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Uma nova data de lançamento para o GURPS

E parece que sobre o lançamento do GURPS no Brasil pela Devir, que se extende por inacreditáveis quatro anos, se aproxima do final. Anunciado inicialmente para Julho, o primeiro dos dois Módulos Básicos do sistema genérico de Steve Jackson parece que chegará as lojas em Setembro, com um formato e preços bem interessantes segundo o comunicado de ontem do Otávio, editor da Devir:

Anunciado para o mês de Julho, o GURPS 4ª Edição Módulo Básico: Personagens, estava pronto, mas antes de podermos dar a aprovação final para a gráfica, tivemos um contratempo.

Buscando trazer o GURPS para o Brasil ao preço mais acessível possível, estávamos conversando com a Steve Jackson Games sobre a possibilidade de produzirmos o livro em preto e branco, para oferecermos aos jogadores a opção de um sistema genérico barato, facilitando também a iniciação de novos jogadores no hobby, especificamente num sistema para o qual temos grandes planos futuros.

Durante essas discussões, descobrimos algumas pendências contratuais que precisavam ser resolvidas antes que pudéssemos lançar o livro. Iniciou-se então um processo de renovação do contrato da Devir junto à Steve Jackson.

Por um lado, essa conversa trouxe bons resultados pois adiantou outras conversas, sobre outras linhas de produtos da Steve Jackson nas quais temos interesse… como por exemplo, Munchkin, que queremos voltar a produzir o mais rápido possível, e também… outras surpresas!

Mas agora está tudo resolvido e seguiremos adiante onde havíamos parado. Logo receberemos as provas da gráfica para aprovação e então as máquinas começam a rodar!! As lojas já poderão iniciar suas reservas a partir da próxima semana e o livro sai agora em Setembro!!

Uma notícia que eu venho segurando há algum tempo… e estou muito ansioso pra falar é sobre o preço do livro. Lembrando que se trata de um livro Capa Dura, em papel couchê, e de 336 páginas. Chegamos a um preço que acredito que será extremamente satisfatório. R$61,50.

Contudo, queria pedir desculpas pelo atraso, uma vez que o livro fora anunciado para Julho e não era a intenção original que atraso algum acontecesse, mas diante da escolha de lançá-lo a um valor mais alto, ou aguardar uma resolução da Steven Jackson para lançarmos em um formado que atenda melhor o mercado nacional e ainda encaminhar projetos para o futuro, fizemos o que tínhamos que fazer.

Acredito na compreensão de todos e deixo sempre aberto meu email otavio@devir.com.br para responder quaisquer dúvidas ou questionamentos. (Inclusive, hoje respondo os e-mails sobre esse e outros assuntos!)
Atenciosamente,

Otávio A. Gonçalves

Editor – Devir Livraria


Achei tanto o preço como o formato excelentes para o mercado nacional, em uma pegada parecida com a estratégia muito bem sucedida utilizada pela editora Jambô com seu Mutantes & Malfeitores. A real é que aqueles que piravam muito mesmo no GURPS e prefeririam a versão colorida “de luxo” importada, já a compraram faz tempo. Então o foco agora tem que ser naqueles que não conhecem ou jogam o sistema, ou que querem ter os manuai básicos também em português para referência. E nesses casos o preço vai ser um fator importante.

E bem legal a postura do Otávio de trazer um pouco do backstage da negociação e processo com a Steve Jackson Games, mas isso poderia ter vindo um pouco antes né? Tipo no início de Agosto… Novamente a imagem da Devir sofreu um arranhão, e muitos já dizem que só acreditarão de verdade nesta previsão de data quando verem o livro nas estantes da livraria. E quem pode culpá-los depois de tanto tempo?

E Muchkin vai voltar a ser produzido! Muito, mas muito bom! Sobre outros jogos, meu coração gostaria de In Nomine, mas sei que não faria nenhum sentido. Aposto muito mais nos tais Cthulhu Dice e Zombie Dice, que estão bombando muito lá fora e parecem serem simples e divertidos.

