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Entrevistas sobre 2009 – .20

E estamos nos aproximando do final da série sobre mercado de RPG em 2009! Hoje as respostas para as perguntas que vocês já conhecem são dos caras do .20, outro blog crucial como o Paragons e o Rolando 20, e que ainda marca a forma como um blog de RPG colaborativo deve funcionar. Na época que a entrevista foi respondida o CF (do antigo Covil)  ainda não fazia parte do .20 e por isso não apareceu nas respostas. Relembrando a proposta desta série: em Dezembro de 2009 enviei uma mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma pesquisa elaborada com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco simples com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. Dito isso deixo a palavra com os cinco cavalheiros do .20:

1- Como vocês avaliam o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

ARMAGEDDON: Pra mim foi um ano meio “hiato” pra coisa toda. Das grandes só a Devir lançou material pra 4E e do Novo Mundo das Trevas com certa frequência. A Jambô mesmo só lançou mesmo salvo engano o Guia do Mundo dos Reinos de Ferro e a Contra Arsenal. A Daemon tá mais prá lá do que pra cá… Acho que todo mundo guardou seus “ases” pra 2010.

NUME: Apesar do segundo semestre meio parado, o ano como um todo foi bem melhor que 2008. A Jambô e a Devir lideraram os lançamentos. Pela Jambô tivemos a volta dos livros-jogos, o Guia do Mundo dos Reinos de Ferro, Contra Arsenal e as Guerras Táuricas, que foi o primeiro evento megaboga de Tormenta nesse estilo que os quadrinhos Marvel e DC estão popularizando. A Devir esquentou um pouco a 4E, apesar de não conseguir cumprir a promessa feita na RPGCon de nove livros em sete meses.

TEK: Melhor que boa parte dos anos anteriores, aumento da “influência” dos blogs de RPG em avaliação de material e principalmente em divulgação de iniciativas, que por sua vez incentivam o “consumo” desses sistemas.

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano na opinião de vocês?

ARMAGEDDON: Pois é, nacional não teve nada, acho. As traduções dominaram esse ano nas editoras. De Iniciativa, a que pelo menos aparentemente gerou mais movimento foi aquele Old Dragon, só que deve ser impressão que tenho por causa do spam generalizado nas listas de discussão, dos quais já dei minha opinião e não digo mais nada sobre heheh ;D

NUME: Difícil escolher. A melhor notícia, provavelmente, foi o cancelamento do EIRPG que já estava moribundo a anos. E a melhor iniciativa foi a RPGCon sendo organizada no vácuo deixado pela quase-instituição que foi o EIRPG. Considero que o cancelamento do EIRPG foi importante por dar este espaço para que novas iniciativas fossem criadas. Quanto ao melhor lançamento, temos uma penca deles em 2009 e o melhor só pode ficar por gosto pessoal. Meu preferido é o Guia do Mundo, com suas 400 páginas de puro material descritivo.

SHIDO: Mas tem uma coisa preocupante nessa lista, devo ressaltar: Todos os suplementos da Devir são traduções de importados. Da parte da Jambô, idem para os Reinos; o que sobra, por parte da Jambô, é monopolizado em torno de um único cenário. Lançamentos sim. Produção de coisa nova? Nem tanto.

TEK: Gostei da RPGCon ter acontecido e evitado que muitos ficassem “órfãos” do EIRPG. Outro ponto importante a destacar foi a passagem da DragonSlayer para o pessoal da Jambô, além do final da trilogia de romances de Tormenta mudando drasticamente vários pontos do cenário. Menção honrosa para as Iniciativas dos blogs, que se juntaram para produzir material inédito e de qualidade.

3- De forma mais geral, como vocês enxergam o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

ARMAGEDDON: Idem. Um ano que um jogo sobre ratos combatendo patos foi o grande destaque não pode ter sido muito bom XD

NUME: Positivo, em geral. Houveram muitos lançamentos e uma certa diversificação depois da queda do Sistema d20 provocada pela Wizards. Acho que a melhor notícia foi o anúncio do desenvolvimento de um game dos Reinos de Ferro, a iniciativa e o lançamento que mais se destacou foi o Pathfinder, sem sombra de dúvida.

TEK: Um ano bem atípico, e espero que os próximos sejam bons assim. Destaque para Pathfinder entrando na competição com a Quarta Edição, e o anúncio de Dragon Age RPG.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

LEONEL: Estive bastante ocupado com meus assuntos pessoais em 2009, produzi muito pouco em termos de RPG. Acho que posso destacar os trabalhos para a Mongoose, que têm sido legais de se fazer, ainda mais que a Mongoose pegou títulos clássicos… Fiquei muito contente de ter feito alguns mapas e casas para Conan e Paranóia, por exemplo. Para o Brasil fiz quase nada. Acho que destaco apenas um trabalho para a Jambô, e as tiras constantes para a DS. Mesmo aqui no .20 tenho escrito pouco…

ARMAGEDDON: Eu trabalhei em alguma coisa de RPG ou sobre fantasia no geral, mas não cheguei a lançar nada por uma série de motivos…. provavelmente ficou tudo pra 2010.

