Entrevistas sobre 2009 – RPG Online

E vamos para a quarta entrevista da série sobre mercado de RPG em 2009! Estreamos com a entrevista do Marcelo Cassaro, continuamos com o pessoal do Paragons, a editora Daemon, e agora é a hora do site de RPG mais acessado do Brasil, o RPG Online. Para quem não sabe, o RPG Online foi criado em 2003, e desde o início do Ranking Cinza nunca chegou nem perto de ser desbancado da primeira posição, embora esteja passando por uma reformulação hardcore que já dura mais de três meses… Quem respondeu as perguntas foi o Armando “J Maximus”, a mente por trás do RPG Online:

1- Como você avalia o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

No primeiro semestre de 2009 eu senti uma grande mobilização em nome do RPG, que mesmo diante do cancelamento do EIRPG 2009, reuniu forças e não se deixou abater, seja organizando ou prestigiando o RPGCon. Já no segundo semestre, eu tive que me afastar por questões pessoais (Casamento, lua de mel, férias, etc… afinal, a vida não é só RPG!)  e talvez por isso, eu tenha ficado com a impressão que esse fôlego durou apenas na primeira metade do ano.

Comercialmente falando, está na hora do RPG se “recriar” como produto. A geração Freemium” (Ganho indireto gerado pelo oferecimento grátis de conteúdo digital) é uma dura realidade que está obrigando diversos mercados à evoluírem – principalmente o mercado musical. Não há motivos para o mercado do RPG ser poupado dessa quebra de paradigma. O problema é “o que fazer” para reinventar esse mercado. Melhor ou pior do que o anterior, não vou arriscar responder. Se há cada vez mais problemas devido à um número cada vez mais baixo nas vendas, provavelmente deve atingir não só o mercado de RPG, mas também o mercado literário como um todo.

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano na sua opinião?

Pra mim, sem dúvida, foi a RPGCon. Este evento veio e mostrou que as atitudes do RPG nacional não precisam (e nem devem) estar centralizados nas mãos de poucas pessoas/empresas. Fora isso, eu tiro o meu chapéu para a união dos RPGistas que não apenas jogam RPG mas também geram conteúdo. Em 2009 eu vi uma explosão de Blogs de RPG de qualidade – ótimos artigos, idéias e iniciativas – e responsabilidade – não oferecendo material ilegal para download, por exemplo.

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

Quando penso em mercado internacional de RPG, a primeira coisa que me vem à mente são os RPGs Eletrônicos . A atenção direcionada para um RPG Eletrônico lá fora é muito maior do que para o velho e bom RPG Narrativo (Questões comerciais claro, o que vende mais, tem mais propaganda para vender… ainda mais!). O que marcou pra mim no RPG Narrativo Mundial em 2009, é o caminho que o RPG interpretativo está tomando, ao lado da tecnologia. Apesar disso ser muito criticado por algumas pessoas, eu não vejo nenhum problema usar um notebook para resolver “a parte chata” (controle de fichas, modificadores, regras) para que as pessoas possam focar mais na interpretação e diversão.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

O ano de 2009 foi “tranquilo” para o Portal RPG Online. Focamos mais em publicação de matérias do que no desenvolvimento de novas tecnologias. Mesmo assim, o resultado foi muito positivo diante do “investimento” de trabalho e dedicação – publicar pelo menos uma matéria por dia é tão ou mais trabalhoso do que programar uma ferramenta nova.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

Sinceramente, eu espero que alguém encontre “a melhor solução possível” para viabilizar o consumo de livros de RPG para o bolso do brasileiro. Na outra “ponta”, acredito que o Portal RPG Online continuará contribuindo para a divulgação do Role Playing Game, assim como a comunidade dos Blogs de RPG.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

O ano de 2010 deve ser bem promissor para o Portal RPG Online. Estamos remodelando toda a nossa programação, inclusive o nosso sistema de RPG Narrativo pela Internet. Queremos atrair Jogadores de RPG que não conseguem ter um “grupo de amigos” para jogar em volta de uma mesa de verdade, através da ferramenta online mais completa e estável que o Portal RPG Online já possuiu. O nosso próximo lançamento será a terceira geração de “RPG Chat” que criamos, de 2003 pra cá. Diferente das anteriores, a tecnologia usada por este sistema novo permitirá atualizações mais constantes (atualizações semanais para correção de bugs de emergência e atualizações mensais para trazer novidades). As novidades sobre o desenvolvimento deste sistema pode ser encontrado em http://www.rpgonline.com.br/development/. Em 2010, nosso foco principal serão as nossas ferramentas. Devemos voltar à publicar matérias assim que a nova administração do Portal ficar pronta, mas eu não vou deixar de programar para gerar conteúdo. Então, provavelmente teremos mais matérias de colaboradores do que matérias geradas por mim. Acreditamos que podemos oferecer em 2010 para o RPGista, um bom lugar online para encontrar narradores e jogadores dispostos para uma boa sessão de RPG, sem limite de fronteiras!

