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Uma nova data de lançamento para o GURPS

E parece que sobre o lançamento do GURPS no Brasil pela Devir, que se extende por inacreditáveis quatro anos, se aproxima do final. Anunciado inicialmente para Julho, o primeiro dos dois Módulos Básicos do sistema genérico de Steve Jackson parece que chegará as lojas em Setembro, com um formato e preços bem interessantes segundo o comunicado de ontem do Otávio, editor da Devir:

Anunciado para o mês de Julho, o GURPS 4ª Edição Módulo Básico: Personagens, estava pronto, mas antes de podermos dar a aprovação final para a gráfica, tivemos um contratempo.

Buscando trazer o GURPS para o Brasil ao preço mais acessível possível, estávamos conversando com a Steve Jackson Games sobre a possibilidade de produzirmos o livro em preto e branco, para oferecermos aos jogadores a opção de um sistema genérico barato, facilitando também a iniciação de novos jogadores no hobby, especificamente num sistema para o qual temos grandes planos futuros.

Durante essas discussões, descobrimos algumas pendências contratuais que precisavam ser resolvidas antes que pudéssemos lançar o livro. Iniciou-se então um processo de renovação do contrato da Devir junto à Steve Jackson.

Por um lado, essa conversa trouxe bons resultados pois adiantou outras conversas, sobre outras linhas de produtos da Steve Jackson nas quais temos interesse… como por exemplo, Munchkin, que queremos voltar a produzir o mais rápido possível, e também… outras surpresas!

Mas agora está tudo resolvido e seguiremos adiante onde havíamos parado. Logo receberemos as provas da gráfica para aprovação e então as máquinas começam a rodar!! As lojas já poderão iniciar suas reservas a partir da próxima semana e o livro sai agora em Setembro!!

Uma notícia que eu venho segurando há algum tempo… e estou muito ansioso pra falar é sobre o preço do livro. Lembrando que se trata de um livro Capa Dura, em papel couchê, e de 336 páginas. Chegamos a um preço que acredito que será extremamente satisfatório. R$61,50.

Contudo, queria pedir desculpas pelo atraso, uma vez que o livro fora anunciado para Julho e não era a intenção original que atraso algum acontecesse, mas diante da escolha de lançá-lo a um valor mais alto, ou aguardar uma resolução da Steven Jackson para lançarmos em um formado que atenda melhor o mercado nacional e ainda encaminhar projetos para o futuro, fizemos o que tínhamos que fazer.

Acredito na compreensão de todos e deixo sempre aberto meu email otavio@devir.com.br para responder quaisquer dúvidas ou questionamentos. (Inclusive, hoje respondo os e-mails sobre esse e outros assuntos!)
Atenciosamente,

Otávio A. Gonçalves

Editor – Devir Livraria


Achei tanto o preço como o formato excelentes para o mercado nacional, em uma pegada parecida com a estratégia muito bem sucedida utilizada pela editora Jambô com seu Mutantes & Malfeitores. A real é que aqueles que piravam muito mesmo no GURPS e prefeririam a versão colorida “de luxo” importada, já a compraram faz tempo. Então o foco agora tem que ser naqueles que não conhecem ou jogam o sistema, ou que querem ter os manuai básicos também em português para referência. E nesses casos o preço vai ser um fator importante.

E bem legal a postura do Otávio de trazer um pouco do backstage da negociação e processo com a Steve Jackson Games, mas isso poderia ter vindo um pouco antes né? Tipo no início de Agosto… Novamente a imagem da Devir sofreu um arranhão, e muitos já dizem que só acreditarão de verdade nesta previsão de data quando verem o livro nas estantes da livraria. E quem pode culpá-los depois de tanto tempo?

E Muchkin vai voltar a ser produzido! Muito, mas muito bom! Sobre outros jogos, meu coração gostaria de In Nomine, mas sei que não faria nenhum sentido. Aposto muito mais nos tais Cthulhu Dice e Zombie Dice, que estão bombando muito lá fora e parecem serem simples e divertidos.

Devir anuncia lançamento do GURPS 4ª Edição (e agora parece que é pra valer!)