NUME: Tiveram várias coisas, mas poucas foram a altura do que esperava, por diversos motivos do mundo real não pude me dedicar como gostaria aos projetos de RPG. Existem algumas coisas que vão sair em 2010, mas que ainda não posso falar. O mais legal é uma antologia de contos de Tormenta que vai sair pela Jambô com a colaboração de vários autores do .20.

SHIDO: A única coisa mais “RPGística” em que estou realmente trabalhando é num romance do Romância. Estava indo bem, até o final de semestre zonear tudo. Em cima disso ainda tem um concurso na área que, caso me classifique, me vai tomar grande parte das férias pra confeccionar. Só romance mesmo. RPG, se for sair, só depois (conforme preceitos já defendidos pelo Leonel). Isso se sair algo em termos de RPG, que eu acho cada vez mais improvável.

TEK: Migrar a .20 para um servidor que atendesse totalmente às necessidades do blog, mudar o tema antigo para algo mais limpo e funcional, trazer novos colaboradores para escrever sobre assuntos diversos, incentivar alguns projetos de fãs que me chamaram a atenção e adaptar (junto com o CF) Tormenta para Quarta Edição, entre outros projetos. São muitos, mas fico feliz de ter atingido um nível bom de satisfação com a maioria deles.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

ARMAGEDDON: Vai ser um ano foda IMHO. Tudo o que ficou engavetado/em produção em 2009 deve sair do limbo em 2010.

NUME: Muitas. Estou especialmente empolgado com a idéia de que em 2010 o vale-cultura que será implantado pelo governo dará um hype legal no mercado editorial, e parte desse hype deve afetar o RPG. Provavelmente quando esta entrevista sair o artigo que estou escrevendo sobre o tema já vai ter saído com mais detalhes. Fora isto, estou realmente empolgado como fã de Tormenta pelo novo livro básico. Acho que será um ano ainda melhor para o cenário e para o RPG do que 2009 foi.

TEK: Espero que tenhamos mais eventos, especialmente em SP, além de aguardar ansioso o lançamento de títulos como Tormenta RPG. Vejo também um ano para a consolidação dos blogs de RPG, com um aumento tanto na quantidade quanto no volume de informações, além da maior participação destes tanto na divulgação quanto na produção de material nacional.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

ARMAGEDDON: Até tenho, mas como não tenho certeza sobre nada nem posso dizer se vai rolar ou não. O grande lance seria o Manual do Aventureiro pra 3D&T no qual ajudei um pouco, mas nem sei a quantas anda o projeto.

NUME: O Tiago Lobo me convidou para ir morar em Porto Alegre e talvez trabalhar com a Jambô. Tenho pensado bastante sobre isso e estou inclinado a aceitar. Neste final de ano passei a morar sozinho em outra cidade e a experiência está sendo bacana, acho que vale a pena ir em busca de novas experiências na minha idade.

TEK: Para o início de 2010 devemos trazer novos colaboradores, além de retomar as promoções e o desenvolvimento de material de campanha alternativo, além de colaborações esporádicas para a DragonSlayer, Tormenta e Jambô. O site deve receber novas funcionalidades e eu pretendo escrever mais, provavelmente sobre outros assuntos não ligados diretamente ao RPG mas que influenciam ou são influenciados por ele, como mercado e MMOs.

Comentários: Divertido que dos três que responderam sobre como avaliam 2009 em comparação direta com 2008, o Nume e Tek disseram de um avanço, com mais lançamentos e novidades, enquanto o Armageddon já marca 2009 como um “ano parado” mesmo com o lançamento bem feito da 4e do Dungeons & Dragons pela Devir e as novidades da Jambô. Mas realmente, tirando as duas de cena, não sobra muito a ser dito sobre as editoras no ano passado… E novamente a RPGCON aparece como um dos destaques de 2009, que na minha opinião foi a maior surpresa do ano disparada, já que ninguém apostava que fosse ser um sucesso tão grande!

E vários projetos legais, com destaque para o romance de Romância do Shido, um cenário que eu acho que tem uma pegada muito autoral e absurdamente criativa, e os constantes upgrades do .20. E na parte das expectativas, como todo mundo no blog é super fã de Tormenta, é claro que boa parte da espera sobre 2010 recai sobre o lançamento do novo livro básico do mais famoso cenário nacional. Espero que 2010 esteja vivendo à altura das expectativas, pelo menos já deu pra perceber a retomada do .20 em grande estilo!

Gostaria de agradecer ao pessoal do .20, pelas respostas, em especial ao Salomão “Tek”, sempre veloz nos contatos, e que também me deu uma super força quando o Área Cinza saiu do ar e teve uma série de zicas no início do ano. É disso que estamos falando, jogadores e blogs colaborando para produzirem juntos, ou mesmo quebrarem um galho aqui e ali. Te pago uma cerveja na RPGCON cara!

