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Entrevista com Scott Rouse

O site icv2, uma das melhores fontes sobre o mercado de produtos nerds como quadrinhos, videogames e jogos de tabuleiro, fez uma entrevista em duas partes com Scott Rouse, principal responsável pelo Dungeons & Dragons atualmente.

A entrevista não tem nenhuma informação extremamente revolucionária, mas não deixa de ter seus momentos. Na primeira parte Rouse responde de maneira bastante didática questões sobre os rumos da OGL e da licença D20. Já a segunda metade trata principalmente dos esforços de marketing e público-alvo da nova edição.

Lembrando que em alguns dias a novela das licenças deve ter mais um capítulo, já que Rouse prometeu uma declaração oficial sobre a questão das editoras serem obrigadas a adotarem exclusivamente a 4ª edição ou a 3.5. E quando assunto envolve OGL, licença d20 e SRD, eu sempre recomendo reler isso aqui.

Surge o Gleemax!

A Wizards of the Coast anunciou ontem o lançamento do portal Gleemax, o primeiro passo concreto da empresa na chamada Digital Initiative. Segundo o release e a nota de boas vindas do portal, o Gleemax tem como base três pilares:

- A comunidade de jogadores, através de uma rede de relacionamentos com páginas pessoais, blogs e ferramentas que dêem destaque aos jogos, como a possibilidade de publicar personagens de D&D, bandos de D&D Miniatures, decks de Magic, etc.

- Jogos não somente da WotC como o Magic Online e Uncivilized: The Goblin Game, mas também de empresas parceiras que receberam o “selo de aprovação da Wizards”, como a Avalon Hill, comprada pela Hasbro.

- Material editorial, principalmente artigos sobre os jogos e seu desenvolvimento. No futuro serão adicionados blogs de funcionários da WotC, com o objetivo de criar um canal efetivo de diálogo com os fãs.

Apesar de liderado por Randy Buehler, Vice Presidente de Jogos Digitais da WotC, o Gleemax tem como objetivo funcionar através de uma espécie de conselho editorial formado por destaques das mais diversas áreas de jogos de RPG e estratégia, além de três jogadores que terão a tarefa de representar os a comunidade de jogadores. O processo de seleção ocorrerá no próprio Gleemax e será nos moldes de um reality show de TV.

Finalmente o Gleemax será lançado em diversas fases, cada uma contendo novas ferramentas para a comunidade de jogadores. A primeira fase será demonstrada na GenCon em Agosto, e terá como principal atrativo as ferramentas de rede de relacionamentos e material editorial. Depois no segundo semestre de 2007 e no início do ano que vêm novas ferramentas serão adicionadas ao portal assim como novos jogos.


Essa foi minha tradução livre e muito resumida do release e nota de boas vindas do portal. Mas muitas outras informações interessantes foram encontras em uma entrevista em três partes feitas pelo ICV2 com
Randy Buehler. A primeira parte é totalmente focada em Magic, o que faz sentido, já que a comunidade do Magic Online deve ser incorporada ao Gleemax de uma forma ou de outra. Se o Giltônio animar de escrever algo sobre isso no blog dele eu colo aqui!

Na segunda parte da entrevista Buehler fala sobre o modelo de negócios do site, e revela que as ferramentas de relacionamento serão em sua maior parte gratuitas e subsidiadas através de propagandas. O Magic Online não deve sofrer modificações na forma como é vendido, e a sessão de jogos de estratégia terá uma taxa mensal para ser utilizado.

Outra informação interessante é sobre o D&D Online, licenciado primeiramente para a Atari e depois por esta para a Turbine. Buehler afirma que o MMORPG não será incorporado de nenhuma forma ao Gleemax ou a Digital Initiative da WotC. Porém revelou que as licenças da Dungeon e Dragon não foram revertidas para a empresa sem motivo, e que existem planos relacionados a estas marcas que ainda não podem ser revelados. E finaliza The story that we’re ready to tell at this stage is the story about Gleemax. The story about D&D is for another day.”

