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Entrevista com Silvio Compagnoni – Editor da Dragão Brasil

Como prometido a breve entrevista com o Silvio Compagnoni, novo editor da Dragão Brasil. Antes de tudo queria agradecer ao Sílvio por ter sido tão acessível e ter respondido rapidamente as perguntas. O cara foi tão tranqüilo que me espanta que ninguém tenha entrevistado ele ainda sobre a revista!

1. Vamos começar pelo principio. Você começou a trabalhar com RPG na Devir? Quais eram suas funções na editora e como foi a experiência?

Comecei a trabalhar na Devir na época do primeiro Encontro Internacional de RPG. Antes do evento eu já freqüentava a loja e fazia demonstrações de jogos e fui efetivado durante o 1º EIRPG. Passei por diferentes áreas dentro da empresa aprendendo quase todos os aspectos do hobby até me desligar da mesma no ano passado.

2. Como foi seu primeiro contato com o RPG?
Eu morava no interior de São Paulo e já gostava do universo fantástico. Foi com um dos livros de aventura solo que comprei (do Steve Jackson inglês) o meu primeiro contato direto com o jogo. Eu me reunia com alguns amigos e líamos juntos a aventura, decidindo o que fazer, era uma coisa bem simples e até ingênua, mas garantiu muitas horas de diversão.

Depois quando vim para São Paulo encontrei a Devir. Naquela época eu trocava correspondência sobre fanzines quadrinhos com Douglas Q. Reis, sócio da Devir. Então para descobrir os jogos, revistas e livros que eles começaram a trazer foi um pulo.

3. Como lhe foi feito o convite para ser editor da Dragão Brasil, e o que você pensou na hora?

Eu havia me desligado da Devir para me dedicar mais à produção gráfica em outras áreas editoriais e a trabalhar com restauração de livros e fotos antigas (coisa que acabei nem começando) e muita gente do meio, de lojas, editoras, etc. me diziam que eu seria uma escolha natural para o trabalho. Depois de três meses eu fui chamado pela editora e depois de muita conversa por telefone acabei mandando um projeto que foi aceito.

4. Nas edições anteriores a #121 a Dragão Brasil passou por duas fases muito distintas. Quais características das gestões anteriores você acha que a nova DB deve manter?

Tanto o Trio quanto o Telles tinham um trabalho e estilos próprios, e diferentes do meu. Ainda é cedo, mas minha intenção é imprimir na revista meu estilo e minha visão do RPG no Brasil. O que é lógico num trabalho como esse onde a revista já existe é manter ou adaptar as fórmulas que deram certo e partir daí para uma proposta melhor. A idéia é não apenas inovar, mas trazer ao leitor o que há de melhor no cenário brasileiro de RPG.

Uma coisa interessante é que a revista tem uma identidade já e o público já tem uma empatia por ela, é quase que como um ser vivo, por isso deve-se respeitar o ritmo e aos poucos agregar mais qualidade ao que já foi aplicado na revista.

5. A Dragão Brasil #121 surpreendeu muita gente pela sua quantidade de material oficial, aproximadamente metade da revista. Podemos esperar que isto se repita nas próximas edições? Ou gradualmente haverá mais espaço para colaboradores?

A idéia é abrir a revista tanto para o leitor que quer colaborar quanto criar um espaço para que as editoras mostrem seu trabalho. Acredito que existe muita gente escrevendo e desenhando bem e por isso merecem um lugar de destaque na revista, mas não podemos esquecer as empresas que trabalham duro para produzir tanto material próprio quanto material importado.

Acho que trazer esse material oficial era um passo natural a ser dado. O leitor e as editoras merecem um canal de comunicação e esse é o dever da revista.

Não classifico o material oficial como sendo melhor que o material criado por um leitor ou um escritor “amador” é apenas um adicional, um elemento a mais para a revista. E sim, teremos mais material oficial nos próximos números.

6. Como foram selecionadas as seções da revista que iriam permanecer (Pergaminhos dos Leitores, Movimento Browniano e RPG Online) e as que seriam retiradas? Existe alguma chance de velhas conhecidas dos leitores, como a Dicas de Mestre, voltarem às páginas da DB?

Apenas um elemento sofreu mudança e foi removido da revista e isso reflete um pouco da minha visão como editor. Queria uma revista sóbria que trouxesse material ao leitor de qualidade e que tratasse o leitor com seriedade, por isso o humor foi um pouco reduzido. Nada foi retirado, não é porque não havia as dicas do mestre nesse número, ela vai deixar de existir.

