Meus rolês na RPGCon 2011

Opa, bora tirar a poeira disso aqui!

Tradicionalmente todo ano eu faço um relato do grande evento rpgístico nacional, antigamente o Encontro Internacional de RPG, e nos últimos 3 anos a RPGCon. Para os curiosos ou saudosistas, retiro das profundezas os relatos quase etnográficos da primeira RPGCon e da edição de 2010. Mas agora é hora de falar da RPGCon 2011!

Quem queria saber como foi o evento já deve ter achado dezenas de ótimos relatos por aí. O meu vem com algum atraso, e pra piorar um olhar muito focado na Feira de RPGs Independentes, onde eu devo ter passado 80% do meu tempo no evento, na barraquinha da Secular. Mas ainda assim, melhor que nada né?

Caipira e Bob

Caipira e Bob

Cheguei em São Paulo na tarde de sexta, um dia antes do evento e já desfrutando o primeiro dia de minhas férias. Tendo em vista que passei as três semanas anteriores afogado em trabalhos de conclusão do semestre, na diagramação do Mamute#2 e preparativos Seculares, a abertura das férias em SP não foi nada má! Como fui o primeiro dos Seculares a colar em São Paulo, aproveitei a tarde para um rolê com os caras da Jambô guiado pelo Trevisan, e já deu pra sentir o frio cortante que fazia na cidade. Enrolando aqui, comprando uns pockets ali ( Storm Front, o primeiro dos Dresden Files, e o super bem falado Anathem do Stephenson), acabei retornando ao hotel, onde encontrei o grande Caipira, bróder e exilado de BH, e posteriormente o Tiago e CF que vieram direto de Brasília. Ficamos marcando o Giltônio e o Garrell, até recebermos uma mensagem dos caras avisando que haviam perdido o voo. O Giltônio conta melhor a essa saga, a qual eu tenho preguiça só de relembrar ele contando às 3 da manhã…

Enfim, sábado de manhã caímos para a RPGCon, pela primeira vez em um novo espaço, o Colégio Santa Amália, maior e mais legal que o colégio Notre Dame. Chegar no pico foi fácil, mas a entrada meio estranha: vimos um segurança em um portão lateral, que não era o principal portão de entrada, e perguntamos das credenciais da FRI e de palestras. Ele fez uma cara de totalmente perdido e deixou a gente entrar. Queria estar mentindo, porque esse teria sido o melhor e mais fácil caô que já mandei na vida!

Vizinhança

Passamos por uma quadra com uma galera jogando D&D Miniatures, heroclix e acho que Magic, depois pelo imenso espaço para as mesas de RPG, e fomos conduzidos para uma mini-pracinha, super agradável e onde estava instalada a Feira de RPGs Independentes! Na real, antes mesmo da gente chegar o lugar já era o mais do caralho do evento, e logo nos esforçamos para deixar o negócio ainda melhor, atacando com nosso ragga soundsystem, bandeira já clássica do Bob Marley, buttons, Mamutes #1 e #2 e Busca Final! Descolamos um ponto estratégico ao lado da escada que dava para a entrada principal e de frente ao auditório, ou seja, não havia como passar pelo evento sem ser tocado pelo som e o faça-você-mesmo rpgistico! De quebra ainda montamos nossa banquinha do lado do Guilherme e Max da Retropunk, o que proporcionou boas trocas de idéias entre as vendas e correrias nossas e dos caras. Na real, ótimos vizinhos de FRI, só reclamaram no domingo quando o Giltônio começou a tocar pandeiro (mas até eu reclamei disso…).

Banquinha montada, som rolando, foi só começar a receber os camaradas! Logo de cara trombamos o Guilherme RODO, truta de BH, paragônico e autor de algumas fotos deste relato, além de dezenas de amigos, conhecidos e pessoas que trocamos idéias pela internet, mas nunca tínhamos encontrado pessoalmente. Vibe lá em cima com o som rolando, troca de idéias, e claro, vendendo uns livrinhos aqui e ali!  Na manhã de sábado rolaram dois destaques em nosso stand/barraquinha: o primeiro deles foi não vendermos o Mamute#2! Isso mesmo, havíamos planejado uma jogada de marketing com o Guilherme da Retropunk, e como ele fez um anúncio do Savage Worlds na contra-capa do zine, combinamos de segurar as vendas até a hora que ele anunciasse o novo lançamento da editora mais bombante do Brasil atualmente na palestra das editoras. Foi divertido inventar as desculpas mais imbecis para não vender a parada por algumas horas, e o pessoal entrou de cabeça na brincadeira!

