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Entrevistas sobre 2009 – Paragons

Como prometido, é hora da segunda entrevista da série sobre mercado de RPG em 2009! Estreamos com a entrevista do Marcelo Cassaro, que já se tornou um dos artigos mais lidos (e debatidos!) do blog, e agora vamos dar continuidade a lista de figuras interessantes do RPG nacional com o pessoal do Paragons, o maior blog de RPG nacional atualmente, que mandam muito bem tanto na cobertura de notícas, mas também com material de jogo e artigos próprios. Enfim, considero os caras o blog de RPG definitivo!

Só para relembrar a proposta desta série: em Dezembro de 2009 enviei uma mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma pesquisa elaborada com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco simples com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. Dito isso vamos as resposta dos Paragons Antonio “Pop” Sá, Felipe “Shingo”, Daniel “D.Darkangellus” e Dan Ramos:

1- Como vocês avaliam o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

POP: Melhor que 2008. Aliás pra piorar só tivéssemos algo catastrófico, como a proibição do RPG no Brasil, quebra da Devir ou da Jambô.

SHINGO: Foi melhor que o ano de 2008 já que vimos uma mudança na estrutura da Devir fazendo com que os lançamentos saissem de forma mais organizadas. Um fortalecimento dos eventos promovidos pelo RPG Arautos. Porém tivemos muitos poucos lançamentos vindos de editoras pequenas, acho que este pode ter sido o ano da comunidade de RPG, mas não das editoras.

D.DARKANGELLUS: Com o advento da 4ª Edição, acredito que 2009 foi melhor do que os últimos anos, e não somente do que o ano anterior. Qualquer lançamento em grande escala afeta o mercado nacional, principalmente quando promovido pela WotC. Infelizmente, nosso mercado nacional caminha somente quando o mercado gringo está em movimento, e sempre após e com uma distância considerável.

DAN: Acredito que o mercado nacional aqueceu muito em relação ao último ano com o óbvio advento da 4E e o excelente trabalho de editoras como a Jambô, de iniciativas de internet e eventos, que fez a Devir finalmente começar a se mexer. Ou seja, nosso mercadinho pode até aprender a andar a partir de 2010.

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano na opinião de vocês?

POP: Foram duas, o amadurecimento da Blogosfera, capaz inclusive de ter gerado a idéia inicial da RPGCON, competentemente executada pelo D3 e obviamente pelo que representa pro mercado o lançamento do D&D 4e no Brasil.

SHINGO: RPGCon foi a noticia e até apostaria o que salvou o ano do RPG nacional, o lançamento da 4e com a concretização da idéia das prévias e da pré-venda dos produtos fez com que o calendária da Devir pudesse ser olhado com maior credibilidade que os anos anteriores.

D.DARKANGELLUS: Certamente a RPGCON, sobretudo, pelo incentivo aos rpgistas que eventos como estes oferecem. É o mesmo que dizer ao Rpgista: “Cara, você não está sozinho!” ; e por mais que alguns não acreditem, isso é importante para manter o público de um mercado que de fato é pequeno e instável. Eu também gostei da notícia do lançamento dos Livros-Jogos da Editora Jambô.

DAN: Foi o Paragons e o Old Dragon, ora! Brincadeiras à parte, com certeza foi a RPGCon, o crescimento vultoso da blogosfera e o twitter, que integraram completamente o pessoal da “cena” do RPG brasileiro. Hoje em dia uma notícia se propaga com rapidez inacreditável, atingindo até os rpgistas sem internet (existe isso ainda?).

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

POP: Sem dúvida o maior destaque do ano vai pro Pathfinder. Ele conseguiu cativar sem decepcionar e foi o ponto alto da GenCon 2009 que é o ponto alto do RPG mundial ao longo do ano.

SHINGO: Pode-se ver que o mercado mundial esta passando por uma transformação. As editoras estrageiras estão em busca de uma nova forma de se ver o RPG. Seja a WotC com o D&D Insider e com a sua nova Comunidade, seja a Paizo se aproximando dos jogadores orfãos da 3,5, a FFG com o novo Warhammer e seus props que parecem ter vindo de boardgame e cardgames e até a Green Ronin com o Dragon Age RPG.

