Curva de Desenvolvimento – Mundos Fantásticos, Habitantes Fantásticos

Por Giltônio Santos

Olá! Nem só de humanos e outras raças pensantes povoamos um cenário de fantasia. Um dos aspectos mais interessantes de se trabalhar em um mundo para sua campanha são os elementos que o tornam realmente algo separado de nossa vida mundana. Hoje, falaremos um pouco mais sobre as criaturas que habitam um cenário de fantasia; e o que seria da Grécia mitológica sem suas Górgonas?

Cada cenário mítico que a humanidade imaginou trouxe sua própria carga de criaturas de lenda, seres que podem ser adversários terríveis ou aliados benevolentes, mas que estão sempre lá. Assim, é natural que você queira povoar seu cenário de fantasia também com monstros lendários.

Verdade seja dita: os RPGs de fantasia banalizaram (e muito!) as criaturas fantásticas. Cabe a você escolher seguir esse modelo, ou optar por uma variante, tentando trazer tudo o que existe de mítico e especial de volta para as criaturas fantásticas de seu cenário.

PRA ONDE IR?

Por sorte, essa pergunta é bem fácil de ser respondida. A maioria absoluta dos RPGs de fantasia possui um ou mais bestiários. Alguns criadores desprezam essa possibilidade, mas creio que a maioria vai agarrá-la com todas as forças; não porque é mais fácil, mas sim porque é provável que o autor do seu bestiário favorito já tenha pensado na maioria dos monstros que você tentaria levar para o papel. Com isso em mente, é hora de pegar o livro e começar a tomar nota.

A CRIATURA ESPECIAL

Alguns cenários escolhem uma criatura específica para cumprir um papel especial, importante em sua caracterização. Dragonlance desde o início era um cenário sobre dragões. É natural que seus autores tenham dedicado tempo a pensarem como esses seres colossais e de imensos poderes afetariam a vida das pessoas e a história do mundo.

Uma criatura pode se tornar especial tanto pela falta quanto pelo excesso. Enquanto Krynn se define como um mundo de vários dragões, Athas possui apenas um, mas seus poderes são tão devastadores que boa parte da vida no cenário gira em torno do entendimento de sua existência, e de que ele pode chegar a qualquer momento, acabando com toda uma população e jogando tudo o que havia sobre ela no esquecimento das areias.

Você não precisa ter uma criatura especial, mas com certeza perceberá que o fato dela existir ajuda muito na criação do seu cenário. Ajudará a dizer muito sobre a história dele, sobre a mentalidade das pessoas, e sobre o que se espera do futuro do mundo, principalmente quando pensamos no que os personagens terão que enfrentar ao longo de sua campanha, e provavelmente, no ponto alto dela.

TRAÇÃO

Vou me permitir fazer uma pequena pausa para referenciar um conceito que não foi criado por mim, mas pela Wizards of the Coast (pra quem não sabe, eles publicam o D&D…). Um monstro com tração não precisa necessariamente ser o monstro especial do seu cenário (na verdade, diferente do monstro especial, um monstro com tração é algo que você deve ter em uma campanha bem sucedida). Que diabo é isso então?

Trata-se da criatura que possuirá um apelo direto e irresistível com os jogadores. Exemplos de monstros que possuem essa força com os jogadores do mundo inteiro seriam os drows, beholders, devoradores de mentes, os extraplanares githyanki e os guerreiros louva-a-deus thri-kreen. Muitos deles possuem sua tração aprimorada pelo fato de constituírem excelentes opções como personagens jogadores.

É importante que as criaturas fantásticas mais recorrentes de sua campanha possuam tração. Isso permitirá que elas sejam usadas como aliadas ou inimigas sempre, sem que os jogadores olhem com um ar de tédio e descontentamento quando aparecem mais uma vez. Talvez eles queiram ser como eles, ou talvez eles apenas queiram aplicar uma boa surra neles, mas um monstro com tração apela aos jogadores sempre que aparece.

Ao escolher uma criatura que terá um papel icônico em seu cenário, você tem dois caminhos a seguir: tentar algo totalmente novo, ou buscar a segurança do que já foi testado e aprovado. Todos os monstros citados acima possuem essa tração, mas muitos outros têm o potencial, e vale a pena investir neles, se você acha que pode agradar àqueles que se aventurarão em seu cenário de campanha.