O Vice Presidente de Jogos Digitais da WotC também falou sobre o relacionamento entre o Gleemax, D&D e Magic. Segundo ele, em alguns meses as pessoas olharão para a WotC como detentora de três grandes marcas – Magic, D&D e Gleemax. Dessa forma o portal é um produto distinto, ainda que sirva de suporte para o jogador de Magic e D&D. Em suas palavras D&D will still have its own web presence, D&D will still do its own thing, but there will be a lot of cross references with Gleemax. We’ll be trying to drive Gleemax customers over to the D&D Website, and we’ll be trying to drive D&D players over to the Gleemax Website, but they’re not the same thing–they are distinct initiatives”. Ou seja, o Gleemax definitivamente não é o que a WotC planejou para o D&D na Digital Initiative, mas certamente serve como uma amostra e complemento do que virá.

A terceira e última parte da entrevista trata de questões mais específicas como a questão da necessidade de novos jogadores e como o Gleemax pode aumentar e fornecer suporte aos jogadores novatos, com ferramentas para localizar jogadores com interesses semelhantes por localização geográfica, e também da participação de outras empresas e lojas no portal, que poderão ter suas próprias lojas virtuais integradas ao Gleemax.

Entrevista com Silvio Compagnoni – Editor da Dragão Brasil

Como prometido a breve entrevista com o Silvio Compagnoni, novo editor da Dragão Brasil. Antes de tudo queria agradecer ao Sílvio por ter sido tão acessível e ter respondido rapidamente as perguntas. O cara foi tão tranqüilo que me espanta que ninguém tenha entrevistado ele ainda sobre a revista!

1. Vamos começar pelo principio. Você começou a trabalhar com RPG na Devir? Quais eram suas funções na editora e como foi a experiência?

Comecei a trabalhar na Devir na época do primeiro Encontro Internacional de RPG. Antes do evento eu já freqüentava a loja e fazia demonstrações de jogos e fui efetivado durante o 1º EIRPG. Passei por diferentes áreas dentro da empresa aprendendo quase todos os aspectos do hobby até me desligar da mesma no ano passado.

2. Como foi seu primeiro contato com o RPG?
Eu morava no interior de São Paulo e já gostava do universo fantástico. Foi com um dos livros de aventura solo que comprei (do Steve Jackson inglês) o meu primeiro contato direto com o jogo. Eu me reunia com alguns amigos e líamos juntos a aventura, decidindo o que fazer, era uma coisa bem simples e até ingênua, mas garantiu muitas horas de diversão.

Depois quando vim para São Paulo encontrei a Devir. Naquela época eu trocava correspondência sobre fanzines quadrinhos com Douglas Q. Reis, sócio da Devir. Então para descobrir os jogos, revistas e livros que eles começaram a trazer foi um pulo.

3. Como lhe foi feito o convite para ser editor da Dragão Brasil, e o que você pensou na hora?

Eu havia me desligado da Devir para me dedicar mais à produção gráfica em outras áreas editoriais e a trabalhar com restauração de livros e fotos antigas (coisa que acabei nem começando) e muita gente do meio, de lojas, editoras, etc. me diziam que eu seria uma escolha natural para o trabalho. Depois de três meses eu fui chamado pela editora e depois de muita conversa por telefone acabei mandando um projeto que foi aceito.

4. Nas edições anteriores a #121 a Dragão Brasil passou por duas fases muito distintas. Quais características das gestões anteriores você acha que a nova DB deve manter?

Tanto o Trio quanto o Telles tinham um trabalho e estilos próprios, e diferentes do meu. Ainda é cedo, mas minha intenção é imprimir na revista meu estilo e minha visão do RPG no Brasil. O que é lógico num trabalho como esse onde a revista já existe é manter ou adaptar as fórmulas que deram certo e partir daí para uma proposta melhor. A idéia é não apenas inovar, mas trazer ao leitor o que há de melhor no cenário brasileiro de RPG.

