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DC Adventures: O universo DC para Mutants & Masterminds!

Depois do jogo eletrônico Dragon Age, a editora Green Ronin fez ontem mais um anúncio da aquisição de uma grande licença! A novidade desta vez é uma linha que vai adaptar o universo da DC Comics para o Mutants & Masterminds, famoso sistema de super-heróis da editora e lançado aqui pela Jambô. Segue a nota oficial do site da Green Ronin:

GREEN RONIN TO RELEASE DC ADVENTURES RPG BOOKS
Game Industry Leader Signs Licensing Deal with DC Comics

May 3, 2010–SEATTLE, WA and NEW YORK, NEW YORK: Green Ronin Publishing announced today that it has signed a licensing agreement with DC Comics and will be releasing the DC ADVENTURES RPG book this August. The game is based on Green Ronin’s Mutants & Masterminds, the leading super-hero RPG in the tabletop gaming world.

“It is DC’s 75th anniversary this year and I’m delighted we can help celebrate it by bringing the DC Universe back to the roleplaying hobby,” said Green Ronin President Chris Pramas. “The team-up of the DCU and the creators behind Mutants & Masterminds will create an unstoppable force of great gaming!”

The DC ADVENTURES game will consist of four books, each done in full color and beautifully illustrated by top comic artists. The line launches in August with the DC ADVENTURES Hero’s Handbook. Following it will be Heroes & Villains, Volume 1 in the fall. Then 2011 will see the release of Heroes & Villains, Volume 2 and DC ADVENTURES: Universe.

A data de lançamento do primeiro dos quatro livros da linha é de Agosto, ou seja, provavelmente bem a tempo da GENCON deste ano. A frase que mais chama a atenção aqui é sobre o jogo ser baseado no Mutants & Masterminds, ou seja, são grandes as chances de uma linha independente, que pode ser jogada sem o livro básico do M&M. Provavelmente este DC ADVENTURES Hero’s Handbook é o livro de regras, enquanto o segundo e terceiro com fichas de heróis e vilões devem ser quase “bestiários”, e o último livro deve fechar com uma descrição do cenário e algumas dicas para campanhas e aventuras no universo DC. Pelo menos esse é meu chute!

E ainda acho que a teoria do César no Ponei Riders é bem plausível – que a linha seja uma espécie de Mutants & Masterminds lite, com o objetivo de introduzir novos jogadores através da famosa licença. Se for isso mesmo é uma ótima jogada por parte da Green Ronin, mas acho que torna quase impossível o lançamento do DC Adventures por aqui, já que para a Jambô não deve ser interessante o lançamento de um sistema variante do M&M enquanto ainda existem tantos livros da linha principal a serem publicados no Brasil…

Podcast da Green Ronin sobre publicação digital de RPG

nona edição do podcast da Green Ronin foi gravada em uma mesa redonda moderada pelo presidente da editora, Chris Pramas, que reuniu também Jeff Combos do Exile Game Studio, Erik Mona da Paizo, Donna Pryor do Flying Lab e David Stansel-Garner do Catalyst Game Labs, para discutirem a publicação digital de livros de RPG em formato eletrônico, além de temas relacionados como a pirataria, comunidades de jogadores, e claro, a decisão da WotC de encerrar a venda digital de seus livros.

Não dá para resumir bem a parada sem perder muito do conteúdo, já que quase toda a conversa, com cerca de 58 minutos de duração é bem informal e dinâmica, com os interlocutores indo e voltando em pontos que circundam a questão da venda eletrônica de livros de RPG. Mas vou tentar fazer algo nesse sentido para quem está sem saco para escutar uma hora um bando de nerds falando de RPG:

Os primeiros 3 minutos: comentários introdutórios do Pramas, falando do contexto em que foi feita a gravação e dos seus problemas técnicos.

03:00 – 10:00: apresentação dos participantes da mesa. Início da discussão com relatos de como era a publicação de RPG em formato eletrônico na década de 90, o que mudou nos últimos 10 anos e como isso afetou a indústria de RPG de forma geral.

