Playteste Apocalypse World: Dark Age – Criação Inicial

Depois de um período sem muita atividade, estou de volta a jogatina!

E um dos jogos que tenho participado é o playteste do super esperado Apocalypse World: Dark Age, uma versão medieval do AW criado pelo próprio Vincent Baker, e que se difere do nosso amado Dungeon World por ter uma pegada um pouco menos fantástica e ser mais inspirado em nossa Idade das Trevas e obras como Game of Thrones e tal. Não que o fantástico não esteja presente, mas os povos e relações entre suas casas recebe parte importante do foco aqui.

Então vou tentar fazer alguns relatos das sessões de playteste a medida que elas forem rolando, e de quebra comentar o que achei do jogo até agora!

Na semana passada me encontrei com João, Encho e Giuliano para criarmos nossa fortaleza, povos e os personagens. Logo de cara, depois de conversamos um pouco sobre o cenário e a proposta, decidimos experimentar o que o Baker chama de Co-MCing (algo como Co-Mestrando), que oferece ao MC (ou mestre) a possibilidade de jogar com um personagem, que por sua vez terá um dos outros jogadores como mestre. Pelo que conversamos e combinamos, teremos um mestre “principal” (no caso eu), mas que em determinados momentos vai assumir o manto de jogador-personagem, com outros jogadores mestrando. Parece divertido!

Então seguimos a ordem proposta pelo nosso amigo Vincent Baker no documento de playteste:

  1. Orientar a criação coletiva da fortificação (stronghold), que é a casa dos PJs.
  2. Orientar os jogadores a criarem um povo. Este povo é a população majoritária da fortificação, mas não necessariamente a única. Outros povos podem ser criados durante o jogo.
  3. Colocar os playbooks, fichas de povos e das casas na mesa. Enfatizar que quem quiser pode fazer seu personagem de outra raça, sem problemas, eles podem criar o povo junto com o personagem, depois ou quando estiverem afim.
  4. Deixar os jogadores se virarem durante a criação de personagens.
  5. Enquanto eles criam os personagens, criar os inimigos da fortificação e seus vizinhos como povos. Como o autor precisa de feedback sobre as regras de batalhas, pede que a gente crie pelo menos uma companhia de guerra de tamanho considerável.

Fomos então para o passo 1! Após alguma discussão sobre como seria a fortificação, criamos junto Rusk Pláž, um conjunto de construções a beira-mar, que originalmente pertencia a outro povo, e que atualmente funciona como um posto avançado em território de um povo hostil. E falando em hostilidades, decidimos por três ameaças (afinal, porque pegar leve né?):

  1. Clãs hostis, nunca conquistados.
  2. Invasores pelo mar.
  3. O ressurgimento de um culto antigo.

Rusk Pláž

Estou criando aqui uma das ameaças, e vou deixar as outras para criar com a galera na mesa. Acho que vou com os prósperos Clãs Abadi, que se espalham pela região e rechaçam a mais de um século os avanços de outros povos em suas planícies.

Além disso, Rusk Pláž tem uma pegada de fortaleza semi-abandonada: com uma população de algumas dúzias de almas, e um acesso difícil por dentro de uma passagem estreita, seus guerreiros utilizam armaduras de peles, escudos redondos, machados e martelos, além do apoio de alguns arcos. Bem viking né?

Depois fomos para o passo 2, a criação do povo majoritário de Rusk Pláž. Acabamos criando os Ruski, originados de um povo que foi expulso de suas terras. Em Rusk Pláž vivem cerca de 30 Ruski divididos em quatro famílias. Eles são reconhecidos facilmente por sua pele escura e porte físico avantajado, e também são famosos por sua insularidade, sua constante vigília contra feitiçaria, suas estratégias de guerra e a habilidade com que as executam no campo de batalha, e por sua grande beleza individual.

No passo 3 finalmente chegamos ao prato principal: os personagens dos jogadores! Vou fazer uma breve descrição do que temos até agora:

Jarek Esi [Senhor da Fortaleza – Ruski – Giulianno]: Jarek é o legítimo senhor de Rusk Pláž, e como tal, responsável pela proteção do forte e de seus habitantes, tanto em relação as ameaças externas, como também a administrando a justiça local. Também é o cabeça da tradicional família Esi, que coleciona inimigos, uma vergonha ancestral, e uma vasta reputação para acompanhar tudo isso.

Wynda Esi [Capitã de Guerra – Mosk – Encho]: Responsável pelos avanços e fortificações de Rusk Pláž, Wynda descende de um grande general do antigo Império das Águias, e mantém uma relação poderosa com os deuses da guerra. Apesar de ser da família Esi, Wynda esconde um segredo acerca de seus antepassados, os estranhos Mosk.

Mirek Szilard [Arauto dos Dragões – Ruski – João]: Um homem veterano de muitas jornadas, Mirek é reconhecido como um sábio dentro e fora das muralhas de Rusk Pláž. Sua família é admirada por sua devoção aos deuses, pela participação ativa na vida comunitária, e pelos seus muitos serviçais.

Jarvin Bukhari [Caçador de Trolls – Abadi – Rocha]: Um dos filhos mais novos de uma grande família de prósperos pastores, Jarvin foi desde a mais tenra infância iniciado pelas anciãs nos segredos das sombras, das chamas e do sangue. Agora, aos quatorze anos e portando um tesouro familiar, é exigido dele que se afaste de seu povo e só retorne quando provar do sangue de uma criatura que não deveria existir.

Finalmente discutimos um pouco sobre os movimentos de estações, mas paramos por ai devido a hora avançada. Até agora a criação foi bem dentro do que já conhecemos no Apocalypse World, Monsterhearts e Dungeon World – criação do mundo junto com os próprios personagens, e de forma parecida especialmente com o AW e MH, de uma “base” onde se passa um bocado das interações entre os personagens. O grande destaque mesmo foi a criação dos povos, que é simples e potencializa uma gama rica de criações. Já começamos a discutir (inclusive pela internet com os chapas distantes Júlio Matos e Tiago Marinho) como esse sistema facilmente pode ser usado para criar raças em um jogo de exploração espacial, ou mesmo em um jogo de fantasia menos ortodoxo.

Mais sobre o jogo semana que vem, e também espero em breve escrever um pouco sobre os Direitos, uma variação esperta dos movimentos com os quais estamos acostumados!

 

 

 

 

2 Comentários

O que acha? Tem alguma crítica ou sugestão? Só mandar! Deixe um Comentário

  1. Julio disse:

    Ansioso pelo próximo relato :)

  2. Thiago/bispo disse:

    Mandou o relato pro VB? Corre que ele tá fechando o playtest.

    Aqui coisas que ele já ponderou a respeito: http://apocalypse-world.com/forums/index.php?topic=7125.0

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