Altos e baixos de 2012

Depois de um zilhão de semanas, aqui estou mais uma vez para tentar trazer o Área Cinza de volta do limbo para a terra dos sites vivos. O tema deste post de ressurreição será justamente o ano de 2012, um dos mais malucos, caóticos e bem sucedidos pelo qual já passei. E sim, será basicamente uma DR, mas também teremos um pouco de RPG.

Contando desde os meus tempos de colégio, 2012 foi provavelmente um dos anos nos quais mais joguei RPG em minha vida. E certamente também foi o ano no qual menos escrevi sobre RPG, o que é curioso… Aliás, justamente durante os períodos de extrema seca e abstinência de jogos que eu compensei a fissura de RPG escrevendo aqui sobre lançamentos, minhas impressões sobre lançamentos, enfim – em alguns momentos escrever sobre RPG supriu de certa forma (embora nunca completamente) a minha vontade de experimentá-los em funcionamento. Jogar e discutir RPGs são atividades distintas, que me divertem de formas específicas, mas que na impossibilidade de uma delas, acho que sempre compensei um pouco através da outra.

E foi isso que fiz no ano passado. Com a aproximação do prazo da defesa de minha dissertação de mestrado, possibilidade de escrever um projeto de doutorado, o novo trampo como professor (que eu acho que em certo sentido tem muitas similaridades com a atividade de mestrar um jogo, mas isso é assunto para outro dia), me mantive bem ocupado, e mais, foram atividades onde depositei toda minha energia para analisar, escrever e debater sistematicamente sobre coisas que me interessam e suas características. Depois de uma maratona diária de escrita, eu não queria chegar em casa e martelar mais alguns milhares de caracteres sobre RPG, pelo contrário, estava frito de escrever e queria mesmo jogar!

E no quesito RPGs jogados 2012 foi bem quente. Foram seis jogos todos com três sessões ou mais (não sou um cara de one shots, embora esteja tentando mudar isso) que me mantiveram pensando sobre RPG e cumpriram relativamente bem a tarefa de manter a parte do meu cérebro que curte jogos bem ocupada enquanto o resto escrevia impiedosamente em minhas obrigações diárias. Experimentei os seguintes:

  • InSpetres: O ano passado começou com algumas sessões da franquia de caça-fantasmas pelo Skype. Não foi um início promissor, já que apesar de divertido, não conseguimos render muito, devido principalmente a minha falta de capacidade de mestrar/jogar online. Mas o jogo do Jared Sorensen é excelente e definitivamente merece uma nova tentativa, de preferência presencialmente!
  • Exalted: Nunca tinha jogado o Exalted, e conheço uma galera que gosta muito do cenário, embora essa onda wuxia/anime não seja exatamente meu forte. Mas o que me deixou com o pé atrás foi o sistema, e com razão! Nas nossas quase 15 sessões as melhores foram aquelas em que não rolamos dados – e isso vindo de um cara que adora regras complicadas e tal. Os combates eram sempre longos, com dezenas de dados rolados a cada ação e achei o jogo bem chato embora o grupo fosse excelente, o que nos fez render por tanto tempo com esse caso perdido. Mas no fim do ano aproveitamos o grupo bacana e regular e começamos um…
  • Mouse Guard: Agora sim! Bom grupo + jogo com regras bacanas = Rocha feliz! Eu já tinha jogado duas ou três sessões de MSG com grupos irregulares, e sempre quis testar o jogo mais a fundo, especialmente a mecânica da natureza, e até agora tem ido muito bem, em uma mini campanha que deve acabar agora em fevereiro. Joguinho foda, e não se deixe enganar pelos ratinhos fofos: nossa campanha teve mais sacrifícios e escolhas difíceis que praticamente todas as minhas outras experiências com jogos de “temática adulta”.
  • Dungeon World: Enquanto pensávamos sobre a licença do Dungeon World para a Secular, resolvi mestrar a aventura introdutória para o pessoal aqui, e o resultado foi excelente! A criação de personagens é ao mesmo tempo uma delicia, rápida e gera não só os “aventureiros”, mas também um tecido social entre eles, uma espécie de histórico de aventuras prévias, quem mentiu pra quem, quem já salvou a vida do outro, quem está escondendo um segredo de fulano… O resultado é um grupo sempre peculiar, com uma dinâmica própria, mesmo na primeira sessão. Pena que foram só duas sessões, mas vou engatar logo uma campanha que deve durar todo o ano de 2013.
  • Marvel Heroic Roleplaying:  Fui mais um mordido pelo mosquito do MHR e já estava mestrando antes mesmo do meu livro impresso chegar, só com o PDF! Pra mim foi o grande lançamento de 2012, e apesar de ter uma série de críticas ao jogo, não dá pra ignorar as regras extremamente espertas e divertidas que casam muito bem com a temática super (sacaram?) pop. O resultado é um jogo indie doidinho com um tema bombante e que fez muita gente pirar em regras diferentes como a adorada/temida DOOM POOL. Mestrei umas 10 sessões, em uma sequência que começou com a Breakout e foi pra frente com uma guerra de gangues de super-vilões, fechando com uma treta com o Rei do Crime e Mercenário além de uma galera mais lado B e foi ótimo!
  • Pathfinder – Kingmaker: Quando o Giltônio falou que ia começar um Pathfinder eu não animei muito, mas depois de escutar muita gente falando bem da mega aventura sandbox Kingmaker resolvi testar e tá bem legal. A primeira aventura do arco é bem básica, nada demais, mas a partir da segunda começa a construção do vilarejo (que futuramente vai se tornar um reino), os personagens dos jogadores e NPCs começam a ocupar cargos públicos e as intrigas malucas permeiam expedições de matança a trolls, bandidos, lobisomens, etc. A fase de manutenção da cidade é muito legal, simples e bem pensada, e cimentou meu interesse no jogo.