Erik Mona fala sobre como no início os livros de RPG em PDF eram espécies de complementos ou material cortado dos livros básicos na edição, material bem secundário ou periférico mesmo, mas que nos últimos anos o paradigma dos livros eletrônicos se tornou muito mais hardcore, com livros de regras e cenários inteiros em formato eletrônico, muitas vezes lançados juntos (ou até antes!) que suas versões impressas. Pramas comenta a prática da Green Ronin de lançar antes os livros em PDF para depois de algumas semanas publicá-los no formato impresso, para que os próprios consumidores possam colaborar com uma possível errata e correções, que são incorporadas gratuitamente na versão eletrônica, mas que não poderiam ser feitas no livro impresso.

Mona também fala como eles enviam de graça seus livros em PDFs junto com as versões impressas compradas diretamente da Paizo, para que os consumidores tenham uma forma fácil de procurar por determinado conteúdo no livro, ou para preparar seus jogos com mais facilidade.

10:00 – 18:00: Pramas pergunta ao Erik Mona se essa prática de dar o PDF junto com o livro impresso nas compras feitas diretamente com a Paizo não tem incomodado os lojistas, que pelo mesmo preço vendem apenas o livro impresso. O editor da Paizo responde que a saída encontrada pela editora tem sido dar outras formas de suporte para os lojistas, como materiais e livros gratuitos em promoções e datas especiais como oFree RPG Day. Ele continua dizendo que entramos em uma época, onde com a competição das livrarias virtuais e as várias formas de distribuir os livros, as lojas tradicionais que vendem livros de RPG tem que oferecer muito mais que apenas livros em uma prateleira, mas também ter dias de jogos, parcerias com editoras e outras formas de sobreviver em meio aos novos tempos. David Stansel-Garner da Catalyst fala de como eles têm desenvolvido uma parceria com os lojistas, para que estes coletem os e-mails de seus compradores, para que les recebam os PDFs dos livros físicos que compraram na loja, integrando os lojistas assim no oferecimento dos livros eletrônicos.

Ele encerra sua fala com uma analogia muito legal: PDFs são diferentes de livros impressos, da mesma foram que um filme em DVD é diferente de um filme nos cinemas. Ambos tem o mesmo conteúdo, mas em formatos completamente diferentes, com recursos diferentes e preços diferentes.

Jeff Combos do Exile Game Studio diz que por serem um editora muito pequena, eles enxergam os PDFs muito mais como uma ótima forma de divulgar um produto. Se um livro eletrônico é bem sucedido e cria uma base de jogadores e um nome reconhecido, ele então é impresso pela editora, que usa o formato eletrônico como um medidor de como um produto vai ser aceito pelo público, com um investimento muito menor que o de um livro impresso convencional.

18:00 – 27:45: os participantes começam a falar diretamente sobre a decisão da Wizards de encerrar as vendas de todos seus livros em PDF, e conseqüentemente sobre a pirataria e seus efeitos sobre as estratégias das editoras. Chris Pramas diz que quando ouviu pela primeira vez sobre a decisão da WotC pensou que se tratava ou de parte de um plano muito inteligente, ou de um plano muito idiota. Mas que depois das entrevistas do Greg Leeds ele percebeu que as pessoas à frente da Wizards não entendem nada de pirataria, e que se eles realmente acham que com o fim das vendas de PDF vão conseguir impedir os piratas por um pouco mais que algumas horas de lançarem os livros em redes de compartilhamento, eles estão muito errados.

Os debatedores concordam que lutar contra a pirataria é algo que exige muito mais recursos que as editoras de RPG possuem, e que os valores gastos com isso não serão necessariamente traduzidos em vendas. Pramas também diz que a decisão da WotC desencoraja os compradores de livros em PDF, já que agora a único forma onde eles podem conseguir o que antes adquiriam legalmente é através da pirataria.