Mas dentro das comunidades pode-se ver que o movimento OldSchool esta ficando cada vez mais forte no exterior, assim como antigas iniciativas que estam tentando resurgir como o D6 System sob a bandeira Open D6.

D.DARKANGELLUS: Acredito que o maior destaque dos últimos dois anos seja da 4ª Edição, já que desde seu lançamento o mercado mundial de RPG tem respondido somente aos seus “atos”, além da constante polêmica. Tanto o Pathfinder quanto (a revolta) OldSchool são resposta e exemplos claros disso.

DAN: Bom, como de mercado de RPG eu sou uma anta, deixo a cargo dos outros paragônicos falar sobre isso. Mas do pouco que sei, a Paizo colheu um ano de hype com seu Pathfinder, os boxed sets estão voltando e etecétera.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

POP: Foram dois, o Paragons que atendeu ou cumpriu com todas as minhas expectativas e o Old Dragon, mas este, foi muito além de onde eu sequer poderia imaginar que chegaria.

SHINGO: Paragons que é minha menina dos olhos. Todos os meus projetos são relacionados com o blog, e ele superou e muito a minha expectativa. Esperava que chegasse no nível que estamos apenas em meados de 2010. Grande parte disto se deve a comunidade e aos nossos colaboradores.

D.DARKANGELLUS: Sinceramente, não esperava receber um convite para o Paragons, isso superou minhas expectativas. Tinha como pretensão levar o Adrenalina RPG, meu antigo blog, e colaborar de alguma forma com o Rpg. Embora, seja somente por pura diversão. Atualmente, como o PRG está crescendo cada vez mais, estou procurando diversidade para preencher vagas das quais acredito que são importantes, como comentar sobre diversos assuntos nerds, algumas das vezes envolvidos indiretamente com o RPG. E isso também é importante para angariar novos jogadores para o RPG através do site.

DAN: O Paragons de fato nasceu de uma decepção que tive e virou o meu projeto mais importante e divertido, e graças aos deuses tem crescido bastante e valido a pena. Passei um aperto grande e não cheguei nem perto de me envolver tanto quanto gostaria com o Old Dragon, mas fiz o que pude e sempre defendi o projeto com unhas e dentes, e assim fico feliz demais porque ele surpreendeu a nós e deixou calado quem estava falando que o treco não tinha lá muito futuro. É sério, um jogo de nicho dentro de outro, nossa. Outra coisa muito boa é que estou finalmente começando a aparecer nos livros de RPG e começando a conseguir manter uma periodicidade nas minhas tirinhas (Paragolândia), o que pra mim são coisas muito importantes.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

POP: Acredito num fortalecimento da linha 4e no Brasil, um destaque ainda maior da blogsfera, talvez com a aproximação destes com as editoras ainda consolidadas no mercado.

SHINGO: Que alguém vindo da blogosfera ou produza material para as editoras ou, em um pensamento muito otimista, publique material sob a própria bandeira.

D.DARKANGELLUS: Vou torcer para o sistema OLD Dragon, não como quarto paragônico, mas como rpgista oldschool fã de Hero Quest. E também para que as editoras nacionais entendam que “a força” está do lado da blogosfera rpgística!

DAN: O Tormenta RPG e o Old Dragon nas prateleiras das livrarias! Quero muito ver a blogosfera (e o Paragons) crescendo ainda mais, quero que as editoras não deixem a peteca cair e que saia Hunter em português!

6- Vocês já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim falem um pouco sobre eles!

POP: Tenho um monte de projetos relacionados ao Old Dragon e cenários ligados a ele. No que depender de mim e do acredito que do Paragons como um todo, 2010 será o ano do OD, ou pelo menos o ano onde trabalharemos com ainda mais afinco pelo OD.

SHINGO: Projetos tenho um monte! Quero transferir uns projetos que temos para o OD e além disto trabalhar em um sistema de RPG que seja mais Narrativo. Vamos ver no que dá.

D.DARKANGELLUS: Pretendo continuar promovendo as séries de entrevistas, divulgando curiosidades e opiniões sobre os blogueiros que estão trabalhando em prol do mercado nacional. Sobre o OD, vou aguardar o processo de finalização da versão completa para depois refletir sobre a possibilidade de um projeto.

