O que a tiragem significa?

Volta e meia aparece a discussão sobre as tiragens de livros de RPG no Brasil. Um dado que  é divulgado com certa tranquilidade em outras paragens, e no RPG nacional por vezes adotou uma característica meio nebulosa, conhecido muitas vezes apenas pelos “insiders“… Recentemente, a discussão voltou a tona, e desta vez  as tiragens serviram como lastro para o argumento que o RPG teve uma fase áurea que já acabou. Mas o que diabos a tiragem de um livro significa hoje?

A definição da nossa amiga Wikipedia é simples, mas trás o cerne do elemento que quero discutir aqui:

Tiragem é o nome que se dá à quantidade de exemplares de uma publicação que são colocados no mercado. Não é forçosamente o número de leitores, já que as publicações saem em números normalmente maiores que os que são de facto distribuídos.

Como pelo visto até a Wikipedia sabe, se não estamos falando de uma tiragem esgotada, a tiragem não é o número de cópias vendidas, mas o de cópias produzidas e colocadas no mercado. E esse é justamente o problema de se usar as tiragens como parâmetro único para avaliar se um livro foi bem sucedido ou não! Aliás, o próprio conceito de ser bem sucedido é de uma relatividade monstra. 500 cópias por ano de um determinado título pode ser um bom volume de vendas para a Secular, e ao mesmo tempo ser um fracasso estrondoso para uma editora Planeta ou Escala da vida. E sabe quem ajuda a gente a avaliar se um livro foi “bem-sucedido” ou não? A tiragem, mas não sozinha!

A tiragem pode nos ajudar a avaliar se um livro foi bem-sucedido ou não, desde que este dado seja analisado em conjunto com o número de unidades vendidas. Separadas, ambas as informações não dizem muita coisa, e este é o ponto de partida de nossa conversa.

Um livro ser bem sucedido pode significar um monte de coisas – tem gente que só quer ver seu nome impresso na capa de alguma coisa, e para eles isso já é mais que o suficiente para se considerar bem sucedido. Outros querem viver de publicar livros, e para eles um lançamento bem sucedido é aquele que paga suas contas por alguns meses. Aqui vou usar o uma definição de bem sucedido como: livro que não dá prejuízo, pelo contrário arrecada uma parcela interessante acima de seu investimento inicial. Parcela interessante? Bom aí já entramos em um terreno nebuloso, mas no caso da Secular é um livro que dá entre 50% e 100% de lucro. Acho que cada editora/autor define o que é uma parcela interessante de lucro, desde que o troço não dê prejuízo!

Logo a tiragem é apenas metade da resposta do problema.

Não adianta eu vir aqui, e pagar de gatão falando que o GURPS Illuminati (este é apenas um exemplo, não sei os números deste livro!) foi um sucesso por ter sido lançado em 1995 com uma tiragem de 5 ou 10  mil cópias, enquanto menosprezo o Mighty Blade por sua tiragem inicial ter sido de 500 cópias. Porque no final das contas, esse livro de grande tiragem tá aí até hoje, 15 anos depois entupindo os leilões de livros usados desde que existia o Encontro Internacional de RPG, enquanto o Mighty Blade vendeu 300 cópias em um ano. Mesmo não sabendo os valores exatos de produção de cada livro, e nem margem de lucro, vamos combinar que um livro que vendeu 60% de sua tiragem em um ano tende a ser mais bem sucedido que aquele que está entulhando prateleiras desde 95 né?

E o GURPS Illuminati (que é um livro que gosto muito) é apenas um exemplo disso. Existem dezenas de outros no RPG nacional, como o Shadowrun e seus romances, vários outros livros da linha GURPS (oi Império Romano!), o Livro do Mestre do AD&D e por aí vai. Mesmo sem esses números em mãos, fica fácil sacar quais destes livros as editoras produziram em uma tiragem muito maior que a demanda, em qualquer olhada mais atenta a sebos, leilões e lojas. Se o mesmo título aparece 10 ou 20 vezes, cada vez por preços menores, é uma boa dica que a parada tá mais que encalhada…

Mas porque as editoras lançam tiragens de milhares de cópias de seus livros, mesmo sabendo que muitas vezes eles iam encalhar? Na década de 90 elas faziam isso por um motivo, hoje acredito que fazem outros. Mas antes de tentar responder essa pergunta, vamos nos debruçar um pouco sobre a relação entre a tiragem e risco, que eu acho que explica e muito bem, o porque das tiragens que encontramos hoje no mercado de RPG (e não só nacional).