Algumas seções sofreram mudanças. Por exemplo, no Pergaminho dos Leitores decidi apenas focar nas cartas e nas cartas com um conteúdo bacana para a revista, sem falar num outro incentivo para os leitores escreverem que é valorizar as cartas bem escritas, trabalhadas, decoradas, etc.

No caso do RPG on-line, e outros jogos, eu vejo que hoje em dia o jogador de RPG não joga só RPG. Ele possui uma bagagem muito maior e nada mais justo do que trazer para ele mais informações sobre diferentes aspectos do hobby.

Quando estávamos finalizando o primeiro número assinado por nós, notamos que tínhamos muito material para as 64 páginas de revista e por isso decidimos não ter algumas seções neste número.

7. Quais foram as principais mudanças que você achou que a revista deveria sofrer antes de voltar às bancas? Alguma delas ainda não foi executada?

Eu achei que tanto o visual quanto a abordagem dos assuntos deveria refletir minha visão do RPG. Em parte a revista traz a visão e estilo de seu editor e é isso o que acontece agora. Queria uma revista mais madura, pois tanto o RPG quanto os jogadores amadureceram. Eu vi o hobby caminhar no Brasil desde seus primeiros passos e fiz parte dessa história. O leitor da revista hoje é diferente do leitor da revista há 5, 10 anos atrás, quando ela começou.

Parte das idéias ainda não chegaram a estrear na revista, mas acredito que nos primeiros números poderemos mostrar nossa visão do hobby e também aprender com os leitores quais mudanças poderemos fazer e quais aspectos da revista deveremos manter.

8. Qual foi a principal dificuldade que você sentiu ao assumir a Dragão Brasil?

A idéia do projeto era maior do que o orçamento da revista, isso fez com que algumas idéias ficassem dentro da gaveta até a revista engrenar novamente. O hiato fez com que o projeto tivesse uma primeira fase de re-conquista do leitor.

Temos que trabalhar com um orçamento enxuto e com um número de páginas que às vezes é curto, mas este tipo de dificuldade é que faz com que você encare o desafio de trazer um bom material para o público de RPG no Brasil.

A editora, desde que aprovou e acreditou no projeto foi muito prestativa e parceira, isso ajudou muito e fez com que as coisas caminhassem muito bem neste início de trabalho.

9. Encerrando a seqüência de perguntas sobre a revista, o que podemos esperar dos próximos números da Dragão Brasil?

A idéia é que a revista possa servir como parceira do jogador e do mestre, trazendo informações, entretenimento e uma visão aberta do hobby.

Num tempo de informações correndo na velocidade da luz pela internet, fica sem sentido ter um espaço de noticias na revista, o jogador também por outro lado é ávido por informação, então tentamos trazer na revista um misto de informação útil ao jogador além de material para ser usado na mesa de jogo.

10. Como você imagina que esteja o mercado nacional de RPG daqui a três anos? O que você acha que mais falta no mercado nacional atualmente?

Acredito que temos ainda espaço e um longo caminho para amadurecermos profissionalmente. Conversando com amigos que atuam e trabalham no exterior eu vejo que aqui ainda temos um longo caminho a percorrer, com seus altos e baixos.

O que espero é que nos próximos anos as editoras se consolidem e abram espaço para novos profissionais, sejam no ramo impresso ou na Internet.

A única coisa que me assusta um pouco é a falta de espaço para os jogadores se encontrarem. Hoje as lojas especializadas perderam força e terreno e poucos acreditam em seu potencial.

Outro fator que ainda se mostra fraco é o dos clubes e associações. Os que existem fazem um trabalho hercúleo e pouco visto, entendido e respeitado. Acho que este é outro ponto que precisa crescer.

Toda vez que me perguntam isso eu me lembro de uma longa conversa que tive com alguns editores e escritores dos EUA. Eles sempre me perguntavam onde estavam os clubes e associações e onde estavam as pequenas editoras de garagem. Isso me foi perguntado no início dos anos 90, e só agora começaram a aparecer por aqui este trabalho.

Isso precisa ser apoiado e trabalhado para que possamos ver o hobby crescer.

11. O que você tem jogado ultimamente? Alguma coisa lançada recentemente te chamou a atenção e foi para a fila de espera dos jogos?

Eu tive um mestre excelente que sempre trazia para a mesa de jogo um livro diferente, com ele aprendi a procurar novidades e experimentá-las. Dei sorte também de ter grupos de jogos sempre ávidos por jogos diferentes. Isso fez com que o leque de idéias para aventuras, interpretação e da habilidade de mestrar melhorasse muito a ponto de até mesmo a aventura mais simples de D&D se tornasse uma ótima aventura para nós.

