Uma olhada no primeiro dia de campanha do Violentina

E quem diria que o primeiro dia da campanha de financiamento coletivo do Violentina seria um sucesso tão grande? Em menos de 3 horas alcançamos a meta inicialmente estipulada, e até o final do dia já havíamos arrecadado 150% dos R$2.000,00 inicialmente pretendidos. Este post é um olhar e discussão mais aprofundados sobre que diabos aconteceu dia 1º de Agosto, e o que podemos aprender com ele.

Antes queria falar um pouco sobre nossas expectativas com o Violentina. Sinceramente, antes de tudo começar eu tinha certeza quase absoluta que atingiríamos a meta de 2 mil reais. E achava que talvez até chegássemos aos 3 mil! Simplesmente porque o jogo criado pelo Eduardo é muito bacana, e já tinha um bom respaldo da galera mais ativa de blogs e fóruns de criação de jogos devido a seu modelo de criação aberta. Quando vi que a versão demo do jogo vendeu suas 10 cópias em 2 horas na RPGCon, sabia que tínhamos ali um grupo hardcore, um núcleo pequeno mas coeso de pessoas muito interessadas no jogo. Mas mal sabia eu quão interessado no jogo este pequeno núcleo era!

De qualquer forma, sabia que conseguiríamos a meta, mas nunca imaginei que o faríamos em 3 horas! Existe uma pesquisa do Kickstarter (maior site de financiamento coletivo do mundo) que fala que 90% do projetos que alcançam 30% de sua meta, são completamente financiados até o fim do período estipulado. Ou seja, 30% é quase uma barreira imaginária, e ao passar disso os possíveis financiadores começam a enxergar aquele projeto como viável e apostar sua grana nele também. Nossa meta era alcançar 30% do valor pretendido pelo Violentina (R$600) em três dias. Depois disso eu imaginava que bateríamos os 2 mil reais em uma ou duas semanas!

Pessimismo? Não diria que foi isso. Na verdade, sobre certo ponto de vista, nossa estimativa foi até otimista demais! Isso porque, partimos do pressuposto que o que nos levaria a bater a meta seriam as contribuições de R$10 e R$25, que dariam direito respectivamente as recompensas do livro em PDF com o nome do colaborador nos agradecimentos, e o livro impresso com frete incluso. Como imaginávamos que a grande maioria iria contribuir com estes valores, fizemos um cálculo estimado de que precisaríamos de cerca de 70 colaboradores, uns investindo nas recompensas maiores, outros nas menores, mas com uma forte média concentrada perto dos R$25 para atingir a meta. E por isso digo que sob certo aspecto fomos até otimistas, afinal nem chegamos aos 50 colaboradores ainda!

Ficou claro que nosso erro de cálculo foi desconsiderar as grandes contribuições.  Sabíamos que elas aconteceriam, mas nunca imaginamos que se dariam em tal volume. Na verdade não sabíamos até o dia 1º de Agosto se a Maleta Inferno sequer seria vendida, e olha que ela saiu em pouco menos de 40 minutos de campanha! Foram as grandes contribuições que nos permitiram atingir a meta estipulada de R$2.000,00 não só em apenas 3 horas, mas principalmente, com somente 19 apoiadores, ou seja, menos de um terço de pessoas que imaginávamos antes do lançamento da campanha.  Uma média de contribuições de R$106 por colaborador, bem acima dos R$29 que havíamos estimado!

Vamos dar uma olhada no gráfico do primeiro dia da campanha de financiamento coletivo do Violentina:


Esse salto monstruoso que pode ser visto das 8 da manhã até às 11 é basicamente a representação gráfica das 10 Violentinas no Caixão e da única Maleta Inferno se esgotando. Só com estas recompensas, atingimos R$1.800,00, ou 90% da meta inicial para aqueles ruins de matemática.