Não sou nenhum administrador como meu chapa Tiago da Secular, mas acho que neste conceito básico não tem muito como errar. A Wikipedia me ajuda novamente, desta vez sobre risco em uma perspectiva financeira:

Cálculo de risco pode ser definido como a tentativa de se medir o grau de incerteza na obtenção do retorno esperado em uma determinada aplicação financeira ou investimento realizado. Dessa forma, os investimentos podem ser classificados como de baixo, médio e alto risco.

Lançar um livro de RPG é um investimento. E como nossa amiga acabou de mostrar aí em cima, pode ser de baixo, médio e alto risco, dependendo do grau de incerteza de ver o retorno esperado rolar. Um dos fatores desse grau de incerteza é volume de seu investimento inicial, e nisso a tiragem é um fator determinante. Não que a tiragem seja o único fator do investimento inicial de um título, podem existir vários outros como ilustrações, diagramação, tradução, revisão, a própria licença para títulos gringos… Mas de qualquer forma, o custo da tiragem influencia de forma considerável seu investimento inicial. Logo, é uma tendência que, tiragens mais altas representem um investimento de risco mais alto.

Tamanho da tiragem e risco estão intrinsecamente relacionados quando falamos de publicação, exceto em casos extraordinários, que não acho que sejam muitos no RPG nacional. Todos concordam aqui nestas duas conclusões? Ótimo, vamos continuar então!

Vamos voltar a pergunta sobre as grandes tiragens das editoras nos anos 90. Porque diabos eles faziam tiragens tão grandes? Em todos os casos isso se relaciona com as expectativas que as editoras tinham – alguns tinham noções e estimativas realistas, outros viajaram demais e literalmente pagaram por isso. Mas além das expectativas, acredito que outro fator seja determinante para explicar as tiragens mega: a tecnologia.

(cliffhanger!)

Acredito que a tecnologia influenciou as tiragens de duas formas. A primeira e mais decisiva delas foi com o aperfeiçoamento das gráficas. De 1990 para cá o serviço de impressão teve avanços de maneiras absurdas, que são visíveis para qualquer um disposto a comparar a qualidade gráfica média de um livro de 91 com um de 2011. E a tecnologia tem essa tendência bacana de se tornar muito mais barata com o tempo à medida que se populariza. Em 1995 seria praticamente impossível (em termos de custo por cópia) fazer uma tiragem de um livro bacana, bem acabado, como o Fiasco ou Busca Final com uma tiragem menor que mil cópias. Se essa é uma época que se tá sendo chamada de “Era de Ouro” do RPG, vou tomar a liberdade de apelidar de “Idade das Trevas” nas gráficas. Acredito que mesmo querendo uma tiragem de 1 ou 2 mil cópias, muitas editoras acabavam fazendo 4 ou 5 mil por conta do desconto e redução do preço por unidade. Uma nova editora nesta época, para brincar com seus jogos no modesto play do RPG nacional, precisava levar debaixo do braço alguma milhares de cópias de seu livro para que ele tivesse um preço relativamente em conta, o que como aprendemos ali em cima, mandava o grau de incerteza, e o risco desses investimentos para as alturas! Além de ter que entrar com uma grana considerável, ou seja, a existência de uma necessidade de capital inicial elevado, a chance que estas editoras iam rever seu investimento em um ou dois anos era remota. Isso se não tomassem prejuízo…

Outro ponto no qual o baixo Nível Tecnológico (eu falei que curto GURPS) não ajudava muito o RPG nacional de 20 anos atrás era a falta das ferramentas e hábito para se vender e comprar produtos pela internet. Em 1996, salvo a Moonshadows, as lojas de RPG não tinham páginas na internet. E mesmo a Moonshadows tinha aquele anúncio clássico na contra-capa, anunciando o site, os produtos, e com um modelo para fazer pedidos por carta que você recortava, preenchia e enviava pelos correios…

Se ninguém vendia pela internet, na década de 90 quem mandava eram as lojas físicas. Só que para chegar nestas inúmeras lojas que existiam (e mesmo em bancas de jornais, um formato muito bem sucedido no Brasil na época) eram necessárias essas tiragens monstras. Sem chance de você tentar alcançar as lojas de RPG e cardgames do Brasil em 1998 sem uma tiragem de mil cópias ou mais. Se não me engano, para ir para banca a tiragem devia ser de mais de 10 mil, provavelmente mais… E para chegar nessas lojas e bancas espalhadas pelo país, as editoras precisavam (e ainda precisam em certa medida) das distribuidoras, que são uma verdadeira desgraça para quem quer publicar no Brasil, cobrando em média 50% do valor de capa do livro pelo serviço, ou seja, ganhando mais que a própria editora, autor e lojista!