Uma coisa interessante é que a revista tem uma identidade já e o público já tem uma empatia por ela, é quase que como um ser vivo, por isso deve-se respeitar o ritmo e aos poucos agregar mais qualidade ao que já foi aplicado na revista.

5. A Dragão Brasil #121 surpreendeu muita gente pela sua quantidade de material oficial, aproximadamente metade da revista. Podemos esperar que isto se repita nas próximas edições? Ou gradualmente haverá mais espaço para colaboradores?

A idéia é abrir a revista tanto para o leitor que quer colaborar quanto criar um espaço para que as editoras mostrem seu trabalho. Acredito que existe muita gente escrevendo e desenhando bem e por isso merecem um lugar de destaque na revista, mas não podemos esquecer as empresas que trabalham duro para produzir tanto material próprio quanto material importado.

Acho que trazer esse material oficial era um passo natural a ser dado. O leitor e as editoras merecem um canal de comunicação e esse é o dever da revista.

Não classifico o material oficial como sendo melhor que o material criado por um leitor ou um escritor “amador” é apenas um adicional, um elemento a mais para a revista. E sim, teremos mais material oficial nos próximos números.

6. Como foram selecionadas as seções da revista que iriam permanecer (Pergaminhos dos Leitores, Movimento Browniano e RPG Online) e as que seriam retiradas? Existe alguma chance de velhas conhecidas dos leitores, como a Dicas de Mestre, voltarem às páginas da DB?

Apenas um elemento sofreu mudança e foi removido da revista e isso reflete um pouco da minha visão como editor. Queria uma revista sóbria que trouxesse material ao leitor de qualidade e que tratasse o leitor com seriedade, por isso o humor foi um pouco reduzido. Nada foi retirado, não é porque não havia as dicas do mestre nesse número, ela vai deixar de existir.

Algumas seções sofreram mudanças. Por exemplo, no Pergaminho dos Leitores decidi apenas focar nas cartas e nas cartas com um conteúdo bacana para a revista, sem falar num outro incentivo para os leitores escreverem que é valorizar as cartas bem escritas, trabalhadas, decoradas, etc.

No caso do RPG on-line, e outros jogos, eu vejo que hoje em dia o jogador de RPG não joga só RPG. Ele possui uma bagagem muito maior e nada mais justo do que trazer para ele mais informações sobre diferentes aspectos do hobby.

Quando estávamos finalizando o primeiro número assinado por nós, notamos que tínhamos muito material para as 64 páginas de revista e por isso decidimos não ter algumas seções neste número.

7. Quais foram as principais mudanças que você achou que a revista deveria sofrer antes de voltar às bancas? Alguma delas ainda não foi executada?

Eu achei que tanto o visual quanto a abordagem dos assuntos deveria refletir minha visão do RPG. Em parte a revista traz a visão e estilo de seu editor e é isso o que acontece agora. Queria uma revista mais madura, pois tanto o RPG quanto os jogadores amadureceram. Eu vi o hobby caminhar no Brasil desde seus primeiros passos e fiz parte dessa história. O leitor da revista hoje é diferente do leitor da revista há 5, 10 anos atrás, quando ela começou.

Parte das idéias ainda não chegaram a estrear na revista, mas acredito que nos primeiros números poderemos mostrar nossa visão do hobby e também aprender com os leitores quais mudanças poderemos fazer e quais aspectos da revista deveremos manter.

8. Qual foi a principal dificuldade que você sentiu ao assumir a Dragão Brasil?

A idéia do projeto era maior do que o orçamento da revista, isso fez com que algumas idéias ficassem dentro da gaveta até a revista engrenar novamente. O hiato fez com que o projeto tivesse uma primeira fase de re-conquista do leitor.

Temos que trabalhar com um orçamento enxuto e com um número de páginas que às vezes é curto, mas este tipo de dificuldade é que faz com que você encare o desafio de trazer um bom material para o público de RPG no Brasil.

