As tiragens das editoras independentes

No início da semana escrevi um artigo sobre o que acho que significam as tiragens no RPG nacional e porque elas não devem ser utilizadas como único parâmetro para avaliar um título, seja hoje seja nos saudosos anos 90. Acabei me estendendo falando muito do passado e de como as tiragens funcionavam a 10 ou 20 anos atrás e não dei a atenção devida ao modelo atual adotado por várias editoras independentes, portanto farei isso agora. Afinal quem vive de passado é museu e um ou outro site de RPG por aí!

Vou partir da discussão já feita sobre tiragens, investimento e risco feita no artigo anterior, então acho que se você não ele ainda essa pode ser uma boa hora para fazê-lo. Resumidamente, parece que todos concordamos no artigo anterior que uma maior tiragem representa um maior risco de recuperar seu investimento inicial, mas também um maior lucro por cópia vendida. Todo mundo por aqui ainda? Então vamos lá!

Todo esse esquema de editoras independentes de RPG lançando jogos em baixas tiragens é bem novo por aqui. Vale lembrar que o o Mighty Blade foi lançado na RPGCon 2010, Rastro de Cthulhu e Old Dragon no final do mesmo ano, e Busca Final e 3:16 Carnificina nas Estrelas no primeiro trimestre de 2011. Ou seja, temos sequer um ano e meio de títulos rolando neste modelo, e muita água ainda deve passar debaixo desta ponte…

Mas o que estes títulos todos tem em comum? Nesse prazo de mais ou menos um ano eles todos esgotaram suas tiragens iniciais, ou já no mínimo recuperaram seu investimento inicial. Vamos dar uma olhada mais de perto em cada um deles e nos futuros lançamentos de cada editora:

RetroPunk:
  • Rastro de Cthulhu: Tiragem inicial de 500 cópias esgotada. A Segunda Edição provavelmente terá tiragens constantes de 100 em 100 cópias.
  • Rastro de Cthulhu – Agonia de St. Margaret: Duas tiragens de 100 cópias cada, provavelmente com uma terceira em breve no mesmo molde.
  • 3:16 Carnificina nas Estrelas: Tiragem inicial de 200 cópias esgotada,  segunda de 100 cópias também esgotada, e mais uma de 100 cópias.
  • Fiasco: Tiragem inicial de 500 cópias, já vendeu 300 destas.
  • Rastro de Cthulhu – Inacreditáveis Casos Sobrenaturais: Tiragem inicial será de 200 cópias, as demais serão 100 em 100 unidades.
  • Terra Devastada:  Tiragem inicial será de 200 cópias, as demais provavelmente serão 100 em 100 unidades.
Coisinha Verde:
  • Mighty Blade:   Tiragem inicial de 500 cópias, já vendeu 300 destas.
RedBox:
  • Old Dragon: Tiragem inicial de 300 cópias esgotada. A segunda tiragem foi de 1000 cópias.
  • O Forte das Terras Marginais:  Tiragem de 500 cópias, provavelmente não haverão novas tiragens.
  • Shotgun Diaries: Tiragem inicial de 1000 cópias.
  • Legião: Tiragem de 500 cópias
Secular Games:
  • Busca Final: Tiragem inicial de 100 cópias esgotada. A segunda tiragem será também de 100 cópias.
  • Violentina: Tiragem inicial provavelmente será de 250 cópias, destas 110 já foram vendidas na campanha de financiamento coletivo.

Fica claro que mesmo dentre as editoras independentes, tem gente trabalhando com tiragens de 100 cópias até de mil. Mas todas operam em uma lógica semelhante, que é a de baixas tiragens iniciais, mas também tiragens mais frequentes que o modelo adotado no passado. Retomando a discussão do artigo anterior, com certeza ficaria mais barato o custo por unidade para a RetroPunk fazer de cara 300 cópias de Rastro de Cthulhu – Agonia de St. Margaret ao invés de 3 tiragens de 100 cópias, ou mandar de cara uma tiragem inicial de 400 cópias de 3:16 Carnificina nas Estrelas ao invés de 3 tiragens distintas. Mas o risco seria muito maior também.

