Todas as postagens em Outros

VITAinc – Resenha para o #indiegamePT

No início do mês surgiu uma ideia na comunidade Indie RPG de uma brincadeira coletiva pra dar uma incentivada na galera a ler, conhecer e comentar a produção local, uma espécie de Clube de Leitura mensal da indie RPG. Rapidinho a ideia pegou gás, o pessoal deu mil ideias, e no final das contas a iniciativa agora tem nome (#indiegamePT!), site e até twitter!

Para meu primeiro jogo escolhi o VITAinc, originalmente criado pelo Ricardo Peraça, mas do qual só tomei conhecimento quando o Igor Moreno o escolhei para a semana do editor no RPGenesis. Pelo que eu entendi o texto é de autoria do Ricardo, e o Igor ficou por conta da diagramação e identidade visual desta versão, que aliás ficou muito boa. As 20 páginas do jogo tem uma layout limpo e arrojado, que faz um uso bem esperto das páginas. Ponto pro Igor, excelente trabalho! E sobre o jogo em si, o autor abre o documento apresentando sua proposta:

Neste RPG, cada jogador interpreta um humano em sua luta pela sobrevivência no século XXII, contra as espécies artificiais criadas pelo próprio homem e contra a Corporação VITA, uma empresa corrupta e perigosa, cujo real poder e proporção é desconhecido.

Hmm parece interessante: sobrevivência, espécies artificiais e uma corporação corrupta e nebulosa. O Ricardo coloca ainda mais uma cereja no topo ao descrever o cenário biopunl ao invés de cyberpunk, o que automaticamente me remeteu ao inventivo The Windup Girl, do Paolo Bacigalupi, que se passa em um mundo cujas tecnologias estão em declínio devido a crise de combustível, e a humanidade se vê as voltas com a bioengenharia, hacking de genes e bioterrorismo.

Mas se a parte “bio” é bem presente, infelizmente o VITAinc fica devendo no “punk”. O jogo se passa em uma terra tomada pelos ORGs, seres artificiais geneticamente criados pela VITAinc, que embor tenham sido criados originalmente para servir a humanidade, se rebelam contra ela, jogando os seres humanos em uma espécie de idade das trevas, vivendo sem tecnologia e com frangalhos da ciência que até então dominavam nos escombros de antigas cidades.

O autor opta por representar os ORGs como seres “pouco evoluídos ética e culturalmente” com “visões de mundo limitadas, fundadas nas suas capacidades” ou especialidades. Assim temos três tipos de ORGs – os físicos, os mentais e os emotivos, o que torna toda essa nova raça um tanto rasa, e não aproveita ou explora as oportunidades de relações entre estas sociedades – sem contar em temas clássicos da ficção científica, como a relação entre criador e criatura, o desenvolvimento de uma tecnologia até que esta saia do controle, e a própria noção do que é ser humano.

As regras do jogo também tocam apenas na superfície do que sua proposta sugere. Temos um sistema de criação de personagem bem simples, com três atributos (Adaptações) – Física, Mental e Social – que funcionam em esquema de porcentagem, e um esquema de evolução dos personagens interessante, no qual a Adaptação aumenta de acordo com a dificuldade do desafio.

Quando o ser vence uma dificuldade, sua Adaptação aumenta:
[+1% se ela for Menor, +2% se ela for Média, +3% se ela for Maior].
Quando ele é derrotado pela dificuldade, sua Adaptação diminui:
[-1% se ela for Menor, -2% se ela for Média, -3% se ela for Maior]

Assim, testes mais difíceis ao serem sobrepujados aumentam mais a adaptação, enquanto no caso de falha, diminuem a Adaptação em uso. O conceito de adaptação, não como só como atributo, mas como tema, aparece também nas regras específicas para os ORGs, que se adaptam ainda mais rápido e facilmente que os seres humanos. Mas o que esta adaptação significa na ficção (especialmente no caso de humanos), não é explicado no texto. Já o conceito de Evolução aparece mecanicamente nos ORGs com uma regra simpes e bacana de mutações, mas que provavelmente os personagens dos jogadores nunca vão experimentar.