E não é que o tal projeto topsecret da Devir era mesmo o GURPS 4ª edição? Para quem nos últimas dias esteve ausente de listas, fóruns e blogs de RPG (ou visitou apenas o AC, que tá meio morto este mês…), a editora Devir fez uma brincadeira que consistia em mandar pistas para alguns sites com dicas sobre seu novo lançamento. Várias teorias circularam, sendo as mais populares a do Call of Cthulu, e a do próprio GURPS. Já eu comecei a apostar em Unknown Armies depois de uma conversa com o Barbi, mas acho que nem tudo é perfeito! Segue o anúncio do site da Devir:

É com muito prazer que trazemos de volta para o Brasil o primeiro RPG lançado pela Devir há 19 anos e o mais completo RPG do mundo! GURPS, em sua Quarta Edição!

Lançado em português pela Devir Livraria em 1991, o GURPS foi importantíssimo para o desenvolvimento do RPG no país, tendo 15 suplementos traduzidos ao longo de sua história, além dos diversos mini-GURPS produzidos pela própria Devir Livraria, e lançados sob licença da Steve Jackson Games.

De acordo com a filosofia de Steve Jackson “Por que os jogadores têm que aprender regras novas sempre que decidem mudar de universo ficcional?”, o GURPS foi criado e hoje é, sem dúvidas, o melhor Sistema Genérico de RPG.

  • Com ele, é realmente possível criar QUALQUER personagem que você for capaz de imaginar e fazer com ele o que lhe vier à mente;
  • O sistema de regras é simples, embora seja possível adicionar a ele o nível de complexidade que o Mestre desejar! Além disso, o sistema é baseado no realismo e foi criado para se adaptar a qualquer situação… o que nos leva à sua maior vantagem;
  • O GURPS é realmente genérico. Com ele é possível simular qualquer cenário, desde a Idade da Pedra, até a fantasia medieval, a era vitoriana, cenários atuais, reais ou fictícios, ou os mais variados futuros, desde o apocalíptico ou cyberpunk até as explorações espaciais;
  • Por último, o livro é apresentado de modo a tornar possível uma boa interpretação – na verdade, encorajá-la.

Muitos devem estar se perguntando, por que o GURPS? Por que agora?

Bom, eu acredito no RPG! Acredito no ideal de unir um grupo de pessoas em torno de uma mesa – longe do computador pra variar um pouco – onde todos ajudam a criar uma história. Acredito no potencial do RPG como ferramenta para a diversão, reflexão, aprendizado e união. E acho que ele pode oferecer algo de bom às pessoas… a qualquer pessoa, independente do que ela gosta! Mas como atingir essas pessoas?

Outros sistemas atingem determinado público, maior ou menor, mas normalmente estão limitados a uma temática que muitas vezes não apresenta um apelo ao público ligado em outras ondas, como Animes, uma temática Teen, etc. Mas GURPS não, com GURPS realmente é possível criar qualquer coisa, atingir qualquer público. Portanto, respondo por que GURPS? Porque se trata de um projeto para o RPG nacional, sua revitalização e expansão. Claro que não podemos esperar que qualquer pessoa pegue um livro de GURPS em mãos e comece a criar suas próprias histórias, ele apresenta suas próprias complexidades, mas como eu disse, é PARTE de um projeto, e esse é só o começo…

O Livro 1 já está pronto e será lançado em JULHO. Inicialmente não fizemos um anúncio de seu lançamento, o que acabou gerando a brincadeira do Top Secret ao longo desse processo insano de preparar o GURPS Módulo Básico: Personagens em cerca de 6 semanas para vocês.

Agradeço a todos que participaram e se divertiram com as pistas propositalmente difusas que espalhamos por ai (afinal, qualquer coisa mais óbvia não seria um desafio) e espero de coração que vocês tenham gostado da surpresa! Agora ficamos devendo o Módulo Básico: Campanhas para vocês, mas vamos tentar colocar no site quaisquer tabelas ou informações importantes do Livro Dois, antes mesmo de lançá-lo.

E o que dizer sobre o anúncio do lançamento do GURPS 4e? Pessoalmente fico feliz pra caralho – foi o meu primeiro RPG se não contarmos com Aventuras Fantásticas, com o qual mestrei meus melhores jogos e apliquei em vários amigos. Pelo que já joguei da quarta edição, ela é ainda mais modular e redondinha, me parecendo como uma grande caixa de ferramentas para o mestrar adaptar de acordo com o tipo e tema do jogo que pretende construir. E isso falando apenas dos dois livros básicos, sem contar os suplementos, reconhecidos por muita gente como os melhores em idéias e fontes para se criar aventuras e campanhas!