Algumas dessas editoras adotam tiragens que incorporam um risco maior, como é o caso da RedBox, outras são mais conservadores neste quesito, como a própria Secular, e é curioso notar que após o sucesso da campanha de financiamento coletivo do Violentina um monte de gente veio nos perguntar porque não faríamos uma tiragem de 500 cópias de uma vez já que agora temos a grana em mãos para isso. Acredito que  resposta serve também para a diferença de tiragens das editoras: “não é porque temos a grana em mãos que precisamos lançar a maior tiragem inicial possível. Vamos lançar uma tiragem que sabemos que vai dar o lucro que consideramos desejado em um período de tempo ótimo.”

Como eu disse no artigo anterior (ui, citando a mim mesmo, que fodão!), o grande truque de se publicar RPG no Brasil hoje é achar uma tiragem que reduza seu risco, mas também mantenha a margem de lucro que seja considerável pela editora/autor como aceitáveis. A grosso modo, a diferença por preço unitário do Violentina entre fazer 100 e 500 unidades seria de menos de 2 reais, ou seja,  menos de 7% do provável preço de capa de R$29,90. Por isso achamos que 200 ou 250 cópias são uma tiragem inicial ótima para a Secular, pois sabemos que conseguimos esgotá-la em um semestre, que é mais ou menos o ritmo de lançamentos da editora.

Antes, as editoras eram obrigadas a trabalhar com tiragens iniciais acima de mil cópias, mas no cenário atual elas podem calcular a tiragem de acordo com estes fatores, e o que é melhor, caso esta primeira leva se esgote trabalhar a partir daí com tiragens subsequentes menores mas em ritmo constante. Por isso é meio burro falar que tal livro teve 100 ou 300 cópias de tiragem. Tiragem inicial, faltou dizer isso né?. A tendência é que a médio e longo prazo, vários destes livros aí de cima batam a casa das mil cópias produzidas, indo de 200 ou mesmo de 100 em 100 cópias, e não há nada de errado com isso, pelo contrário é um modelo aparentemente sustentável e que tem sido bem suportado pela comunidade. Sabe aquele papo de cauda longa, que todo mundo repete mas poucos sabem o que são? Pois é, é isso. Reduzindo a parada a uma simplicidade extrema, é lançar um produto, ter o esperado boom de lançamento e depois atender constantemente uma demanda menor, mas que se mantém ali indefinidamente. Mas porque diabos as baixas tiragens mais frequentes são melhores para este modelo de cauda longa se você pode fazer de cara 3 mil cópias por um preço reduzido e ir vendendo de pouco a pouco? Simples, porque assim sua grana (aka investimento inicial) vai demorar um bocado pra ser recuperado…

Vamos para um exemplo um pouco mais prático, de dois livros nos quais tive participação. O primeiro deles foi lançado em 2007, e teve uma tiragem inicial de mil cópias. O segundo foi lançado em 2011, e teve a tiragem inicial de 100 cópias. Logo nos primeiros seis meses após o lançamento o primeiro vendeu 130 unidades, enquanto o segundo, esgotou sua tiragem de 100 cópias.

Qual dos dois foi mais bem-sucedido? Um teve uma tiragem inicial maior e vendeu mais no mesmo período de tempo que o outro, mas será que isso é tudo que importa? Olhando friamente, um vendeu 100% de sua tiragem inicial, outro 13%. Não lembro dos valores envolvidos no livro, mas duvido que 13% de vendas da tiragem inicial tenha sido o suficiente par a editora recuperar seu investimento inicial. Já no caso do segundo livro, sim, o Busca Final, nós recuperamos o investimento da tiragem inicial com 56 unidades vendidas, então em menos de 2 meses já tínhamos a grana na mão para fazer outra tiragem se necessário ou investir em outro projeto da editora.