Que saudades da “Era de Ouro”… NOT!

Na real, em comparação com o cenário para editoras e autores de livros de RPG de 2011, os anos 90 foram um pedreira desgraçada, e sinceramente pago um pau do caralho para quem conseguiu lançar seus jogos e permanecer no mercado naquela época.

Hoje as coisas são muito mais tranquilas, e novamente graças em boa parte a nossa amiga tecnologia. As gráficas passaram por uma mudança absurda nos últimos 20 anos, em especial em relação a produção de baixas tiragens e qualidade das gráficas rápidas. Suspeito que seria impossível lançar em 1995 um livro com o acabamento do Rastro de Cthulhu, com uma tiragem de 500 cópias e um preço viável. Na verdade com o surgimento de gráficas que trabalham com o modelo de impressão sob demanda (print on demand, ou POD) é possível ter livros bonitões com tiragens de 50 ou 100 cópias! Claro que o custo unitário destas cópias feitas em, por exemplo, uma gráfica de  impressão sob demanda será mais elevado que o custo unitário de uma tiragem de mil unidades. E aqui vamos nós para mais uma constatação meio óbvia, mas bem importante: Se o custo por unidade é maior, o lucro da editora é menor certo? Mas se o preço total da tiragem baixa fica menor que o da tiragem convencional, o risco também é reduzido.

Ou seja, baixas tiragens tendem a reduzir o lucro da editora, mas também diminuem o risco do investimento.

Esse é o grande truque de se publicar RPG no Brasil hoje. Como é possível, diferente da década de 90, lançar um livro bonito com tiragem inicial de 50 a 5 mil cópias, o segredo é achar uma tiragem que reduza seu risco, mas também mantenha a margem de lucro que seja considerável pela editora/autor como aceitáveis. Graças a internet (me sinto um apresentador do Fantástico falando assim), as lojas físicas perderam boa parte de sua importância como pontos de venda de jogos de RPG, embora ainda sejam cruciais como lugares para apresentação e crescimento do hobby, o que é um problema para outra discussão. Hoje é perfeitamente possível vender centenas ou mesmo milhares de cópias de seus jogo pela internet, desde que você faça um trabalho bem feito. Até mesmo o contato com lojistas foi facilitado pela internet, ajudando um pouco a distribuição sem a necessidade de apelar para uma distribuidora. Moral da história: você não precisa mais de tiragens acima de mil cópias para chegar ao seus consumidores em potencial. Enfim, atualmente tudo conspira para o lançamento de livros de RPG com um risco cada vez mais reduzido. Sim, você pode tentar chegar quebrando a banca, correndo um risco mais elevado, mas também visando um maior lucro. Mas não precisa mais ser assim.

E isso não só no Brasil. O Brad Murray, da VSCA, que lançou o excelente Diaspora (em breve em português pela RetroPunk!) faz uma discussão precisa nestes dois artigos sobre a redução de risco e a postura “conservadora” que adotaram com o seu jogo de ficção científica baseado no FATE. Mesmo tendo um livro que valia ouro (literalmente, já que venceram o ENNIE de Ouro para melhor regras em 2010), eles lançaram em um modelo de risco zero, sem tiragem inicial! Colocaram o PDF do livro no Lulu, e a medida que o livro era comprado, o Lulu imprima o número exato de cópias e enviava. Nessa brincadeira eles venderam quase mil cópias antes de lançarem uma tiragem convencional pela Evil Hat, e como o Murray coloca, o lucro deles foi bem reduzido neste modelo, mas eles queriam ter certeza que podiam lançar algo sem correr nenhum risco financeiro. Definitivamente é um modelo interessante, e deu estrutura para o livro crescer, ganhar prêmios e vender mais de 1.500 cópias até ano passado, ou seja, devem ter batido as 2 mil já com tranquilidade…