Tenho voltado minha atenção tanto aos jogos clássicos quanto aos “novos” jogos, fica difícil apontar um único sistema ou cenário, mas posso dizer que tenho lido o material do Monte Cook, Greg Stolze, John Tynes, CJ Carella além de reler grandes clássicos.

Gosto muito do sistema e do cenário de 7th Sea, Estou re-lendo Call of Cthulhu, GURPS, Cyberpunk 2030 e na fila dos livros não lidos, estão Unknown Armies e Warhammer Fantasy Battle RPG.

12. Pergunta totalmente não relacionada ao RPG: A DB #121 foi feita ao som da excelente banda de hardcore Dropkick Murphys, que mistura influências do punk com elementos irlandeses. O que mais você costuma escutar e o que tem ouvido atualmente?

Eu gosto muito de hardcore e punk, mas se puxar minha lista de músicas do meu iPod você vai encontrar de tudo: música eletrônica, heavy, hardcore, muito punk, mpb, jazz e música infantil que escuto e às vezes chego a decorar, pois fico cantando para meu filho de 1 ano.

Considero a música uma das formas mais belas de se expressar e por isso gosto de escutar coisas novas, gosto de resgatar bandas clássicas, etc. Pra matar a curiosidade, posso dizer que no próximo número estou escutando bastante Misfits e já separei a trilha sonora do Conan para um número próximo.

A Dragão Brasil #121

Finalmente minhas opiniões sobre a Dragão Brasil #121, a primeira após um hiato de oito meses e com o novo editor Silvio Compagnoni. Como demorei um bocado para comentar a revista vou tentar ser menos pontual e colocar minhas impressões de forma mais geral, pois é certo todos interessados na DB já devem ter dado uma olhada na DB #121 à essa altura. E segue também uma entrevista com o Sílvio, para compensar meu atraso com um bônus legal.

Já havia feito uma análise da capa quando o preview foi liberado, e acho que não tenho muito a acrescentar. Esta realmente bonita, com a volta do logo clássico e uma identidade visual que preza pela elegância com uma bela pegada old school. No entanto revendo a capa acho que ela poderia ser ainda mais limpa caso o texto das chamadas fosse um pouco mais curto. As novidades que todo mundo já deve ter sacado são o aumento de R$ 1,00 no preço e a mudança definitiva do nome da editora, que depois de uma pendenga que se estendeu por mais de um ano, mudou seu nome pela terceira vez, agora para Editora Melody.

O editorial do Sílvio é bem positivo e propõe uma ampliação dos horizontes da revista, abarcando também card games, jogos de tabuleiro, livros e jogos de computador, uma mudança que já era indicada na revista desde as últimas edições e que deve continuar.

O índice da revista ficou enorme e meio feio, acho que foi resultado do fundo branco na primeira página e a mistureba de fontes de cores diferentes. No entanto passado esse começo estranho é notável a melhoria na diagramação e identidade visual da revista. Cada matéria tem seu layout próprio, e todos ficaram muito bons. Destaque para as matérias em P&B, limitação que não impediu que o visual das matérias ficasse melhor que a médias das últimas DBs.

Agora considerações mais gerais: O número de matérias oficiais é enorme, preenchendo metade da revista com material das editoras Devir, Jambô e Daemon. Todo esse material oficial, com exceção da aventura O Filho de Maria –Parte 1 que se não me engano é originalmente em P&B, se encontra nas 16 folhas coloridas da revista, talvez para aproveitar as ilustrações originais em seu maior potencial. No entanto não sei o que é pior, observar a arte genial do Wayne Reynolds em P&B ou em um quadrinho minúsculo como saiu na revista… Além das matérias oficiais, também saíram nas páginas coloridas os anúncios, índice e pergaminhos dos leitores, agora sem um personagem respondendo as cartas, o que é ótimo.

Ainda sobre o material oficial, às vezes a revista deixa me deu a impressão de estar lendo um suplemento da Devir, já que o material referente a seus produtos ocupa 24 das 64 páginas da DB#121. Isso pode ser explicado pelo volume de cenários e sistemas os quais a editora possuí os direitos de publicação, ou mesmo pela experiência do Silvio de anos na editora. No entanto em alguns momentos acho que poderia ter sido feito um esforço extra em direção a uma posição mais distanciada entre a editora e a revista, como por exemplo, no caso da resenha de Hunter: The Rekoning, que apesar de descrever muito bem o produto não comenta em momento algum a decisão polêmica da Devir de lançar um livro do velho Mundo das Trevas após ter publicado o manual básico do novo cenário no EIRPG do ano passado e então suspendido o já anunciado lançamento do Antagonistas e Vampiro: O Réquiem. A matéria Matador de Dragões também começa de uma maneira estranha, pois antes da classe de prestígio anunciada temos uma espécie de release do Draconomicon, livro do qual foram retiradas a classe e a majestosa capa da revista. Nada mais justo então falar do lançamento, mas acho que o modo como isso foi feito – sem uma indicação que era um release, ou mesmo sem sequer uma chamada, não foi a mais adequada.