Top 5 do ICv2 – Q2 2010

O ICv2, maior referência especializada sobre o mercado de produtos relacionados à cultura pop (animes, mangas, jogos eletrônicos e de mesa, quadrinhos e brinquedos), divulgou na semana passada a lista dos jogos mais vendidos no segundo trimestre de 2010 em diversas categorias, com base nos números repassados pelos lojistas norte-americanos. A listagem mais recente foi divulgada na revista ICv2 Guide to Games #72. Neste trimestre o mercado de jogos, tanto de RPGs, miniaturas, card games e jogos de tabuleiro, demonstrou um crescimento generalizado segundo as entrevistas com os lojistas:

The hobby game market continued to grow at a single digit rate in Q2, according to reports in Internal Correspondence #72.  Hobby stores were healthy, and there were bright spots in all four categories (collectible games, minis, board games, and RPGs).

In collectible games the core brands, Magic: The Gathering, Yu-Gi-Oh! and Pokemon, are doing well, with HeroClix expanding its sales under new ownership and World of Warcraft TCG successfully re-launching from Cryptozoic.

Board game dynasties did well in a season not known for strong board game sales.  Minis were solid, particularly the new edition of Warmachine, with anticipation for the new editions of Hordes and Warhammer Fantasy.  Wyrd Miniatures’ Malifaux made the minis chart for the first time.  In RPGs, the battle for leadership between perennial winner D&D and Paizo’s Pathfinder continues, with Wizards of the Coast mounting a strong defense and Paizo on the attack.

Vamos para as listas dos top 5 então!

Top 5 Collectible Games Over-all — Q2 2010
Title Publisher
1 Yu-Gi-Oh! TCG Konami Digital Entertainment
2 Magic: The Gathering Wizards of the Coast
3 Pokemon TCG Pokemon USA
4 HeroClix WizKids
5 World of Warcraft Cryptozoic
Top 5 Mass Channel Collectible Games — Q2 2010
Title Publisher
1 Yu-Gi-Oh! TCG Konami Digital Entertainment
2 Magic: The Gathering Wizards of the Coast
3 Pokemon TCG Pokemon USA
4 Naruto TCG Bandai America
5 World of Warcraft Cryptozoic
Top 10 Hobby Channel Collectible Games — Q2 2010
Title Publisher
1 Magic: The Gathering Wizards of the Coast
2 Yu-Gi-Oh! TCG Konami Digital Entertainment
3 HeroClix WizKids
4 World of Warcraft Cryptozoic
5 Pokemon TCG Pokemon USA
6 Star Wars CMG Wizards of the Coast
7 Legend of the Five Rings CCG Alderac Entertainment
8 Axis & Allies Wizards of the Coast
9 D&D Miniatures Wizards of the Coast
10 Naruto CCG Bandai America
Top 10 Hobby Board, Card, Family Games — Q2 2010
Title Publisher
1 Settlers of Catan Mayfair Games
2 Dominion Rio Grande
3 Ticket to Ride Days of Wonder
4 Munchkin Steve Jackson
5 Carcassonne Rio Grande
6 Small World Days of Wonder
7 Mystery Express Days of Wonder
8 Pandemic Z-Man Games
9 Agricola Z-Man Games
10 Horus Heresy Fantasy Flight Game
Top 5 Non-Collectible Miniature Lines — Q2 2010
Title Publisher
1 Warhammer 40k Games Workshop
2 Warmachine Privateer Press
3 Warhammer Fantasy Fantasy Flight Games
4 Hordes Privateer Press
5 Malifaux Wyrd

Mas o que realmente nos interessa mesmo aqui é a lista das 5 linhas de role playing games mais vendidas neste período não é?

