Minha participação no RPGênesis 2011 – Pé na Estrada

Comecei ontem a trabalhar de verdade na escrita do Pé na Estrada, jogo que criarei para o RPGênesis 2011. Mas o que é o RPGênesis?

Existe uma descrição muito mais completa no Garagem RPG, mas resumindo o RPGênesis é um evento online com a finalidade de incentivar a produção de jogos de RPG em um pequeno espaço de tempo, no caso a semana entre o dia 14 e 21 de agosto. Ou seja, acabou de começar! Essa é a segunda edição do evento, que tem uma característica muito legal de integrar a cena de jogos brasileira e portuguesa, já que vários cabeças e incentivadores do RPGênesis se encontram do outro lado do Atlântico.

Outra peculiaridade interessante do RPGênesis é que não é um disputa ou competição, como foi o Concurso Faça-Você-Mesmo que realizamos durante o carnaval. A vitória no caso do RPGênesis é justamente conseguir criar um jogo completo, com no mínimo 5 mil palavras em 7 dias, em uma pegada muito parecida com o National Novel Writing Month que sempre rola em Novembro. Como incentivo, o RPGênesis abriu a participação de patrocinadores, que definiam alguns parâmetros e prêmios para os jogos que melhor os cumprissem. Você pode dar uma olhada na lista de patrocinadores aqui, e ver que tem muita coisa legal rolando, até um patrocínio da Secular para o melhor jogo que utilizar o sistema do Busca Final!

Apresentado o RPGênesis, é hora de falar um pouco sobre o jogo que estou produzindo, o Pé na Estrada! A proposta é que seja um jogo sobre viagens, rock’n’roll e a imprevisibilidade da vida na estrada. Esse é um jogo que venho martelando na cabeça a alguns meses, principalmente seu sistema de resolução de conflitos, baseado não em uma rolagem de dados, mas na seleção aleatória de uma música em uma playlist pré-determinada. Mais sobre isso a frente…

Ontem trabalhei um pouco na introdução e toda essa parte de apresentação do jogo:

Pé na Estrada é um jogo sobre viagens. Mas não qualquer tipo de viagem. Estamos falando daquelas por estradas desertas e amplas, na qual você corta a noite fria a bordo de um carro antigo e possante, cujo estrondo do motor rivaliza apenas com o riff veloz do Motorhead que explode pelos alto-falantes. O tipo de viagem no qual o destino é o que menos importa.

Este é um jogo sobre cair na estrada com alguns amigos, queimando asfalto de cidade em cidade, conhecendo garotas, caroneiros, camaradas e picaretas, e a mercê da vida na estrada. Você pode até ter um destino ou rota, mas acredite – a estrada é a garota mais imprevisível e caprichosa que você já percorreu!

Principalmente, Pé na Estrada é um jogo sobre mudanças. Não importa se você e seus chapas estão indo para o show de uma banda em uma cidade distante, ou se você vai tentar recomeçar no norte do país e deixar aquela madrugada catastrófica para trás, a vida na estrada, seus imprevistos e oportunidades, terão um efeito em você e seus amigos. Acredite, a centenas de quilômetros de casa, no meio de desconhecidos, chapado e sem um rumo definido se lembrar quem você é pode ser um desafio…

Se você nunca jogou Pé na Estrada antes…

Você e mais alguns amigos se sentam juntos em uma mesa e discutem, sempre de maneira colaborativa, sobre a viagem que imaginam para seus personagens. Definirão juntos quem são estes viajantes, no que viajam, porque cada um deles está na estrada, aonde querem chegar e o que buscam lá. Apesar da troca de idéias coletiva, cada um dos jogadores representará apenas um personagem, e decidirá como ele reage aos imprevistos do caminho, as tentações e oportunidades e como age para alcançar seu objetivo, tudo isso embalado por uma trilha de rock’n’roll clássico e barulhento, que não age apenas como música de fundo, mas cujos elementos devem ser incorporados nas ações e cenas que envolvem seu personagem.

Cada jogador representa um personagem, com exceção do Guia (em outros jogos chamado geralmente de mestre ou narrador). O papel do Guia é dar vida a todos os outros personagens que não sejam os dos jogadores, e mais importante, fazer com que a viagem dos personagens protagonistas nunca seja entediante. Você será responsável por definir o ritmo do jogo, pressionar a ação, desenvolver as conseqüências das ações dos jogadores e fomentar o conflito. Parece muito trabalho, mas depois que você pega o jeito a coisa tende a fluir sem tanto esforço. De qualquer forma temos uma ou outra carta na manga para o Guia mais a frente.

Vocês passarão as próximas 2 ou 3 horas contando juntos a história de uma viagem. Em vários momentos será uma narrativa de ação, com pegas entre carros envenenados, brigas no bar e conflitos com a lei, em outros o clima será de tristeza, perda ou reflexão. E realmente deve ser assim, nenhuma viagem é só composta de alegrias, garotas e bebedeiras. Ao final, vocês (assim como seus personagens) compartilharão uma cerveja e discutirão não se a viagem foi bem ou mal sucedida, mas como os personagens mudaram em função dos conflitos em que se meteram e das pessoas e lugares que conheceram.

E o melhor: diferente de um livro ou filme, esse não precisa ser o fim da viagem: um novo destino pode esperar por vocês na próxima semana!

O que você precisa para jogar

Para jogar Pé na Estrada você vai precisar de alguns amigos, no mínimo mais dois além do Guia. Acredito que o jogo funcione de maneira ideal com o Guia e mais dois ou três jogadores.

Cada um dos jogadores precisará de uma cópia da Ficha de Personagem que pode ser encontrada ao final deste documento, assim como lápis, borracha e tal. Também recomendamos aos jogadores trazerem petiscos e bebidas, de preferência alcoólicas se o dono da casa não tiver problemas com isso.

O Guia é o único que precisa ter lido ao menos uma vez todo o documento, já que precisa ter um conhecimento mais amplo de todas as ferramentas e possibilidades de se contar uma história oferecidas pelo jogo.

Por último, mas não menos importante, vocês precisarão de um aparelho capaz de reproduzir músicas em ordem aleatória (também conhecido como shuffle ou random). Pode ser um aparelho celular, um notebook, ou um aparelho de som propriamente dito, não importa, desde que ele consiga tocar algumas músicas pré-definidas de forma não linear. O Pé na Estrada não utiliza dados ou cartas, as formas mais comuns de aleatoriedade em jogos, mas sim uma lista de músicas para decidir quem vai narrar o resultado de um conflito, por isso a importância do aparelho!

E aí, deu para atiçar a curiosidade?

O jogo conta com cerca de 800 palavras atualmente, quero ver se subo isso para 2 mil hoje, aproveitando que é feriado em Belo Horizonte. E se você se interessou e quer acompanhar a discussão sobre o Pé na Estrada, pode dar uma olhada no tópico do jogo no fórum do Garagem RPG!

2 Comentários

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  1. R.G. Caetano disse:

    Rocha, muito bacana esse jogo! Fiquei curioso e lembra um pouco a série Supernatural pela questão das viagens e o Rock’n’roll. Ficarei atento as atualizações!

    Boa sorte no projeto.

    • Rocha disse: (Author)

      Pois é Caetano, o Supernatural foi uma grande inspiração, até coloquei uma pequena homenagem a série no texto : )

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