E é isso que as editoras no Brasil tem feito hoje. Elas não precisam mais lançar no mínimo 3 mil cópias para descerem pro play. Podem avaliar de maneira muito mais granulada e precisa o risco de cada título, seu lucro, e a demanda, e tentar equilibrar esses fatores. No caso das editoras independentes, que surgiram nos últimos dois anos, isso é ainda mais gritante. Não só elas estão se dando bem com pequenas e precisas tiragens que se esgotam em um semestre ou no máximo um ano, como estão falando abertamente de seus números e discutindo com todos o porque das escolhas que fizeram. É muito do caralho isso. Ao invés de ficarem pagando de obscuras ou de “grandes negócios”, discutem abertamente seus gastos, suas estratégias, criando assim não só vínculos mais fortes de confiança com a comunidade, mas fomentando a entrada de novos autores e editoras, que não vão cometer o erro de tentar de cara tiragens de 1 ou 2 mil cópias.

Eu queria mesmo discutir o modelo das tiragens e risco reduzido adotado pelas editoras independentes de RPG, mas esse post já está gigantesco. Então escreverei uma continuação deste post, focando na estratégia das novas editoras amanhã ou na quinta ok?

24 Comentários

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  1. Cadê o botão ‘aplausos’ aqui nos comentários?

  2. John Bogéa disse:

    Fantástico, sensato e exato. Fazia tempo que não lia um post tão bacana. O AC já é um dos meus blogs preferidos. :)

  3. Caco disse:

    Excelente matéria Rocha, e ela realmente chega num momento em que nos gostaríamos de ter essas duvidas sanadas, e com tanto negativismo é uma sorte que tenhamos postagens como essa que incentivarão ainda mais quem realmente precisa, que é o autor nacional!

  4. Particularmente me amarrei no texto. Tanta informação bem selecionada que, quem almeja um dia colocar na prática o “ser um autor de RPG”, tem suas esperanças revigoradas!

  5. Oráculo disse:

    Só pra reforçar o que já foi dito no texto, lembro-me que o narrador do meu antigo grupo de jogo comprou o Livro do Mestre AD&D no “maravilhoso” e “mítico” ano de 1995 por apenas R$ 5,00 porque o livro estava encalhado nas prateleiras.

  6. Gran Kain disse:

    Muito bom este seu post Rocha, parabéns!
    Tem que estar dentro da coisa pra escrever algo sensato assim =)

  7. Wallace disse:

    Texto bem sensato.
    É bom que hoje existam os blogs espalhados e publicando textos de real qualidade e sem mistérios ou outras frescuras. Isso realmente ajuda a calar a boca desses especialistas de plantão, que estão há anos afundados em fantasias e mentiras.

    É reconfortante saber que o nosso grisalho é muito mais inteligente e educado que o deles.

  8. Òtimo post, Rocha!

    Parabéns!

    Eu estava justamente dando uma opinião um pouco mais simplista do que vc demonstrou aqui. É díficil achar os anos 90 como época de ouro do RPG se o que se via era uma “bolha” com grandes empresas investindo muito dinheiro e gerando enormes encalhes.

  9. Scizornl disse:

    Parabéns. Quando mais leio sobre editoras me sinto tão novato e ao mesmo tempo seguro de que não precipitei em fazer algo “pelas coxas”.

  10. Isso complementa TOTALMENTE a minha tese da “Falsa Crise”.

    Meus parabéns, Rocha.
    Você expôs de uma maneira clara e concisa tudo o que vem acontecendo desde 1990 no mundo das editoras e apresentou os reais riscos/benefícios de nossa época atual ao lançar um livro de RPG.

    Vou estar acompanhando o tópico para continuar acompanhando a discussão.

  11. César Rodriguez disse:

    Rocha wins!
    Flawless Victory!

  12. Guilherme M. disse:

    Gostei bastante do texto, realmente da uma visão diferenciada, técnica, do tema.