Top 5 Roleplaying Games — Q2 2010
Title Publisher
1 Dungeons & Dragons Wizards of the Coast
2 Pathfinder Paizo Publishing
3 Warhammer Fantasy Roleplay Fantasy Flight Games
4 ShadowRun Catlyst Game Labs
5 Rogue Trader/Dark Heresy Fantasy Flight Games

Bem, sem grandes mudanças desde o trimestre passado. O Dungeons & Dragons continua forte na liderança seguido pelo Pathfinder e Warhammer Fantasy, que definitivamente bomba muito lá fora, ao ponto de ocupar o lugar que muitos ainda imaginam que seja do World of Darkness. As mudanças chegam mesmo na 4ª posição, da dupla Rogue Trader e Dark Heresy (porque eles não chamam a linha de Warhammer 40k?), que caiu uma posição, mas que deve crescer ainda mais com o lançamento do livro básico final da linha, Deathwatch. Já o Shadowrun tirou o Dragon Age da lista, e marca sua reestréia na 4ª posição, o que não é nada mal, e deve ajudar a Catalyst a sair do buraco, depois dos maus bocados devido a má administração que a editora teve no ano passado e que resultou na perda de algumas de suas linhas e paralização nos cronogramas de lançamento.

Fim dos livros básicos do D&D 4ª edição?

Como os mais astutos devem ter percebido, tem um tempo que eu parei de lançar notícias sobre o Dungeons & Dragons 4 edição, já que meu interesse na linha caiu para perto de zero depois de várias sessões do jogo nas quais vi que definitivamente a 4e não combinava com o estilo do meu grupo. Ok, acontece… Assim acompanhei com alguma distância mais algumas demissões dos funcionários da WotC e o anúncio do lançamento da linha Essentials, em Janeiro deste ano, e como ela rapidamente foi se transformando de “uma nova linha para os iniciantes” para só “uma nova linha”.

Isto até ontem, quando um rumor sobre o fim das reimpressões dos livros básicos da 4ª edição causou furor na internerd, acendeu o alerta de uma nova edição e jogou o Essentials de “nova linha” para “Dungeons & Dragons 4.5″. O rumor foi divulgado em um site especializado em Magic: The Gathering, e bem desconhecido no ramo de notícias de RPG, então recomendo guardar a credulidade no bolso até a GenCon:

ManaNation has received a tip that Wizards of the Coast has decided to end the print run of the Dungeons and Dragons 4th Edition Core Handbooks, instead aiming to turn the game in the direction of “Dungeons and Dragons Essentials”, a product to be released later this year. The first product for the Essentials line is starting with the ‘Dungeons & Dragons Fantasy Roleplaying Game’ also being called ‘the Red Box’ and is due to be released on Sept. 7th, 2010.

It is our understanding that they are not going to be reprinting any of the three main books, the Players Handbook, Dungeon Master Guide and Monster Manual from this point on to allow them to be phased out. No other books have been mentioned.

Embora a parada deste site de Magic seja meio duvidosa, o fato é que uma série de lojistas gringos têm sido informados que não podem mais pedir os livros básicos da 4ª edição, assim como certos distribuidores vinham recomendando a estes mesmos lojistas que fizessem estoques dos três básicos. E realmente aí eu botei mais fé que no tal ManaNation.

O que isso significa? Veremos o Dungeons & Dragons 4.5 na GenCon? Acho que a Wizards of the Coast vai segurar até o fim a compatibilidade entre as linhas, e pelo pouco que vi dos Essentials nada foi substituído – erratas foram incorporadas e novas opções de classes foram criadas, assim como outras (como o warlord) foram retiradas. E apesar do choque da notícia, na real só vamos saber mesmo se o material do PH1, MM1 e DMG1 será abandonado quando dermos uma olhada no tal Rules Compendium, e em como a WotC vai lidar com este material antigo através do D&D Insider.

Não é impossível que o tal Rules Compendium, com as regras dos livros básicos, e mais importante, já com as centenas de erratas que os básicos da 4ª edição recebeu incorporadas, se torne um novo ponto básico para iniciantes junto ao Essentials. Mas ainda assim seria burrice, afinal depois de criar o tal Essentials para atrair jogadores iniciantes, eles vão jogar pela janela uma das vantagens do modelo de caixa – que é trazer todo o material necessário para o jogo em um só produto, ao forçar, ou pelo menos recomendar, a aquisição de outro livro para jogar Dungeons & Dragons.

