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Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Ontem assisti ao Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, e o filme superou minhas expectativas. Mais de 25 anos depois de ter interpretado o arqueólogo mais famoso do mundo, é muito foda ver o Harisson Ford velhão e ainda fazendo as mesmas caras e tiradinhas irônicas que marcaram o personagem. Provavelmente só isso já valeria o ingresso.

Mas é claro que o filme ainda tem todos os elementos clássicos da trilogia – cenas de ação caóticas, humor esperto, um par romântico meio a contragosto, o mapa com as linhas vermelhas, aliados traidores, inimigos caricatos e durões, armadilhas, e lógico, a trilha do John Williams.

Além das características que marcaram a franquia, Spielberg e sua turma trouxeram algumas novidades, uma delas responsável por boa parte das críticas negativas que o filme recebeu, e que discuto mais a frente. Dos novos personagens, o jovem motoqueiro Mutt interpretado por Shia LaBeouf é disparado o melhor. A relação dele com Jones recaptura parte da dinâmica genial entre Indy e seu pai interpretado por Sean Connery em A Última Cruzada, mas desta vez o personagem de Ford se encontra no lado carrancudo e mal-humorado do espectro, enquanto Mutt tenta impressionar e afrontar o arqueólogo com suas ações impetuosas.

A personagem de Cate Blanchett por outro lado decepciona. Quando a espiã-russa-gata-paranormal aparece na tela não tem como não achar que ela será uma oponente à altura de Jones, mas a verdade é que durante o filme ela não faz basicamente nada de interessante. Aliás a culpa nem me parece ser de Blanchett, mas do roteiro, que apresenta uma vilã cheia de possibilidades e recursos, mas que falha em fazer isso funcionar minimamente. Outro personagem estranho e que não mostra bem a que veio é o professor Oxley, que anda de um lado para o outro com a caveira de cristal debaixo do braço falando coisas sem sentido e sendo muito chato. Acredito (e acho que muita gente tem essa opinião), que Oxley entrou na trama para tapar um buraco que originalmente deveria ter sido preenchido por Sean Connery, porque só assim mesmo para explicar as lacunas e furos no roteiro que giram em torno do personagem desmiolado.

Além dos dois personagens acima, os outros pontos fracos do filme giram em torno de cenas bem específicas que exageram no fator “trapalhões”, como a constrangedora cena de Mutt nos cipós com os macacos de CGI, ou então que vão muito além de serem sacadas – um recurso sempre válido na trilogia, como na absurda cena do carrinho da mina que cai de volta nos trilhos em Templo da Perdição, mas desta vez nem mesmo Indy e seus companheiros se mostram minimamente surpresos de sobreviverem não a uma, mas três (!!!) quedas de cachoeiras gigantescas em sequência. Diferentemente da cena da “geladeira nuclear”, onde o herói sobrevive graças a uma sacada inteligente, nas cachoeiras a impressão que fica é que o grupo de heróis só sobreviveu porque o roteirista quis assim, e a sucessão de quedas acaba sendo tão ridícula que fica engraçada.

Apesar de algumas cenas ficarem bem abaixo do restante do filme, no fim das contas Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é muito bom e vive perfeitamente à altura da trilogia original. Na verdade eu o achei superior ao Templo da Perdição, o mais fraco dos três primeiros filmes, o que já é um grande feito. Pelo menos em comparação com qualquer um dos novos filmes de Star Wars!

Spoiler: Não leia se ainda não tiver visto o filme e sacado qual é a trama.

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A principal crítica que o filme tem recebido (além da cena da cachoeira : ) diz respeito a inclusão de alienígenas (e discos voadores, e a Área 51) como um dos principais pontos da trama. Enquanto os três primeiros filmes tinham uma explicação mágica e religiosa para as coisas, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal utiliza ficção científica no lugar, o que foi considerado por algumas pessoas como uma fuga da temática original da série, ou de suas origens.

Achei essas críticas meio bestas. Indiana Jones nunca foi sobre magia e misticismo, mas sim uma homenagem as histórias pulp. Nos anos 50, época em que o filme se passa, os alienígenas eram um tema recorrente, que inclusive foi muito utilizado como metáfora para retratar a “ameaça do comunismo”, outro ponto comum ao filme. Não acho mesmo que esse papo de “os deuses antigos eram na verdade alienígenas” fuja da idéia original dos filmes, pelo contrário, considero uma maneira inteligente e interessante de atualizar a temática para acompanhar o avanço de 20 anos na história.

“These rules are strictly fantasy. Those wargamers who lack imagination, those who don’t care for Burroughs’ Martian adventures where John Carter is groping through black pits, who feel no thrill upon reading Howard’s Conan saga, who do not enjoy the de Camp & Pratt fantasies or Fritz Leiber’s Fafhrd and Gray Mouser pitting their swords against evil sorceries will not be likely to find Dungeons & Dragons to their taste.

But those whose imaginations know no bounds will find that these rules are the answer to their prayers. With this last bit of advice we invite you to read on and enjoy a “world” where the fantastic is fact and magic really works!”

Venda de miniaturas para D&D

Aproveitando a mudança de edição e para fazer uma limpa na minha pequena coleção, fiz uma listinha ilustrada com as minis de D&D que tenho para vender no momento. Não é nenhuma mega-coleção, e no momento tenho mais raras e incomuns para vender do que as mais comuns. De qualquer forma esta ai embaixo em formato PDF para evitar o risco de vírus e essas coisas!

Pegue a lista aqui!

Huh?

Como quase todo mundo eu me sinto velho sempre que ouço uma música que adorava tocando no programa de velharias do rádio, quando amigos meus se casam ou têm filhos, e claro, ao me lembrar que os astros adolescentes Matthew Broderick e Michael J. Fox têm 45 anos de idade.

Mas eu também me sinto muito mais velho quando não entendo, ou melhor aceito, as novidades que as pessoas (geralmente mais novas que eu) inventam. Me senti assim no EIRPG, quando já havia me acostumado com todo aquele pessoal carregando placas bobinhas a la Ragnarok, e vi a menina que vendia beijos de língua a 25 centavos. Admito que nos divertimos um bocado fazendo piadas e comentários cretinos (não é Garrell? :), mas a real é que a menina não era feia, e poderia facilmente descolar muito mais grana com seu empreendimento se cobrasse mais caro, ou beijar muito mais gente se estivesse sem a maldita plaquinha queima filma, já que estava em um microcosmo ocupado predominantemente por nerds adolescentes do sexo masculino.

Discutimos a estranha situação por um bom tempo e acho que na época até chegamos a algumas teorias convincentes com a união de sociólogos, antropólogos e psicólogos. Ainda assim, algo dessa idéia ainda não se encaixa na minha cabeça como deveria…

O mesmo vale para isso aqui. Uma garota anunciou em um fórum que ia transar com quem lhe desse 5000 peças de ouro de World of Warcraft, que valem cerca de $600 no mundo real, para comprar uma montaria voadora épica. Provavelmente recebeu um trilhão de propostas e escolheu o cara mais gatinho (ou pelo menos que parecia menos babão), e é bem provável que tenha curtido o encontro, como ela diz na matéria. Mas novamente a idéia não se encaixa. Sexo por dinheiro virtual? Com fantasia de elfos negros?

Estou ficando velho e o mundo esta cada vez mais cyberpunk. E aposto que minha mãe reagiu da mesma forma ao saber o que era “ficar”.

Em tempo, a frase final do e-mail da garota é genial:

So talk all the trash you want, I got MY Epic flying mount AND I got laid which is more than most if you failures can ever hope for.