Entrevistas sobre 2009 – Maria do Carmo Zanini

É hora de dar sequência a série de entrevistas sobre o mercado de RPG em 2009, que entra em sua reta final agora em Abril. Recapitulando: alguns meses atrás dei início a um pequeno experimento – mandei  uma proposta de mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma mega pesquisa com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. As últimas entrevistas postadas aqui foram do Daniel Anand do blog Rolando 20 e do Armando Maximus do Portal RPGOnline, e agora vamos com as respostas da Maria do Carmo Zanini, editora e responsável pela linha do Mundo das Trevas na Devir:

1- Como você avalia o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

Antes da resposta, dois poréns. Primeiro, eu passei cinco meses do ano de 2009 em licença-maternidade, pensando só em fraldas e mamadeiras; portanto, o ano foi uma espécie de lacuna profissional na minha vida e acabei não acompanhando de perto o que se produziu, publicou e comentou durante 2009. Nesse aspecto, só tenho impressões a dar, que podem simplesmente não significar nada. Segundo, estou presumindo que “mercado nacional de RPG” inclua jogos projetados e desenvolvidos lá fora, traduzidos para a língua portuguesa e publicados no Brasil, e não apenas os jogos desenvolvidos e publicados por autores e editoras nacionais.

Dito isso, minha impressão é de que o mercado nacional de RPG andou desaquecido uma boa parte do ano. Acho que, se alguém contar o número de títulos lançados pelas editoras do segmento aqui no Brasil em 2008 e 2009, é provável que esse desaquecimento apareça. As causas disso, se é que esse desaquecimento existe, talvez estejam: 1. na crise econômica, que nos atingiu com menos intensidade do que lá fora, mas se fez sentir mesmo assim (e as pessoas obrigadas a controlar o orçamento sempre cortam o entretenimento primeiro); 2. mas principalmente na aparente redução da, digamos assim, “bolha” do hobby. A meu ver, o RPG sempre foi uma atividade de nicho restrito, com relativamente poucos praticantes. Em alguns momentos da história do hobby, houve um crescimento acelerado do número de praticantes e, consequentemente, do número de títulos publicados. A isso estou chamando de “bolha”. A impressão que tenho é de que, nos últimos anos, estamos vendo o reflexo da diminuição de uma dessas bolhas.

Falando do Mundo das Trevas Storytelling, que é a linha com a qual trabalho, foram publicados pelo menos sete produtos em 2008, e apenas dois em 2009. Obviamente, minha licença-maternidade teve tudo a ver com essa queda na produção. Por outro lado, alguns títulos publicados em 2008 aparentemente só foram descobertos pelos consumidores em 2009. É o caso de Lobisomem: os Destituídos, que não teve o desempenho esperado no lançamento, mas vem saindo com regularidade nos últimos meses. A reimpressão do Livro de Regras do Mundo das Trevas em 2009 também parece ter agitado um pouco as coisas no desempenho geral da linha.

Em 2007 e 2008, a grande expectativa do mercado de RPG lá fora parecia girar em torno da quarta edição de Dungeons & Dragons. Algumas editoras norte-americanas esperavam que D&D renovasse o interesse dos gamers pelos RPGs. Não tenho certeza se essa expectativa foi atendida pelo novo D&D, mas acho que a publicação, no Brasil, da quarta edição pela Devir Livraria em 2009 voltou a colocar RPGs nas prateleiras das grandes livrarias. Obviamente, a melhor pessoa para comentar isso é o editor da linha, Otávio A. Gonçalves. (nota do Rocha: mandei um questionário da entrevista para o Otávio mas ele não respondeu ainda, ou seja, acho que infelizmente não veremos os comentário do editor do D&D no Brasil)

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano na sua opinião?

Pergunta complicada, porque notícia, iniciativa e lançamento implicam avaliações bem diferentes. Acho que, em termos de impacto no público consumidor, nada supera a publicação da quarta edição de Dungeons & Dragons.

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

A impressão que tenho é a de que, à exceção da Wizards of the Coast, que passou 2009 publicando muita coisa de D&D 4 ed. e Star Wars Saga, as outras editoras, grandes e pequenas, tiraram o pé do acelerador. A White Wolf, por exemplo, lançou pouca coisa, se compararmos com a produção em anos anteriores, talvez porque já tenha esgotado as possibilidades de algumas linhas. E as publicações mais recentes enfatizaram o livro eletrônico e a impressão por demanda. Vi uma ou outra coisa interessante da Pinnacle, e Alderaac parece ter se concentrado nos card games. Impulsionados, talvez, pela facilidade da publicação eletrônica, os indies parecem ter proliferado, mas nesse meio há muita coisa ruim e várias mesmices.