Ou então que o Essentials realmente substitua os livros básicos como tudo que um novato precisa para jogar (e o nome da linha deixa isso a entender né?), e que a galera que já está no Dungeons & Dragons 4ª edição tenha que se virar com a combinação D&D Insider, agora mais essencial (ops…) que nunca, e a linha Essentials para suprir os builds antigos e as classes que não terão novas versões como Warlord e Bardo.

Definitivamente a GenCon acabou de ficar bem mais interessante. Pessoalmente acho que por um lado faz muito sentido. Desde o começo achei idiota a WotC manter as duas linhas, a da 4ª edição convencional e a do Essentials focada nos novatos. Uma coisa é fazer um produto para novatos, outra é uma linha, e ao fazer o segundo achei que a editora ia repetir os mesmos passos da TSR e começar a fragmentar seus consumidores em mais de uma linha de produtos não compatíveis. Por outro lado, retirar os básicos na 4ª edição de circulação me parece muito mais uma medida tomada para transmitir um determinado ponto, uma idéia, do que devido as baixas vendas, afinal todos sabem que via de regras os livros básicos de um sistema ou linha são seus títulos mais vendidos. Se o problema dos básicos da 4ª edição não é a Crise, e nem as baixas vendagens, o que a Wizards quer transmitir ao retirar os básicos do mercado? Obviamente que os livros básicos da 4ª edição estão desatualizados. Ou elaborando um pouco mais, que os livros que tem todo o fundamento e base do sistema de regras do Dungeons & Dragons 4ª edição estão desatualizados…

Sendo D&D 4.5 ou não, o fato é que dificilmente a galera do marketing da Wizards of the Coast vai conseguir jogar para debaixo do tapete que os livros lançados a 2 anos já estão ultrapassados, não importa quantas frases bonitas e eufemismos eles utilizem daqui pra frente porque é exatamente isso que a empresa está dizendo ao tirar seus livros mais vendidos de circulação.

De volta da RPGCON 2010

Como já é de praxe, depois de dormir um pouco é hora de escrever minhas impressões sobre a RPGCON 2010 que aconteceu neste último fim de semana em São Paulo. Para quem já foi no evento e conhece a proposta e pegada da RPGCON pode seguir direto com a leitura. No entanto para aqueles que são marinheiros de primeira convenção ou querem saber como surgiu o maior evento de RPG dos últimos dois anos, recomendo dar uma lida rápida no relato da RPGCON de 2009. O post havia se perdido no crash do Área Cinza, mas várias pessoas legais me enviaram backups, então perdidos mesmo foram só os comentários…

Eu e os trutas Tiago, Giltônio e Garrell chegamos na sexta e de cara já trombamos com o Salomão que foi uma espécie de guia para os rolês de comilança e bebedeira na terra da garoa! Além de totalmente sangue bom (deve ser por causa da descêndencia mineira), na sexta mesmo o Salomão começou a agregar a galera, e acabamos fechando o dia bebendo com os também forasteiros  Wallace, CF e Thiago, e o Trevisan velho de guerra.

Sábado caímos cedo para o evento, afinal nossa palestra sobre produção independente de RPG estava marcada para às 10:30 – mesmo horário do jogo entre Argentina e Alemanha e do Encontro de Blogs, ou seja, não esperávamos uma vasta platéia! Eram 11 horas e o auditório estava vazio, e pensamos em desistir e  montar nossa barraquinha na Feira de RPG Independente, mas o sábio Giltônio insistiu que começassemos e garantiu que a sala logo encheria se a discussão rolasse…

Dito e feito. Após uma breve apresentação começamos a desembolar a conversa e o pessoal foi aparecendo, fazendo perguntas e contribuindo para que a discussão fosse muito mais rica. Logo o Guilherme da RetroPunk, editora que surgiu recentemente com uma proposta foda de lançar ótimos livros independentes e que pra mim é a grande promessa para dar uma agitada no RPG nacional no próximo ano, se identificou na platéia e fez um monte de colocações excelentes. Falamos um bocado sobre nossa experiência com a venda no mercado gringo através de PDFs, da proposta e da forma como construímos o Mamute, da neurose obsessiva que muita gente tem com o profissionalismo, como se uma proposta amadora não pudesse ser bem feita, da importância em escolher um formato adequado ao seu material, enfim, foi uma ótima conversa embora um tanto informal e meio atropelada. Gostaria mesmo de agradecer quem trocou o Encontro de Blogs (e o primeiro tempo de Alemanha e Argentina) para conversar com a gente!