Outra coisa que me impressionou um bocado na manhã de sábado foi o Violentina, do grande Eduardo Caetano. Já havíamos planejado lançar o Violentina pela Secular Games através de um esquema de crowdfunding e estávamos bem animados com a parada, mas ao encontrarmos com o Eduardo ele nos mostrou as 10 cópias beta que fez do livro para vender no evento. Essa é uma prática bem comum no RPG indie gringo, conhecido como ashcans, versão quase prontas dos jogos que são vendidas a preço de custo pra galera testar e dar um feedback. Nos encontramos com o Eduardo por volta das 11 horas da manhã, e às 14 horas do mesmo dia todos os exemplares do Violentina haviam sido vendidos! Na real, nem a gente da Secular comprou os nossos, o pessoal pelo visto já tem acompanhado e apostado muito no trampo do Eduardo, que aliás está sensacional!

Meio dia, hora de cair para nossa primeira atividade, um bate-papo sobre produção de RPG independente no Brasil. Estavam conosco em uma mesa improvisada Fabiano Neme e Antonio Pop da Redbox, Guilherme da Retropunk, Tiago Junges da Coisinha Verde, eu e Giltônio, além é claro de umas quarenta pessoas bem interessantes cheias de perguntas afiadas. Foi um bate-papo no sentido literal do termo, inclusive bem bagunçado,  mas com trocas de idéias, abertura para perguntas e questionamentos, enfim, acho que serviu a seu propósito – mostrar o tanto que o RPG independente nacional cresceu no último ano, e que produzir e lançar jogos aqui não é nenhum bicho de sete cabeças. Mas concordo com o Giltônio, mesmo neste espírito anárquico precisamos planejar melhor a dinâmica da parada ano que vem para potencializar ainda mais a atividade.

Voltamos pra banquinha, só para encontrar o Violentina esgotado e uma pá de gente perguntando sobre a venda do Mamute#2. Já eram 14 horas, ou seja, palestra das editoras! Subimos para a arena eu, Tiago “Coisinha Verde“, Antonio da Redbox, Guilhermes da Jambô e da RetroPunk, além do Cristiano Cuty da Conclave, e depois recebemos a companhia do Douglas Reais e MC Zanini da Devir. Um camarada chamado Arcano teve a moral de filmar as principais partes da palestra, e assim me poupou de descrever as novidades anunciadas. Valeu Arcano!

Minhas breves impressões sobre a Palestra das Editoras: tradicionalmente este sempre foi um espaço bem cheio e esperado dos eventos (EIRPG e RPGCon), mas em 2011 vimos a palestra mais derrubada dos últimos anos. Não por falta de lançamentos e anúncios bombásticos, principalmente com as novidades da RedBox e RetroPunk, mas com baixa participação do público, em número e perguntas. Enfim, achei bem caído, e acho que a culpa pode ser da falta de divulgação da programação do evento, um erro crasso que retomarei mais adiante. Também fiquei viajando em uma teoria – talvez a gloriosa Palestra das Editoras nunca mais seja tão hypada como no início dos anos 2000, já que aquela época se você quisesse saber de RPG tinmha que falar basicamente cara a cara com os editores da sua linha favorita, no máximo através de uma lista de discussão. No caso da Devir, só rolava pessoalmente mesmo, pois eles eram, além de a maior editora de RPG do Brasil, péssimos na parte de comunicação. Então a Palestra das Editoras era uma janela onde isso podia ser rompido.  Hoje as coisas mudaram. As editoras possuem fóruns, trocam idéias no twitter, e mais importante, tem prazer em responder seus consumidores. Então vai ver a Palestra das Editoras nem é mais tão importante, salvo por um ou outro anúncio bombástico. E se essa minha teoria for correta serei o primeiro a dizer que nem precisamos mais da tal palestra, prefiro mil vezes as editoras e jogadores conversando direto do que um espaço privilegiado e pontual para se buscar informações!

Arsenal!

Arsenal!