Eu gosto de definir o processo de financiamento coletivo como uma pré-venda com benefícios e participação ampliados.  Desta forma acho que pode ser bacana utilizar a pré-venda do Busca Final para traçar algumas comparações. A primeira pré-venda realizada pela Secular teve duração semelhante (42 dias, um pouco maior), e arrecadou R$1.800,00 com a pré-venda de 60 livros. Comparados com os R$2.020,00 arrecadados pelo Violentina em 3 horas, podemos dizer que ambos são totalmente diferentes? Acredito que não.

Claro que existem diferenças gritantes – a velocidade da arrecadação do valor estipulado é uma delas. Mas o lance é, a campanha do Violentina entrou em outro ritmo agora, muito mais lento e estável do que o frenesi do primeiro dia. Acredito que ao final da campanha teremos entre 65 e 80 colaboradores (enquanto escrevo este texto, estamos com 45 camaradas e R$3.530,00 reais), o que de maneira absoluta não é muito diferente do alcançamos com o Busca Final. A diferença gritante se deu nos valores que “estes mesmos” 60 camaradas contribuíram. Enquanto na pré-venda do Busca Final não existiam opções, a única maneira de contribuir era com o valor fixo de R$29,90, com o Violentina se a pessoa quisesse poderia bancar até 10 vezes este valor, recebendo não só uma maleta do caralho, mas também a certeza de ter feito parte importante deste processo. Mas a lição para a Secular, ao menos em relação para o tamanho de seu público hardcore é basicamente a mesma – existem cerca de 60 pessoas que curtem muito seus jogos e idéias e estão dispostos a investir recursos neles antes mesmos de estarem prontos. Refinamos um pouco mais essa noção agora com o Violentina: sabemos que aproximadamente um terço deste pessoal bacana também está disposto a pagar um valor de 4 a 8 vezes o valor básico do produto para receber uma versão limitada e com muito muito mais elementos (cartas, fichas e marcadores, encartes, camisetas, etc.). O que o financiamento coletivo fez foi basicamente abrir as portas para atingir essa demanda, potencializando ainda mais o efeito deste núcleo duro.

Claro que essa é nossa percepção da Secular, para outras editoras a mecânica deve funcionar de maneira um pouco diferente, e aí só testando para descobrir acredito. Também vale ressaltar que sabemos que o elemento de criação aberta do Eduardo colaborou e muito com a rápida adesão a campanha, mas cada vez mais considero que boa parte das pessoas que já tinham contato com o Violentina também já tinham algum contato com a Secular, afinal são grupos muito próximos.

O interessante é perceber que mesmo sendo um grupo pequeno para os padrões do mercado de RPG, essas 50 ou 60 pessoas dedicadas a investir em um produto bacana antes dele existir efetivamente possibilitam que uma tiragem maior seja produzida, como as pré-vendas do Busca Final, do Old Dragon e do Rastro de Cthulhu já demonstraram. Os atuais 45 colaboradores do Violentina já financiaram uma impressão de praticamente 150 unidades do jogo. Essas 105 cópias restantes serão vendidas através de meios mais convencionais (nosso site, eventos, lojas parceiras, etc.) e sem risco algum, já que todo seu investimento já foi bancado pela própria campanha de financiamento coletivo.

Eles podem caber em um ônibus, mas a energia (em termos de investimento, divulgação e colaboração) que este núcleo duro (ou early adopters na gringa) injeta no processo é fundamental, permitindo que todo o ciclo de produção aconteça à partir deles.  E o financiamento coletivo os permitiu ampliar ainda mais este impulso inicial ao projeto. Tem coisa mais do caralho que isso?

5 Comentários

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  1. rsemente disse:

    Realmente é surpreendente, já seria uma grande coisa conseguir o valor estipulado até o final da parada, mas conseguir em 3 horas é épico. Se de hoje em dia me perguntarem: o que é épico para você? eu responderei: Arrecadar 2.000 reais em 3horas com um RPG!

  2. Gran Kain disse:

    Parabéns pelo projeto, estamos torcendo muito por ele =)

  3. Como escreveste, acredito também que a sensação de ‘fazer parte’ deve ter impulsionado bastante. Parabéns à equipe por este e futuros sucessos.

    Gilson

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