Giltônio, Tiago, Garrell e eu

Depois da palestra e de uma ótima conversa com a galera sobre a venda de PDFs e a possibilidade de desembolar isso no Brasil, fomos para o pátio central montar nossa humilde barraquinha e atacar os passantes até que comprassem seus Mamutes! A atividade de ficar na banquinha trocando idéias e apresentando a proposta do fanzine para o pessoal daí pra frente dominou nossa experiência de RPGCON, mas de forma alguma isso foi ruim, na maior parte do tempo a galera era super interessada, fazia sugestões, perguntava do processo de produção e de futuros lançamentos… E tivemos a força inestimável do Renato Caipira, brodér refugiado de BH, que quebrou vários galhos durante o sábado. Valeu cara!

Na parte da tarde participei da palestra das editoras, que foi bem descrita pelo Shingo do Paragons, e na qual o Giltônio foi convidado a subir ao palco no meio da fala do Trevisan para falar do Mamute e da Secular (assim como o Gulherme da Retro) e mandou muito bem. Fiquei só até a metade pois estava mais pilhado de voltar a barraquinha e vender Mamutes, mas a palestra estava bem cheia e com um clima mais animado que a do ano passado, que foi meio morta. Depois rolou a palestra de Tormenta, na qual dei só uma passada rapidinha e pude ver o pessoa da Spell fazendo e recebendo respostas engraçadas do Trio, mas depois de um tempo a brincadeira perdeu a graça… Após mais uma maratona de vendas – no primeiro dia vendemos cerca de 45 Mamutes, para um público que em sua maioria já conhecia o zine através daqui do AC, ou pela divulgação em outros blogs (em especial pelo Trevisan, .20, Jambô e Paragons, valeu pela força pessoal!), tivemos a previsível e chata indecisão de onde beber! Novamente este ano fomos para o já clássico Omalley’s, mas acho que talvez fosse mais legal um rolê meio oficial do evento, marcado em um lugar grande, acessível e com antecedência, para que todo mundo pudesse ir. Acabou que nessa indecisão de última hora o pessoal se dividiu, uma boa parte foi para um buteco na Augusta e outra para o bar irlândes, que repito, é incrivelmente foda, mas como boa parte desse pessoal se encontra só uma vez por ano, podíamos privilegiar a troca de idéias e bebedeira, mesmo que fosse em um lugar menos fodão. Acho que vou pegar pra organizar isso ano que vem! De lá caímos direto para uma festa em que o Garrell tocou em um bairro meio longe, mas acho que fiquei mal acostumado com as festas daqui de BH e nem achei grandes coisas. Mas deu pra ficar bem bêbado…

Família Mamute representando na palestra das editoras

Domingão de ressaca, e ao montar nossa barraquinha para o segundo dia de labuta, o Garrell nos aparece com uma bandeira do Bob Marley, que ele já tinha levado para a balada na noite anterior. Não pensamos duas vezes e mandamos a bandeira junto com nosso tímido banner o que logo começou a chamar a atenção da galera. Aliás, o perfil das pessoas que se aproximavam da barraquinha no segundo dia era claramente diferente – nunca tinham ouvido falar do Mamute, Área Cinza, Secular Games e essas bobeiras de internet. Chegamos no mundo real! Obviamente isso dificultou o processo de vendas, mas também foi interessante, pois vimos que muitas pessoas que nunca ouviram falar da gente e das nossas presepadas, ao conhecerem a proposta do Mamute e olharem as suas matérias decidiram apostar 7 pratas no nosso trampo.

Como no domingo o movimento na nossa barraquinha estava mais derrubado, e muita gente estava curiosa com o que a bandeira do Bob Marley fazia ali, resolvemos animar mais a parada e com a ajuda inestimável do D3 e do Jaime montamos umas caixinhas de som no iPhone do Garrell e já mandamos um set de reggae para animar mais aquele domingo ensolarado Numa boa, à partir daí tivemos alguns dos momentos mais divertidos do evento, com as dancinhas, fotos com o rei do reggae, piadas nonsense e conversas bem espertas com a galera interessada. Adorei a banquinha do domingo, que seguiu bem a proposta do zine – já que não vamos ganhar dinheiro de verdade com a parada, vamos nos divertir!