Após a discussão do primeiro artigo sobre tiragens, o grande amigo e administrador Tiago Marinho me apresentou o conceito econômico de Retorno sobre investimento, ou TIR em linguagem mais técnica, que segundo ele “é um indicador real, números soltos não valem nada. Se o cara fez 100 livros e obteve 50% de retorno, ele foi melhor que o cara que fez 10000 e conseguiu 3%, mesmo que, em valores absolutos, o segundo cara tenha vendido mais e ganho mais.” E é isso que as baixas e frequentes tiragens fazem. Elas dão um retorno mais rápido, com menor risco, e lhe permitem uma margem de manobra para avaliar ajustes na sua estratégia, sendo parando as novas tiragens, seja diminuindo-as ou aumentando-as. Ou seja, como já disse trocentas vezes, jogam o risco lá pra baixo.

As tiragens iniciais baixas colocam também uma necessidade de um capital inicial menor. Claro que a tiragem não vai ser seu único custo, ainda mais em um livro com ilustrações e tal. Mas se você tiver um bom produto e uma habilidade moderada com diagramação (ou amigos que o tenham!) consegue atualmente lançar seu livro de 100 páginas em formato A5 (semelhante ao Old Dragon, Fiasco e Busca Final) com mil reais. E se tudo correr bem, recuperar essa grana em alguns meses. Claro que vai ter um monte de trabalho envolvido, mas o legal é que o dinheiro hoje não é a principal barreira para se entrar no mercado de RPG nacional. Acredito que hoje as principais barreiras para se lançar um livro de RPG são justamente disposição e expectativas.

A disposição é correria, sangue nos olhos, tempo livre ou disponibilidade para sacrificar algumas noites de sono. Nem todo mundo tem essas coisas aí, e não há nada de errado nisso. Não quero criar um discurso evangelizador onde todos tem que escrever e lançar seus jogos. Mas a real é que se você quiser fazê-lo, o que é super possível atualmente como este artigo tenta mostrar, vai ter que ralar um bocado.

E as expectativas são justamente isso, esperar um resultado realista do seu trabalho, e ajustar seu investimento a elas. Não importa se você acha que criou o novo Forgotten Realms ou World of Darkness, nem o que sua esposa e seu filho acham do seu cenário. COMECE PEQUENO! Sempre. Prefiro que na RPGCon 2015 você venha esfregar na minha cara seu contrato de centenas de milhares de reais para uma editora gringa ou uma animação japonesa para o seu joguinho cuja tiragem inicial foi de meras 100 cópias, do que te escutar lamuriando como gastou as economias de uma vida com a porra de um livro capa dura de 300 páginas que ficou encalhado com uma tiragem estúpida de mil cópias ou mais. E acredite, infelizmente nos últimos anos tivemos mais exemplos do segundo caso que do primeiro…

Todo mundo acha que sua criação é foda. Normal isso, temos que amar e apostar em nossas coisas, afinal se não o fizermos quem o fará? Mas seja esperto, calcule seus riscos, e cresça devagar. Investir mil ou dois mil reais em um primeiro lançamento pode ser ok, mas dez ou quinze mil talvez não seja, mesmo que você tenha a grana. Converse com quem já está fazendo isso, leia tudo que escrevem sobre suas experiências, peça conselhos e dicas, desde indicações de gráficas baratas até onde divulgar seus produtos. As editoras novas estão com uma postura muito legal de falar abertamente sobre seus números, suas experiências, erros e acertos. Se antes estes dados eram mantidos em uma espécie de “caixa preta” na qual você só acessava se fosse amigo que quem lançava livros, hoje estão aí para todo mundo ver. E isso é uma das coisas que mais me orgulham de fazer parte disso tudo!

OBS: As informações sobre tiragens e vendas foram tiradas de várias fontes. No caso da Secular obviamente a fonte fui eu, um dos sócios da editora. No caso da RedBox e RetroPunk os próprios editores me passaram os números, embora os da RedBox estejam disponíveis no próprio site da editora, ainda que espalhados. Já os dados da Coisinha Verde foram retiradas de conversas com o Tiago Junges, dono da editora, e já podem estar desatualizados. 

26 Comentários

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  1. Jagunço disse:

    Baita artigo e baita discussão, Rocha. Penso que é uma coragem boa a clareza com que você dá tratos a esse tema.