Também achei curiosa e interessante a parte do anúncio onde o Otávio fala de “um projeto para o RPG nacional, sua revitalização e expansão”, do qual o lançamento do GURPS é apenas o começo. Acho que muitas perguntas sobre isso vão rolar na mesa das editoras durante a RPGCON semana que vem.

E embora esteja feliz com o lançamento de um sistema que gosto muito, fico pensando o quanto o GURPS não poderia ter sido grande novamente se fosse lançado na primeira data estipulada pela Devir, no Encontro Internacional de RPG de 2006, em um período sem a 4ª edição do Dungeons & Dragons, e se não me engano sem a versão nacional do sistema Storyteller. Aliás me lembro muito bem deste evento, no qual eu e o Tiago Marinho viajamos para São Paulo com o dinheiro do GURPS separado, e bem, gastamos tudo em comida e no leilão de jogos usados já que o lançamento não aconteceu. Ainda piores foram os dois anos de promessas que se seguiram, onde em cada EIRPG desculpas mais estranhas e nonsense eram dadas pelo Douglas Reis, até que finalmente a editora parou de se pronunciar sobre o assunto, se não me engano em 2008 ou 2009. Nesse meio tempo acredito que muita gente que queria o livro, como o Tiago, eu e vários outros conhecidos, acabaram pegando a versão gringa mesmo… Não que o GURPS em português não terá seu público, o sistema é forte, os suplementos são ótimos, e teve um papel importantíssimo no RPG dos anos 90 no Brasil. Mas ninguém me tira da cabeça que ele provavelmente teria bombado muito mais se lançado em 2006 do que 2010.

Entrevistas sobre 2009 – Douglas D3

Em Dezembro de 2009 dei início a um pequeno experimento – enviei uma proposta de mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma mega pesquisa com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. Agora estamos em Maio e após esperar um pouco por algumas entrevistas, e enrolar um bocado também com algumas que já estavam prontas, é hora de terminar a série com as últimas 3 entrevistas.

Desta vez vamos com um velho conhecido dos jogadores de RPG nacionais, Douglas D3, durante muitos anos editor do Dungeons & Dragons na Devir, por um bom tempo um dos organizadores do EIRPG, e atualmente  organizador da bem sucedida RPGCON e do blog colaborativo D3system:

1- Como você avalia o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

Foi um ano de altos e baixos. De alto, tivemos a explosão de material nos blogs, o desenvolvimento ou nascimento das diversas Iniciativas (4e, M&M, 3D&T e GURPS), a publicação de produtos em PDF, como o Cálice de Avandra e a volta da RPG Magazine, além de uma movimentação concreta na interrelação dos geradores de conteúdo, seja na fusão de blogs (como o próprio d3system e o Paragons, entre outros).

Como pontos baixos, tivemos o adiamento do EIRPG, os problemas de alfândega que impediram o apoio da Wizards of the Coast aos eventos brasileiros e da América do Sul, a ausência da Daemon e da Conclave no mercado e a interrupção do suporte ao D&D 3.5 pela Devir com o esgotamento do Livro do Jogador.

Foi um ano ruim, mas foi melhor que 2008. Os livros da Jambô e da Devir chegaram às prateleiras, novos eventos aconteceram no Sul, Norte e Nordeste, e o segundo semestre trouxe muitas promessas de renovação em títulos e linhas.

Vai soar tendencioso, mas os dois pontos mais altos foram: 1) A união da comunidade em torno da RPGCON, um evento feito na raça, que teve seus problemas, mas recebeu uma ótima aceitação e críticas positivas até inesperadas da comunidade e 2) os lançamentos de D&D 4ª Edição com regularidade nas mãos do novo editor, o Otávio Gonçalves.

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano em sua opinião?

Em 2009, eu fico com a 4ª Edição de Dungeons & Dragons, e seu rebento mais ilustre, a Iniciativa 4e capitaneada pelo Daniel Anand. Esse movimento criou outras iniciativas, trouxe mais gente para produzir material inédito de diversos sistemas e mostrou que os jogadores anseiam por mais conteúdo, mas nem sempre têm o acesso que a gente espera.

Menção honrosa à RPGCON, mas essa é “prata da casa”, então não vou me estender.