Em um próximo post quero falar mais da venda do Mamute e das minhas impressões, mas vamos voltar aqui para a RPGCON. Fechando o domingo e o evento, tivemos a palestra Mesa de Vidro, onde os organizadores se sentam com os participantes para escutarem sugestões, críticas, e darem um retorno de como foi o processo de organização. Pra mim esta é a alma da RPGCON – um evento aberto, colaborativo, que pode ser tão bom ou ruim de acordo com o tanto que você se envolver e fizer acontecer. Na mesa de vidro o D3 abriu falando do principal erro da organização na sua avaliação: a falta da opção de receber por cartão de crédito nas lojas, e explicou que houve um atraso na negociação com a empresa que gerencia os cartões Visa e Master. Também foram apontados outros erros e pontos que poderiam ter sido melhores, como os stands, novamente a sinalização e as poucas opções de lanches no evento. Reparem que são críticas somente a estrutura e organização, se não me engano no que se refere ao conteúdo das palestras, organizações presentes, stands, e atividades em geral a RPGCON 2010, assim como no ano anterior, só recebeu elogios. Nesse excelente relato do evento pelo Shingo (droga, ele de novo!) o pessoal têm discutido o evento e seus pontos fracos, inclusive com a participação do Wallace, um dos organizadores, funcionando quase como uma continuação da mesa de vidro. Altamente recomendado!

Agora meu ponto de vista. Achei o evento muito parecido com a RPGCON do ano passado, tanto nos pontos positivos como nos negativos. Programação vasta, interessante, com uma transparência e abertura a participação da comunidade que eu nunca vi no RPG nacional, com uma proposta de agregar e fomentar, estes são os destaques do evento, e que pra mim o tornam incomparavelmente melhor que os 4 Encontros Internacionais de RPG que participei. Aliás como disse na Mesa de Vidro, a proposta dos eventos pra mim são tão diferentes que  embora ano passado a RPGCON tenha ocupado a lacuna do EIRPG, não acho que faça muito sentido comparar um com o outro. Colocando de uma maneira simplista, o primeiro era o evento de uma empresa, com as coisas boas e ruins que vem com isso; o segundo é um evento da comunidade, também com seus pontos fortes e fracos próprios.

E comparando a RPGCON 2010 com a RPGCON 2009, vejo que pouca coisa mudou, tanto nos erros como nos acertos. Como disse para o Wallace e Luciana, e depois na própria Mesa de Vidro, algumas coisas que rolaram em 2009 foram completamente compreensíveis, tendo em vista que o evento do ano passado foi organizado em dois meses. Este ano esta justificativa não se aplicava, e isso tornou a repetição das mesmas questões (como a do cartão de crédito, divulgação e sinalização) bem mais grave na minha opinião. São questões importantes que de certa forma tiraram um pouco o brilho do evento, mas que não foram suficientes para estragar a parada, de forma nenhuma. Aliás segundo o D3 este ano o evento teve cerca de 3100 participantes, contra 2800 do ano passado, o que mostra um crescimento, mas que com uma divulgação mais robusta e para além dos parceiros da internet poderia ter sido ainda maior.

Em 2011 estaremos na RPGCON novamente, não só para assistir as palestras, comprar os lançamentos legais e garimpar a feira de livros usados, mas também para sugerir a programação, oferecer palestras, divulgar nosso trampo e conhecer o que os outros estão criando. Não sei para vocês, mas me parece bem mais interessante, desafiador e divertido que uma mera feirinha de RPG!

Momento utilidade pública:

Muita gente já escreveu relatos da RPGCON 2010, e listarei aqui neste post todos que encontrar. Se você escreveu algum relato ou diário da RPGCON, ou leu algum que ainda não está por aqui, coloque nos comentários que atualizo assim que puder ok?