CRIATURAS MITOLÓGICAS

São relativamente fáceis de usar, e possuem a vantagem de em sua maioria estarem descritas nos bestiários dos jogos de fantasia. Na verdade, quando você tenta criar um novo ser mítico, é bem provável que sua criação pareça ridícula aos olhos dos jogadores. Isso é bastante natural. A idéia de um cavalo cujo chifre possui habilidades de cura vem sendo passada aos jogadores ao longo dos anos, mas ninguém até então mencionou o pavão com penas de lâmina.

Se você se considera uma pessoa insistente e paciente, pode tentar o desafio de impor aos seus jogadores criaturas novas e interessantes (pelo menos pra você!), que substituirão os clássicos. Por outro lado, não subestime o poder dos mitos que têm feito sucesso por tantos anos. Se tudo mais der errado, é bom ter uma floresta de unicórnios por perto, para curar os feridos e permitir aos jogadores terem aquela sensação de que o clássico continua lá, tão bom como sempre.

Uma idéia interessante para o criador interessado em coisas novas é procurar por mitologias diferentes, já que as clássicas como greco-romana e nórdica já foram drenadas quase até o extremo pelos cenários de fantasia já constituídos. O próprio D&D utiliza muitas criaturas de mitologias pouco convencionais, como pré-colombiana ou celta. Muitas vezes, ao olharmos uma criatura num bestiário, acreditamos que se trata de uma genuína criação da indústria dos jogos. Na verdade, não passa de algo saído de uma mitologia menos conhecida.

ALGUNS CAMINHOS PARA SEGUIR

Para essa coluna, acho interessante falar pelo menos um pouco das escolhas clássicas, que colorem todos os cenários de fantasia, e que possuem alguns dos requisitos mais importantes para se tornarem aliados e adversários marcantes dos personagens que habitam seu cenário de campanha.

Os dragões já foram mencionados acima, e nunca nos cansaremos de falar deles. Antigos e poderosos, a maioria de suas maquinações pode levar séculos para ser concluída, e os mais antigos representam desafios grandes demais para os aventureiros comuns. Se você utilizará dragões, lembre-se que são seres inteligentes, muito mais que guardiões de tesouros que os personagens vão descobrir e levar para casa depois de assassiná-los. O confronto com um dragão pode ser o clímax de uma grande história.

Também não existe muito por onde errar com anjos e demônios, assim como os dragões, seus planos costumam confundir a mente dos simples mortais, ainda mais diante do fato de eles serem quase sempre relacionados a entidades superiores, que comandam suas ações e possuem um domínio sobre o destino que escapa aos personagens comuns. Aventuras relacionadas com essas criaturas quase sempre terão algo também de divindade, e são perfeitas para cenários em que a presença dos deuses é marcante.

Mortos-vivos também são clássicos, e merecem sua atenção no momento em que estiver constituindo as criaturas mais importantes de seu cenário. Na verdade, dificilmente teremos uma campanha de fantasia que não passe por eles em algum momento. Os mais inteligentes, como vampiros e múmias, são vilões formidáveis, enquanto os outros funcionam como inimigos ocasionais, que frequentemente carregam muito mais dores de cabeça para os aventureiros que o simples ferimento do machado de um orc.

Por fim, não podemos deixar de falar das fadas. Embora seu papel seja cada dia mais reduzido em muitas campanhas, sua natureza mística e incógnita as torna personagens marcantes em qualquer campanha, não importa se como inimigas ou aliadas. Algumas raças maiores das fadas possuem muita tração, e podem até mesmo ultrapassar a barreira do simples coadjuvante, sendo transformadas em opções para os personagens jogadores.

Um ponto extra sobre alguns dos citados acima é sua capacidade de gerar prole juntamente com humanos e outras raças clássicas, mais usadas como raças jogadoras, tais como elfos e orcs. Você pode sempre usar esse detalhe a mais a seu favor. Criando indivíduos únicos de habilidades interessantes, ou mesmo uma raça inteira de pessoas com “sangue de fada”.

Bem, isso é o que temos pra hoje. Espero que possam aproveitar essa pequena discussão sobre o povoamento fantástico dos cenários de fantasia. Voltamos na próxima semana, conduzindo nossos povos de fantasia até o limite de sua tolerância, até mais!

2 Comentários

O que acha? Tem alguma crítica ou sugestão? Só mandar! Deixe um Comentário

  1. Excelente artigo! Encontrei vocês na RPGCON e havia dito que salvei os primeiros em pdf, segue o link: http://www.4shared.com/dir/s8aT70wo/CurvadeDesenv

Trackbacks for this post

  1. A Quinta Dimensão #05 – Boletim Semanal « Além da Imaginação

Comments are now closed for this article.