Comentários: Interessante as respostas do Armando, um monte de pontos que dão pano para muita discussão. O lance do modelo Freemium é bem polêmico, e embora esteja realmente mudando muito a forma de distribuição da música, filmes e quadrinhos – que são produtos “acabados”, prontos para serem consumidos, não acho que afete de modo tão drástico os RPGs. De forma geral, o RPG é muito mais um conjunto de peças que são montadas durante a experiência das sessões de jogos. E só por isso acho que já pode seguir outra lógica de venda e distribuição. Mas a proposta do Freemium – com sua estrutura de oferecer um pacote básico de graça, e o pagamento por ferramentas/recursos/material pode ser uma boa base para se pensar em como se daria isso aí para os jogadores de RPG.

A iniciativa nacional de 2009 novamente foi a RPGCon, grande evento de RPG do ano passado que ao que tudo indica também vai tomar o lugar do Encontro Internacional de RPG em 2010, e também os blogs de RPG, que fizeram a coisa rodar e produziram muito material foda. Totalmente de acordo com ele por aqui!

No entanto não vejo muito essa de RPG narrativo e RPG eletrônico. Existe o RPG, e os jogos eletrônicos – que possuem muitos elementos de RPG, mas que são outra coisa. Eles estão se aproximando cada vez mais, mas ainda assim como diria a sabedoria futebolística, uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Um World of Warcraft da vida é muito divertido, ainda mais quando você joga com grupo ou guilda legal com pessoas com gostos semelhantes aos seus, mas ainda assim é muito, mas muito mesmo, diferente de jogar RPG.  Nem é questão de ser melhor ou pior, mas é bem diferente. Um MMORPG e uma sessão com meus amigos aqui em casa não ocupam nem o mesmo slot na minha vida nerd : )

Por outro lado a pegada do RPG pela internet, com ferramentas bacanas como as do RPG Online e do Taulukko são essenciais para quem ainda não tem um grupo de jogo, ou mesmo está em um ritmo mais frenético que o restante dos jogadores, e permite afiar outras áreas que necessitam de muito mais ênfase por um chat do que em um jogo convencional de mesa, como precisão e clareza nas descrições, algo essencial para que o jogo flua bem. O RPG Online é referência no RPG via chat, e embora não seja uma parada que eu jogue, tenho noção do tanto que é importante para muita gente, coisa que o número gigante de acessos do portal confirma.

Agradeço ao Armando pelo cuidado com as respostas e fico no aguardo do retorno do RPG Online reformulado assim como alguns milhares de jogadores por todo o Brasil. E sexta-feira entra mais uma da série de entrevistas sobre 2009!

11 Comentários

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  1. Arquimago disse:

    Opá! Então sexta preciso entrar aqui!

    Também achei a entrevista com pontos novos, penso como você que RPG é uma coisa e jogos eletrônicos é outra.

    Jogar online é uma benção para quem não tem tempo ou horários infelizes.

    Sobre a venda… não sei, é interessante você só comprar o que precisa em vez de um livro que vai usar só um pouco… mas também comprar tudo picado como a 4ed do D&D faz é complicado.

    Acho que devia ter um tipo de pacotão. O D&D insider é uma boa solução para Wizards, mas será para os RPGistas?

    Eu não sei afinal a questão de que existem grupo que jogam com o mesmo livro faz anos não vai deixar de existir, pois se eu precisar pagar para ficar consultado meus livros assim como teria que pagar por mês para jogar os MMO me parece um absurdo.

  2. Salve J Maximus!
    Muito boa entrevista e parabens por fazer um excelente trabalho com o RPG Online!

    Devo concordar com o quando diz: "No entanto não vejo muito essa de RPG narrativo e RPG eletrônico. Existe o RPG, e os jogos eletrônicos – que possuem muitos elementos de RPG, mas que são outra coisa."

    RPG eletronico tem tantos elementos de RPG quanto Super Mario World (estou falando sério!). Mas claro que o nome ja foi dado e não tem muito como lutar contra…. mas tai a minha opiniao.
    :]

  3. x.x.x_inferyus_x.x.x disse:

    De certa forma concordo que o RPG tradicional é "insubistituivel" pelo RPG online… Digo isso pelo fato de não gerarmos um laço de amisade maior uns com os outros devido a muitas vezes nos escondermos por pseudonomes ou/e não ter contato fisico, conhecer a pessoa que jogamos. Mas claro que mesmo o cérebro eletronico transmite de certa forma a emoção de uma personagem quando bem descrita…. ;D