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

Eu acompanhei a explosão de títulos e editoras durante a abertura da Licença D20. Muitos títulos eram bons (como Wheel of Time), outros eram difíceis de assimilar (como CoC d20), mas havia muito material sendo produzido. A GSL – a licença aberta da 4ª Edição – jogou água nessas editoras, congelando a liberdade dos criadores de conteúdo e cenários. Mesmo hoje, são poucos os autores que entraram na nova licença.

Por outro lado, a Paizo ofereceu uma alternativa para não deixar esse mercador perecer.

Não é uma questão de discutir o sistema “melhor” ou “pior”, mas sim a dinâmica de mercado lá fora. A Wizards tomou uma postura, que teve resposta das outras editoras.

Acredito que no mercado mundial, 2009 serviu para ampliar o precipício que existe entre a Wizards e as demais editoras, fundamentando cada “grupo” na sua plataforma e, de uma forma ou de outra, definindo o tamanho do público para cada lado.

Acho que D&D assumiu uma postura mais autêntica, próxima do produto original — um jogo de tabuleiro que permite o desenvolvimento de histórias e a interpretação, mas que não depende das últimas para funcionar – enquanto o restante do mercado deu um passo atrás e voltou a experimentar regras, sistemas e cenários distintos, liberto da fórmula de vendas que era o sistema d20.

Se isso é bom ou ruim, ainda veremos.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

Eu faço um monte de coisas. De longe, a RPGCON foi o melhor projeto. Quando a Janaína e o Wallace abraçaram a idéia, e a comunidade respondeu afirmativamente, o evento se tornou meu maior trabalho do ano.

Recapitulando, eu passei o bastão da 4ª Edição para o Otávio em abril. Em maio, fizemos o lançamento do d3system com os colaboradores, inauguramos a d3store (nossa, não temos nem um ano de loja ainda!) e disparei o projeto da RPGCON. Depois ajudamos em pequenos eventos (realizando ou divulgando). Todos esses projetos atenderam às expectativas.

No final do ano, com o esgotamento do Livro do Jogador 3.5 e a grande aceitação da Pathfinder, assumi o projeto OGL 20, que estava com a equipe da REDE RPG. Esse material ainda está no forno, em especial para se beneficiar do lançamento do Tormenta RPG, que trará regras básicas para o sistema d20; o Cálice de Avandra, a aventura da Iniciativa 4e, atingiu 50 exemplares vendidos, ficando bem abaixo das minhas expectativas. Assim, quero investir no mercado em PDF, mas ainda não sei como fazer isso para nosso mercado. O pessoal do RetroPunk tem um projeto de publicação em PDF do Trails of Cthullhu, e talvez eles descubram uma fórmula melhor.

Paramos com o d3system no final do ano, para colocar as vidas em ordem. Eu retorno com material ainda essa semana, agora com periodicidade nas publicações.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

Quando recebi essa pergunta, minhas expectativas eram realizar a RPGCON, lançar o OGL 20 e produzir mais números da Iniciativa 4e.

Mas as coisas mudam rapidamente. Agora estou buscando uma forma de publicar um livro-jogo sobre situações cotidianas, prospectando a RPGCON para outros estados (Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais), aguardando as novidades sobre os lançamentos da Jambo e da Devir para definir a publicação da OGL 20, e terminando de organizar um espaço nerd na Virada Cultural de São Paulo.

Esse evento (dias 15 e 16 de maio, na Praça Roosevelt em SP) está consumindo meu tempo, mas é uma oportunidade de mostrar nosso universo para os “manda-chuvas” do setor público e, quem sabe, conseguir uma abertura para obter apoio e espaço no cenário cultural de SP e quem sabe do Brasil.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

Primeiro, a Dimensão Nerd na Virada Cultural: 15 e 16 de maio. RPG, live-action, associações, desfiles de fantasia e cosplay. A RPGCON está quase pronta, os ingressos e o site vão pro ar em maio.

Até setembro ou outubro, quero realizar outras edições da RPGCON em estados diferentes.

Quero lançar a OGL 20 (as regras do sistema d20) ainda nesse semestre.

Gostaria de retomar a produção das Revistas da Iniciativa 4e e conseguir conversar com o pessoal das outras iniciativas para compilar o material deles também. O retorno do d3system e a RPGCON devem ajudar nesse sentido.