Geist: the Sin-Eaters, da White Wolf, é o meu destaque para 2009. Se bem que Mouseguard, pelo que me lembro, foi muito comentado… E eu destacaria também Little Fears, the Nightmare Edition, de Jason Blair.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

Eu tinha grandes expectativas para 2009, como publicar Mago: o Despertar, por exemplo. Mas a licença-maternidade… No entanto, fico feliz por ter conseguido fazer uma reimpressão bem decente do Livro de regras do Mundo das Trevas, e a volta do livro às prateleiras parece ter ajudado a alavancar outras publicações da linha.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

Se minha impressão estiver correta, com a redução da bolha, o nicho do RPG vai ficar mais apertado. A menos que alguém apareça com um jogo realmente original e interessante que agite o mercado, acho que poucos jogos vão sobreviver. E minha tendência é achar que os jogos mais conhecidos e estimados pelo público serão os sobreviventes.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

Além de lançar Mago: o Despertar e Nova Orleans: Cidade dos amaldiçoados, pois promessa é dívida, já está nos meus planos uma reimpressão de Vampiro: o Réquiem e a publicação de Changeling: the Lost, que, na minha opinião, é um dos melhores jogos do Mundo das Trevas Storytelling. Também planejo publicar pelo menos mais um suplemento para a linha básica (muito provavelmente Second Sight: poderes psíquicos e feitiçaria pé no chão para personagens mortais) e, se tudo der certo, continuar a publicar os roteiros introdutórios de Vampiro, Lobisomem e Mago. (mais uma nota do Rocha: quando a Maria do Carmo respondeu a entrevista Mago: o Despertar ainda não havia sido lançado. O livro já saiu e pode ser adquirido aqui)

Comentários: A Maria do Carmo foi a primeira entrevistada que do ponto de vista do aquecimento do mercado colocou 2009 como um ano mais fraco para o hobby em comparação com 2008. Claro que como ela mesmo diz, a linha do Mundo das Trevas sofreu uma diminuição no ritmo devido a sua maternidade, mas analizando a editora como um todo, ou seja, agregando a linha Dungeons & Dragons a análise, acho que o número de lançamentos da Devir em 2009 superou o de 2008 não? Mas concordo em um ponto – menos editoras nacionais lançaram livros de RPG em 2009 do que vimos em 2008.

Em relação a bolha e as expectativas para 2010, já acho o contrário – temos visto o sucesso daqueles que produzem bons RPGs indies e autorais, como foi o caso do Mouseguard ou mais recentemente do pessoal da Evil Hat Games, já que as compras pela internet se tornaram algo cotidiano, possibilitando o acesso a um número muito maior de pessoas, ou seja, tornando os micro-nichos dentro do nicho do RPG viáveis. Pessoalmente também acho que uma parcela do público que antes conseguia sanar suas necessidades de jogo com o D&D 3.5 e sua licença aberta, que viabiliza milhares de suplementos e variantes, não mais encontra isso na 4ª edição, e tem procurado resolver isso se voltando para lançamentos mais autorais e independentes. Mas isso é só um chute baseado na realidade do meu grupo de jogo.

No mais quero ver a edição nacional do Mago: o Despertar, meu jogo favorito do Mundo das Trevas já que dizem que edição nacional está excelente, e quando for lançado o Changeling: the Lost, que ainda não vi como ficou nesta (nem tão) nova linha da White Wolf. E claro, gostaria de agradecer a Maria do Carmo por ter arrumando um tempinho entre cuidar da filhota e do Mundo das Trevas para responder a entrevista!

Entrevistas sobre 2009 – Paragons

Como prometido, é hora da segunda entrevista da série sobre mercado de RPG em 2009! Estreamos com a entrevista do Marcelo Cassaro, que já se tornou um dos artigos mais lidos (e debatidos!) do blog, e agora vamos dar continuidade a lista de figuras interessantes do RPG nacional com o pessoal do Paragons, o maior blog de RPG nacional atualmente, que mandam muito bem tanto na cobertura de notícas, mas também com material de jogo e artigos próprios. Enfim, considero os caras o blog de RPG definitivo!

Só para relembrar a proposta desta série: em Dezembro de 2009 enviei uma mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma pesquisa elaborada com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco simples com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. Dito isso vamos as resposta dos Paragons Antonio “Pop” Sá, Felipe “Shingo”, Daniel “D.Darkangellus” e Dan Ramos:

1- Como vocês avaliam o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

POP: Melhor que 2008. Aliás pra piorar só tivéssemos algo catastrófico, como a proibição do RPG no Brasil, quebra da Devir ou da Jambô.

SHINGO: Foi melhor que o ano de 2008 já que vimos uma mudança na estrutura da Devir fazendo com que os lançamentos saissem de forma mais organizadas. Um fortalecimento dos eventos promovidos pelo RPG Arautos. Porém tivemos muitos poucos lançamentos vindos de editoras pequenas, acho que este pode ter sido o ano da comunidade de RPG, mas não das editoras.

D.DARKANGELLUS: Com o advento da 4ª Edição, acredito que 2009 foi melhor do que os últimos anos, e não somente do que o ano anterior. Qualquer lançamento em grande escala afeta o mercado nacional, principalmente quando promovido pela WotC. Infelizmente, nosso mercado nacional caminha somente quando o mercado gringo está em movimento, e sempre após e com uma distância considerável.

DAN: Acredito que o mercado nacional aqueceu muito em relação ao último ano com o óbvio advento da 4E e o excelente trabalho de editoras como a Jambô, de iniciativas de internet e eventos, que fez a Devir finalmente começar a se mexer. Ou seja, nosso mercadinho pode até aprender a andar a partir de 2010.