VITAinc tem ideia divertidas, mas o sistema raramente se conecta a elas. Os temas da sobrevivência, da evolução e adaptação aparecem pouco, e geralmente nos antagonistas, que por sua vez poderiam ter alguns traços que tornassem a perspectiva de choques entre as raças mais interessantes. A corporação VITA, que dá nome ao jogo, serve principalmente como “voz” do livro, em parte escrito na perspectiva da corporação. Mas em nenhum momento ela é apresentada no como antagonista, ou sua situação no mundo pós-rebelião ORG é descrita, o que é uma pena, já que acredito que seria uma peça chave no conflito entre as duas espécies.

Um lugar para chamar de lar (e discutir teorias de design de jogos!)

Volta e meia me pego lendo e pensando sobre game design, não só especificamente de RPG, mas teoria geral de design de jogos. O que é algo que um monte de gente deve fazer também. O problema é que depois que leio algo do qual discordo completamente, ou que me empolga a explorar suas possibilidades, meu primeiro impulso é debater e tentar perceber outras perspectivas sobre a parada. Só que no caso do game design, não existe um espaço bacana, voltado pra isso em língua portuguesa, e a solução, pelo menos no meu caso, é acompanhar discussões gringas (que muitas vezes já estão bem avançadas) no Story Games ou sentar no boteco com o Giltônio ou Eduardo pra encher a cabeça deles.

Leia Mais →

Um aplicativo excelente para o D&D 4ª edição

Essa semana conheci o iplay4e, um aplicativo incrivelmente simples e bacana tanto para quem gosta de ter uma grande quantidade de personagens prontos à disposição, como para aqueles mestres que incorporaramlaptops as suas mesas de jogo.

Comecei a usar o iplay4e hoje para testar, e basicamente ele funciona como um depósito de personagens feitos usando o D&D Character Builder, que foi liberado na versão beta para todo mundo, mesmo aqueles que não são assinantes do D&D Insider. No site você pode tanto fazer o upload de seus personagens, para acessá-los de outros lugares, e mesmo disponibilizá-los para outros jogadores e mestres, como também procurar todos os personagens já catalogados, de acordo com seu nível, raça e classe. Perfeito para improvisar aquele NPC de última hora em sua aventura! O serviço ainda tem poucos personagens, principalmente acima do 10° nível, mas se a moda pegar pode se tornar uma ferramenta genial para os mestres despreparados, e mesmo para aqueles que querem economizar um tempo na criação de suas aventuras.

Mas não é só isso – a parada é muito bem feita, e depois que você acessa um determinado personagem, tenha sido ele criado por você ou outra pessoa, você tem acesso a todos os itens, talentos e poderes com roladores integrados, ou seja, só clicar em um determinado poder que o programa faz a rolagem com os modificadores necessários! Genial mesmo.

Resta saber se o iplay4e não corre o risco de ser exterminado pela Wizards. Um ponto positivo neste sentido é que o programa não usa os textos descritivos dos poderes, habilidades e talentos, apenas suas partes mecânicas. E eles tomaram o cuidado de não usar a marcar Dungeons & Dragons em nenhum lugar, o que deve tornar as coisas um pouco mais difíceis para os advogados da WotC caso se voltem contra o aplicativo. Por outro lado, ele não respeita a licensa especial da editora para websites, pelo simples fato dela ainda ser inexistente… Então vale a pena baixar os personagens rapidinho só para garantir!

Fracasso da expedição!

É com pesar que faltando apenas alguns minutos para o fim do prazo, nossa instituição declara o fracasso da expedição em busca da fonte perdida. Apesar da bravura e disposição de nossos associados, a mítica fonte perdida, na qual os magos da costa afirmam o fracasso de seu mais recente e poderoso feiticço, não foi encontrada, e assim entra oficialmente para a galeria de boatos e lendas que circulam nosso meio de arqueólogos do RPG nacional.

Ainda que ninguém tenha recebido o tesouro prometido, agradecemos o empenho e dedicação de todos os aventureiros em busca da Verdade, embora ela seja muito mais difícil (às vezes até impossível!) do que pareça para alguns.