Comentários: Opa, achei interessante como o D3 definiu 2009: “um ano ruim, mas melhor que 2008″. Acho que se os principais fatores para considerarmos 2009 como um ano ruim foram o não acontecimento do Encontro Internacional de RPG e o sumiço da Daemon e da Conclave do mercado, 2010 também está seguindo os mesmos rumos…

A Iniciativa 4e, e na sua esteira, a produção massiva de material por parte dos blogs foi um destaque do ano passado na opinião de muitos dos entrevistados, assim é claro, como a RPGCON e a regularidade da Devir com o lançamento do Dungeons & Dragons 4ª edição, então sem grandes surpresas aqui. Sobre o mercado internacional, concordo um bocado com a idéia que 2009 aprofundou a separação entre a WotC e as outras editoras, e de certa forma o movimento da maior editora de RPG do mundo em direção não só a um novo conjunto de regras, mas também a um novo modelo de jogo, acabou dando mais espaço para que editoras médias e pequenas pudessem experimentar mais sem a fórmula fácil, e relativamente segura, da compatibilidade com o sistema d20.

A RPGCON não foi só o projeto de 2009 deu trabalho ao D3, como também o que mais chamou a atenção da comunidade,  recebendo ume apoio absurdo dos jogadores, mas me chama a atenção que faltando menos de dois meses para a edição de 2010 do evento o site oficial não tenha praticamente nada além da logo… É uma pena ler que o primeiro livro de RPG vendido em formato PDF no Brasil, a aventura Cálice de Avandra, teve uma vendagem abaixo do esperado, mas de certa forma isso pode ser entendido como uma primeira experiência, que embora tenha sido muito legal não contou com ferramentas específicas, como por exemplo uma loja que funcionasse no formato e lógicas adequadas. Mas isso é material para outro post!

Os projetos para 2010 – além da RPGCON II em Julho é claro, também parecem promissores. A possibilidade de uma RPGCON em Minas é muito foda e seria totalmente bem vinda! A participação na Virada Cultural em São Paulo neste próximo fim de semana também parece que vai ser bem legal, com uma mega programação para quem animar. E quero muito ver revistas das outras iniciativas, em especial uma de Mutantes & Malfeitores! Agradeço o D3 pela entrevista, o cara apesar de totalmente envolvido em dezenas de projetos simultâneos é sempre bem receptivo e agregador, acho que é de mais coisas assim que o mercado nacional de RPG precisa…

Entrevistas sobre 2009 – Maria do Carmo Zanini

É hora de dar sequência a série de entrevistas sobre o mercado de RPG em 2009, que entra em sua reta final agora em Abril. Recapitulando: alguns meses atrás dei início a um pequeno experimento – mandei  uma proposta de mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma mega pesquisa com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. As últimas entrevistas postadas aqui foram do Daniel Anand do blog Rolando 20 e do Armando Maximus do Portal RPGOnline, e agora vamos com as respostas da Maria do Carmo Zanini, editora e responsável pela linha do Mundo das Trevas na Devir:

1- Como você avalia o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

Antes da resposta, dois poréns. Primeiro, eu passei cinco meses do ano de 2009 em licença-maternidade, pensando só em fraldas e mamadeiras; portanto, o ano foi uma espécie de lacuna profissional na minha vida e acabei não acompanhando de perto o que se produziu, publicou e comentou durante 2009. Nesse aspecto, só tenho impressões a dar, que podem simplesmente não significar nada. Segundo, estou presumindo que “mercado nacional de RPG” inclua jogos projetados e desenvolvidos lá fora, traduzidos para a língua portuguesa e publicados no Brasil, e não apenas os jogos desenvolvidos e publicados por autores e editoras nacionais.

Dito isso, minha impressão é de que o mercado nacional de RPG andou desaquecido uma boa parte do ano. Acho que, se alguém contar o número de títulos lançados pelas editoras do segmento aqui no Brasil em 2008 e 2009, é provável que esse desaquecimento apareça. As causas disso, se é que esse desaquecimento existe, talvez estejam: 1. na crise econômica, que nos atingiu com menos intensidade do que lá fora, mas se fez sentir mesmo assim (e as pessoas obrigadas a controlar o orçamento sempre cortam o entretenimento primeiro); 2. mas principalmente na aparente redução da, digamos assim, “bolha” do hobby. A meu ver, o RPG sempre foi uma atividade de nicho restrito, com relativamente poucos praticantes. Em alguns momentos da história do hobby, houve um crescimento acelerado do número de praticantes e, consequentemente, do número de títulos publicados. A isso estou chamando de “bolha”. A impressão que tenho é de que, nos últimos anos, estamos vendo o reflexo da diminuição de uma dessas bolhas.