Se na ala dos jogos 2012 foi incrível, na ala da produção/debate as coisas foram de mal a pior. Este blog ficou largado às traças, assim como meu podcast natimorto e mais um monte de outras idéias e planos mirabolantes que queria ter colocado em prática no ano que passou. É a vida… Mas tudo isso para dizer que 2013 começou muito diferente, e embora ainda esteja jogando uma incrível média de 3 sessões por semana, meu tempo livre e empolgação para escrever e produzir estão completamente renovados. Então nas próximas semanas esperem um bocado de movimentação por aqui. E vamos ver até onde isso dura!

4 Comentários

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  1. Bom retorno, Rocha! Terminou o mestrado, abrange também o RPG? Essa semelhança que você citou, de ser professor e ser narrador, surgiu em minha dissertação: “A forja da alma:narrativas de docentes-mestres de jogos de RPG”, onde investiguei a constituição do sujeito que é, ao mesmo tempo, professor/a e mestre/a de jogos de RPG.

    Até!
    Gilson
    http://www.PesquisaRPG.ufpa.br

    • Rocha disse: (Author)

      Ei Gilson! Na verdade a minha pesquisa não teve nenhuma relação com o RPG mesmo. No caso da semelhança em alguns pontos entre o papel de professor e mestre de jogo o que rolou foi que como eu não tinha praticamente nenhuma experiência com a docência e me vi frente a duas turmas com pouco tempo para me preparar, instintivamente acabei utilizando algumas estratégias e ferramentas que me pareceram próximas as que usava quando mestrava.

      Provavelmente você fez uma análise muito mais profunda destas similaridades em sua dissertação, mas no meu caso o que ajudou bastante foram ferramentas rudimentares (que eu acho que qualquer pessoa acostumada a fazer apresentações domina) para saber quando aumentar ou diminuir o ritmo, ler o nível de atenção e envolvimento da turma esse tipo de coisa.

  2. Fiquei com muita inveja do seu 2012 em relação à variedade de jogos! Hehe
    Como mudei de cidade, perdi meus grupos…

    Caso precise de jogador para RPGs online (via Hangout, Skype, etc.) pode contar comigo!

    Abraço e continue escrevendo!

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