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano na opinião de vocês?

POP: Foram duas, o amadurecimento da Blogosfera, capaz inclusive de ter gerado a idéia inicial da RPGCON, competentemente executada pelo D3 e obviamente pelo que representa pro mercado o lançamento do D&D 4e no Brasil.

SHINGO: RPGCon foi a noticia e até apostaria o que salvou o ano do RPG nacional, o lançamento da 4e com a concretização da idéia das prévias e da pré-venda dos produtos fez com que o calendária da Devir pudesse ser olhado com maior credibilidade que os anos anteriores.

D.DARKANGELLUS: Certamente a RPGCON, sobretudo, pelo incentivo aos rpgistas que eventos como estes oferecem. É o mesmo que dizer ao Rpgista: “Cara, você não está sozinho!” ; e por mais que alguns não acreditem, isso é importante para manter o público de um mercado que de fato é pequeno e instável. Eu também gostei da notícia do lançamento dos Livros-Jogos da Editora Jambô.

DAN: Foi o Paragons e o Old Dragon, ora! Brincadeiras à parte, com certeza foi a RPGCon, o crescimento vultoso da blogosfera e o twitter, que integraram completamente o pessoal da “cena” do RPG brasileiro. Hoje em dia uma notícia se propaga com rapidez inacreditável, atingindo até os rpgistas sem internet (existe isso ainda?).

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

POP: Sem dúvida o maior destaque do ano vai pro Pathfinder. Ele conseguiu cativar sem decepcionar e foi o ponto alto da GenCon 2009 que é o ponto alto do RPG mundial ao longo do ano.

SHINGO: Pode-se ver que o mercado mundial esta passando por uma transformação. As editoras estrageiras estão em busca de uma nova forma de se ver o RPG. Seja a WotC com o D&D Insider e com a sua nova Comunidade, seja a Paizo se aproximando dos jogadores orfãos da 3,5, a FFG com o novo Warhammer e seus props que parecem ter vindo de boardgame e cardgames e até a Green Ronin com o Dragon Age RPG.

Mas dentro das comunidades pode-se ver que o movimento OldSchool esta ficando cada vez mais forte no exterior, assim como antigas iniciativas que estam tentando resurgir como o D6 System sob a bandeira Open D6.

D.DARKANGELLUS: Acredito que o maior destaque dos últimos dois anos seja da 4ª Edição, já que desde seu lançamento o mercado mundial de RPG tem respondido somente aos seus “atos”, além da constante polêmica. Tanto o Pathfinder quanto (a revolta) OldSchool são resposta e exemplos claros disso.

DAN: Bom, como de mercado de RPG eu sou uma anta, deixo a cargo dos outros paragônicos falar sobre isso. Mas do pouco que sei, a Paizo colheu um ano de hype com seu Pathfinder, os boxed sets estão voltando e etecétera.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

POP: Foram dois, o Paragons que atendeu ou cumpriu com todas as minhas expectativas e o Old Dragon, mas este, foi muito além de onde eu sequer poderia imaginar que chegaria.

SHINGO: Paragons que é minha menina dos olhos. Todos os meus projetos são relacionados com o blog, e ele superou e muito a minha expectativa. Esperava que chegasse no nível que estamos apenas em meados de 2010. Grande parte disto se deve a comunidade e aos nossos colaboradores.

D.DARKANGELLUS: Sinceramente, não esperava receber um convite para o Paragons, isso superou minhas expectativas. Tinha como pretensão levar o Adrenalina RPG, meu antigo blog, e colaborar de alguma forma com o Rpg. Embora, seja somente por pura diversão. Atualmente, como o PRG está crescendo cada vez mais, estou procurando diversidade para preencher vagas das quais acredito que são importantes, como comentar sobre diversos assuntos nerds, algumas das vezes envolvidos indiretamente com o RPG. E isso também é importante para angariar novos jogadores para o RPG através do site.

DAN: O Paragons de fato nasceu de uma decepção que tive e virou o meu projeto mais importante e divertido, e graças aos deuses tem crescido bastante e valido a pena. Passei um aperto grande e não cheguei nem perto de me envolver tanto quanto gostaria com o Old Dragon, mas fiz o que pude e sempre defendi o projeto com unhas e dentes, e assim fico feliz demais porque ele surpreendeu a nós e deixou calado quem estava falando que o treco não tinha lá muito futuro. É sério, um jogo de nicho dentro de outro, nossa. Outra coisa muito boa é que estou finalmente começando a aparecer nos livros de RPG e começando a conseguir manter uma periodicidade nas minhas tirinhas (Paragolândia), o que pra mim são coisas muito importantes.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

POP: Acredito num fortalecimento da linha 4e no Brasil, um destaque ainda maior da blogsfera, talvez com a aproximação destes com as editoras ainda consolidadas no mercado.

SHINGO: Que alguém vindo da blogosfera ou produza material para as editoras ou, em um pensamento muito otimista, publique material sob a própria bandeira.