DAN: Eu vou casar com a Elisa do Paragons! =D


Comentários: Embora os quatro senhores não tenham unificado as respostas, até que eles tem idéias parecidas, o que facilita o meu trabalho de comentar! Concordo com os caras que 2009 foi um ano obviamente melhor que 2008, aliás melhor que os anteriores também, e que um dos fatores para isso foi o lançamento da versão nacional da 4ª edição do RPG mais famosos do mundo pela Devir. Só o número de lançamentos da Devir para o Dungeons & Dragons em 2009 já indica que alguma coisa boa está rolando! Fazendo coro com o Cassaro, os paragônicos também apontaram a RPGCon como ponto alto do RPG nacional no ano que passou, e não tem muito como ser diferente né? Interessante é o ponto que o Pop e o Dan trazem da blogsfera de RPG nacional, que cresceu pra caramba nos últimos 12 meses, e foi inclusive onde a idéia da RPGCon surgiu e foi fomentada por um tempo. Nada mal mesmo, quem sabe esse ano a gente não consegue fazer um encontro de blogs decente?

Já sobre o mercado gringo, além da 4ª edição do D&D e do Pathfinder RPG da Paizo, os caras apontaram também o movimento oldschool, cujo Paragons é um dos grandes proponentes por aqui com seu Old Dragon. Pra ser muito sincero eu não acompanho tanto assim esse movimento lá fora e não vejo grandes lançamentos, embora saiba que exista uma cena pequena, mas forte e coesa, desse nicho. O que vejo mais são ecos dessa pegada mais retrô dentro de outros jogos, como o próprio Dragon Age citado pelo Shingo. E caixas, 2009 tivemos um monte de caixas!

As expectativas dos quatro para o mercado de RPG nacional em 2010 são bem interessantes, focando no lado da produção dos próprios blogs. Uma coisa que temos discutido muito nas reuniões da Secular é justamente isso: já existe muito material foda e de qualidade sendo lançado por aqui através dos blogs de RPG, o que falta às vezes é diagramar, ilustrar e dar uma editada, mas o produto bruto definitivamente já está lá. Ou seja, tenho expectativas muito semelhantes, acho que algumas editoras como Jambô, Daemon e a Devir de maneira tímida, já sacaram que existe muita gente boa de serviço nos blogs, e mais ainda, que eles são um canal essencial de contato com os fãs e consumidores, quem sabe na RPGCon 2010 isso não avança ainda mais?

Espero que tenham bons ventos nos projetos de vocês em 2010, tanto no Paragons e Old Dragon, mas especialmente no casamento do Dan e Elisa! Vocês todos têm mandado muito bem no blog, quem sabe não é hora de pular para o mundo impresso não é? E gostaria de agradecer a entrevista, a disponibilidade, e as traduções do Shingo que eu sempre roubo por aqui ; )

A próxima entrevista será com uma das editoras, mas até lá gostaria de saber o que vocês acharam? Blogsfera de RPG bombando em 2010? Ou já alcançamos o pico e agora é só manter a presença online?

Entrevistas sobre 2009 – Marcelo Cassaro

Em Dezembro de 2009 dei início a um pequeno experimento – enviei uma proposta de mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma mega pesquisa com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. É claro que alguns não responderam a entrevista, mas uma boa parte o fez. E convenhamos, um ou dois já imaginávamos que não iam responder por outros motivos mesmo. Mas pelo menos eu convidei!

Sem mais delongas é hora de apresentar as respostas do primeiro entrevistado, Marcelo Cassaro, cabeça do Trio Tormenta, responsável pelo mais bem sucedido cenário de RPG nacional, além de editor por anos das revistas Dragão Brasil e DragonSlayer:

1- Como você avalia o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

É difícil dizer. Desde o lançamento da Dragão Brasil em 95, este foi o ano em que estive menos envolvido com RPG — mesmo a DragonSlayer não está mais em minhas mãos. Como meu grupo de jogo usa apenas material importado, não acompanhei o mercado nacional tão de perto.

Não percebi nenhum crescimento (ou decrescimento) significativo. A DragonSlayer continua sendo publicada em uma editora conhecida por cancelar títulos de mau desempenho — no passado a Escala teve três ou quatro revistas sobre RPG, sendo que nenhuma passou de três edições. Isso prova que não houve uma grande redução do público (mas não diz que houve aumento).