    Contudo, preciso discordar de num ponto, ao meu ver, importante.
    Tudo isso que foi dito não muda o fato de que a demanda diminuiu dos anos 90 pra cá.
    Na minha humilde opinião, ainda que nos anos 90 e 2000 existisse, de fato, uma certa “bolha” com editoras investindo muito sem ter retorno, livros que ficavam encalhados e tudo mais que foi exposto no texto, existiam também encontros internacionais de RPG com públicos que chegaram a 10mil pessoas, existiam alguns (poucos) livros de sucesso, leia-se Vampiro a Mascara, que tinham tiragens elevadas e não ficavam encalhados, editoras de pequeno porte como a Daemon conseguiam lançar livros em capa dura mesmo com as dificuldades das gráficas da época.

    Ao meu ver, as editoras brasileiras de RPG como a secular, Redbox, Retropunk e, porque não, Jambo e Devir, lançam tiragens pequenas com pouco risco porque é a ÚNICA maneira de publicar algo, não acho que seja uma opção.

    Agora, se isso configura uma crise ou não, são outros 500

    • Rocha disse: (Author)

      Ei Guilherme. Não estou dizendo que não existiram livros que não venderam pra caralho, o próprio Livro do Jogador do D&D 3ª edição parece que vendeu mais de 30 mil cópias e não duvido disso. Assim como um Vampiro: A Máscara e tal. Esse modelo de grandes tiragens é ideal para esses títulos que tem uma força e um público gigantescos.

      Mas que outro título nacional (talvez exceto Tormenta) pode se dar o luxo de lançar seus suplementos com tiragens de 2 mil cópias? Lançar em tiragens menores é a opção mais inteligente para quem está começando no negócio, e se fosse um modelo viável na década de 90 talvez ainda tivéssemos várias editoras que faliram após 2 ou 3 lançamentos na ativa.

  13. rsemente disse:

    Muito massa, de volta a boa e velha forma do Area Cinza.

    E ainda tem o magnifico modelo croudfounding! Risco zero total e maximização dos lucros!

    Nesse caso a editora pode dizer: “Só publico se conseguir vender X para ter um lucro Y, comprem meu produto em 1 mês se não nunca o verão publicado, seus leitores fudidos!”

    Nisso a editora pode conseguir um lucro e preço bom, e com uma tiragem exata para a sua demanda!!! Melhor que isso só dois disso!

    Agora me doi lembrar que devido a problemas familiares não consegui me lembrar nem a pau de comprar o Violentina antes, comprarei a rebaba superfaturada que aparecer nas lojas onlines :(

    • Rocha disse: (Author)

      Na verdade no financiamento coletivo (crowdfunding) você tem sim a eliminação do risco, afinal se não chegar a determinada meta o projeto não acontece e nenhum real é gasto, mas não existe uma maximização do lucro. Na verdade existem muitos gastos com as recompensas. Por exemplo, dos 9 mil reais arrecadados na campanha do Violentina, cerca de 4 mil irão para a produção dos livros, camisas, encartes, caixas, etc.

      E nesse gasto está o preço de uma baixa tiragem, afinal faremos 200-200 exemplares, que como disse no post, é menos arriscado, mas menos lucrativo.

      E não esquenta, em Dezembro o Violentina estará a venda, provavelmente por um preço bem próximo do Busca Final.

  14. Danielfo disse:

    Estamos numa nova fase, borbulhante fase. Novos desafios, novos problemas. O texto está belo, adoro ler a verdade nua e crua.

  15. Guilherme M. disse:

    Muito bom o texto, realmente joga uma nova luz no assunto.

    Contudo, discordo de alguns pontos, ao meu ver, importantes.
    Isso porque, na minha humilde opinião, ainda que as décadas de 90~2000 tenham sofrido com uma “bolha” causada por empresas grandes investido muito sem ter retorno, ou com livros com tiragens excessivas ficando encalhados, elas também viram encontros internacionais de RPG com mais de 10 mil pessoas, viram (poucos) livros com tiragens enormes VENDENDO extremamente bem (leia-se Vampiro a Mascara).

    Acredito ser inegável que a demanda por RPG caiu dos anos 90 pra cá, por isso, não acho que as editoras modernas do RPG brasileiro, como Secular, Redbox, Retropunk, Jambo e até Devir, escolheram esse novo modelo editorial de baixa tiragem e baixo risco, elas não tem escolha, ou publicam assim ou não publicam, uma vez que o mercado não é mais tão grande quando fora no passado e não pode absorver tiragens maiores.

    Só não acho que isso seja crise, muito pelo contrário, o que temos hoje é um mercado sólido, ainda que pequeno.