D.DARKANGELLUS: Vou torcer para o sistema OLD Dragon, não como quarto paragônico, mas como rpgista oldschool fã de Hero Quest. E também para que as editoras nacionais entendam que “a força” está do lado da blogosfera rpgística!

DAN: O Tormenta RPG e o Old Dragon nas prateleiras das livrarias! Quero muito ver a blogosfera (e o Paragons) crescendo ainda mais, quero que as editoras não deixem a peteca cair e que saia Hunter em português!

6- Vocês já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim falem um pouco sobre eles!

POP: Tenho um monte de projetos relacionados ao Old Dragon e cenários ligados a ele. No que depender de mim e do acredito que do Paragons como um todo, 2010 será o ano do OD, ou pelo menos o ano onde trabalharemos com ainda mais afinco pelo OD.

SHINGO: Projetos tenho um monte! Quero transferir uns projetos que temos para o OD e além disto trabalhar em um sistema de RPG que seja mais Narrativo. Vamos ver no que dá.

D.DARKANGELLUS: Pretendo continuar promovendo as séries de entrevistas, divulgando curiosidades e opiniões sobre os blogueiros que estão trabalhando em prol do mercado nacional. Sobre o OD, vou aguardar o processo de finalização da versão completa para depois refletir sobre a possibilidade de um projeto.

DAN: Eu vou casar com a Elisa do Paragons! =D


Comentários: Embora os quatro senhores não tenham unificado as respostas, até que eles tem idéias parecidas, o que facilita o meu trabalho de comentar! Concordo com os caras que 2009 foi um ano obviamente melhor que 2008, aliás melhor que os anteriores também, e que um dos fatores para isso foi o lançamento da versão nacional da 4ª edição do RPG mais famosos do mundo pela Devir. Só o número de lançamentos da Devir para o Dungeons & Dragons em 2009 já indica que alguma coisa boa está rolando! Fazendo coro com o Cassaro, os paragônicos também apontaram a RPGCon como ponto alto do RPG nacional no ano que passou, e não tem muito como ser diferente né? Interessante é o ponto que o Pop e o Dan trazem da blogsfera de RPG nacional, que cresceu pra caramba nos últimos 12 meses, e foi inclusive onde a idéia da RPGCon surgiu e foi fomentada por um tempo. Nada mal mesmo, quem sabe esse ano a gente não consegue fazer um encontro de blogs decente?

Já sobre o mercado gringo, além da 4ª edição do D&D e do Pathfinder RPG da Paizo, os caras apontaram também o movimento oldschool, cujo Paragons é um dos grandes proponentes por aqui com seu Old Dragon. Pra ser muito sincero eu não acompanho tanto assim esse movimento lá fora e não vejo grandes lançamentos, embora saiba que exista uma cena pequena, mas forte e coesa, desse nicho. O que vejo mais são ecos dessa pegada mais retrô dentro de outros jogos, como o próprio Dragon Age citado pelo Shingo. E caixas, 2009 tivemos um monte de caixas!

As expectativas dos quatro para o mercado de RPG nacional em 2010 são bem interessantes, focando no lado da produção dos próprios blogs. Uma coisa que temos discutido muito nas reuniões da Secular é justamente isso: já existe muito material foda e de qualidade sendo lançado por aqui através dos blogs de RPG, o que falta às vezes é diagramar, ilustrar e dar uma editada, mas o produto bruto definitivamente já está lá. Ou seja, tenho expectativas muito semelhantes, acho que algumas editoras como Jambô, Daemon e a Devir de maneira tímida, já sacaram que existe muita gente boa de serviço nos blogs, e mais ainda, que eles são um canal essencial de contato com os fãs e consumidores, quem sabe na RPGCon 2010 isso não avança ainda mais?

Espero que tenham bons ventos nos projetos de vocês em 2010, tanto no Paragons e Old Dragon, mas especialmente no casamento do Dan e Elisa! Vocês todos têm mandado muito bem no blog, quem sabe não é hora de pular para o mundo impresso não é? E gostaria de agradecer a entrevista, a disponibilidade, e as traduções do Shingo que eu sempre roubo por aqui ; )

A próxima entrevista será com uma das editoras, mas até lá gostaria de saber o que vocês acharam? Blogsfera de RPG bombando em 2010? Ou já alcançamos o pico e agora é só manter a presença online?

Entrevistas sobre 2009 – Marcelo Cassaro

Em Dezembro de 2009 dei início a um pequeno experimento – enviei uma proposta de mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma mega pesquisa com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. É claro que alguns não responderam a entrevista, mas uma boa parte o fez. E convenhamos, um ou dois já imaginávamos que não iam responder por outros motivos mesmo. Mas pelo menos eu convidei!

Sem mais delongas é hora de apresentar as respostas do primeiro entrevistado, Marcelo Cassaro, cabeça do Trio Tormenta, responsável pelo mais bem sucedido cenário de RPG nacional, além de editor por anos das revistas Dragão Brasil e DragonSlayer:

1- Como você avalia o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

É difícil dizer. Desde o lançamento da Dragão Brasil em 95, este foi o ano em que estive menos envolvido com RPG — mesmo a DragonSlayer não está mais em minhas mãos. Como meu grupo de jogo usa apenas material importado, não acompanhei o mercado nacional tão de perto.