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano em sua opinião?

A melhor iniciativa do ano foi, com certeza, a RPGCON. Mesmo planejado em tão pouco tempo, o evento conseguiu cobrir falhas que o Encontro Internacional vinha apresentando há anos. Eu e outros autores tivemos tratamento e atenção que nunca recebemos no IERPG — foi um evento excelente e livre de impurezas, só tenho elogios a ele.

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

Por um bom tempo vi os defensores da 4E bradando que “sempre houve reclamações quando as outras edições mudaram, agora vai ser igual”. Eu disse que não. E o tempo normalmente prova que estou certo.

2009 marcou a insatisfação do público com a pretensa 4a Edição de D&D. Pathfinder RPG esgota uma tiragem atrás da outra — até um ano depois de seu lançamento era quase impossível adquirir o livro básico. Os autores da Paizo têm mais afinidade e respeito por Dungeons & Dragons que os próprios fabricantes do jogo oficial; quase nenhum dos grandes autores que nos deu D&D 3E e o Sistema D20 estão atualmente na Wizards.

Eu e meus amigos amamos D&D, jogamos desde a segunda edição. Quando veio a 3E, adoramos e adotamos. Mas quando veio a 4E… não vimos ali o D&D que conhecemos. Nem vimos ali um RPG. Hoje jogamos Pathfinder, e estamos satisfeitos com ele.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

Ainda em 2008, Mauricio de Sousa lançava a Turma da Mônica Jovem. Ele conheceu meu trabalho em Holy Avenger, me convidou para escrever o título, e não parei desde então — meu 2009 foi quase todo dedicado a roteiro de HQ. É a revista em quadrinhos de maior vendagem nas Américas (talvez até no Ocidente, não tenho certeza), então acho que estou trabalhando bem.

Mas isso acabou me mantendo longe do RPG, justamente no aniversário de dez anos de Tormenta. Precisei me afastar da DSlayer. Tive alguma participação no Contra Arsenal, embora menos do que gostaria. E quando posso, mexo no Tormenta RPG, que infelizmente não ficou pronto ainda este ano.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

Acredito que a Jambô continuará crescendo para se tornar a maior editora de RPG nacional — aliás, um posto que ela já conquistou em alguns aspectos. A empresa apóia suas linhas principais no Sistema D20 — que ainda tem muita força no Brasil, com sua grande base de fãs e acervo de títulos —, mas também investe em sistemas para iniciantes, como 3D&T e agora Aventuras Fantásticas. Suas escolhas inteligentes estão gerando frutos merecidos.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

Minha primeira e maior prioridade é concluir Tormenta RPG. Agora que D&D 3E não é mais publicado no Brasil, o cenário não pode mais depender de seus livros básicos.

Eu gostaria de preservar D&D como gostamos dele. Pathfinder RPG seria ideal para isso — mas é um produto caro demais para o Brasil, não tenho conhecimento de nenhuma editora interessada em lançá-lo aqui. Não sei se Tormenta RPG será capaz de cumprir esse mesmo papel, substituir D&D como livro básico; tivemos muitas discussões entre inovar, mudar coisas, mas manter a compatibilidade em respeito ao material antigo e seus fãs. Ano que vem, saberemos se vai funcionar.

Comentários: Acho que a RPGCon como principal destaque do RPG nacional em 2009 não foi nenhuma surpresa – afinal se por algum tempo existiu a possibilidade de um ano sem um grande encontro nacional, a RPGCon não só resolveu isso como superou em inúmeros pontos o EIRPG mesmo com seus dezesseis anos de tradição. Todo mundo que foi na parada saiu de lá animado e afim de produzir mais, trocar idéias e experiências. Um dos pontos altos de 2009 na minha opinião também!

Também compartilho boa parte da animação do Cassaro com o Pathfinder RPG da Paizo, que já roubou o posto de minha editora favorita até então ocupado pela Green Ronin, mas por outro lado nem de longe acho que 2009 foi marcado pela rejeição a 4ª edição do Dungeons & Dragons – o jogo continua forte, e quem não gostou dele em 2008 (uma parte vocal da comunidade vale dizer), em 2009 continuou buscando outras alternativas e criticando a edição mais recente e suas grandes mudanças.