Falando do Mundo das Trevas Storytelling, que é a linha com a qual trabalho, foram publicados pelo menos sete produtos em 2008, e apenas dois em 2009. Obviamente, minha licença-maternidade teve tudo a ver com essa queda na produção. Por outro lado, alguns títulos publicados em 2008 aparentemente só foram descobertos pelos consumidores em 2009. É o caso de Lobisomem: os Destituídos, que não teve o desempenho esperado no lançamento, mas vem saindo com regularidade nos últimos meses. A reimpressão do Livro de Regras do Mundo das Trevas em 2009 também parece ter agitado um pouco as coisas no desempenho geral da linha.

Em 2007 e 2008, a grande expectativa do mercado de RPG lá fora parecia girar em torno da quarta edição de Dungeons & Dragons. Algumas editoras norte-americanas esperavam que D&D renovasse o interesse dos gamers pelos RPGs. Não tenho certeza se essa expectativa foi atendida pelo novo D&D, mas acho que a publicação, no Brasil, da quarta edição pela Devir Livraria em 2009 voltou a colocar RPGs nas prateleiras das grandes livrarias. Obviamente, a melhor pessoa para comentar isso é o editor da linha, Otávio A. Gonçalves. (nota do Rocha: mandei um questionário da entrevista para o Otávio mas ele não respondeu ainda, ou seja, acho que infelizmente não veremos os comentário do editor do D&D no Brasil)

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano na sua opinião?

Pergunta complicada, porque notícia, iniciativa e lançamento implicam avaliações bem diferentes. Acho que, em termos de impacto no público consumidor, nada supera a publicação da quarta edição de Dungeons & Dragons.

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

A impressão que tenho é a de que, à exceção da Wizards of the Coast, que passou 2009 publicando muita coisa de D&D 4 ed. e Star Wars Saga, as outras editoras, grandes e pequenas, tiraram o pé do acelerador. A White Wolf, por exemplo, lançou pouca coisa, se compararmos com a produção em anos anteriores, talvez porque já tenha esgotado as possibilidades de algumas linhas. E as publicações mais recentes enfatizaram o livro eletrônico e a impressão por demanda. Vi uma ou outra coisa interessante da Pinnacle, e Alderaac parece ter se concentrado nos card games. Impulsionados, talvez, pela facilidade da publicação eletrônica, os indies parecem ter proliferado, mas nesse meio há muita coisa ruim e várias mesmices.

Geist: the Sin-Eaters, da White Wolf, é o meu destaque para 2009. Se bem que Mouseguard, pelo que me lembro, foi muito comentado… E eu destacaria também Little Fears, the Nightmare Edition, de Jason Blair.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

Eu tinha grandes expectativas para 2009, como publicar Mago: o Despertar, por exemplo. Mas a licença-maternidade… No entanto, fico feliz por ter conseguido fazer uma reimpressão bem decente do Livro de regras do Mundo das Trevas, e a volta do livro às prateleiras parece ter ajudado a alavancar outras publicações da linha.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

Se minha impressão estiver correta, com a redução da bolha, o nicho do RPG vai ficar mais apertado. A menos que alguém apareça com um jogo realmente original e interessante que agite o mercado, acho que poucos jogos vão sobreviver. E minha tendência é achar que os jogos mais conhecidos e estimados pelo público serão os sobreviventes.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

Além de lançar Mago: o Despertar e Nova Orleans: Cidade dos amaldiçoados, pois promessa é dívida, já está nos meus planos uma reimpressão de Vampiro: o Réquiem e a publicação de Changeling: the Lost, que, na minha opinião, é um dos melhores jogos do Mundo das Trevas Storytelling. Também planejo publicar pelo menos mais um suplemento para a linha básica (muito provavelmente Second Sight: poderes psíquicos e feitiçaria pé no chão para personagens mortais) e, se tudo der certo, continuar a publicar os roteiros introdutórios de Vampiro, Lobisomem e Mago. (mais uma nota do Rocha: quando a Maria do Carmo respondeu a entrevista Mago: o Despertar ainda não havia sido lançado. O livro já saiu e pode ser adquirido aqui)

Comentários: A Maria do Carmo foi a primeira entrevistada que do ponto de vista do aquecimento do mercado colocou 2009 como um ano mais fraco para o hobby em comparação com 2008. Claro que como ela mesmo diz, a linha do Mundo das Trevas sofreu uma diminuição no ritmo devido a sua maternidade, mas analizando a editora como um todo, ou seja, agregando a linha Dungeons & Dragons a análise, acho que o número de lançamentos da Devir em 2009 superou o de 2008 não? Mas concordo em um ponto – menos editoras nacionais lançaram livros de RPG em 2009 do que vimos em 2008.