Não percebi nenhum crescimento (ou decrescimento) significativo. A DragonSlayer continua sendo publicada em uma editora conhecida por cancelar títulos de mau desempenho — no passado a Escala teve três ou quatro revistas sobre RPG, sendo que nenhuma passou de três edições. Isso prova que não houve uma grande redução do público (mas não diz que houve aumento).

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano em sua opinião?

A melhor iniciativa do ano foi, com certeza, a RPGCON. Mesmo planejado em tão pouco tempo, o evento conseguiu cobrir falhas que o Encontro Internacional vinha apresentando há anos. Eu e outros autores tivemos tratamento e atenção que nunca recebemos no IERPG — foi um evento excelente e livre de impurezas, só tenho elogios a ele.

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

Por um bom tempo vi os defensores da 4E bradando que “sempre houve reclamações quando as outras edições mudaram, agora vai ser igual”. Eu disse que não. E o tempo normalmente prova que estou certo.

2009 marcou a insatisfação do público com a pretensa 4a Edição de D&D. Pathfinder RPG esgota uma tiragem atrás da outra — até um ano depois de seu lançamento era quase impossível adquirir o livro básico. Os autores da Paizo têm mais afinidade e respeito por Dungeons & Dragons que os próprios fabricantes do jogo oficial; quase nenhum dos grandes autores que nos deu D&D 3E e o Sistema D20 estão atualmente na Wizards.

Eu e meus amigos amamos D&D, jogamos desde a segunda edição. Quando veio a 3E, adoramos e adotamos. Mas quando veio a 4E… não vimos ali o D&D que conhecemos. Nem vimos ali um RPG. Hoje jogamos Pathfinder, e estamos satisfeitos com ele.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

Ainda em 2008, Mauricio de Sousa lançava a Turma da Mônica Jovem. Ele conheceu meu trabalho em Holy Avenger, me convidou para escrever o título, e não parei desde então — meu 2009 foi quase todo dedicado a roteiro de HQ. É a revista em quadrinhos de maior vendagem nas Américas (talvez até no Ocidente, não tenho certeza), então acho que estou trabalhando bem.

Mas isso acabou me mantendo longe do RPG, justamente no aniversário de dez anos de Tormenta. Precisei me afastar da DSlayer. Tive alguma participação no Contra Arsenal, embora menos do que gostaria. E quando posso, mexo no Tormenta RPG, que infelizmente não ficou pronto ainda este ano.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

Acredito que a Jambô continuará crescendo para se tornar a maior editora de RPG nacional — aliás, um posto que ela já conquistou em alguns aspectos. A empresa apóia suas linhas principais no Sistema D20 — que ainda tem muita força no Brasil, com sua grande base de fãs e acervo de títulos —, mas também investe em sistemas para iniciantes, como 3D&T e agora Aventuras Fantásticas. Suas escolhas inteligentes estão gerando frutos merecidos.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

Minha primeira e maior prioridade é concluir Tormenta RPG. Agora que D&D 3E não é mais publicado no Brasil, o cenário não pode mais depender de seus livros básicos.

Eu gostaria de preservar D&D como gostamos dele. Pathfinder RPG seria ideal para isso — mas é um produto caro demais para o Brasil, não tenho conhecimento de nenhuma editora interessada em lançá-lo aqui. Não sei se Tormenta RPG será capaz de cumprir esse mesmo papel, substituir D&D como livro básico; tivemos muitas discussões entre inovar, mudar coisas, mas manter a compatibilidade em respeito ao material antigo e seus fãs. Ano que vem, saberemos se vai funcionar.

Comentários: Acho que a RPGCon como principal destaque do RPG nacional em 2009 não foi nenhuma surpresa – afinal se por algum tempo existiu a possibilidade de um ano sem um grande encontro nacional, a RPGCon não só resolveu isso como superou em inúmeros pontos o EIRPG mesmo com seus dezesseis anos de tradição. Todo mundo que foi na parada saiu de lá animado e afim de produzir mais, trocar idéias e experiências. Um dos pontos altos de 2009 na minha opinião também!

Também compartilho boa parte da animação do Cassaro com o Pathfinder RPG da Paizo, que já roubou o posto de minha editora favorita até então ocupado pela Green Ronin, mas por outro lado nem de longe acho que 2009 foi marcado pela rejeição a 4ª edição do Dungeons & Dragons – o jogo continua forte, e quem não gostou dele em 2008 (uma parte vocal da comunidade vale dizer), em 2009 continuou buscando outras alternativas e criticando a edição mais recente e suas grandes mudanças.

O Tormenta RPG com suas regras baseadas na 3ª edição do Dungeons & Dragons será um lançamento importante deste ano não só para o Cassaro e a Jambô, mas talvez para todo o mercado nacional, já que a editora Devir não mais lança reimpressões dos livros básicos do D&D 3.5. Assim, o Tormenta RPG será a principal forma dos jogadores terem acesso as antigas regras do Dungeons & Dragons em português, além é claro de trazer o cenário de Tormenta. Resta ver como a questão da compatibilidade trazida pelo próprio Cassaro foi contornada, afinal o cenário tem suas peculiaridades e mecânicas próprias.