O Tormenta RPG com suas regras baseadas na 3ª edição do Dungeons & Dragons será um lançamento importante deste ano não só para o Cassaro e a Jambô, mas talvez para todo o mercado nacional, já que a editora Devir não mais lança reimpressões dos livros básicos do D&D 3.5. Assim, o Tormenta RPG será a principal forma dos jogadores terem acesso as antigas regras do Dungeons & Dragons em português, além é claro de trazer o cenário de Tormenta. Resta ver como a questão da compatibilidade trazida pelo próprio Cassaro foi contornada, afinal o cenário tem suas peculiaridades e mecânicas próprias.

E vale lembrar que rolaram alguns boatos sobre a possibilidade de uma editora nacional sondando os direitos do Pathfinder RPG para lançá-lo aqui. Mas definitivamente não será a Devir (que já tem o D&D), e nem a Jambô que vai tentar preencher este nicho com o Tormenta RPG, então parece que não temos mais ninguém no horizonte com capital e habilidade para fazer isso…

Queria agradecer novamente ao Marcelo Cassaro por ter participado da brincadeira e enviado quase imediatamente as respostas, super solícito e acessível como sempre! Esta semana ainda publico a segunda entrevista da série, desta vez com as resposta de um dos blogs para dar uma variada. E vocês o que acharam? RPGCon e Pathfinder RPG na cabeça em 2009?

Entrevista com o Guilherme da Jambô

O Nume do .20 e agora colaborador do Ambrosia fez uma bacana entrevista com o Guilherme Dei Svaldi, editor-chefe da Jambô Editora, aquela que mês após mês não deixa de nos surpreender. Ler a entrevista na integra é totalmente recomendável, mas vou colar e comentar uma pequena parte por aqui no AC:

Ambrosia: Um ponto que muitos se perguntam, existe uma intenção da editora de entrar em outros mercados de entretenimento além do RPG? Nos quadrinhos ou em card games, por exemplo?

Guilherme: O foco da Jambô Editora é “livros divertidos”. Dentro desse foco, iremos abrir novas linhas de produtos. Esperem novidades para o ano que vem, como uma linha de literatura de fantasia, que irá trazer romances de autores nacionais e internacionais.

Essa entrada na literatura de fantasia certamente é um reflexo do retorno dos romances de Tormenta escritos pelo Leonel Caldela, que abriu uma bela porta na popularização da literatura de fantasia nacional. E sobre os gringos, eu posso ser otimista, mas o lançamento de A Song of Ice and Fire seria sensacional!

Ambrosia: Mutantes & Malfeitores, uma das linhas mais recentes da editora, já tem previsão de dois lançamentos ainda para esse ano. Isso significa um sucesso financeiro da linha. Também vai significar um incremento nos investimentos para a divulgação do jogo em meios de comunicação relacionados?

Guilherme: Sim! Mutantes & Malfeitores foi uma surpresa mesmo para nós. Quer dizer, esperávamos que o livro fosse bem — só não imaginávamos que fosse tão bem! Iremos investir bastante na linha, tanto em termos de lançamentos quanto em termos de divulgação.

Todo mundo meio que já sabia, mas o lançamento do Mutantes & Malfeitores nacional em uma versão econômica foi provavelmente a melhor idéia que uma editora teve no mercado brasileiro de RPG em muitos anos, e esse retorno dos jogadores só comprova isso. Conheço gente que parou de comprar livros de RPG na época do GURPS terceira edição e que catou a versão da Jambô do M&M para fazer uma preza para a iniciativa , e claro, pelo precinho camarada!

Ambrosia: Guilherme, o que te levou a decidir pelo lançamento simultâneo do Manual 3D&T Alpha em versão impressa paga e em versão PDF gratuita? Com certeza é uma jogada de marketing muito interessante, mas acha que compensa o risco?

Guilherme: A idéia de disponibilizar o Manual 3D&T Alpha gratuitamente tem como objetivo levar o RPG para a maior quantidade possível de pessoas. O 3D&T é um ótimo sistema para iniciantes — é fácil, rápido e, acima de tudo, divertido —, por isso é uma ótima porta de entrada para o hobby. Assim, de um ponto de vista de marketing, a Jambô está criando novos clientes potenciais. Pessoalmente, também acho muito legal a oportunidade de levar o RPG, um hobby que considero saudável e muito divertido, para outras pessoas.