Em relação a bolha e as expectativas para 2010, já acho o contrário – temos visto o sucesso daqueles que produzem bons RPGs indies e autorais, como foi o caso do Mouseguard ou mais recentemente do pessoal da Evil Hat Games, já que as compras pela internet se tornaram algo cotidiano, possibilitando o acesso a um número muito maior de pessoas, ou seja, tornando os micro-nichos dentro do nicho do RPG viáveis. Pessoalmente também acho que uma parcela do público que antes conseguia sanar suas necessidades de jogo com o D&D 3.5 e sua licença aberta, que viabiliza milhares de suplementos e variantes, não mais encontra isso na 4ª edição, e tem procurado resolver isso se voltando para lançamentos mais autorais e independentes. Mas isso é só um chute baseado na realidade do meu grupo de jogo.

No mais quero ver a edição nacional do Mago: o Despertar, meu jogo favorito do Mundo das Trevas já que dizem que edição nacional está excelente, e quando for lançado o Changeling: the Lost, que ainda não vi como ficou nesta (nem tão) nova linha da White Wolf. E claro, gostaria de agradecer a Maria do Carmo por ter arrumando um tempinho entre cuidar da filhota e do Mundo das Trevas para responder a entrevista!

Entrevistas sobre 2009 – Rolando 20

A série de entrevistas sobre mercado de RPG em 2009 continua, desta vez com o Daniel Anand do Rolando 20, provavelmente o melhor site nacional de Dungeons & Dragons. Relembrando, a proposta desta série é realizar uma mini-entrevista padronizada com 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional,  principalmente sobre como avaliam 2009 e quais as suas expectativas para este ano. A idéia não é fazer uma mega pesquisa com um monte de entrevistas, mas tentar montar um mosaíco com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nos seus pontos de vista iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. Então vamos a entrevista!

1- Como você avalia o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

Eu acho que foi um ano melhor que 2008, mas não tão melhor assim no geral.

Para o D&D, a coisa foi super bacana: tivemos vários lançamentos consistentes, superando as expectativas (embora não as promessas). Hoje temos um excelente material para jogadores e DMs que quiserem conhecer o Dungeons & Dragons, em português, e com algum suporte local da RPGA (em alguns centros, um suporte fantástico).

Além disso, tivemos a volta dos livros jogo, tivemos lançamentos de outros cenários (como o Manual dos Malfeitores e Lugares Misteriosos para nWoD), tivemos publicações em PDF (Old Dragon, Cálice de Avandra).

Estamos indo bem para um ano complicado desses, onde tivemos uma mega crise mundial, que afetou todas as indústrias.

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano na sua opinião?

Ah, sem dúvida o D&D 4e em português. Demorou, mas tivemos um tratamento VIP no D&D. Livros com erratas, com qualidade excelente e preço que surpreendeu todo mundo.

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

Bom, é difícil falar de mercado mundial. Europa (especialmente Alemanha) e Japão, por exemplo, tem características totalmente diferentes. O que a gente pode dar uma olhada é no mercado americano, que é o que mais reflete aqui no Brasil. E por lá aconteceu um fenômeno bacana, que foi o surgimento de vários novos RPGs não d20, que na minha opinião foi algo positivo para o mercado.

A OGL teve um papel muito bacana na diversificação das empresas de RPG, porque o D&D nos EUA é de longe o maior (e praticamente sinônimo) de RPG. Mas acabou dando uma engessada em sistemas e na inovação, que ocorreu só em RPGs independentes. Com a nova licença dracônica e inutilizável da WotC, vários novos sistemas e cenários começaram a aparecer.