E vale lembrar que rolaram alguns boatos sobre a possibilidade de uma editora nacional sondando os direitos do Pathfinder RPG para lançá-lo aqui. Mas definitivamente não será a Devir (que já tem o D&D), e nem a Jambô que vai tentar preencher este nicho com o Tormenta RPG, então parece que não temos mais ninguém no horizonte com capital e habilidade para fazer isso…

Queria agradecer novamente ao Marcelo Cassaro por ter participado da brincadeira e enviado quase imediatamente as respostas, super solícito e acessível como sempre! Esta semana ainda publico a segunda entrevista da série, desta vez com as resposta de um dos blogs para dar uma variada. E vocês o que acharam? RPGCon e Pathfinder RPG na cabeça em 2009?

Entrevista com o Guilherme da Jambô

O Nume do .20 e agora colaborador do Ambrosia fez uma bacana entrevista com o Guilherme Dei Svaldi, editor-chefe da Jambô Editora, aquela que mês após mês não deixa de nos surpreender. Ler a entrevista na integra é totalmente recomendável, mas vou colar e comentar uma pequena parte por aqui no AC:

Ambrosia: Um ponto que muitos se perguntam, existe uma intenção da editora de entrar em outros mercados de entretenimento além do RPG? Nos quadrinhos ou em card games, por exemplo?

Guilherme: O foco da Jambô Editora é “livros divertidos”. Dentro desse foco, iremos abrir novas linhas de produtos. Esperem novidades para o ano que vem, como uma linha de literatura de fantasia, que irá trazer romances de autores nacionais e internacionais.

Essa entrada na literatura de fantasia certamente é um reflexo do retorno dos romances de Tormenta escritos pelo Leonel Caldela, que abriu uma bela porta na popularização da literatura de fantasia nacional. E sobre os gringos, eu posso ser otimista, mas o lançamento de A Song of Ice and Fire seria sensacional!

Ambrosia: Mutantes & Malfeitores, uma das linhas mais recentes da editora, já tem previsão de dois lançamentos ainda para esse ano. Isso significa um sucesso financeiro da linha. Também vai significar um incremento nos investimentos para a divulgação do jogo em meios de comunicação relacionados?

Guilherme: Sim! Mutantes & Malfeitores foi uma surpresa mesmo para nós. Quer dizer, esperávamos que o livro fosse bem — só não imaginávamos que fosse tão bem! Iremos investir bastante na linha, tanto em termos de lançamentos quanto em termos de divulgação.

Todo mundo meio que já sabia, mas o lançamento do Mutantes & Malfeitores nacional em uma versão econômica foi provavelmente a melhor idéia que uma editora teve no mercado brasileiro de RPG em muitos anos, e esse retorno dos jogadores só comprova isso. Conheço gente que parou de comprar livros de RPG na época do GURPS terceira edição e que catou a versão da Jambô do M&M para fazer uma preza para a iniciativa , e claro, pelo precinho camarada!

Ambrosia: Guilherme, o que te levou a decidir pelo lançamento simultâneo do Manual 3D&T Alpha em versão impressa paga e em versão PDF gratuita? Com certeza é uma jogada de marketing muito interessante, mas acha que compensa o risco?

Guilherme: A idéia de disponibilizar o Manual 3D&T Alpha gratuitamente tem como objetivo levar o RPG para a maior quantidade possível de pessoas. O 3D&T é um ótimo sistema para iniciantes — é fácil, rápido e, acima de tudo, divertido —, por isso é uma ótima porta de entrada para o hobby. Assim, de um ponto de vista de marketing, a Jambô está criando novos clientes potenciais. Pessoalmente, também acho muito legal a oportunidade de levar o RPG, um hobby que considero saudável e muito divertido, para outras pessoas.

Bom acho que com essa resposta encerro meu caso. Os caras liberaram a distribuição do Manual 3D&T Alpha em PDF não só porque são bonzinhos, mas com uma jogada visando o aumento de seu público potencial, e para isso tomaram um curso de ação inovador aqui no Brasil. Como diz o Garrell, muito respeito pela Jambô, os caras sabem o que fazem e não tem medo mesmo de tentar novas soluções e idéias para o mercado nacional de RPG.

A entrevista está bem legal, parabéms pro Nume. Só acho que faltaram algumas perguntas mais gerais sobre o mercado de RPG nacional, ou ainda sobre o contato da editora com seu público, que é feito de maneira soberba nos fóruns da Jambô. O próprio Nume postou alguns comentários sobre a entrevista e suas expectativas, e achei a idéia foda, ficou bem parecido com os extras de um DVD da entrevista, uma forma muito legal de deixar o Ambrosia com o material exclusivo, e simultaneamente oferecer mais profundidade e bombar o seu blog pessoal. Vou tentar fazer algo assim sempre que escrever para o D3system!

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