Bom acho que com essa resposta encerro meu caso. Os caras liberaram a distribuição do Manual 3D&T Alpha em PDF não só porque são bonzinhos, mas com uma jogada visando o aumento de seu público potencial, e para isso tomaram um curso de ação inovador aqui no Brasil. Como diz o Garrell, muito respeito pela Jambô, os caras sabem o que fazem e não tem medo mesmo de tentar novas soluções e idéias para o mercado nacional de RPG.

A entrevista está bem legal, parabéms pro Nume. Só acho que faltaram algumas perguntas mais gerais sobre o mercado de RPG nacional, ou ainda sobre o contato da editora com seu público, que é feito de maneira soberba nos fóruns da Jambô. O próprio Nume postou alguns comentários sobre a entrevista e suas expectativas, e achei a idéia foda, ficou bem parecido com os extras de um DVD da entrevista, uma forma muito legal de deixar o Ambrosia com o material exclusivo, e simultaneamente oferecer mais profundidade e bombar o seu blog pessoal. Vou tentar fazer algo assim sempre que escrever para o D3system!

Entrevista com Mike Mearls, Scott Rouse e Randy Buehler (Parte 2) – Design da 4ª edição

A segunda parte da entrevista do Critical-Hits com Mike Mearls, Scott Rouse e Randy Buehler se foca mais na discussão dos objetivos, filosofia e suas implicações no design da 4ª edição do D&D. A entrevista é bem grande e dou destaque aqui embaixo em algumas partes mais valiosas:

Critical-Hits: We’ve been hearing complaints about lack of customization on fourth edition. How are you going to add to fourth edition as far as customization, and options for classes?

Mike Mearls: One of the important things is that with the structure of the roles, whenever we add new options that are meant for a specific class, we have to work within that class’s structure. The roles are a very important part of the design, and the philosophy of fourth edition is like playing on a basketball team. In earlier editions of the game, all the classes wanted to score. The only function was how much damage you are putting out there, and that’s what you optimize your character for. In fourth, with the roles, we wanted to put out there different ways the characters could excel. So it’s not just who’s doing the most damage, it’s also “I’m the leader, so I’m keeping the party together, and I use my abilities to initiate a cool plan. We can get across this bridge if I teleport the rogue across the bridge, so he can take down that wizard.”

Mechanics that say “we’re going to take this guy in this role, and push him to somewhere else” is something we don’t want to do. That level of customization is really going to remain the sphere of multiclassing. If you want to be a Fighter who uses a bow, your best bet is to multiclass into Ranger. Or if you just see your guy as an archer, just embrace the Ranger class. It is something that if you look at it on the whole it can seem like you have less options, but one of the important things to do in the game is to make options clear. When you chose your character class, it’s not like third edition where you said you’re being a Fighter to get a bunch of ranged attack feats.

I think that’s part of the disconnect: in earlier editions of the game, archer meant Fighter, and it could have meant Ranger- either one. But in the new game, it’s clearly pointing that if you want to play an archer, that’s the Ranger class, that’s what you should be looking at. On some level, that’s the expectation going in, and looking at the system and saying “earlier I did this, and this is the result I got” and doing it again, I’m not getting that result. It’s taking a step back and saying “well, we know what the destination is, we’re taking a slightly different route to get there.” So on that role-breaking level, we’re never going to say “here’s the Fighter class, here’s a bunch of Fighter powers that make you feel like a leader or controller.”

Going forward, it does put a lot of pressure on new classes. If you already have the Paladin and Fighter established as defender, when we make a defender, it’s critical that the new defender play and feel different than the other defenders. Otherwise, it’s just slush, and everyone’s the same. If you look at the Swordmage in the Forgotten Realms, the Arcane Defender fills the same role as the Fighter, but has a much different set of powers. If you’re playing a Swordmage, you feel your tactics are different. The way you defend your party is way different than the rest of the party.

O Mike Mearls meio que bate na pedra que todo mundo já tinha cantado – os papeis como estão podem ser bacanas e tal, mas sem dúvida engessam o jogo, com o objetivo de preservar suas respectivas especializações e o equilíbrio entre as classes. E ai caímos no já clássico “não existe mais X, mas na prática Y é o mesmo”, que eu acho foda, algo totalmente contra a lógica do D&D, um sistema cheio de regrinhas, orientado por pequenas unidades mecânicas (talentos, poderes) que permitem excessões muito bem delimitadas às regras gerais da parada.

