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Um aplicativo excelente para o D&D 4ª edição

Essa semana conheci o iplay4e, um aplicativo incrivelmente simples e bacana tanto para quem gosta de ter uma grande quantidade de personagens prontos à disposição, como para aqueles mestres que incorporaramlaptops as suas mesas de jogo.

Comecei a usar o iplay4e hoje para testar, e basicamente ele funciona como um depósito de personagens feitos usando o D&D Character Builder, que foi liberado na versão beta para todo mundo, mesmo aqueles que não são assinantes do D&D Insider. No site você pode tanto fazer o upload de seus personagens, para acessá-los de outros lugares, e mesmo disponibilizá-los para outros jogadores e mestres, como também procurar todos os personagens já catalogados, de acordo com seu nível, raça e classe. Perfeito para improvisar aquele NPC de última hora em sua aventura! O serviço ainda tem poucos personagens, principalmente acima do 10° nível, mas se a moda pegar pode se tornar uma ferramenta genial para os mestres despreparados, e mesmo para aqueles que querem economizar um tempo na criação de suas aventuras.

Mas não é só isso – a parada é muito bem feita, e depois que você acessa um determinado personagem, tenha sido ele criado por você ou outra pessoa, você tem acesso a todos os itens, talentos e poderes com roladores integrados, ou seja, só clicar em um determinado poder que o programa faz a rolagem com os modificadores necessários! Genial mesmo.

Resta saber se o iplay4e não corre o risco de ser exterminado pela Wizards. Um ponto positivo neste sentido é que o programa não usa os textos descritivos dos poderes, habilidades e talentos, apenas suas partes mecânicas. E eles tomaram o cuidado de não usar a marcar Dungeons & Dragons em nenhum lugar, o que deve tornar as coisas um pouco mais difíceis para os advogados da WotC caso se voltem contra o aplicativo. Por outro lado, ele não respeita a licensa especial da editora para websites, pelo simples fato dela ainda ser inexistente… Então vale a pena baixar os personagens rapidinho só para garantir!

Fracasso da expedição!

É com pesar que faltando apenas alguns minutos para o fim do prazo, nossa instituição declara o fracasso da expedição em busca da fonte perdida. Apesar da bravura e disposição de nossos associados, a mítica fonte perdida, na qual os magos da costa afirmam o fracasso de seu mais recente e poderoso feiticço, não foi encontrada, e assim entra oficialmente para a galeria de boatos e lendas que circulam nosso meio de arqueólogos do RPG nacional.

Ainda que ninguém tenha recebido o tesouro prometido, agradecemos o empenho e dedicação de todos os aventureiros em busca da Verdade, embora ela seja muito mais difícil (às vezes até impossível!) do que pareça para alguns.

Settlers of Catan na Wired

site da Wired, a melhor, e provavelmente mais famosa revista de tecnologia e cultura nerd do mundo trouxe essa semana uma bela matéria de 4 páginas sobre o fenômeno do jogo de tabuleiro Settlers of Catan, contando desde de sua criação em 1995 pelo alemão Klaus Teuber, até sua entrada no mercado norte-americano como carro chefe dos chamados eurogames.

Eu comprei uma caixa do Settlers no ano passado, e até já postei aqui uma resenha da minha primeira partida, e realmente o jogo é o exemplo clássico daquela expressão “fácil de aprender e difícil de dominar”, com uma série de regras e mecânicas que são muito simples e bem pensadas para manter as partidas dinâmicas e divertidas.

A matéria é muito grande para copiar aqui, mas acho que alguns trechos merecem comentários, como este sobre o apelo dos jogos:

Board games have continued to thrive for a simple reason: Whether for adults or children, they are—like poker nights, softball games, and bowling leagues—an excuse to hang out and interact with friends and family. As Jesper Juul, a ludologist, or game expert, at MIT explains, they create a communal experience that brings people together. Who won the last time and how, some interesting tactic, or a particularly remarkable stroke of luck all produce a shared memory.

Acho difícil alguém aqui no AC ler esse trecho e não pensar no RPG. Acho até engraçado, muitas vezes nós jogadores de RPG exaltamos as qualidades do nosso hobby como se fosse o único jogo ou modelo onde elas existissem, e esquecemos que o RPG é um tipo de jogo entre vários, todos capazes de oferecer não só horas de diversão com amigos, mas também construir uma uma espécie de “cultura compartilhada” na falta de um termo melhor.

Sobre as diferenças entre os jogos de tabuleiros tradicionais, como Banco Imobiliário (Monopoly) e oseurogames -

But part of the reason we don’t play much Risk and Monopoly as adults is that those are actually poorly designed games, at least in the German sense. Derk Solko, a garrulous former Wall Streeter who cofounded the Web site BoardGameGeek.com in 2000 after discovering Settlers, explains it this way: “Monopoly has you grinding your opponents into dust. It’s a very negative experience. It’s all about cackling when your opponent lands on your space and you get to take all their money.” Monopoly, in fact, is a classic example of what economists call a zero-sum game. For me to gain $100, you have to lose $100. For me to win, you have to be bankrupt. Gouging and exploiting may be perfect for humiliating your siblings, but they’re not so great for relaxing with friends.

Eu tenho essa experiência com o War, um jogo que eu curto, mas que assim como o Truco, tenho plena convicção que foi criado pelo capeta para dissolver famílias e terminar namoros, já que é baseado na traição, humilhação e destruição dos seus companheiros de jogo. No Catan as coisas não são tão hippies ao ponto de não haver disputa ou uma sacanagem, mas ela se dá de maneira um tanto indireta, e se concentra nas rodadas de negociação dos recursos – e ai vale a lei do mercado. Três cartas de trigos por uma de madeira, nada pessoal, mas é pegar ou largar baby!