Erik Mona começa uma choradeira sobre como os jovens estes dias (e ele mesmo zoa isso), enxergam a internet como uma forma de acessar conteúdo de graça, para depois decidirem se vão investir seu dinheiro no produto ou não, se ele vale o que realmente é cobrado. Pramas resalta que esta não é uma prática nova, afinal os livros de RPG xerocados eram muito populares nos anos 80, e foi através deles que muitos futuros consumidores conheceram os jogos. As novas tecnologias só permitiram que está prática se tornasse mais comum.

27:45 – 30:00 : Aqui acho que começa a melhor parte da discussão, quando o David Stansel fala da importância da comunidade de jogadores para o sucesso de uma determinada linha de produtos, citanto a qusae extinção do Battletech. Com a má situação da linha, os própriosfãs começaram a lutar contra a pirataria como uma das formas de apoiar seu jogo favorito, ao mesmo tempo organizando eventos e expandindo o público da linha. Esse tópico da comunidade é algo em que eu venho pensando um monte desde o ano passado, até falei sobre isso no EIRPG do ano passado com algumas pessoas. Acredito que no Brasil as únicas editoras que tenham conseguir fomentar este tipo de comunidade sejam a Daemon, embora ela pareça estar diminuindo, e a Jambô, que tem uma legião bem integrada de seguidores fiéis de suas linhas. Estas comunidades podem servir inclusive como uma proteção contra a pirataria, já que teoricamente a chance de alguém piratear um livro escrito por um cara super acessível que participa ativamente de fóruns e listas, e publicado por uma editora comprometida e que responde seus clientes é menor que a chance de se piratear este mesmo livro se ele fosse escrito por um cara que não tem contato com o público e por uma editora que sequer fomenta canais de comunicação com os clientes. Pelo menos é assim que eu imagino que funcione. Eu e os caras do podcast : )

30:00 – 39:45: Alguém na platéia diz que livros eletrônicos não são apenas PDFs, e que ele tem um Kindle que não lê direito PDFs. Achei essa parte bem chata. Os participantes explicam a dificuldade de re-diagramar um livro de RPG cheio de tabelas e imagens, e que com o PDF isso não acontece, já que é o mesmo arquivo enviado para a gráfica na impressão.

Erik Mona retoma a discussão sobre os títulos em PDF serem produtos diferentes dos mesmos títulos impressos, cada qual com sua especialidade. Ele acredita que é um erro tratar PDFs e impresso como iguais, e que a tecnologia está evoluindo mais rápido que as editoras têm conseguido acompanhar ou mesmo entender. Depois de uma longa e simpática história sobre mapas e a revista Dungeon (na época publicadas pela Paizo), ele concluí que nesta época de mudanças e inovações, especialmente em um mercado de nicho como o de RPGs, interagir com a comunidade de jogadores é crítica para o sucesso das editoras.  Muito bom isso aqui: muitas editoras acreditam que interagir com seus consumidores é algo secundário, que seus funcionários podem fazer de casa nas horas de folga, como algo extra ou diferente de trabalho de verdade. Ele diz que como cabeça da Paizo, sempre defendeu que escutar e criar canais para interagir com a comunidade de jogadores é parte do trabalho da editora. E que deixar isso em segundo lugar pode ser uma estrada para o fracasso.

39:45 – 42:00: Uma garota da platéia fala que muitas pessoas já conseguem ler livros inteiros em PDF, e que necessariamente não querem ou precisam das versões impressas, e Mona fala que realmente, à medida que a tecnologia avança e se torna isso mais comum, é uma tendência que vai aumentar.

