Curva de Desenvolvimento – As Cidades (Parte 1)

Por Rafael Santos

Olá leitor! Nessa semana vamos discutir um pouco sobre cidades. Sendo esse o primero artigo do Curva a respeito do tema nós vamos começar do princípio, primeiro pelo significado da palavra, passando depois a abordar alguns assuntos a respeito de como um cidade se forma e quais problemas enfrenta.

“Cidade: Povoação de primeira categoria num país; (…) 2. O núcleo principal ou centro urbanístico dessa povoação.”

Seguindo essa definição de dicionário de uma maneira mais livre, podemos pensar na cidade com um núcleo urbano que abriga uma série de autoridades, especialistas, comerciantes, etc. Também podemos pensar que o conceito de cidade é bastante relativo de acordo com o contexto e época: locais que para a sociedade moderna não passam de povoados, podiam ser tidos como cidades na antiguidade. Dito isso, podemos começar.

AS POSSÍVEIS ORIGENS

As cidades nascem a partir da necessidade das pessoas de se aglomerarem e a natureza dessa necessidade vai poder nos dizer muito a respeito da cidade que estamos criando. Em uma região desértica as cidades podem surgir da necessidade nas pessoas de morarem próximas a importantes fontes de água, em uma região fria pode surgir a partir de um povoado protegido dos ventos dentro de um vale. Mas não são apenas as condições geográficas que originam as cidades, na Idade Média européia grande parte dos povoamentos surgia em volta de fortes e castelos, que ofereciam a seus habitantes proteção contra invasores bárbaros. Ela também pode estar no meio do caminho de uma lucrativa rota comercial. Outra possibilidade seria a de um local sagrado, onde se encontra um artefato divino, um importante templo ou mesmo o próprio deus (como em Valkária, metrópole do mundo de Arton, construída aos pés do corpo petrificado da deusa de mesmo nome). A aglomeração de pessoas traz benefícios e problemas, vamos abordá-los a seguir.

OS BENEFÍCIOS

Ter muitas pessoas em um só lugar torna muita coisa mais fácil, especialmente o comércio e troca de serviços. É na cidade que os camponeses, caçadores e artesãos venderão seus produtos, pois lá haverá um mercado faminto por suas mercadorias e também uma grande movimentação de recursos de todos os tipos. É mais fácil encontrar produtos exóticos e de luxo, bem como ferramentas delicadas e específicas (como quase todas de que os aventureiros precisam) e itens mágicos. Além disso a cidade congregará especialistas de diversas áreas: cartógrafos, médicos, escultores, ferreiros, juristas, cortesãos, religiosos, políticos, etc. Esses dois fatores, por si só, são capazes de fazer mais e mais pessoas aderirem à vida urbana, senão durante toda a vida, em certos períodos propícios (como as feiras). Além disso, uma cidade provavelmente contará com uma guarnição armada para o caso de invasões ou ataques de monstros.

OS PROBLEMAS

Acumular muitas pessoas em um lugar só nunca foi algo fácil, nem na antiguidade e nem agora. Criar uma cidade não pode ser apenas um caso de juntar gente, mas também pensar em uma infraestrutura capaz de suportar essas todos vivendo num mesmo lugar. Quem já jogou “Sim City” entende bem o que eu estou falando.

Um primeiro problema que temos que pensar é o do abastecimento. Como não se planta nas cidades elas tem que ser abastecidas com produtos vindos de fora. Isso não é necessariamente um grande problema uma vez que o comércio é frequente, mas pode ser muito ruim em tempos de escassez ou quando se trata de gêneros perecíveis. Além disso existe o problema de abastecimento de água. Na maioria das cidades antigas, e quem já esteve em Ouro Preto não me deixa mentir, o abastecimento era feito através de fontes públicas, logo havia um grande número de chafarizes e bicas espalhados.

E quem come tem que… por para fora. Saneamento é realmente um grande problema. Imagine ficar 4 meses em casa ser ter uma privada, ou sequer uma fossa. Impossível, ou nem tanto. Muitas cidades da antiguidade tinham sistema rudimentares mas eficazes de se levar a sujeira embora, mas eles frequentemente implicavam no sacrifício de um rio e contaminação dos lençois freáticos. O que certamente contribuia para o avanço de doenças.

Colocar muitas pessoas juntas facilita o contágio. Durante a Idade Média, a peste bubônica matou grande parte da população européia, e ela se deflagrou principalmente devido às más condições imperantes nas cidades. As habitações tinham pouco espaço para muitas pessoas e todos os moradores viviam em contato permanente.

A infra-estrutura dos prédios é muito importante. A Roma Antiga e várias cidades do Japão Feudal se incendiavam com relativa facilidade porque os prédios eram contruídos usando muita madeira – em Roma haviam inclusive brigadas de incêndio que faziam patrulhas pela cidade. Cidades que sejam feitas majoritariamente de pedras e tijolos com certeza sofrerão menos desse mal.

Outro problema é o de manter a população sob controle. Revoltas, crime, vandalismo, tudo isso faz parte do cotidiano das cidades desde de quando elas existem: Roma tinha assaltantes, ladrões e até pichadores! Além de ter que providenciar os costumeiros meios de repressão (uma guarda e uma cadeia bastam) as autoridades podem tomar medidas preventivas, como oferecer iluminação pública – algo caríssimo nos tempos antigos, mas que nos mundos de fantasia é bem acessível.

Claro, solucionar esses problemas implica em obras, aquisição de materiais, contratação de pessoal e muitas outras coisas que custam dinheiro. Logo, é essencial que haja um sistema de cobraça de impostos, uma vez que são os cidadão que têm que arcar com esses custos. E, é claro, o uso extensivo e/ou criativo de magias simples pode solucionar facilmente vários deles!

E ENTÃO…

Pensar na origem de sua cidade, em quais benefícios ela traz para a região onde se instala e quais problemas enfrenta (além de quais solucionou e como o fez) são alguns dos primeiros passos no desenvolvimento de cidades do seu cenário, mas não são a única coisa, por isso estejam conosco mais uma vez na semana que vem, estendendo um pouco essa discussão.

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