    Mas esse artigo, assim como o anterior, me fez pensar sobre um ponto.

    As baixas tiragens compensam como atividade econômica? Pelo que sei todos os proprietários das editoras citadas não sobrevivem dessa atividade. Eles (vocês) tem outras fontes de renda (e outras fontes de investimento).
    O que quero dizer é: compreendo que a margem percentual fala muito sobre o retorno, mas o valor real também diz sobre a coisa. Não quero perguntar sobre números precisos. Apenas pensar se o lucro desses processos, além de permitir novos investimentos, valem pelas horas-trabalho que a coisa toda exige, por parte de quem põe a mão na massa. Ou fica naquela de “faço porque quero ver meu livro publicado, mas sem preju”?

    Sei que é uma pergunta ainda mais delicada. Mas, já que você abriu o debate… Dê aí o tom de até onde a conversa vale andar.

    • Rocha disse: (Author)

      Valeu Jagunço!

      Na real, a Secular atualmente não conseguiria pagar um salário mínimo mensal para cada um de seus quatro sócios. Ainda bem que temos empregos!

      Na RPGCon tivemos uma conversa assim com o Guilherme da RetroPunk. Se bem me lembro ele disse que até poderia viver da editora, mas que teria que pisar mais forte no acelerador com os lançamentos e traduções, e que de certa forma isso diminuiria o tesão de trabalhar com RPG.

      Acho que o caso da Secular é diferente, nós 4 não conseguiríamos viver da editora nem que tentássemos. Mas nem por causa das baixas tiragens, mas sim do baixo ritmo de lançamentos. E adotamos uma postura claramente de priorizar nossos “trampos normais”, jogando Secular para um hobby compartilhado em uma onda que você descreveu bem como “fazemos porque queremos ver nosso livros publicado, mas sem preju”. Inicialmente colocamos 200 reais cada na Secular e fizemos o Mamute #01. Com o retorno fizemos a arte e pré-venda do Busca Final, e por aí vai. É um hobby que gasta tempo e dedicação, mas não nos custa mais nada financeiramente. Vai ser até interessante acompanhar o Violentina, onde pagaremos pelo texto e arte do Eduardo, e ver até onde esse modelo será viável.

      Mas acredito que uma editora de uma ou duas pessoas, com um ritmo de lançamentos mais agressivo e com títulos espertos pode sim torar uma grana interessante, talvez o equivalente de um trampo de meio horário.

      Algo que não disse no post, é que as tiragens subsequentes tendem a ser mais lucrativas que a original, pois você já pagou arte, diagramação e tal. No caso do Busca Final concentramos todos os custos nas primeiras cem cópias, e cada unidade tinha o valor de produção de R$17,00. Ou seja, nessa tiragem inicial lucramos modestos R$1300,00. Mas como a arte já foi paga, nas tiragens seguintes o custo unitário do livro caiu pra R$8,00, que é só o valor da gráfica. Então se esgotarmos as próximas 100 cópias, já tiramos cerca de R$2.200,00. Se você conseguir manter um ritmo bom de lançamentos, de preferência com livros menores, acho que as tiragens pequenas podem sim dar conta do recado.

  2. Barba disse:

    E no caso do livro lançado em 2007, gostaria de saber quantas cópias vendeu até hoje. Acho que não muitas, já que o “idealizador” escreve constantemente sobre a “crise” para justificar seus fracassos subsequentes, rs.

    • Rocha disse: (Author)

      Sei que até o primeiro trimestre de 2008 foram 200 cópias vendidas. Depois disso não tivemos mais notícias, mas sei que não se esgotou nestes 4 anos.

      • Wallace disse:

        Tipo, mas levando em conta de que um livro de RPG em geral vende sua maior parte nos primeiros 6 meses, o ritmo de venda posterior não consegue ser muito maior depois né?

        Tipo, vocês não receberam mais direitos autorais do livro depois do primeiro trimestre de 2008? Qual foi a data de lançamento dele?

  3. Scizornl disse:

    Bom post. O que tenho a comentar é sobre a minha experiência para publicar um material. Previ pelo planejamento financeiro uma margem de 2500 reais. Claro que estas orientações servirão de grande base. Só que é constrangedor pedir orientação para alguém que será seu concorrente.