O resto do sábado seguiu nessa batida – amigos, conversas animadas, vendas e conhecer gente nova. Dei uma breve passada pelo leilão de jogos usados, e pela primeira vez em seis ou sete anos saí de lá sem absolutamente nada. Não tinha quase nada de bom, quantidades absurdas de refugos da Devir, bem ruim mesmo. Acho que rolava uma campanha pra divulgar o leilão pra galera e incentivando que levem seus livros pra vender lá, afinal a graça é que o lixo de um seja o ouro do outro, e o lixo da Devir não interessa muito, pelo pra mim…

Passadinha rápida no hotel e caímos pro Buteco RPG, que este ano rolou em um bar da Augusta esquematizado pelo D3. Achei este o melhor rolê bebedeira nerd de todas as edições do EIRPG e RPGCon. Até então sempre caímos pro tradicional e delicioso Omalley’s com vários amigos, mas a real é que lá é bem apertado pra um mesão brutal. E se um monte de gente legal do Brasil inteiro está na cidade, você quer um mesão brutal certo? No esquema do bar este ano não tínhamos exatamente uma super mesa, mas vários grupos, e se você cansasse de um assunto era só pular pra outra mesinha. Achei muito foda, muita gente legal em um lugar só, acho que conversei com quase todo mundo em um dos momentos mais legais da viagem

Gênios do Marketing

Gênios do Marketing

Domingão de ressaca, batemos nosso recorde de atraso e chegamos no evento às 11 da manhã. Eita. Mesmo processo de montar o stand, conversar com a galera e zoar as caras amassadas pela cerveja e frio de São Paulo. O dia passou voando na FRI, e logo estávamos na Mesa de Vidro, espaço tradicional de avaliação e discussão do evento entre organizadores e a comunidade. Lá fiz minhas críticas, que reitero aqui: esta não foi a melhor RPGCon que eu fui (achei a de 2010 a mais foda, embora tenha sido praticamente igual a de 2009 nos pontos fortes e fracos. A diferença é que a 2010 teve FRI, e FRI é vida!), a divulgação foi terrível, assim como o vacilo tremendo de fechar a programação na quinta dois dias antes do evento!!! Teve o lance de marcar para a mesma data do Anime Friends, mas ainda assim, acho que o mais danosos foi a falta de organização de ter deixado tudo para a última hora. Se nos anos anteriores os sagazes D3 e Wallace deram conta do recado, este ano a parada ficou em cima demais e prejudicou o evento. A RPGCon nasceu como um esforço em conjunto com a comunidade, de divulgação, proposição de atividades e mudanças. Este ano não houve quase nada disso, não porque os organizadores adotaram uma postura diferente, mas por simples falta de organização. Delegar, dividir e fomentar é preciso caras, toda uma comunidade quer que o evento aconteça e seja ainda mais foda, mas a organização tem que dar o espaço, e pra isso um mínimo de err… organização é necessário!

Como já disse, esta não foi a melhor RPGCon devido a falhas graves de organização e divulgação. Mas foi a RPGCon no melhor espaço e com a FRI mais fantástica possível, na verdade acredito que pouca coisa da Feira de RPGs Independente possa ser melhorada em termos de organização. O preço da inscrição (R$100 pratas) foi justo, o espaço estava excelente, com ótima localização e pontos de energia para todos. A RPGCon 2012 se for no mesmo colégio e mantiver a FRI como está, e ainda corrigir os vacilos deste ano, tem tudo para ser a edição mais foda do evento. Repetindo o que disse em 2010:

Em 2011 estaremos na RPGCON novamente, não só para assistir as palestras, comprar os lançamentos legais e garimpar a feira de livros usados, mas também para sugerir a programação, oferecer palestras, divulgar nosso trampo e conhecer o que os outros estão criando. Não sei para vocês, mas me parece bem mais interessante, desafiador e divertido que uma mera feirinha de RPG!

2012 é nóis! Em breve farei um post sobre as vendas da Secular no evento, mas no site da editora. Espero terminar ainda esta semana. E claro, a missão agora é continuar atualizando o Área Cinza, como nos velhos tempos!

5 Comentários

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  1. Ziderich disse:

    Show de bola o relato, Rocha. Ano que vem vou colar lá no Buteco RPG. Foi a única coisa que eu não fiz no evento esse ano que eu me arrependei de não ter feito.

  2. Pô, assino em baixo em tudo que o Rocha falou. O de 2010 foi bem melhor e teve esses problemas de ser em cima da hora e tal esse ano, tanto que a programação saiu apenas na Quinta Feira anterior. A FRI foi sem dúvida o melhor do evento e os lançamentos deles me chamam muito a atenção, faz muito tempo que perdi interesse na Devir, mas devo dizer que tanto o nWOD e o GURPS são bons, eles deveriam trazer mais RPGs alternativos.

  3. Wallace disse:

    Depois de algumas semanas e eu ter enchido o meu bolso de dinheiro com um evento só pros amigos e cagando pros novos jogadores, posso afirmar que ano que vem tudo terá ainda mais qualidade.

  4. Mari disse:

    ; )

  5. Phil Souza disse:

    Como eu quis estar lá rapaz, o jeito é fazer pé de meia desde agora para evitar imprevistos financeiros.

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