Repito o que já falei com o Barbi nos comentários em algum post antigo daqui: não há nada de errado nisso – se eu estiver jogando 3D&T, Over the Edge ou Nobilis, jogos extremamente diferentes mas que tem em comum o fato de não serem focados em um sistema de regras complexo; ou ainda Hero System ou Mutants & Masterminds, sistemas que por almejarem serem bastante genéricos te dão uma habilidade (número) cujo efeito (representação) fica por conta da sua imaginação e conceito do personagem.

Obviamente nenhum destes dois casos é o do D&D. Um jogo que sempre teve o sistema de regras, de combate em especial, como uma de suas principais características, e que é extremamente focado em fantasia heróica – você até pode fazer outra coisa com ele, como muitos produtos OGL demonstraram, mas é inegável que as regras foram feitas para esse tipo de jogo. Mas mesmo para montar o mais básico guerreiro arqueiro você tem que ficar “burlando as classes”…

Eu não sou contra a imaginação e inventividade dos jogadores ao se apropriarem das regras. O que me incomoda é quando isso vem para suprir um buraco do sistema, causado por uma filosofia de equilíbrio e trabalho em equipe acima de tudo, em um jogo que teoricamente se preza nas regras bem amarradas e com alto grau de coerência interna.

CH: Have you done any work towards new roles?

MM: Not yet. It’ll be interesting to see if that’s something we ever try. I know there was some talk of trying to make hybrid character classes that span two roles, but in playtests and looking at it, it was just a switch that let you go “OK, now you’re a controller”, flip a switch, and now you’re a striker. At that point, we don’t want to be in a position where the class is not as good in either role, or they’re straddling two roles and they’re just as good with them as everyone else. The trickiest thing is to say if there’s a middle ground there, and if that can ever work. At some level you’re just going to be worse than someone else filling those two roles. You don’t want to be a controller that’s sometimes a crappy striker.

Then you go further than that point: a lot of people have noticed that you have your role, and you have a dash of a second role. Swordmage defender with a dash of controller. That may be enough already. We don’t really need to make multi-role characters. New roles are something I’ve never considered seriously, but I don’t know if in this structure it would be the same as making a new monster role. We don’t see the need yet. I could see in the future someone coming up with a role that’s so iconic that we can’t make an existing role work for it.

O mais interessante é ver como essa idéia dos papéis é frágil, ainda mais em um sistema que terá dezenas de suplementos de regras em uns dois anos. Claro que vão surgir novos conceitos que não se inserem nos 4 papéis, como o druida já foi um problema. E a criação de uma classe híbrida simplesmente quebra toda a lógica dos papéis, que é a da especialização e foco em determinadas características que auxiliam o grupo nos combates.

Sei lá, acho que estou mais amargo com a nova edição nas últimas semanas, mas para mim toda essa filosofia e boa parte das escolhas da 4ª edição apontam para um jogo muito legal e divertido por algum tempo. Vou continuar jogando a série iniciada pela Keep on the Shadowfell, e talvez mestre algo curto no futuro, mas minha campanha de Eberron está cada vez mais próxima da 3.5 e do Pathfinder. Eu realmente prezo as opções, minhas e dos jogadores, sejam elas conceituais ou mecânicas, e acho que nos sistemas bem pensados as regras devem servir para dar forma às propostas e idéias dos jogadores. E infelizmente parece que a 4ª edição do D&D é um sistema que preza muito mais pelo equilíbrio e uniformidade do que pela abertura e flexibilidade das regras, e consequentemente, opções de personagens e aventuras.

FAQ e Entrevista Sobre a GSL

Ok, atrasado eu sei. Mas ainda assim acho que tanto a entrevista feita através de perguntas enviadas por usuários da ENWorld como o FAQ postado no site da Wizards, com basicamente as mesmas questões de forma mais sintética são muito importantes para dissipar pelo uma parte da confusão criada por uma série de declarações desencontradas de funcionários e parceiros da empresa.