    • Rocha disse: (Author)

      Cara não acho que seja constrangedor e nem que as editoras sejam concorrentes diretas. Não estamos em um mercado onde o cara compra o Old Dragon ou o Busca Final. São produtos bem diferentes, e se ele curtir a proposta de ambos geralmente compra os dois livros.

      Eu não fico constrangido, e acho que nem o Guilherme, Tiago e Antonio. Todos pedimos dicas uns pros outros, nós mesmo da Secular estamos orçando gráficas para o Violentina indicadas pela RedBox por exemplo. Enfim, essa mentalidade ainda não rola, e acredito que as coisas vão continuar assim!

      • Scizornl disse:

        Compreendo melhor agora a opinião. Agora em questões de retorno para ter um “capital de giro” algum tipo de dica? Já li alguns conceitos no empreendedorismo sobre o preço de um produto. Mas ainda não ficou bastante claro, queria saber como é na vida real.

    • Barba disse:

      Scizornl,

      Quando falamos de jogos a concorrência só existe se os títulos são idênticos em questão de jogabilidade, estilo, etc. Trevas talvez concorresse com Crepúsculo, mas nunca com 3D&T… e por aí vai.

      • Scizornl disse:

        Entendi, então é perfeitamente compreensível para dois dos três materiais que almejo publicar. Agora depende somente de mim.

  4. “Converse com quem já está fazendo isso, leia tudo que escrevem sobre suas experiências, peça conselhos e dicas, desde indicações de gráficas baratas até onde divulgar seus produtos.”

    ‘Tamo nessa luta aí. Valeu Rocha, por mais uma dádiva aos neoautores que sonham em publicar seus materiais.

    Rola alguma coisa sobre publicar independente ou “procurar uma editora (independente, rs)”?

    • Rocha disse: (Author)

      Tamos aí pra isso Fellipe. Na real, não saberia escrever sobre essa questão de publicar independente ou procurar uma editora independente rs. E não saberia dizer pois até agora só lançamos livros nossos, e o Violentina teve todo um modelo e discussão de lançamento próprio, além de ser um projeto que já conhecíamos e pagávamos pau.

      Acho que vale mandar um mail perguntando na lata e apresentando sua proposta, cada editora tem um recorte interessante de tipo de produtos e tal…

    • Mr.Pop disse:

      Fellipe,

      Realmente acho isso um ótimo tema pra um artigo futuro, até por que isso causa um monte de confusão por aí e justamente por falta de entendimento dos autores.

      Eu já recebi projetos fechados, escritos, revisados, e até ilustrados que não precisam da Redbox pra absolutamente nada. É só começar a divulgar, botar um dindin em cima e partir pra publicação. Neste ponto a Redbox seria mais pra atrapalhar do que pra ajudar. Por que uma editora investindo no produto, ainda que pronto, vai investir dinheiro dela no projeto e o retorno pro autor não fugiria do padrão do mercado editoral, que vai de 10 a 15% do valor de capa por exemplar.

      Se o seu projeto está inacabado, ou você tem um texto, uma ideia, um conceito e nada mais, uma editora pode ser o melhor caminho, mas nesse caso, cabe ao autor ENTENDER que o seu material vai ser editado, ou seja, o editor vai meter o bedelho, sugerir um ou outro acerto, criticar o que ele não gostar e te sugerir mudanças que podem não ser problema pra vc.

  5. bob nerd disse:

    Kramba! No mesmo nível que o primeiro. Adorei, Parabéns pelo post!

  6. Guilherme M. disse:

    Outro texto muito interessante, que me fez pensar sobre o RPG no Brasil como um todo.
    Cada vez mais acredito que o mercado brasileiro de RPG é fundamentalmente diferente do americano, mas só em tempos recentes passamos à agir de acordo com isso.
    O modelo das publicações americanas não é viavel aqui a não ser, talvez, para grandes editoras.
    Vai ver que esse “novo” sistema de pequenas tiragens constantes feitas por editoras nacionais é a verdadeira cara do RPG nacional.