42:00 – 49:00: Um cara da platéia pergunta o que os participantes acham do modelo de mensalidade adotado pela Wizards com o D&D Insider. David Stansel fala que o modelo é a muito tempo usado pela Catalyst e que é uma forma excelente de construir uma comunidade ativa e dedicada ao jogo, que pode inclusive contribuir com seu desenvolvimento. Pramas e Jeff Combos falam de como a idéia do D&D Insider é excelente, mas que não está sendo tão bem executada como deveria ou prometida. Erik Mona fala que com as novas formas de distribuição e venda, não só de livros, mas de músicas e filmes também, a própria idéia de ser o proprietário de algo começa a mudar. Um serviço de assinatura é uma forma diferente de vender produtos, que se situa entre o aluguel e a venda, e que isso pode assustar um pouco alguns consumidores. Eu acho isso meio bobo, afinal a lógica das mensalidades é de ter acesso a algo todo mês, e depois disso o material acessado é seu, não é devolvido a editora. Mas enfim, quando encontrar o Mona para tomarmos uma cerveja trocamos essa idéia.

49:00 – 58:00: A moça que fala baixo e estranho pergunta novamente, desta vez sobre o que vende mais, livros impressos ou PDFs. Os debatedores são unânimes em responder que vendem muito mais livros impressos que digitais, em média em uma proporção de 10 para 1. Ao serem perguntados sobre a freqüência que encontram seus livros pirateados na internet, eles respondem que sempre (até a Secular tem seus livros pirateados!), mas Pramas diz que fica um pouco tranqüilo por saber que a maioria das pessoas que tem os livros nos computadores são apenas colecionadores de PDFs, que mal vão ler seus produtos depois do download, muito menos usá-los. Ele espera que os que o façam possam pelo menos serem incentivados a comprarem os livros da editora depois de verem a qualidade dos produtos.

Um cara faz uma pergunta estranha comparando o RPG, falando do Radiohead e tal, que descolado… Mona fala sobre estas inovações e como um editor deve ter coragem para tomar decisões arriscadas, e cita a estratégia de ter disponibilizado de graça a versão beta do Pathfinder, e que além disso eles imprimiram uma tiragem limitada dos livros, que se esgotaram nas primeiras horas da Gen Con. Ele diz que a estratégia de dar os livros de graça em PDF provavelmente ajudou nas vendas da versão impressa, já que depois de ver o documento eletrônico muitos queriam usar o novo sistema em suas mesas de jogo. Mas que o teste final será na Gen Con desde ano, quando a versão definitiva do livro será colocada a venda. Aí sim a estratégia se mostrará bem-sucedida ou não.

Demissões, corporações e os rumos do bom e velho D&D

Embora ainda não tenham sido oficialmente anunciadas, as demissões feitas pela Wizards no início desta semana estão agindo como gasolina sobre a fogueira da discussão contínua sobre o sucesso do Dungeons & Dragons 4ª edição e a influência da gigante dos brinquedos Hasbro sobre os rumos do jogo. Vou compilar neste post o que alguns nomes importantes do universo do RPG, em especial do sistema d20, esreveram à luz da surreal demissão de nomes como Jonathan Tweet, David Noonan e Randy Buehler.

Começando pela resposta do Monte Cook a uma afirmação do usuário Piratecat no fórum da ENWorld sobre as possíveis conseqüências positivas das demissões, na qual o autor que definiu a 3ª edição aponta o que entende da situação atual da Wizards em relação aos seus funcionários:

Originally Posted by Piratecat
Major layoffs during the 3e era created some award-winning game companies: Green Ronin, Malhavoc Games, and quite a few more. I can only hope that layoffs during the 4e era do the same.

While I appreciate the good intent, I’m not sure how one might credit layoffs with the creation of Malhavoc Press. Neither Sue nor I were laid off, nor was our first major freelancer (Bruce Cordell). I suppose later on we used the talents of Sean Reynolds and Skip Williams, but we’d been around for a while at that point. I suppose you could say that some of the layoffs were indicative of the kinds of large changes that occurred at WotC which convinced me it was no longer a place I wanted to work at.