Desde retro-clones ou evolu-clones como o Pathfinder, mas também sistemas totalmente novos, como o Dragon Age RPG, o novo Warhammer e por aí vai. Eu gostei muito de ver a Fantasy Flight Games e seu Warhammer 3e, que inova em termos de sistema de regras, mas volta ao RPG mais focado na história, agora que o D&D abraçou de verdade o seu lado tático.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

Em 2009 tivemos a Iniciativa 4e, que superou bastante as minhas expectativas. Mesmo tendo um pouco de dificuldades no final do ano, criamos em conjunto muito material bacana para o D&D 4e em português, de qualidade superior a muito material publicado por aí, fiquei bem feliz mesmo com o resultado. Tanto que tivemos iniciativas similares para outros sistemas, o que só traz ainda mais opções aos RPGistas. A revista da Iniciativa, produzida pelo D3System, também ficou muito bacana.

Algo que não saiu como eu esperava foi o meu trabalho junto com o D3System: tive dificuldades de tempo, assim como outros membros, e nosso desempenho na segunda metade do ano deixou a desejar. Esperamos fazer um um 2010 bem melhor!

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

Olha, como jogador de RPG, nenhuma: o único RPG que tenho em português é o GURPS, e não tenho nenhuma expectativa em relação à 4a edição em português. Mesmo o M&M já tinha em Inglês antes de sair por aqui. No entanto, como blogger, podcaster e entusiasta da 4a edição do D&D, espero ver os lançamentos de D&D irem de vento em popa: os reinos esquecidos para 4e, livro do jogador 2, e por aí vai. E, quem sabe, material nacional publicado para a 4e também.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

Meu maior objetivo em 2010 é conseguir manter o blog, o podcast e a Iniciativa 4e todos sendo devidamente atualizados! Estou brincando um pouco com o formato de vídeo, e estava pensando em ter um videocast de resenhas, vamos ver. Além disso, eu e o Davi estamos escrevendo uma aventura de D&D 4e, para ser publicada em PDF, e espero terminar em 2010 também. Não sabemos ainda como, mas provavelmente será no esquema do Cálice de Avandra, veremos. Também queremos criar outra Iniciativa Aprimorada, mas queremos fazer isso junto com o próximo encontro de RPG.

Comentários: Concordo demais com o Anand (e com a maioria dos entrevistados!) que 2009 foi um ano melhor que o retrasado, embora o enfoque dele tenha sido no campo estritamente das publicações – e não temos como negar que o ano passado teve muito mais lançamentos de peso no mercado nacional que 2008, com o destaque indo para o tratamento excelente que a Devir tem dado ao Dungeons & Dragons por aqui.

Sobre o mercado gringo o ponto levantado pelo Daniel é importante, afinal quase não conhecemos bem a realidade do que rola em outros países além dos EUA, que possuem cenas de RPG com características bem próprias. Ainda assim, é bacana ver que o efeito da licença aberta utilizada com a terceira edição do D&D ainda tem tido interessantes ecos no mercado, mas como bem aponta o Anand, de uma maneira menos engessada e até mais experimental do que a maioria do material que foi produzido nos anos de Dungeons & Dragons 3.5.

Retornando as coisas legais no RPG brasileiro em 2009, a Iniciativa 4e, com a produção conjunta de vários blogs para a nova edição do D&Da o redor de temas específicos mostrou que se a idéia é boa um monte de gente se agrega para participar e colaborar, tanto é que o efeito foi o apontado pelo Anand: jogadores de outros sistemas, como Mutantes & Malfeitores e 3D&T, adotaram a idéia e construiram suas iniciativas de maneira semelhante!

Outro destaque do ano passado foi o lançamento da aventura Cálice de Avandra, primeiro livro de RPG em português a ser vendido em PDF que eu tenho notícia, e que testou os limites e possibilidades desta forma de distribuição no Brasil. Acho que foi uma jogada inteligente, o pessoal da Iniciativa 4e e do D3system começou pequeno, sem grandes promessas, mais para testar as águas, e a aventura que é resultado deste processo tem uma produção legal e parece bem interessante. O tema obviamente me interessa, e na minha lista de coisas para fazer a conversa mais específica sobre o Cálice de Avandra é uma das prioridades. Quem sabe não falamos sobre ela e a aventura nova dos irmãos do Rolando 20 de uma tacada só?

Gostaria de agradecer ao Daniel Anand pelas respostas e contribuição com a idéia da série de entrevistas. Espero que continue em 2010 rolando 20!

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