All posts tagged D20

DC Adventures: O universo DC para Mutants & Masterminds!

Depois do jogo eletrônico Dragon Age, a editora Green Ronin fez ontem mais um anúncio da aquisição de uma grande licença! A novidade desta vez é uma linha que vai adaptar o universo da DC Comics para o Mutants & Masterminds, famoso sistema de super-heróis da editora e lançado aqui pela Jambô. Segue a nota oficial do site da Green Ronin:

GREEN RONIN TO RELEASE DC ADVENTURES RPG BOOKS
Game Industry Leader Signs Licensing Deal with DC Comics

May 3, 2010–SEATTLE, WA and NEW YORK, NEW YORK: Green Ronin Publishing announced today that it has signed a licensing agreement with DC Comics and will be releasing the DC ADVENTURES RPG book this August. The game is based on Green Ronin’s Mutants & Masterminds, the leading super-hero RPG in the tabletop gaming world.

“It is DC’s 75th anniversary this year and I’m delighted we can help celebrate it by bringing the DC Universe back to the roleplaying hobby,” said Green Ronin President Chris Pramas. “The team-up of the DCU and the creators behind Mutants & Masterminds will create an unstoppable force of great gaming!”

The DC ADVENTURES game will consist of four books, each done in full color and beautifully illustrated by top comic artists. The line launches in August with the DC ADVENTURES Hero’s Handbook. Following it will be Heroes & Villains, Volume 1 in the fall. Then 2011 will see the release of Heroes & Villains, Volume 2 and DC ADVENTURES: Universe.

A data de lançamento do primeiro dos quatro livros da linha é de Agosto, ou seja, provavelmente bem a tempo da GENCON deste ano. A frase que mais chama a atenção aqui é sobre o jogo ser baseado no Mutants & Masterminds, ou seja, são grandes as chances de uma linha independente, que pode ser jogada sem o livro básico do M&M. Provavelmente este DC ADVENTURES Hero’s Handbook é o livro de regras, enquanto o segundo e terceiro com fichas de heróis e vilões devem ser quase “bestiários”, e o último livro deve fechar com uma descrição do cenário e algumas dicas para campanhas e aventuras no universo DC. Pelo menos esse é meu chute!

E ainda acho que a teoria do César no Ponei Riders é bem plausível – que a linha seja uma espécie de Mutants & Masterminds lite, com o objetivo de introduzir novos jogadores através da famosa licença. Se for isso mesmo é uma ótima jogada por parte da Green Ronin, mas acho que torna quase impossível o lançamento do DC Adventures por aqui, já que para a Jambô não deve ser interessante o lançamento de um sistema variante do M&M enquanto ainda existem tantos livros da linha principal a serem publicados no Brasil…

Entrevistas sobre 2009 – Marcelo Cassaro

Em Dezembro de 2009 dei início a um pequeno experimento – enviei uma proposta de mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma mega pesquisa com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. É claro que alguns não responderam a entrevista, mas uma boa parte o fez. E convenhamos, um ou dois já imaginávamos que não iam responder por outros motivos mesmo. Mas pelo menos eu convidei!

Sem mais delongas é hora de apresentar as respostas do primeiro entrevistado, Marcelo Cassaro, cabeça do Trio Tormenta, responsável pelo mais bem sucedido cenário de RPG nacional, além de editor por anos das revistas Dragão Brasil e DragonSlayer:

1- Como você avalia o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

É difícil dizer. Desde o lançamento da Dragão Brasil em 95, este foi o ano em que estive menos envolvido com RPG — mesmo a DragonSlayer não está mais em minhas mãos. Como meu grupo de jogo usa apenas material importado, não acompanhei o mercado nacional tão de perto.

Não percebi nenhum crescimento (ou decrescimento) significativo. A DragonSlayer continua sendo publicada em uma editora conhecida por cancelar títulos de mau desempenho — no passado a Escala teve três ou quatro revistas sobre RPG, sendo que nenhuma passou de três edições. Isso prova que não houve uma grande redução do público (mas não diz que houve aumento).

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano em sua opinião?