Not that I have any illusions about what would have happened had I stayed. I’ve no doubt that I would have been laid off. From a larger perspective than just yesterday, it’s become clear that WotC’s become a company that not only doesn’t value experience, it avoids it. (And looks at least somewhat disdainfully, rather than fondly, upon its own past.) You have to stretch your definition of “old guard” to even apply to anyone there anymore. (This is likely a bottom line issue, since the longer you stay, the more you get paid.) When I was there, I worked among people like Skip Williams and Jeff Grubb–with that kind of perspective at hand, I was always the new guy. Which was fine by me. I had much to learn and always appreciated the perspective they could provide. Now, most of the people working on D&D weren’t even there when I was there. That’s how much turnover and change there’s been. There’s a real danger of losing continuity with these kinds of layoffs. Dangers involving making old mistakes and not remembering what was learned in old lessons.

It’s a foolish and shortsighted management that lets people like Jonathan, Julia, and Dave go. Foolish. And a cold-hearted one that does it at Christmas. But this is not new outrage, it’s old, tired outrage. This is the company that laid off Skip, and Jeff, and Sean, and other people of extraordinary talent and experience. It’s par for the recent course.

Before I end this bitter ramble, let me just add that it’s hard not to laugh at the shocking and perhaps pitiable ineptitude of a company that makes role playing games that would lay off Jonathan Tweet, very likely the best rpg designer, well, period.

Sabia que eu não podia estar errado em considerar o Tweet um dos caras mais fodas do mundo do RPG… Mas mesmo assim, não sei até que ponto os caras da WotC teriam culhões para demitir o Monte Cook, nome que durante a 3ª edição se tornou sinônimo de Dungeons & Dragons. Nesta pegada de avaliar os efeitos da Hasbro sobre o que a WotC, e consequentemente o D&D se tornaram, Sean K. Reynolds, um cara que eu não acho dos mais brilhantes, mas que obviamente entende mais da lógica da empresa mais que eu, também mostrou seu ponto de vista no fórum da ENWorld:

Originally Posted by Moniker
Given some thought on this subject overnight, I believe this was inevitable. Not only because of the economy, but the push for WotC to reduce costs on material production by moving their share of effort into the digital market.

No, it was inevitable because Wizards does this every year around this time They lay off people, switch to using more freelancers, realize that they need more in-house people to help things run smoothly, hire more in-house people, then have a layoff when your projected budget starts looking wrong. It’s a crappy way to run a company, and a crappy way to treat your employees. I have friends there that have been laid off and rehired by Wizards two or more times now … Wizards just keeps repeating the cycle.

See, Hasbro is a dying company. They don’t produce anything new or innovative, they’re too “east coast” and set in their “old business” mindset. What they do is find interesting, profitable young companies, buy them, squeeze as much money as they can out of them, crush everything that is unique and innovative about them, and then discard them when they’re no longer profitable. As a former Wizards person pointed out to me, Wizards of the Coast (and other Hasbro acquisitions like Galoob) are “chemotherapy” to Hasbro. In a year where every division of Hasbro lost money except for Wizards, Hasbro had a company-wide flat headcount reduction, even for Wizards (still flush with money from Pokemon, Magic, and 3e). Hasbro started “fun alerts” in its daughter companies, pushing the employees to have fun at work (net result: “fun alert” Mr Potato Head posters popped up at the Wizards office), ignoring that people at Wizards were already having fun making great games. So when you see things like these layoffs, it’s corporate types saying, “making $8 million profit per year on this brand isn’t enough, you have to make $10 million profit,” and then letting go of the people who make your profit in order to cut costs (i.e., salaries) and give the appearance of extra profit. Far too many companies act this way, whether it’s cutting benefits, shipping jobs to cheaper workers overseas, etc. … it looks good on paper in the short term, but 1, 2, 5, or 10 years down the road you look at the ruins of your business and wonder why profits are still down and your employees have no loyalty.

You can be fair and responsible in your treatment of your employees and fair and responsible to the financial interests of your investors. You don’t have to maximize one at the expense of the other. Netting $8 million every year for the next 10 years is better than netting $10 million this year, $9 million the next, then $8m, etc., all the way down to $1 on the 10th year ($80 million vs. $55 million).