  4. Rastus disse:

    Jogar RPG Online, como feito no iRPG, ainda é visto de forma muito preconceituosa pelos RPGistas tradicionais. Eles estão certos ao afirmar que nada substitui "estar junto da galera", sentir o feeling da voz do narrador e impor sua própria atuação, mas infelizmente essa realidade de "juntar a galera" passa longe de muitos adeptos do RPG, assim como eu. Falta de tempo, de material, de amigos que jogam ou mesmo a distância atrapalham MUITO, e por mais que você queira jogar em uma mesa física simplesmente não consegue; daí o RPG narrativo online salva sua pele nerd, ;)

    Espero que o iRPG volte com bastante força, cada vez mais angariando novos jogadores, assim como também aposto no surgimento e fortalecimento de outras ferramentas online (Taulukko, RRPG, etc…) para preencher esse mercado que, ao meu ver, tem um grande potencial.

  5. Felipe Caldas disse:

    Boa Noite.
    Bom falando como jogador assíduo do RPGonline eu digo que não concordo com essa de RPG por meios eletronicos não gerar laços de amizade, eu já fiz alguns amigos, muitos dos quais eu cheguei até a encontrar em eventos de RPGs outros que apenas mantenho contato via msn, mais que mesmo assim eu considero amigo.
    Além de que esses meios de se jogar RPG acaba fazendo com que os jogadores, mesmo que por difisão, acabem melhorando suas habilidades de escrita.
    Quanto a questão do RPG eletrenico não ser a mesma coisa que RPG de mesa eu discordo novamente, embora você não possa interpretar com a mesma liberdade que se tem em um RPG tradicíonal, pode-se interpretar em MMORPGs em WOW por exemplo tem as salas de RPs onde todos interpretam os seus chars, ou deveriam pelo menos.

    • Rocha disse: (Author)

      Ei Felipe! Mas pra mim RPG não é só interpretação saca? Teatro não é RPG! Pelo menos na minha definição de RPG (que passa longe de ser uma verdade absoluta), tem uma boa dose de regras, uma semelhante de interpretação, e uma grande parte, maior que as outras que é a de contar junto com um monte de outras pessoas uma mesma história, sem ter a definição e o pleno controle de como ela vai seguir. E é ai que os "RPG eletrônicos" se distanciam do convencional pra mim.

  6. Yves disse:

    Grande entrevista, o 2ic tah chegando ^^. Mas sobre esta questão, concordo com a opnião da entrevista, pois em um mmo ou semelhante (wow D&D online PW e outros) você não tem um controle do que realmente quer fazer, a maioria dos jogadores que jogam isso (que eu conheço claro) não sabe muito o que fazer quendo vamos jogar o rpg sem imagens ou textor "pré-pensados", falo isso por que é exatamente isso textos histórias açoes "pré-pensadas" por outras pessoas o que não ocorre no RPG tradicional (papel e dados). O que quero dizer é que nos mmos vc corre e ataca e mata o inimigo, no RPG vc corre, rola no chão, pega um punhado de areia, joga no olho do inimio (cegando-o), e daí o mata. ^^ BYves

  7. ^yves disse:

    esqueci de dizer o rpg faz vc pensar em possibilidades, imaginar lugares, desperta sua criatividade, os MMOs, descumpem os que não concordam, só proporcionam diverção e mousas quebrados. ^^

  8. Scizornl disse:

    Confio que o estilo RPG está sendo modelado para facilitar a comunicação entre jogadores, as ferramentas geradas pela WotC, Taulukko e RPG Online são provas vigentes. Porém ainda é preciso ter foco e empenho para manter o nível e progredir.

    A entrevista foi satisfatória ao público e ainda estamos na espectativa que até o primeiro semestre deste ano, esteja concluido os updates da RPG Online.

    Atenciosamente Scizornl

  9. Yuri Reis disse:

    Nos dias de hoje, o ideal é se modelar as novas tendências. Assim como existem vários clientes premium em MMORG's, acho que o RPG Online poderia se espelhar em algumas características (não abandonar a idéia). Como nós, jogadores do portal, sentimos falta de jogos contínuos, seria ótimo se houvesse um cenário "fixo" em um servidor, aonde uma parte do sistema ficasse modelado para servir a esse cenário, e outra parte ficasse ao desenvolvimento de jogos a critério dos mestres.

    Modo de controle de fichas? No caso do cenário fixo, poderia ser desenvolvido algo relacionado aos jogos de browser, ao qual o RPG Online já tem 2 disponíveis. Para ficar algo menos automatizado, cada operador do RPG Online poderia desenvolver uma continuação do enredo sei lá… a cada uma semana, e os players jogarem de acordo com aquilo que foi descrito.

    Seria algo desafiador juntar a realidade do RPG Online e um cenário fixo ao jogos de broser, nem eu mesmo sei por onde vocês começariam. Mas… é uma idéia.

    Abraços,

    Goe®

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