A melhor iniciativa do ano foi, com certeza, a RPGCON. Mesmo planejado em tão pouco tempo, o evento conseguiu cobrir falhas que o Encontro Internacional vinha apresentando há anos. Eu e outros autores tivemos tratamento e atenção que nunca recebemos no IERPG — foi um evento excelente e livre de impurezas, só tenho elogios a ele.

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

Por um bom tempo vi os defensores da 4E bradando que “sempre houve reclamações quando as outras edições mudaram, agora vai ser igual”. Eu disse que não. E o tempo normalmente prova que estou certo.

2009 marcou a insatisfação do público com a pretensa 4a Edição de D&D. Pathfinder RPG esgota uma tiragem atrás da outra — até um ano depois de seu lançamento era quase impossível adquirir o livro básico. Os autores da Paizo têm mais afinidade e respeito por Dungeons & Dragons que os próprios fabricantes do jogo oficial; quase nenhum dos grandes autores que nos deu D&D 3E e o Sistema D20 estão atualmente na Wizards.

Eu e meus amigos amamos D&D, jogamos desde a segunda edição. Quando veio a 3E, adoramos e adotamos. Mas quando veio a 4E… não vimos ali o D&D que conhecemos. Nem vimos ali um RPG. Hoje jogamos Pathfinder, e estamos satisfeitos com ele.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

Ainda em 2008, Mauricio de Sousa lançava a Turma da Mônica Jovem. Ele conheceu meu trabalho em Holy Avenger, me convidou para escrever o título, e não parei desde então — meu 2009 foi quase todo dedicado a roteiro de HQ. É a revista em quadrinhos de maior vendagem nas Américas (talvez até no Ocidente, não tenho certeza), então acho que estou trabalhando bem.

Mas isso acabou me mantendo longe do RPG, justamente no aniversário de dez anos de Tormenta. Precisei me afastar da DSlayer. Tive alguma participação no Contra Arsenal, embora menos do que gostaria. E quando posso, mexo no Tormenta RPG, que infelizmente não ficou pronto ainda este ano.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

Acredito que a Jambô continuará crescendo para se tornar a maior editora de RPG nacional — aliás, um posto que ela já conquistou em alguns aspectos. A empresa apóia suas linhas principais no Sistema D20 — que ainda tem muita força no Brasil, com sua grande base de fãs e acervo de títulos —, mas também investe em sistemas para iniciantes, como 3D&T e agora Aventuras Fantásticas. Suas escolhas inteligentes estão gerando frutos merecidos.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

Minha primeira e maior prioridade é concluir Tormenta RPG. Agora que D&D 3E não é mais publicado no Brasil, o cenário não pode mais depender de seus livros básicos.

Eu gostaria de preservar D&D como gostamos dele. Pathfinder RPG seria ideal para isso — mas é um produto caro demais para o Brasil, não tenho conhecimento de nenhuma editora interessada em lançá-lo aqui. Não sei se Tormenta RPG será capaz de cumprir esse mesmo papel, substituir D&D como livro básico; tivemos muitas discussões entre inovar, mudar coisas, mas manter a compatibilidade em respeito ao material antigo e seus fãs. Ano que vem, saberemos se vai funcionar.

Comentários: Acho que a RPGCon como principal destaque do RPG nacional em 2009 não foi nenhuma surpresa – afinal se por algum tempo existiu a possibilidade de um ano sem um grande encontro nacional, a RPGCon não só resolveu isso como superou em inúmeros pontos o EIRPG mesmo com seus dezesseis anos de tradição. Todo mundo que foi na parada saiu de lá animado e afim de produzir mais, trocar idéias e experiências. Um dos pontos altos de 2009 na minha opinião também!

Também compartilho boa parte da animação do Cassaro com o Pathfinder RPG da Paizo, que já roubou o posto de minha editora favorita até então ocupado pela Green Ronin, mas por outro lado nem de longe acho que 2009 foi marcado pela rejeição a 4ª edição do Dungeons & Dragons – o jogo continua forte, e quem não gostou dele em 2008 (uma parte vocal da comunidade vale dizer), em 2009 continuou buscando outras alternativas e criticando a edição mais recente e suas grandes mudanças.

O Tormenta RPG com suas regras baseadas na 3ª edição do Dungeons & Dragons será um lançamento importante deste ano não só para o Cassaro e a Jambô, mas talvez para todo o mercado nacional, já que a editora Devir não mais lança reimpressões dos livros básicos do D&D 3.5. Assim, o Tormenta RPG será a principal forma dos jogadores terem acesso as antigas regras do Dungeons & Dragons em português, além é claro de trazer o cenário de Tormenta. Resta ver como a questão da compatibilidade trazida pelo próprio Cassaro foi contornada, afinal o cenário tem suas peculiaridades e mecânicas próprias.

E vale lembrar que rolaram alguns boatos sobre a possibilidade de uma editora nacional sondando os direitos do Pathfinder RPG para lançá-lo aqui. Mas definitivamente não será a Devir (que já tem o D&D), e nem a Jambô que vai tentar preencher este nicho com o Tormenta RPG, então parece que não temos mais ninguém no horizonte com capital e habilidade para fazer isso…

Queria agradecer novamente ao Marcelo Cassaro por ter participado da brincadeira e enviado quase imediatamente as respostas, super solícito e acessível como sempre! Esta semana ainda publico a segunda entrevista da série, desta vez com as resposta de um dos blogs para dar uma variada. E vocês o que acharam? RPGCon e Pathfinder RPG na cabeça em 2009?

O fim da licença d20 com a nova edição

Essa semana Scott Rouse confirmou que não haverá a licença d20 na 4ª edição, mas apenas produtos de D&D da Wizards e produtos lançados pela licença OGL. A nota traduzida por ser encontrada aqui.

O CF fez uma ótima explicação sobre as diferenças entre as licenças que acho que tira todas as dúvidas sobre o assunto. Basicamente a licença d20 é mais restritiva, mas obviamente permite o uso do logo do d20 na capa do produto. Já a OGL é bem mais livre e permite maiores modificações no sistema de regras, como foi feito no Mutants & Masterminds, mas não tem um selo unificado e não pode carregar nenhuma referência de compatibilidade com o D&D ou sistema d20.

Dessa forma, qualquer livro ou cenário publicado por outra editora que não seja a Wizards será considerado OGL. Vai fazer tanta diferença assim? Não sei. A verdade é que o logo do d20 ficou associado a um monte de material porcaria que saiu na época do boom da terceira edição, e serve apenas como uma referência de compatibilidade ao invés de qualidade.

E o que vira no lugar do selo d20? Segundo Rouse, eles estão trabalhando em uma frase ou expressão que indique a compatibilidade do produto com a 4ª edição do Dungeons & Dragons. Curiosamente, as editoras menores, principalmente as que publicam em PDF na RPGNow e Your Games Now, se mostraram otimistas com a mudança, a maioria alegando que a medida diminuirá a confusão entre as licenças. Mas para as editoras grandes e médias, principalmente as que trabalham com produtos impressos, a notícia não foi tão bem recebida assim.

Chris Pramas (novamente ele) fez mais um post interessante, desta vez com sua visão sobre o fim da licença d20. Ele começa com uma recapitulação de seu encontro (junto com membros de outras editoras importantes) com a equipe da WotC na GenCon, antes do anúncio da nova edição:

When 4th edition D&D was announced at Gen Con, the immediate question that publishers like GR asked was, “What’s going to happen with the Open Game and d20 Licenses?” There was a meeting that Friday night and we thought we’d be getting info from WotC then. Turns out they were looking for feedback from existing publishers and they did not yet know what they were going to do with the two licenses. A few things were clear coming out of that meeting. 4th edition would be released under the Open Game License and they wanted to create a new d20 logo that was more of a mark of the quality than the original became. However, WotC itself was not interested in any program that would involve oversight on their part. That would require staff work and it’s (understandably) not something they want to spend money on when the licenses themselves are free.

Até ai ok. Então vem a sugestão do nosso amigo Pramas:

At the meeting I suggested that WotC might offload that approval work to the better 3rd party companies. The idea was that WotC create a new d20 logo and then pick the top 10 or so companies and give them the right to use it. Smaller companies could then approach the official d20 companies and try to make publishing deals. How those deals would work would of course be up to the companies involved, but I imagined something akin to Green Ronin’s deal with the Game Mechanics. This would essentially turn many of the smaller companies into design houses and the d20 companies would be the publishers. The point of this plan would be to prevent a second d20 glut and to ensure that products bearing the new d20 logo met some benchmarks for quality. WotC would probably want to review the list of d20 publishers every 12-18 months, adding companies that had proved themselves and dropping publishers that were doing a poor job.

The important safety valve to this entire plan is the Open Game License itself. The above process would be important only to those companies who wanted to use the new d20 logo. The OGL would continue to allow companies to publish what they wanted without restriction. Many people conflate the OGL and the d20 STL and they are different beasts. Mutants & Masterminds and True20 use only the OGL and do not bear the d20 logo at all. Changing the way the d20 STL worked would not change the OGL and publishers of any size would always have the latter as an option.

Acho que nessa sugestão o Pramas mostrou toda sua inocência ou malícia, só não sei bem qual dos dois. Em um mundo perfeito, essas 10 ou mais editoras que aprovariam e concederiam o selo d20 para as outras centenas de editoras não as tratariam como concorrentes, mas sim como irmãos em uma busca pelo produto d20 perfeito. Claro que a Secular não é uma ameaça para a Green Ronin, por exemplo, mas a Ronin Arts, editora que mais faturou com PDFs em 2006, é sim uma ameaça. Entre a Secular e a Ronin Arts existem centenas de editoras dos mais variados calibres e poder de fogo, e o Pramas sugere que as 10 maiores editoras escolham e fiscalizem quem merece o selo D20? Hmmm, pode anotar 2 dark side points na sua ficha cara!

Eu não sei exatamente o que aconteceria nesse cenário, mas certamente não seria bom para a enorme maioria das editoras. Acho que o mais provável seria o pagamento de uma taxa ou porcentagem dos lucros, exatamente como a Green Ronin faz com a Game Mechanics atualmente. E a menção da OGL como uma opção as editoras que não quiserem (ou conseguirem) o selo d20 é bacana, mas acho que não funcionaria tão bem – se quiséssemos lançar um produto totalmente compatível com o D&D como o Advanced Character Guide: Arcane Archer, por que usar uma licença OGL? A situação piora se os produtos concorrentes dentro desse nicho tivessem a licença d20. Talvez isso afetasse negativamente minhas vendas, e não necessariamente significaria que meu produto não tem qualidade. Bem complexo mesmo…

E finalmente ele concluí:

Update: Well, over on EN World Scott Rouse has made a further clarification that is actually pretty big news for 3rd party publishers.

“There will be the OGL and Wizards D&D products period. No d20 STL (tiered or otherwise) to be even more clear.”

So there will be no d20 logo at all. This means not only will there be a free for all, there will also be the added market confusion of a dozen or more new brands, as companies scramble to find their own way of indicating compatibility with the new edition. That is not awesome.

Pelo menos espero que a WotC tenha mesmo um jeito legal de indicar a compatibilidade e reduzir o caos e dispersão. Acho que uma das principais questões aqui, e que foi colocada no fórum interno da RPGNow, é que para editoras que publicam material impresso não ter um logo do d20 na capa faz sim muita diferença, pois os livros muitas vezes contam bastante com sua capa para chamarem atenção dos compradores – e nessa hora a presença do selo de compatibilidade d20 pode ser um fator determinante.

Preview do Monte Cook World of Darkness

A White Wolf liberou um pequeno preview do Monte Cook’s World of Darkness, que deve ter surpreendido aqueles que apostavam em um “Vampiro d20”. O cenário descrito na nota é digno de um filme B do John Carpenter, o que para muitos pode ser uma porcaria, mas que achei até interessante. Neste cenário – que novamente, não se parece nada com um Vampiro d20 – a Terra seguiu sua história normalmente até que criaturas malignas de proporções cósmicas chamados Iconnu tentam destruir a realidade e fracassam, mas não sem antes dizimar uma parte da população e abrir uma espécie de vortex no centro dos Estados Unidos, fonte de espíritos, agentes dos Iconnu e provavelmente dos vampiros, lobisomens, magos e outros seres sobrenaturais do cenário.

O WoDBrasil Scoop, blog especializado em notícias do World of Darkness publicou uma tradução do preview. Já o companheiro Garrell fez uma pequena nota no seu Coffee or Beer onde ele concorda que, nunca é demais reforçar, não se trata de um Vampiro d20!