From time to time at TSR people would talk about forming a union of designers and editors. I’ve heard that Lorraine’s response was, “If you form a union, I’ll fire you all and replace you with college students happy to do this work for half the pay, or even free.” While she could do such a thing, the quality of your products would suffer (much like how the quality of the D&D minis has gone downhill), and that would alienate your customers, and that eventually makes up for the “savings” of hiring cheaper workers. It’s stupid and shortsighted.

And to repeat: this is an annual thing for Wizards. And doing this right before the holidays is especially sleazy.

Não sei até que ponto este lance da Hasbro ser uma empresa que “está morrendo” é real, aliás me parece que não é bem assim. Este artigo sobre o CEO da Hasbro fala o como o sucesso de Transformers foi essencial para a renovação da empresa e como ela aposta em sucessos semelhantes com o filme dos G.I Joe, e em nenhum momento cita a Wizards, Dungeons & Dragons ou Magic. Se a WotC fosse mesmo este oásis de lucro dentro da Hasbro, isso deveria aparecer não é?

Enfim, ainda neste tema mas levando ainda mais para dentro do D&D, Chris Pramas escreveu um post ótimo em seu blog, no qual toca em uma questão recorrente também no mercado brasileiro de RPG, que é a falta dos números de vendas e dados mais concretos para avaliar o sucesso de um produto, no caso, obviamente a nova edição do RPG mais famoso do mundo:

Since the announcement of the 4th edition of Dungeons & Dragons, there have been continuing flamewars about the game all over the internet. This is to be expected, but what I find interesting is the amount of time that’s also spent discussing whether 4E is selling well or not. Every gaming message board I visit has some variation of this topic right now. For most gamers, you wouldn’t think it would matter. Either they are playing and enjoying 4E or they not. How many others are playing it would seem largely irrelevant, but some people who hate 4E want to crow about its failure and some people who love 4E want to exalt in its success. The trouble with the game industry is that companies rarely share their sales data, and at large companies like WotC accurate data is not necessarily passed down the chain of command. It is thus the executives and the sales people who know what’s really going on at a high level and they of course are the least likely to talk about it. You may see vague and qualified statements, but almost no one provides real numbers.

Due to the GSL situation, Green Ronin isn’t doing much with 4E. Our one planned product, an update of our d20 System Character Record Folio to 4E, just went to print. I am looking forward to its debut because it will give me some direct and measurable data. The original folio was Green Ronin’s best selling product of all time, going through six odd print runs. It will be informative to see how the 4E version stacks up.

Now the anecdotes I hear are sometimes interesting, but I try not to read a lot into them. I had a retailer at the Alliance Open House in Las Vegas, for example, tell me he stopped carrying 4E because his customers tried it, didn’t like it, and went back to playing 3E. I can believe that happened in his store, but I don’t think such an extreme reaction is common. The only commentary I have taken seriously has come from the two halves of the distribution system: the game trade and the book trade. In separate conversations, an executive in the game trade and the former RPG buyer for a major chain of bookstores both told me the same thing: 4E sold in well but follow-up sales were slow. One of them told me that 4E supplements were selling at the same level as 3E supplements at the beginning of this year (i.e. 8 years into 3E’s lifecycle).

That is interesting info if true. Even so the picture might change as more supplements and support material comes out and new organized play programs have an effect. I’ve said previously I don’t think we’ll know what kind of legs 4E has until next summer. A year after release gamers will have had a chance to put it through its paces and judge the development of the line. While brand power is important (and D&D has plenty of it), it’s ultimately the play experience of the fans that will tell the story.

Yesterday’s layoffs at WotC add an interesting wrinkle, but it’s unclear what they signify (other than a shitty Xmas for the folks who were let go). It seems most of the layoffs were centered on WotC’s digital efforts and certainly their part in the 4E launch did not go as planned. It was surprising to see Jonathan Tweet and Andrew Finch, both long time employees I’d have thought immune to the seasonal layoff cycle, on the list. Their departure could be a cost saving measure, but it’s also possible they volunteered for the layoff. I’ve seen people who are ready to move on take bullets to spare others before.