A editora, desde que aprovou e acreditou no projeto foi muito prestativa e parceira, isso ajudou muito e fez com que as coisas caminhassem muito bem neste início de trabalho.

9. Encerrando a seqüência de perguntas sobre a revista, o que podemos esperar dos próximos números da Dragão Brasil?

A idéia é que a revista possa servir como parceira do jogador e do mestre, trazendo informações, entretenimento e uma visão aberta do hobby.

Num tempo de informações correndo na velocidade da luz pela internet, fica sem sentido ter um espaço de noticias na revista, o jogador também por outro lado é ávido por informação, então tentamos trazer na revista um misto de informação útil ao jogador além de material para ser usado na mesa de jogo.

10. Como você imagina que esteja o mercado nacional de RPG daqui a três anos? O que você acha que mais falta no mercado nacional atualmente?

Acredito que temos ainda espaço e um longo caminho para amadurecermos profissionalmente. Conversando com amigos que atuam e trabalham no exterior eu vejo que aqui ainda temos um longo caminho a percorrer, com seus altos e baixos.

O que espero é que nos próximos anos as editoras se consolidem e abram espaço para novos profissionais, sejam no ramo impresso ou na Internet.

A única coisa que me assusta um pouco é a falta de espaço para os jogadores se encontrarem. Hoje as lojas especializadas perderam força e terreno e poucos acreditam em seu potencial.

Outro fator que ainda se mostra fraco é o dos clubes e associações. Os que existem fazem um trabalho hercúleo e pouco visto, entendido e respeitado. Acho que este é outro ponto que precisa crescer.

Toda vez que me perguntam isso eu me lembro de uma longa conversa que tive com alguns editores e escritores dos EUA. Eles sempre me perguntavam onde estavam os clubes e associações e onde estavam as pequenas editoras de garagem. Isso me foi perguntado no início dos anos 90, e só agora começaram a aparecer por aqui este trabalho.

Isso precisa ser apoiado e trabalhado para que possamos ver o hobby crescer.

11. O que você tem jogado ultimamente? Alguma coisa lançada recentemente te chamou a atenção e foi para a fila de espera dos jogos?

Eu tive um mestre excelente que sempre trazia para a mesa de jogo um livro diferente, com ele aprendi a procurar novidades e experimentá-las. Dei sorte também de ter grupos de jogos sempre ávidos por jogos diferentes. Isso fez com que o leque de idéias para aventuras, interpretação e da habilidade de mestrar melhorasse muito a ponto de até mesmo a aventura mais simples de D&D se tornasse uma ótima aventura para nós.

Tenho voltado minha atenção tanto aos jogos clássicos quanto aos “novos” jogos, fica difícil apontar um único sistema ou cenário, mas posso dizer que tenho lido o material do Monte Cook, Greg Stolze, John Tynes, CJ Carella além de reler grandes clássicos.

Gosto muito do sistema e do cenário de 7th Sea, Estou re-lendo Call of Cthulhu, GURPS, Cyberpunk 2030 e na fila dos livros não lidos, estão Unknown Armies e Warhammer Fantasy Battle RPG.

12. Pergunta totalmente não relacionada ao RPG: A DB #121 foi feita ao som da excelente banda de hardcore Dropkick Murphys, que mistura influências do punk com elementos irlandeses. O que mais você costuma escutar e o que tem ouvido atualmente?

Eu gosto muito de hardcore e punk, mas se puxar minha lista de músicas do meu iPod você vai encontrar de tudo: música eletrônica, heavy, hardcore, muito punk, mpb, jazz e música infantil que escuto e às vezes chego a decorar, pois fico cantando para meu filho de 1 ano.

Considero a música uma das formas mais belas de se expressar e por isso gosto de escutar coisas novas, gosto de resgatar bandas clássicas, etc. Pra matar a curiosidade, posso dizer que no próximo número estou escutando bastante Misfits e já separei a trilha sonora do Conan para um número próximo.