Um dos destaques foi A Forja do Ron Edwards. A matéria em si é bem bacana, e nela o autor ataca com base em sua teoria dos sistemas uma das idéias mais batidas e difundidas sobre o RPG, a de que o sistema de jogo não importa desde que se tenham os jogadores e mestres certos. Discordo de muitas definições posteriores de Edwards, e acho que Robin Laws apresenta uma teoria bem mais legal quando se volta a análise dos tipos de jogadores, mas mesmo assim não deixa de ser surpreendente ver em uma revista nacional um artigo com uma discussão tão bem estruturada como essa. Realmente espero que mais artigos do Ron Edwards e de outros que escrevam o sobre o tema sejam publicados!

E finalmente a matéria de D&D Miniatures, que pode não ter acrescentado muito aos já iniciados, mas que foi uma mão na roda para aqueles que se interessavam no jogo mas não sabiam bem por onde começar como eu. Informativa, fez um apanhado bacana do que já rolou com o jogo, de sua situação atual e da construção de bandos, com explicações sucintas e úteis sobre cada alinhamento. O pessoal do D20 Minis está de parabéns!

A Dragão Brasil #121 é um ótimo re-começo. Com esforços para atrair novatos e veteranos, além de um pesado suporte ao material oficial, a revista tenta alcançar uma estabilidade que não tem há algum tempo, e na minha opinião esta indo na direção certa. Agora resta acompanhar as próximas edições e torcer para que o começo com o pé-direito se estenda por um bom tempo.

Ainda Sobre a DB #121

Surgiu no orkut uma lista com o nome das matérias da DB #121, aparentemente divulgadas no Workshop “O Retorno da Dragão Brasil”.

Movimento Browniano
Hunter: The Reckoning – Resenha
Artigo Sobre o Funcionamento das Bolas de Fogo
Danse Macabre
Matéria Sobre Quadrinhos
Matéria Sobre MMORPG
Matéria Sobre Miniaturas
Matéria Sobre Jogos de Tabuleiro
A Cidade dos Piratas
Cortiço do Velho Miro
RPG na Mira
Livros do Mestre (?)
A Forja
Classe de Prestígio: Matador de Dragões
RPGQuest

É, você leu certo, Movimento Browniano….

A Capa da Dragão Brasil 121

Foi anunciada ontem a capa da Dragão Brasil #121 na RedeRPG e no próprio blog do editor Sílvio Compagnoni. A edição tem previsão para ser lançada ainda em Fevereiro.

A capa ficou realmente bonita, com uma pegada bastante old school que vai desde o logo antigo da DB até a fonte simples usada nas chamadas, que aliás são bem poucas e maiores que as das últimas edições. Acho que a escolha aqui foi pela maior simplicidade e limpeza, como por exemplo, na não utilização de chamadas na parte inferior da capa. Já a chamada da parte de cima é minha única crítica a capa: Enquanto miniaturas pode até remeter a alguma coisa, a palavra tabuleiro não me diz absolutamente nada e a sigla MMORPGs, apesar de ser a bola da vez podia ter sido apresentada de maneira mais clara, talvez usando no lugar os títulos mais famosos como Ragnarok, Guild Wars (ambos já lançados no Brasil) ou mesmo World of Warcraft.

O mais impressionante da capa são as chamadas, a maioria sobre matérias oficiais da Green Ronin (Editora Jambô), White Wolf e Wizards of the Coast (Devir). As chamadas dão ênfase no status oficial dos artigos, uma jogada bem inteligente para uma edição que servirá de termômetro do novo foco editorial da revista. Das quatro chamadas duas são aventuras, além da matéria A Forja, aparentemente também voltada para os mestres. Julgando pela capa (minha mãe me dizia para nunca fazer isso…) a nova Dragão Brasil ainda tem o mestre como foco principal e não os jogadores, o que pode vir a se mostrar um movimento perigoso devido ao maior número de jogadores que de mestres.

A capa da DB #121 surpreendeu tanto por sua simplicidade e beleza quanto pela escolha do material de suporte oficial. Resta agora aguardarmos a revista nas bancas e torcer por novas e agradáveis surpresas.