What is unambiguous to my mind is that the third party market for 4E material is a shadow of its former self. By early 2001 you had publishers selling huge amounts of d20 product and more companies jumping into the fray every week. This time there is a trickle of product and no one is seeing the gangbuster sales of 3E’s heyday as far as I can tell. The GSL revision has yet to appear and the d20 diaspora continues to splinter. If WotC was serious about wanting the support of third party publishers, the GSL has been a strategic failure to date. If the goal was to cull the third party market though, mission accomplished.

Moving into 2009 the state of the biggest RPG in the industry is unclear, the RPG category in general continues to struggle in retail stores, and we are in a recession that may get much worse before it gets better. In this environment you can give up or look for opportunity. I have chosen the latter course and I’ll have more to say about that in the future.

Curti o cliffhanger no fim do post… Mas voltando a parte menos misteriosa, não sei até onde isso é birra do pessoal das editoras que lançam (ou lançavam) produtos d20 com o descaso da WotC e sua maldita GSL que não sai, mas é curioso perceber que nos comentários do post, ninguém menos que Erik Mona da Paizo e o já citado Monte Cook da Malhavoc também dizem que têm ouvido dos lojistas que a 4ª edição bombou no começo, em especial com os livros básicos, mas que a venda dos suplementos não tem sido boa, em alguns casos muito próxima do que se obtinha com os livros 3.5 nos últimos meses antes do anúncio da nova edição. Eu não sei até onde isso pode ser considerado como algo generalizado, aliás acho que nem pode, mas neste sentido tive uma conversa de buteco interessante com o Barbi e o Giltônio esta semana sobre as demissões. Falavamos especificamente sobre o D&D Insider, e o Giltônio perguntou com seu característico jeito de gordinho folgado:

- Cara porque a Wizards não divulga o número de assinantes do D&D Insider? Volta e meia a Blizzard fala que World of Warcraft tem não sei quantas centenas de milhares de assinantes, porque a WotC não faz o mesmo?

Claro que ele estava dizendo que a Wizards não faz o mesmo porque o D&D Insider têm fracassado em conseguir assinantes. Eu não sei. O motivo pode ser o número de assinaturas abaixo da expectativa? Claro que sim, mas também pode ser porque a parada ainda não está funcionando de maneira plena, ou porque não faz parte da política da WotC divulgar estes números. Mas o que eu sei, e tenho que concordar com o Giltônio parcialmente, é que quando eles não dizem quantos assinantes o D&DI possui, e ainda demitem quase um terço da equipe que trabalha nesta área, inclusive o Randy Buehler, principal responsável pela parada, eles não estão exatamente me transmitindo a mensagem de uma iniciativa digital bombante…

Voltando ao post do Pramas e seus comentários, outra coisa muito interessante é localizarem esta possível queda rápida nas vendas da 4ª edição ao fraco suporte que ela vem recebendo de outras editoras em comparação com o que ocorreu com a 3ª edição na véspera de seu lançamento, devido, obviamente a confusão com a Game System Licence que a Wizards arrumou, e cuja versão definitiva não saiu até hoje. Neste ponto eu concordo bastante, acho que embora competissem com os livros lançados pela WotC, os produtos de outras editoras também ajudavam a manter o sistema d20 em constante mutação, inclusive cobrindo nichos e lacunas que a Wizards não conseguia ou se interessava ocupar. E neste ponto eu acho que o Erik Mona ganhou o prêmio Área Cinza de mais sábio da semana ao escrever nos comentários o trecho abaixo, que vou usar para encerrar este post gigantesco, no qual articula a falha da GSL, a rejeição que ainda existe em relação a 4ª edição, e as saídas que cada editora teve que criar para se manter no mercado:

I do think that Wizards of the Coast missed a huge opportunity with all of the fuckery that went on with the GSL. It’s clear that there’s a lot of skepticism from the fans regarding the new edition, and if companies like Green Ronin and Paizo had been allowed to support the new edition in a meaningful way, I have to believe that transition would have been much more smooth.