Entrando mais a fundo nestas mecânicas que fazem o jogo ser interessante e divertido até sua última rodada, até mesmo para quem está perdendo – o

Wheeling and dealing turns out to be an elegant solution to one of the big problems plaguing Monopoly—sitting idle while other players take their turns. Since every roll of the dice in Settlers has the potential to reap a new harvest of resource cards, unleash a flurry of negotiations, and change the balance of the board, every turn engages all the players. “The secret of Catan is that you have to bargain and sometimes whine,” Teuber says.

Finally, the game is designed to restore balance when someone pulls ahead. If one player gets a clear lead, that person is suddenly the prime candidate for frequent attacks by the Robber, a neat hack that Teuber installed. Roll a seven—the most likely outcome of a two-dice roll, as any craps player knows—and those with more than seven resource cards in their hand lose half their stash, while the person who rolled gets to place a small figure called the Robber on a resource tile, shutting down production of resources for every settlement on that tile. Not surprisingly, players often target the settler with the most points.

All of this means that players must use strategy and move smartly, but even flawless play doesn’t necessarily lead to easy victory. This is why kids can play with adults, or beginners with experts, and everyone stays involved.

Falando assim parecem soluções meio óbvias, mas só o lance todos os jogadores poderem ganhar recursos em todos os turnos, sejam deles ou não, já muda totalmente a dinâmica do jogo, e te faz ficar ligado durante a partida inteira. Isso também faz os turnos ficarem mais rápidos, já que todo mundo está focado e administrando seus recursos e possibilidades continuamente. Além disso, como são várias rolagens de dados por rodada completa, isso diminui um pouco a influencia do azar, já que é bem mais provável que você receba algum recurso durante as  jogadas de dados de todos os jogadores do que só no seu próprio turno.

Finalmente algumas idéias interessantes sobre alguns de nossos temas favoritos da semana aqui no Área Cinza: o mercado de jogos norte-americano e seu futuro frente ao crescimento das plataformas digitais -

Settlers has become so successful in the US that other German-style games are starting to ride in its wake, even in the midst of the recession. New Mexico entrepreneur Jay Tummelson licenses, translates, and imports German mass-market hits like Carcassonne alongside more offbeat titles like Galaxy Trucker by Czech designer Vlaada Chvatil. His company, Rio Grande Games, sold half a million of these titles in 2008. “We’re growing at 30 to 35 percent a year, compounded,” he says. “In the US, most of my customers this year weren’t my customers two or three years ago. They didn’t know these games existed.”

Teuber’s plan for overcoming this challenge is, oddly enough, computers. He hopes that digital versions of Settlers will help conquer (sorry, liberate) the US market. He and his son Guido are convinced that moving the game online and onto platforms like Xbox 360 and Nintendo DS is the best way to win converts outside the board game world. The idea is that after getting to know the game and its rules on the PC and game consoles, people will be more likely to buy the analog version—still the most fulfilling and social Settlers experience—to play with friends.

In 2007, Teuber launched the English- language version of PlayCatan.com, an online community that draws 15,000 or more players a day from around the world. The US audience is the site’s fastest-growing segment. That same year, Big Huge Games released a downloadable version of Settlers for Xbox 360. And a PC version of the game and its expansions will come out in English this spring featuring multiplayer and AI smart enough to challenge the strongest players.

Will it be enough to take on the likes of Hasbro and become the go-to game in every American’s hall closet? That’s certainly the plan. “The challenge is to stay at a high level for years, to catch up to Monopoly,” Teuber says. “It’s a very, very high goal. If we could come into the neighborhood, that would be great.” Only a few billion wheat-for-sheep trades to go.

Partindo do pressuposto que os bons jogos são capazes não só de fornecer algumas horas de diversão, mas também criar uma experiência e memórias compartilhadas, a aposta de Teuber e sua gangue está na especificidade da versão “analógica” do jogo, ou seja, o evento social de se jogar Settlers of Catan. E por mais que isso exista em alguma medida nas partidas virtuais, ainda sim é apenas em um nível bem primário e diferente. De forma parecida com o que ocorre com o RPG aliás. Assim, as versões eletrônicas surgem não como concorrentes, mas como uma outra forma de se apresentar as regras e proposta do jogo, mas com lacunas na experiência da interação social. E ai que entra a versão tradicional, que seria algo como o pacote completo.

É uma proposta extremamente interessante, que inclusive vai de encontro com muitas abordagens à respeito dos jogo multi-plataformas, que partem do pressuposto que a experiência de determinando jogo pode ser transferida para diversas mídas sem passar por grandes modificações. Já nosso amigo Teuber, aposta justamente nessa diferença como o grande trunfo do Settlers of Catan, e até agora parece que têm dado certo.

Cools as Ice!

A Marvel trouxe para a Era YouTube uma de suas idéias mais estranhas e divertidas dos anos 90: a série What The–?! que parodiava os personagens da editora e contava com autores conhecidos como  Stan Lee e John Byrne. A nova versão em vídeo, cuja estréia rolou semana passada, usa animação em stop motion e conta com piadas politicamente incorretas envolvendo a sexualidade de alguns ícones da editora, que resulta em algo mais divertido e ousado do que eu esperava da Marvel.

No primeiro episódio “There’s No Business Like Snow Business“, a trama gira em torno do Homem de Gelo, que após perder seus poderes em uma batalha, decide começar uma carreira como apresentador de talk-show entrevistando outros hérois e vilões do universo Marvel. O destaque para mim é o quadro de culinária com o Justiceiro e algumas outras piadinhas e tiradas com a cultura pop, que resultam em um primeiro vídeo bacana e com uma ótima lição de moral! Se a série seguir estes rumos pode se tornar algo realmente excelente para quem curte quadrinhos e tem algum senso de humor.