Diário do Game Chef Brasil – Dia 1

Hoje começou o Game Chef Brasil, primeira edição com jogos nacionais do consagrado Game Chef, um dos concursos mais legais de design de RPG que existem por aí!

Segundo o site nacional do concurso, “o Game Chef é uma competição anual de design de jogos analógicos (não-eletrônicos), desafiando os participantes a escrever rascunhos jogáveis de um jogo original em pouco mais de uma semana, baseados em um tema e um conjunto de “ingredientes”” e esse ano será realizado simultaneamente em 5 línguas, cujos melhores jogos vão disputar uma espécie de final internacional. O momento de criação do Game Chef  vai rolar de hoje até a meia noite do dia 26 de Maio, ou seja, dez dias cravados!

Eu decidi não só participar deste concurso incrível, mas também fazer uma espécie de diário sobre o processo do desenvolvimento do meu jogo (o qual eu não faço ideia como será!), escrevendo todo dia um pouquinho sobre conceitos, opções, travadas, enfim, o que quer que aconteça daqui até o final do prazo…

O primeiro dia de Game Chef começou cedo (ou tarde do dia anterior), já que depois da sessão de Apocalypse World, eu, Eduardo, João, Encho e Igor (um dos organizadores do GCB) nos reunimos em um bar para esperar a meia-noite e conferirmos o tema e ingredientes dos jogos. E bem, embora a gente já suspeitasse que os ingredientes seriam imagens ao invés de palavras, acho que não estávamos preparados para o caminhão de abstração que nos atropelou, como vocês podem ver abaixo!

Tema

Ingredientes

No começo achei tanto a opção por imagens, como a escolha das mesmas bem malucas. Mas depois de algumas horas com elas na cabeça comecei a achar a proposta interessante, e além do mais, uma estratégia esperta para viabilizar um concurso com participação simultânea de nativos de cinco idiomas diferentes utilizando as mesmas referências temáticas.

Sobre as imagens, senti uma vibe transhumanista forte em algumas delas, em especial no tema, com as setas sinalizando algo na linha do debate sobre a Humanidade+, assim como também na cabeça estilizada de floco de neve, e maçã com o verme bizarro, acho que dava tranquilo pra ir pelo caminho da discussão tecnologia/humanidade, sociedade pós-escassez e tal. Infelizmente não é o tema que mais me provoca agora, então vou partir pra outra!

Durante o dia fiquei, assim como um monte de gente, fritando nas cinco imagens, e embora não tenha ainda a menor noção do que vou escrever, selecionei alguns discos para ouvir durante o dia e tentar me inspirar em uma direção em que possa produzir algo interessante. Geralmente eu não escrevo com música, mas nos intervalos entre os períodos de escrita o que escuto tende a influenciar um bocado minhas ideias, e como fiquei o dia todo fora de casa tentei ver se tinha alguma inspiração ao som de Godspeed You Black Emperor!, Bowie e Challenger. Não adiantou muito, mas ainda no ônibus, quando comecei com o Challenger me lembrei da outra banda dos caras, o Milemarker que sempre me provocou com suas letras bizarras sobre insetos, robôs, sexo, falhas de comunicação e um saudável rancor anti-capitalista.

Depois de pensar um pouco, dar uma olhada no fórum oficial do Game Chef Brasil, e pensar mais um bocado, cheguei a alguns elementos que acho que combinam com o tema e alguns dos ingredientes, mas que ainda não compõem uma (ou mais) proposta de jogo. O tema, que é o mais importante, me parece propor tanto a ideia de um indivíduo que consegue se deslocar em um fluxo de tempo ou de identidades, conceitos que me atraem bastante. Uma outra interpretação que eu gostaria de utilizar do tema, desta vez mais literal, é espacial, de uma sociedade profundamente dividida em níveis e estratos, e na qual os personagens devem se deslocar.

Sobre os ingredientes os que até agora tem me feito pirar mais são novamente a cabeça demente de floco de neve e a maçã bichada. Gosto da noção de contaminação e tenho pensado muito na possibilidade de uma corrupção da linguagem que toma a forma de um “vírus”, tal como no Snowcrash do Neal Stephenson, e se eu for por esse caminho dá até pra brincar com uma mecânica que vai devorando palavras ou componentes da fala dos personagens. Pode ser divertido! Também gosto dessa ideia pois poderia trabalhar com transmissões e torres de rádio, tal como nessa música do Milemarker aí de cima.

Não tenho a menor ideia do que o jogo vai tratar e de como vai fazer isso, acho que estou ainda separando os brinquedos para descer pro playground, o que não me parece uma forma muito inteligente de começar, mas é a única que consegui até agora. Espero até o final de domingo ter uma noção mais definida para poder efetivamente começar a escrever alguma coisa…

 

 

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