local onde os representantes eleitos tomem suas importantes decisões.

Finalmente a Teocracia é a forma de governo onde o povo é controlado por um sacerdote ou líder religioso que governa, supostamente, segundo o desejo de uma divindade. A teocracia combina perfeitamente com elementos como perseguição a seguidores de outros credos, raças e até mesmo a usuários de magia. Uma variação interessante seria uma espécie de Magocracia, onde os governantes são sempre magos, que podem ou não oprimir aqueles que não partilham de seus dons.

INFLUÊNCIAS

O tipo de governo afeta profundamente a sociedade, e sua relação com as religiões e igrejas estabelecidas, assim como com o comércio e burguesia da região. Essas organizações quase sempre tentarão exercer alguma forma de influência sobre as decisões do governo, seja em uma democracia ou monarquia, e cabe ao mestre definir o quão poderosos são esses grupos e como exercem sua influência, de forma direta ou indiretamente. A influência direta se dá através de meios que não deixam dúvidas quanto o poder do grupo ou facção dentro da corte, como por exemplo através de subornos, ameaças de ataques, ou mesmo colocando seus próprios membros no poder. Já a influência indireta não expõe tanto o grupo, mas são ações geralmente que tem resultados mais demorados e graduais, como a cooptação de membros da corte ou parlamento para sua causa, ou influência através de pequenas doações e incentivos.

Nas sociedades medievais era muito comum a intrusão da religião na vida política, e em mundos onde existem dezenas ou mesmo centenas de religiões, algumas claramente opostas e inimigas, essa influência das igrejas pode refletir não apenas nas vidas dos fiéis, mas também na existência de todos aqueles que vivem naquele reino ou império. Os conflitos políticos entre as igrejas podem simplesmente refletir a situação do panteão do cenário, com sacerdotes e partidários dos deuses se aliando e confrontando devotos dos deuses aos quais seu próprio deus toma a mesma postura, ou serem baseados em questões mais mundanas, mas nunca menos importantes, como por exemplo migração de fiéis entre as igrejas, grandes doações, isenção de impostos e localização dos templos. Isso tudo sem ao menos levar em consideração as divisões que podem existir dentro de uma mesma religião.

Os usuários de magia são um grupo que se organizado pode exercer grande poder sobre um monarca ou conselho de regentes. Uma guilda de magos poderia demandar o direito a participação política, caso contrário não serviria mais o governo com seus dons mágicos, o que pode influenciar de maneira bastante negativa uma guerra que esteja em curso por exemplo. Além disso de maneira mais sutil os magos unidos podem, graças a seus feitiços, venderem informações para uma determinada facção, ou mesmo dominar completamente alguns importantes membros do governo. Claro que medidas de “contra-espionagem” mágicas também existem, como itens e poções, mas eles também devem ser produzidos por usuários de magia!

Estejam conosco nas próximas semanas, para tratarmos das moedas e transações monetárias de seu mundo!

2 Comentários

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  1. alvaro disse:

    adoro esta coluna e torço para que ele nunca acabe, gostei do que foi posto, linhas gerais mas bem explicativas, ah se puder passa lá no falandoderpg.blogspot.com

    • Rocha disse: (Author)

      Cara legal que você curte a coluna e os posts por aqui, mas não precisa colocar um pedido pra visitar e o link do seu blog em todo comentário. Afinal já tem o espaço para colocar o endereço junto do nome, quem se interessar pelo que você escreve certamente vai lá…

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