  7. Ótimo texto, este e o anterior. Parabéns!

    Gilson

  8. Hernesto MV disse:

    Muy fueda o artigo, esclareceu muita coisa.

    Será que não tem como conseguir também os números da Jambô? Pelo que sei o Tormenta RPG teve tiragem inicial de 2000, mas fora isso não sei o resto. Claro que eles não são independentes, mas também não é uma editora grande.

    • Rocha disse: (Author)

      Pois é, a Jambô não se encaixa mesmo no modelo que descrevo aqui, já que vários de seus livros tem tiragem inicial de 2 mil cópias ou mais. Lembro que o Trevisan falou uns meses atrás que o Tormenta RPG vendeu 800 cópias em um menos de um ano de lançamento…

  9. TAQUIUPARIU!!!!! Que post sensacional! Até deu vontade de caçar meus manuscritos antigos e publicar algo nesse senti da Secular! Cara muito maneiro! Em 18 anos de estrada ja vi muita coisa no RPG nacional e quer saber, essa é uma fase diferente! Nem de ouro, nem de trevas, apenas diferente! Espero que cresça cada vez mais e que apareçam muito outros belos trabalhos por ai!

  10. Ótima matéria Rocha!
    Realmente muito importante para todos que queiram se aventurar nessa nossa louca aventura da publicação independente!
    Eu gostaria de acrescentar que acabei de preparar um pacote com 3 aventuras, um escudo do mestre e mais uns brindes e coloquei em pré-venda, e já vendeu 12%! Semana que vem deve estar pronto e darei as informações mais precisas.

    E só para confirmar: Os números do Mighty Blade RPG estão corretos!
    :]

  11. Sugestão de postagem: como orientar autores a publicar com as editoras. Alguma editora tem esta postura divulgada, de receber material para analisar?

    Se o autor temo dinheiro e está disposto a correr o risco, mas não tem o conhecimento da editora (ISBN, orçamento de gráfica, etc.), como uma editora pode proceder?

    Gilson

  12. rsemente disse:

    Muito massa.
    Só faltou comentar o True POD, aquele que se alguém compra no site da editora POD, ela manda imprimir 1 cópia e envia, se no outro mês 100 comprarem ela faz 100… e assim por diante, ou é assim que parece ser para quem tá de fora.

    Mas parece que não há nenhum RPG nesse esquema, e também não parece ser economicamente muito equilibrado (custo caro, logo preço alto do produto para o consumidor ou lucro irrisório para o autor, mas pelo menos risco zero).

    Além disso parece precisar de uma boa confiança para que o lucro seja repassado devidamente para o autor (imagina que seu livro esteja vendendo 10 cópias e eles reportam só 75!)

  13. João Mariano disse:

    Muito bom este artigo Rocha. Parabéns!

    Guilherme, os mercado brasileiro parece ser diferente do americano sim, não só em escala com em práticas editoriais mas queria só apontar que as editoras de RPG estão cada vez mais a apontar para sistemas de distribuição diferentes. Veja-se, por exemplo, o caso da White Wolf que irá lançar todos os seus novos produtos anunciados na GenCon em Print on Demand (portanto pequenas tiragens afinadas no imediato à sua procura) pela DrivethruRPG. E estes livros estarão à venda nas lojas como online. :)

  14. CAdeu disse:

    Como já trabalhei em gráfica nunca coloquei muita fé na impressão sobre demanda no Brasil. Mas fiquei bastante intrigado com a Singular (do grupo Ediouro – singulardigital.com.br). Rocha, vocês já chegaram a fazer contato pra ver se seria viável trabalhar com esse modelo aqui no Brasil?

    • Rocha disse: (Author)

      Ei Cadu,

      Não conheço a Singular, vou até entrar em contato para ver o orçamento deles para o Violentina. Em nosso livro anterior (o Busca Final), usamos um POD gringo, o CreateSpace. Agora, vendo a qualidade que outras editoras como a RetroPunk conseguiram em tiragens de 200 livros, vamos tentar fazer aqui também!

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