Finalmente as coisas tomaram um rumo melhor, e a WotC vai vincular a adesão a nova GSL através das linhas de produtos, e não por editora como se temia. Assim poderemos ter por exemplo o Pathfinder RPG da Paizo para 3.5, mas também as famosas aventuras da editora e mais algum material para a 4ª edição, ou ainda que a Green Ronin mantenha suas bem sucedidas linhas OGL – Mutants & Masterminds e True20, mas também lance suplementos para a nova edição do D&D. Na verdade o Chris Pramas respondeu ao FAQ da Wizards sinalizando que agora, sem taxa de 5 mil dólares e necessidade de escolher entre o fim de suas linhas, existe uma grande chance que a GR entre na onda da 4ª edição.

Mas talvez a pergunta mais reveladora tenha ficado apenas na entrevista da ENWorld:

Q. What products would WotC like to see come out of the third party publishers that they are not currently interested in producing themselves?

A. The easy answer is we want to see quality products that support 4th Edition D&D. I’m guessing you want specific examples, right? The GSL is designed for publishers to make Adventures, “Fluff,” Campaign settings, Alternate Classes, Races, Monsters, Paragon Paths, Epic Destinies, and other creative supplemental products.

Já é certo que a Wizards aprendeu a lição com a OGL, que permitia muito mais coisas, como jogos totalmente novos tal qual o M&M ou ainda jogos de fantasia medieval que dispensavam completamente os livros básicos de D&D com o Iron Heroes, e agora muita coisa deve mudar. Eu aposto que eles serão muito mais claros no que é permitido pela nova GSL, principalmente no quesito de novos cenários de campanha.

Mas parece que finalmente a novela da GSL chega a um fim, pelo menos até o dia 6 de Junho, quando ela será divulgada.

E no Covil o FAQ da Wizards pode ser conferido em versão traduzida.

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Anunciada a RPGCon 2010!

fevereiro 4, 2010

Apesar de ter sido dada poucas horas atrás a notícia já se espalhou como fogo em gasolina: a RPGCON 2010 acontecerá em São Paulo nos dias 03 e 04 de julho, e será organizada novamente pela bem-sucedida tríada composta pela Equipe d3system, Caravana Surreal e Grupo Céos. A excelente novidade foi dada pelo prório Douglas [...]

Principais Notícias da D&D Experience 2010

janeiro 31, 2010

Na última quinta-feira teve início a D&D Experience 2010, evento exclusivo de Dungeons & Dragons organizado pela Wizards of the Coast. Embora eu não tivesse com grandes expectativas, a edição deste ano trouxe um balde de novidades e anúncios importantes para os interessados não apenas no D&D mas também no sistema d20, envolvendo o lançamento [...]

Boatos sobre o Gamma World e a 4ª edição

janeiro 27, 2010

Esta manhã apareceu em um bocado de lugares o link da Amazon da pré-venda de um tal “D&D Gamma World Roleplaying Game: A D&D Genre Setting”, que segundo a livraria virtual será lançado em Outubro deste ano com 152 páginas por $39,99.
O mais estranho é que a data prevista para o suposto lançamento do novo [...]

D&D Experience 2010

janeiro 27, 2010

Amanhã começa a edição de 2010 do Dungeons & Dragons Experience, evento oficial organizado pela Wizards of the Coast, no qual em 2008 foi anunciado o lançamento da 4ª edição do RPG mais famoso do mundo. A D&D Experience 2010 acontecerá do dia 28 a 31 de Janeiro e vai contar com Richard Baker e [...]

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  • ^yves: esqueci de dizer o rpg faz vc pensar em possibilidades, imaginar lugares, desperta sua criatividade, os MMOs, descumpem os que não concordam, s...
  • Yves: Grande entrevista, o 2ic tah chegando ^^. Mas sobre esta questão, concordo com a opnião da entrevista, pois em um mmo ou semelhante (wow...
  • Rocha: Ei Felipe! Mas pra mim RPG não é só interpretação saca? Teatro não é RPG! Pelo menos na minha defini&...
  • Felipe Caldas: Boa Noite. Bom falando como jogador assíduo do RPGonline eu digo que não concordo com essa de RPG por meios eletronicos não gera...
  • Rastus: Jogar RPG Online, como feito no iRPG, ainda é visto de forma muito preconceituosa pelos RPGistas tradicionais. Eles estão certos ao afir...
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