    • Rocha disse: (Author)

      O meu ponto Guilherme é que as editoras pequenas e médias nacionais, exceto a Daemon, nunca conseguiram vender milhares de cópias, nem mesmo na década de 90 e início dos anos 2000. Cadê a Viu, a Akritó, e muitas outras? Não conseguiram existir nesse modelo de grandes tiragens. Talvez hoje conseguissem, mas o fato é que não duraram nem quando o mercado era maior.

      • Guilherme M. disse:

        Rocha, isso com certeza!
        Não teriamos hoje grandes RPGs como o Old Dragon ou Busca Final não fosse o novo modelo.
        Eu concordo com sua visão do mercado, mas a leitura do texto passa uma impressão de que tudo melhorou dos anos 90~2000 pra cá, sendo que não foi bem assim.
        Eu só pretendia apontar essa questão do maior público de outrora.

        E o post “duplo” foi por acidente, achei que tinha perdido o primeiro e por isso fiz o segundo, my bad.

        No mais, ótimo texto, como sempre.

  16. bob nerd disse:

    Excelente post! O pessoal daquele site vermelho precisa ler isso aqui para aprender alguma coisa!

  17. Luciopim disse:

    Olá Rocha,

    Parabéns pelo artigo.

    Tenho algumas dúvidas e gostaria que você me ajudasse.

    1) Quando você coloca a distribuidora como vilã por ficar com 50% do valor de capa, você quer dizer que ela lucra metade do valor de capa, é isso? Um livro que tem preço de capa de 20 reais, ela ficaria com 10 reais pra ela? É assim que funciona?

    2) Você dá a entender que os livros que Gurps encalharam em sua grande maioria. Demorei para sacar o que queria dizer com eles entupirem os leilões. Você está querendo dizer que eles foram vendidos/empurrados em sua maioria nos leilões de usado do internacional, é isso? Porque eu entro no site da Devir e quase todos constam como esgotados. Hoje fui na bienal do livro e os únicos títulos de Gurps 3a edição que eu vi foram o Fantasy e o Psiquismo, batendo com a informação do site da Devir.

    3) Esse modelo de baixa tiragem vem baixando bastante o preço. Ele já permite que você venda para as livrarias ou o custo unitário só permite que você faça venda direta para o consumidor final?

    Grande abraço,

    Lúcio

    • Rocha disse: (Author)

      Ei Lúcio, desculpe a demora gigantesca para responder, por algum motivo o seu comentário caiu no spam e eu não percebi :/

      1)Pra ser sincero nunca trabalhamos com distribuidoras, mas ontem mesmo estava trocando uma ideia com um lojista e por essas conversas com editoras e lojas acredito que funcionem assim: um livro de preço de capa de 20 reais é vendido para a distribuidora por um valor de 8 a 10 reais. Essa por sua vez acessa os lojistas e repassam os livros para eles por algo na casa dos 14 ou 15 reais.

      2) vários títulos de GURPS se esgotaram, inclusive o Supers se esgotou alguns meses após o lançamento se não me engano. Mas acredito que o Illuminati, Império Romano e Psiquismo não tenham esgotado não, visto a absurda quantidade que você encontra deles por exemplo no leilão de usados da RPGCon (e mesmo durante o EIRPG). E sabemos que mais da metade dos livros destes leilões são sobras de tiragem da Devir.

      3) Acho que permite que você venda para livraria sim, mas a margem de lucro cai muito. Por exemplo, o Busca Final em sua primeira tiragem custava 14 reais por unidade para ser produzido e era vendido por R$29,90, ou seja, impossível de repassar para o lojista, já que um desconto de 30% reduziria nossa margem de lucro para 7 reais por unidade. Agora, com a segunda tiragem o custo unitário caiu demais, para cerca de 9 reais, possibilitando a negociação com lojistas. Resumindo, acho que é viável, mas tem que ser algo bem pensado, senão sua margem de lucro desaparece.

      Abraço!

  18. Bruno Cobbi disse:

    De volta à ativa hein, Mr. Rocha.

    (“Essa é a sua missão, caso decida aceitá-la…”)

    Gostei de ver. Bem didático. Agora, com todo mundo crescidinho, dá pra ver que, algumas vezes, a Devir tinha culhões respeitáveis, né?

    (Outras era só falha de planejamento mesmo.)

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