Some of it was arrogance on behalf of the brains over at Wizards, but I think even more of it was the sheer madness of producing a new edition of “the world’s most popular roleplaying game.” Against that chaos, the powers that be simply decided that bringing third party publishers on board was not a high priority.

Whether or not that will prove to be a mistake for WotC remains to be seen, but it’s definitely made life a lot more interesting for the third party publishers. With no serious opportunity to support D&D, all of us have had to make our own decisions about what to do in order to survive. In many cases, that’s created direct competitors out of people who were looking forward to playing on the same team.

A voz de Cthulhu

Embora eu acho que entenda mais de RPG e coisas nerds, música em geral é bem mais importante e presente na minha vida. Vou aproveitar para descrever um desses belos e raros momentos quando as duas coisas se encontram, ou seja, através da música nerd, até porque um RPG de música seria bem chato.

Conheci os Darkest of the Hillside Thickets pelo blog do Chris Pramas, quando ele falou do show deles na PAX (Penny Arcade Expo) em Agosto. Vale lembrar que o Pramas não é um nerd convencional que gosta de metal melódico, em um longíquo ano 2006 (valeu Barbi!) o cara me chamou a atenção quando fez uma piada sobre straight edges e Minor Threat em um tópico da ENworld, a qual óbviamente, apenas 1d4-2 caras entederam. Além disso ele se descreve no seu livejournal como I am Chris Pramas, game designer and publisher by day, punk and malcontent by night”, então quando ele diz que o show de uma banda foi foda, existe uma boa chance que eu vá gostar daquilo. Mas quando ele diz que o show foi foda e que 3000 pessoas cantaram “Ia ia, Cthulhu f’tagn” junto com a banda, é óbvio que eu vou gostar!

Baixei dois discos da banda, o Cthulhu Strikes Back de 95 e o Great Old Ones de 96, e no começo achei a banda legal, mas o vocal me fritava um pouco, com uma pegada meio rock alternativo pós-grunge a la Therapy? que deixa a banda com uma cara de anos 90 que não me agrada muito. Mas ok, a parada foi gravada nos anos 90 mesmo! Os riffs são sempre bons, em especial no Great Old Ones que é o mais hardcore dos dois, e as letras são sempre citações a obra de Lovecraft, muitas vezes com um humor nonsense, que definitivamente é o ponto alto da banda. Estou querendo pegar agora o The Shadow Out of Tim lançado ano passado, e ver como esses 10 anos afetaram o som deles.

E os caras são nerds de verdade. O vocalista (que ainda me frita um pouco) é um cara chamado Toren Atkinson, que é ilustrador e já fez um monte de coisas pra Green Ronin e para a Wizards of the Coast, inclusive no d20 Call of Cthulhu, trampo que deve ter deixado ele bem feliz…  E junto com o guitarrista Warren Banks (e com a contribuição do Monte Cook!) eles escreveram um RPG chamado Spaceship Zero que foi lançado pela GR e tem como tema os filmes e seriados de ficção científica dos anos 50 e 60. Nem é muito minha praia, mas fiquei bem curioso para dar uma olhada, e já mandei para a lista de livros do leilão de usados do EIRPG.

Enfim, a banda é bacana e o Great Old Ones é bem recomendado para quem gosta de rock e de Lovecraft, embora possa não agradar quem curte apenas um desses dois pilares do modo de vida ocidental. Como sou legal (e já participo de um blog de compartilhamento de discos raros mesmo) os dois discos podem ser encontrados aqui. Os destaques são Colour me Green (Green is the colour of my god!), Flee!, My Tank!, o cover de The Police (tá eu sei…) Walking on the Moon, e a balada acústica brega Diggin’ Up The World.

E de brinde o vídeo da apresentação da qual o Chris Pramas falou no seu blog: