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Entrevistas sobre 2009 – Marcelo Cassaro

Em Dezembro de 2009 dei início a um pequeno experimento – enviei uma proposta de mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma mega pesquisa com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. É claro que alguns não responderam a entrevista, mas uma boa parte o fez. E convenhamos, um ou dois já imaginávamos que não iam responder por outros motivos mesmo. Mas pelo menos eu convidei!

Sem mais delongas é hora de apresentar as respostas do primeiro entrevistado, Marcelo Cassaro, cabeça do Trio Tormenta, responsável pelo mais bem sucedido cenário de RPG nacional, além de editor por anos das revistas Dragão Brasil e DragonSlayer:

1- Como você avalia o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

É difícil dizer. Desde o lançamento da Dragão Brasil em 95, este foi o ano em que estive menos envolvido com RPG — mesmo a DragonSlayer não está mais em minhas mãos. Como meu grupo de jogo usa apenas material importado, não acompanhei o mercado nacional tão de perto.

Não percebi nenhum crescimento (ou decrescimento) significativo. A DragonSlayer continua sendo publicada em uma editora conhecida por cancelar títulos de mau desempenho — no passado a Escala teve três ou quatro revistas sobre RPG, sendo que nenhuma passou de três edições. Isso prova que não houve uma grande redução do público (mas não diz que houve aumento).

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano em sua opinião?

A melhor iniciativa do ano foi, com certeza, a RPGCON. Mesmo planejado em tão pouco tempo, o evento conseguiu cobrir falhas que o Encontro Internacional vinha apresentando há anos. Eu e outros autores tivemos tratamento e atenção que nunca recebemos no IERPG — foi um evento excelente e livre de impurezas, só tenho elogios a ele.

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

Por um bom tempo vi os defensores da 4E bradando que “sempre houve reclamações quando as outras edições mudaram, agora vai ser igual”. Eu disse que não. E o tempo normalmente prova que estou certo.

2009 marcou a insatisfação do público com a pretensa 4a Edição de D&D. Pathfinder RPG esgota uma tiragem atrás da outra — até um ano depois de seu lançamento era quase impossível adquirir o livro básico. Os autores da Paizo têm mais afinidade e respeito por Dungeons & Dragons que os próprios fabricantes do jogo oficial; quase nenhum dos grandes autores que nos deu D&D 3E e o Sistema D20 estão atualmente na Wizards.

Eu e meus amigos amamos D&D, jogamos desde a segunda edição. Quando veio a 3E, adoramos e adotamos. Mas quando veio a 4E… não vimos ali o D&D que conhecemos. Nem vimos ali um RPG. Hoje jogamos Pathfinder, e estamos satisfeitos com ele.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

Ainda em 2008, Mauricio de Sousa lançava a Turma da Mônica Jovem. Ele conheceu meu trabalho em Holy Avenger, me convidou para escrever o título, e não parei desde então — meu 2009 foi quase todo dedicado a roteiro de HQ. É a revista em quadrinhos de maior vendagem nas Américas (talvez até no Ocidente, não tenho certeza), então acho que estou trabalhando bem.

Mas isso acabou me mantendo longe do RPG, justamente no aniversário de dez anos de Tormenta. Precisei me afastar da DSlayer. Tive alguma participação no Contra Arsenal, embora menos do que gostaria. E quando posso, mexo no Tormenta RPG, que infelizmente não ficou pronto ainda este ano.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

Acredito que a Jambô continuará crescendo para se tornar a maior editora de RPG nacional — aliás, um posto que ela já conquistou em alguns aspectos. A empresa apóia suas linhas principais no Sistema D20 — que ainda tem muita força no Brasil, com sua grande base de fãs e acervo de títulos —, mas também investe em sistemas para iniciantes, como 3D&T e agora Aventuras Fantásticas. Suas escolhas inteligentes estão gerando frutos merecidos.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

Minha primeira e maior prioridade é concluir Tormenta RPG. Agora que D&D 3E não é mais publicado no Brasil, o cenário não pode mais depender de seus livros básicos.

Eu gostaria de preservar D&D como gostamos dele. Pathfinder RPG seria ideal para isso — mas é um produto caro demais para o Brasil, não tenho conhecimento de nenhuma editora interessada em lançá-lo aqui. Não sei se Tormenta RPG será capaz de cumprir esse mesmo papel, substituir D&D como livro básico; tivemos muitas discussões entre inovar, mudar coisas, mas manter a compatibilidade em respeito ao material antigo e seus fãs. Ano que vem, saberemos se vai funcionar.

Comentários: Acho que a RPGCon como principal destaque do RPG nacional em 2009 não foi nenhuma surpresa – afinal se por algum tempo existiu a possibilidade de um ano sem um grande encontro nacional, a RPGCon não só resolveu isso como superou em inúmeros pontos o EIRPG mesmo com seus dezesseis anos de tradição. Todo mundo que foi na parada saiu de lá animado e afim de produzir mais, trocar idéias e experiências. Um dos pontos altos de 2009 na minha opinião também!

Também compartilho boa parte da animação do Cassaro com o Pathfinder RPG da Paizo, que já roubou o posto de minha editora favorita até então ocupado pela Green Ronin, mas por outro lado nem de longe acho que 2009 foi marcado pela rejeição a 4ª edição do Dungeons & Dragons – o jogo continua forte, e quem não gostou dele em 2008 (uma parte vocal da comunidade vale dizer), em 2009 continuou buscando outras alternativas e criticando a edição mais recente e suas grandes mudanças.

O Tormenta RPG com suas regras baseadas na 3ª edição do Dungeons & Dragons será um lançamento importante deste ano não só para o Cassaro e a Jambô, mas talvez para todo o mercado nacional, já que a editora Devir não mais lança reimpressões dos livros básicos do D&D 3.5. Assim, o Tormenta RPG será a principal forma dos jogadores terem acesso as antigas regras do Dungeons & Dragons em português, além é claro de trazer o cenário de Tormenta. Resta ver como a questão da compatibilidade trazida pelo próprio Cassaro foi contornada, afinal o cenário tem suas peculiaridades e mecânicas próprias.

E vale lembrar que rolaram alguns boatos sobre a possibilidade de uma editora nacional sondando os direitos do Pathfinder RPG para lançá-lo aqui. Mas definitivamente não será a Devir (que já tem o D&D), e nem a Jambô que vai tentar preencher este nicho com o Tormenta RPG, então parece que não temos mais ninguém no horizonte com capital e habilidade para fazer isso…

Queria agradecer novamente ao Marcelo Cassaro por ter participado da brincadeira e enviado quase imediatamente as respostas, super solícito e acessível como sempre! Esta semana ainda publico a segunda entrevista da série, desta vez com as resposta de um dos blogs para dar uma variada. E vocês o que acharam? RPGCon e Pathfinder RPG na cabeça em 2009?

Livros da Wizards em PDF proibidos. E agora?

Como prometido mais cedo, vou tentar analisar as possíveis repercussões e motivos que levaram a Wizards of the Coast a decretar o fim da venda de seus livros em formato eletrônico. Como vimos no post anterior, o argumento apresentado por um funcionário da WotC nos fóruns da ENWorld foi o da pirataria:

Hey all. I wanted to step in and shine a mote of light on the subject. First off, this cesation of PDF sales has absolutely nothing to do with the Internet Sales Policy. I know it’s the 6th of April and I can definitely see how the two would appear linked, but the truth is, this is a completely seperate matter.

Unfortunately, due to recent findings of illegal copying and online distribution (piracy) of our products, Wizards of the Coast has decided to cease the sales of online PDFs. We are exploring other options for digitial distribution of our content and as soon as we have any more information I’ll get it to you.

Eles até fizeram uma gracinha meio RIAA, que acredito que tenha sido divulgada em tempo de bancar essa justificativa, movendo ações na Justiça contra oito pessoas acusadas de piratearem o Player’s Handbook 2. Mas como muitos leitores perspicazes apontaram nos comentários, qual a lógica de acabar com a pirataria proibindo todo e qualquer tipo de comércio de livros em formato eletrônico da editora? Não seria isso o proverbial “jogar fora o bebê junto com a água do banho“? E mais, se a idéia era dificultar a vida dos piratas (haha…), porque não encerrar a venda das versões eletrônicas apenas dos livros da 4ª edição do Dungeons & Dragons, e faturar uns trocados, com pirataria ou não, com livros que não são mais impressos e que agora não podem mais ser adquiridos legalmente de nenhuma forma? Isso em algum sentido não incentiva a aquisição ilegal de livros das edições anteriores do D&D?

Todas essas são ótimas perguntas, e apontam para a conclusão mais óbvia – a pirataria não foi o fator determinante desta decisão. Até porque, como o Garrell lembrou muito bem nos comentários do outro post, boa parte dos vazamentos de livros da 4ª edição, alguns até antes de seu lançamento oficial, ocorreu através de gráficas ou pessoas próximas a elas, já que os arquivos possuem as marcas de cores e de corte em suas páginas.

De qualquer forma, se a pirataria não parece exatamente ter sido o maior motivo desta decisão por parte daWizards, talvez uma boa pista seja este anúncio de uma nova política para vendas online da editora feito em Março:

In conjunction with the Retailer Rewards program, Wizards of the Coast will also release a new Internet Sales Policy on April 6. The new policy will have clear guidelines for online sales of Wizards’ product, and requires that retailers register with Wizards by signing an Authorized Internet Dealer Agreement.

For more information about the Internet Sales Policy and to become an Authorized Internet Dealer, you can contact a Wizards of the Coast Merchant Relations representative by calling 800-821-8028 or by emailing retailerhelp@wizards.com. You can access the Authorized Internet Dealer Agreement by visiting www.wizards.com/retailer.

6 de Abril, tipo ontem né? Como vocês leram ali em cima, nosso amigo Trevor da WotC, o mesmo que afirmou que a decisão da editora foi motivada pela pirataria disse também que o fim das vendas dos PDFs não tem absolutamente nada a ver com a nova política de vendas online, mas eu não apostaria meus suados reais nisto. Desconsiderando um pouco o post do funcionário da Wizards, o trecho acima nos indica ou que as atuais lojas virtuais, como a RPGNowPaizo não concordaram com a nova política e assim estão fora dos planos de venda em formato eletrônico da WotC, o que é altamente improvável devido ao volume de vendas dos livros da editora. Ou então que a Wizards of the Coast está movendo seus pauzinhos para começar a vender em sua própria loja virtual todo seu catálogo. E é aí que eu apostaria meu dinheiro.

Wizards também é a maior jogadora no mercado eletrônicos de livros de RPG, e realmente não faz muito sentido para eles perderem boa parte de seu lucro para lojas virtuais. Uma editora pequena ou mesmo média se beneficia de uma loja que centraliza milhares de lançamentos de centenas de editoras, afinal o público potencial se encontra aglomerado ali e pode mais facilmente encontrar e se interessar por seu produto. Mas isso não funciona da mesma forma para uma empresa que é líder do mercado e que é dona de uma marca que é sinônimo de RPG como o Dungeons & Dragons.

E de quanto é essa perda atual da Wizards com a venda através das lojas virtuais existentes? A OneBookShelf, empresa que é dona tanto da RPGNow como da DriveThruRPG cobra 30% de cada livro vendido para editoras que vendem seus produtos em outros sites, e 25% daquelas que vendem apenas nestas duas lojas. Por seu tamanho e volume de vendas, definitivamente a WotC deve ter um acordo melhor, que acho que podemos estimar com alguma segurança que deve girar na casa dos 20% por cada livro vendido.

Minha teoria é que eles simplesmente fizeram as contas na ponta do lápis. Quanto dinheiro “perdiam” por mês para as lojas eletrônicas, contra quanto custaria montar uma loja própria, que ainda pode ser integrada ao D&D Insider e tal. Não me parece mesmo um cálculo ruim, afinal eles já tem a marca, os consumidores, e de certa forma até a estrutura de um site e uma comunidade virtual. Só faltava mesmo juntar todas as coisas e fechar a concorrência. Um último indicativo é o trecho final da notícia divulgada no ICv2, onde um porta-voz da WotC afirmou:

“We are exploring other options for digital distribution of our content,” the spokesperson said.

Por mim charada resolvida. Mas só saberemos a resposta oficial em algum tempo, quando a Wizards lançar ou não seu site de venda de livros em PDF. Mas conhecendo a (falta de) habilidade da editora com ferramentas eletrônicas, isso pode demorar um bocado…

E como isso afeta as lojas eletrônicas de RPG e as editoras que vendem nelas? Ambas devem perder uma parte de suas vendas, embora seja difícil precisar o quanto. As lojas perdem basicamente sua maior fonte isolada de vendas, e cientes disso algumas já estão tomando providências para reverter a situação. A OneBookShelf tem tentado outras estratégias, como Sean Patrick Fannon, diretor de marketing da DriveThruRPG e RPGNow explicou em um post no fórum restrito de editoras da OneBookShelf:

Hey, all. Just a quick note, as I am in meetings and such.

Palladium has actually been signed on for a bit now, well before this happened. We’ve just been working on getting the books ready and setting up a “launch” for them.

Certainly, this is an interesting opportunity for Palladium, and I do intend to make it work for them, and for all of us.

I also applaud those publishers, like Green Ronin and White Wolf, who are taking an opportunity to reach out to their PDF customers with special deals and expressions of support and gratitude.

I can’t speak to any details about what’s going on, as things are still very much being discussed at a level much higher than my pay grade. I can tell you that we had record sales in 1Q of this year, and we are going nowhere but up as far as I am concerned. Yeah, this is a big sting if it stands, but it is also an opportunity for many folks.

Onward.

A Paizo por outro lado começou uma divertida campanha – a Paizo Gives PDFs Some Love, com descontos de 35% na linha Pathfinder. Embora seja provável que a Paizo perca alguma grana com o fim das vendas dos livros da WotC, a loja tem um público e comunidade próprios que giram ao redor dos produtos da própria editora, e deve ser a menos atingida das lojas de produtos eletrônicos.

E as editoras pequenas e médias? Estas devem sentir o baque de maneira diferenciada. De forma geral, praticamente todas as editoras que vendem produtos de fantasia medieval se beneficiavam com presença dos produtos da Wizards nestas lojas, já que as vendas conjuntas, nas quais um comprador levava um livro da WotC e algo relacionado ou complementar de uma editora menor por alguns poucos dólares a mais era uma constante, e algumas editoras inclusive chegaram a se especializar nisto, criando produtos dentro das temáticas dos lançamentos do D&D ou pequenos add-ons com regras alternativas que casavam dentro do tema de certo livro da editora, embora isso não fosse dito de maneira explícita. E estas certamente serão as mais afetadas.

Essa mudança, somada com a confusão da nova GSL definitivamente, tornaram a vida das editoras pequenas focadas na venda de produtos eletrônicos mais complicada… Ah não ser é claro, que a eventual loja virtual daWizards também venda produtos de outras editoras. Mas isto já seria, além de muito otimismo, uma especulação um pouco viajada demais.

Dungeons & Dragons Sem Limites – Isso pode funcionar?

Essa noite eu sonhei que estava jogando RPG, o que é um péssimo sinal. Já fazem uns bons 4 meses que não rolo uns dadinhos, e tenho sentido falta de sentar com meus companheiros ao redor de uma mesa e ter um pouco de diversão nerd. No entanto o motivo pelo qual tanto eu, como vários dos meus amigos e jogadores não temos estado na ativa é a falta de tempo, seja por causa de trampo, compromissos acadêmicos, World of Warcraft e por ai vai…

Essa falta de tempo e disponibilidade para jogar campanhas longas, praticamente o único tipo de coisa que eu joguei até hoje (embora a grande maioria termine pela metade) me fez pensar em outra forma de jogar RPG, com ênfase não só em um jogo com menos preparação, mas também que não exija um compromisso semanal/quinzenal de todo jogador, e que inclusive possa acontecer mesmo com boa parte do grupo faltando.

Na verdade essa me parece ser uma das propostas da Wizards of the Coast para a 4ª edição do Dungeons & Dragons:  aproximar o RPG mais famoso do mundo de um jogo normal, sem toda a mística da preparação e dedicação infinita do mestre, que todos nós não só conhecemos, como falamos mal e adoramos. No fim das contas seria possível chegar em casa com os amigos, abrir os livros de D&D como quem abre uma caixa de Jogo da Vida ou War e se divertir por algumas horas?

Eu acho que sim, embora de uma forma bem diferente da qual a maioria de nós está acostumado. E é nisso que eu fiquei pensando hoje, em uma maneira de jogar RPG sem tanto peso da preparação e mesmo do compromisso da presença, com ênfase em fazer combates divertidos, sessões despretensiosas e reencontrar os amigos para tomar umas cervejas no meio de tudo isso.

A idéia então seria convidar todos os meus amigos jogadores de RPG daqui de BH, e apresentar a proposta de um dia fixo da semana, tipo um domingo de tarde. Reparem que a idéia então não é tão freestyle assim, já que teria um dia definido, mas a facilidade de ter uma data certa ajuda quem quiser participar a se organizar, e de brinde ainda pode ficar como um dia de beber com os amigos depois do jogo. Todos os interessados fariam um ou mais personagens, e a cada sessão um pequeno grupo de NPC’s, seja uma organização, uma guilda, ou patrono, apresentaria uma missão ou aventura. Até ai nada de anormal não é?

Mas o grande lance seria a idéia que o jogo teria muito mais jogadores (e personagens) do que um grupo de “D&D normal” (como se isso existisse), que se revezariam em cada aventura de acordo com sua disponibilidade. Bem nos moldes do excelente desenho Liga da Justiça Sem limites, onde dezenas de heróis se alternam formando grupos diferentes a cada episódio. Isso permitiria um twist que acho interessante, que é a possibilidade do mesmo jogador jogar com personagens diferentes a cada aventura. Por exemplo, eu criei a clériga Sirene, e joguei com ela em três sessões, mas na minha quarta participação posso querer estrear a carreira do bárbaro Karn, ou ainda, jogar com o personagem criado por outro jogador, suponhamos o guerreiro Durgar, criado originalmente pelo Barbi, mas que não pode vir nesta sessão pois está visitando os índios por ai (ele realmente faz isso da vida). Uma proposta bem libertina em relação aos personagens!

Sabemos o quanto essa idéia pode deixar a desejar em relação a uma campanha convencional, com grupo de jogadores e personagens fixos – vai ser mais difícil criar longos arcos e tramas mais complexas, talvez os personagens não se desenvolvam tanto e por ai vai. Mas acho que pode ter pontos positivos também:

  • O mais importante seria permitir uma grande flexibilidade. Se um ou mais jogadores viajarem, ou alguma coisa assim que os impeçam de jogar por um tempo, o jogo continua rolando sem problemas.
  • Testar o sistema. A verdade é que eu e mesmo amigos escrevemos mais sobre a 4ª edição do D&D do que jogamos, e isso é um saco. Um jogo com essa proposta permitiria não só jogar sempre, como testar novas possibilidades, sejam elas  classes, poderes, itens e por ai vai. Uma semana você pode estar com seu ranger de estimação, mas nada impede que crie um feiticeiro só para testar a nova classe em uma ou duas sessões.
  • Ação veloz e furiosa. A proposta do jogo é de uma aventura que seja concluída pelo grupo em 3 ou 4 horas, então a parada tem que fluir rápido! Não que isso signifique que as sessões sejam só combates do início ao fim, mas sim que coisas tem que acontecer o tempo todo. Sejam elas combates, testes de pericias, descobertas e reviravoltas, ou termina em 4 horas ou fracasso!
  • Uma última questão é a escolha do Dungeons & Dragons 4ª edição para um jogo destes. Para mim fica claro o esforço da WotC de aproximar o D&D dos jogos mais despretensiosos e simples, ou pelo menos de apresentar esta opção para os jogadores. O próprio Dungeon Delve, que sai mês que vem, trás essa proposta explicitamente (e vai ser de grande ajuda para o meu jogo se rolar mesmo!). Isso se reflete não só nos lançamentos, mas também em outros aspectos do sistema, como a criação de encontros, que usa uma mecânica elegante e fácil de usar. Somado a minha impressão que a 4ª edição pode se tornar uma pouco chata em uma longa campanha, pela repetição de alguns elementos como os poderes parecidos e falta de opções (pelo menos em relação a 3ª edição), mas que me parece excelente para jogos curtos e aventuras isoladas, por seu sistema de combate dinâmico e divertido, esta edição me parece uma boa escolha para esta proposta esquisita de jogo.

    O que vocês acham? Pode funcionar? Alguém já tentou algo assim ou jogou neste modelo? Sugestões ou críticas? Se ninguém me impedir eu vou continuar com isto, estejam avisados!

    Mais demissões na Wizards

    Segundo uma série de rumores e comentários em fórums e blogs, a Wizards of the Coast continua mantendo a estranha tradição de fazer uma rodada de demissões algumas semanas antes do natal. E desta vez, a segunda demissão em grupo de 2008 já que houve uma em Agosto, aparentemente alguns dos grandes nomes da empresa não escaparam da guilhotina. Segundo o relato de Lisa Stevens da Paizo, os escolhidos foram:

    Randy Buehler (VP of digital gaming)
    Andrew Finch (director of digital games)
    Stacy Longstreet (senior art director)
    Julia Martin (editor)
    William Meyers (creative manager, digital design)
    Dave Noonan (game designer)
    Jennifer Paige (online community manager)
    Jennifer Powers (marketing)
    Jonathan Tweet (game designer)

    Randy Buehler? Jonathan Tweet? Dave Noonan??? Como assim? O Tweet eu até entendo de certa forma, apesar do cara ser um dos autores da 3ª edição e de muitos outrios livros memoráveis (inclusive do Over the Edge, meu livro de RPG favorito nos últimos meses), mas dentro da Wizards ele estava trabalhando principalmente com o D&D Miniatures, e como o modo de jogo skirmish acabou… Ainda assim é bizarro ver um dos caras mais fodas do RPG demitido. Dave Noonan é outro que nunca imaginei sair assim, o cara era uma das principais cabeças por trás da 4ª edição, só este ano saíram 3 livros que ele escreveu junto com outros autores, com destaque para o Martial Power, sem contar sua participação nos podcasts de D&D junto com Mike Mearls. No tópico da ENWorld sobre as demissões, Noonan escreveu o seguinte:

    Thanks for the kind words, folks. They mean a great deal. And my wife was reading over my shoulder, and they cheered her up _immensely_.

    I can confirm the essential truth of what’s been reported, and I am indeed one of the ones let go today. When you’re in the midst of the process, you don’t really get a sense of what’s going on elsewhere in the building. Thus I didn’t know some of the names until I read them here. They’re quality people. In a weird way, I’m proud to be among them. (I’d rather be employed, sure, but you take the solace you can at a moment like this.)

    I’ll leave the prognosticating and “…but what does this MEAN?!?” stuff to others. I think the game is in good shape–and I think it’s in good hands. In my 10 years at Wizards, I survived a lot of these layoffs–including cuts deeper than this. More to the point for you guys, the _game_ survived deeper cuts than this.

    Maybe I didn’t say this enough when I was part of “the Man,” but the ENWorld community is absolutely terrific. The level of discourse here continues to be top-notch, and there’s always an interesting thread sitting right there, begging to be read. But if you’re already a regular here, you’ve already figured that out, huh?

    É… A demissão de Randy Buehler, o cabeça do D&D Insider chama a atenção por vir acompanhada de dois outros nomes da tal iniciativa digital da WotC (Andrew Finch e William Meyers) mostram que as coisas aparentemente não melhoraram muito por lá desde o fim do Gleemax, embora nas últimas semanas as coisas tenham avançado um bocado com o início das assinaturas e o lançamento do beta do D&D Character Builder. Eu acho que em breve podemos esperar mais mudanças fortes no formato do D&D Insider…

    O Erik Mona da Paizo escreveu em seu LiveJournal um pouco sobre o que entende com essas demissões, em especial destes “nomes notáveis” com que trabalhou na Wizards alguns anos atrás, vale a pena dar uma lida. E esperar o pronunciamento oficial da WotC…