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Fim do Gleemax

(Começou a maratona de 20 posts em 10 dias!)

O Gleemax mal surgiu e já subiu no telhado…O portal, que deveria ser uma espécie de comunidade online para apreciadores dos mais diversos tipos de jogos, não deu certo em praticamente nada, com uma navegação e interface extremamente confusas, um sistema de blogs tosco, e não tinha as ferramentas mais básicas que uma rede social de jogos deveria ter. Resultado: a Wizards cancelou oficialmente a parada para se dedicar exclusivamente ao D&D Insider e o Magic Online III.

E a Wotc fez muito bem desta vez. O Gleemax era uma parada sem foco e caótica, e concentrava recursos que obviamente seriam mais lucrativos nas duas principais marcas de jogos da editora – Dungeons & Dragons e Magic: The Gathering. Também devemos reconhecer que a Wizards nunca mandou muito bem em suas tentativas digitais, já que são poucos softwares da empresa que foram pra frente, e infelizmente o Gleemax, apesar da proposta até legal, foi mais um fracasso retumbante de execução.

Após tudo isso, podemos olhar para o D&D Insider vendo o copo meio cheio ou meio vazio, dependendo do otimismo/pessimismo de cada um. Por um lado o fim do Gleemax é ótimo para o DDI, já que o coloca no topo de prioridades da Wizards. Mas por outro, esse fracasso de algo que a editora investiu uma boa grana, tempo e divulgação mostra quem eles ainda tem muito a aprender na área digital, o que acaba deixando um mal pressentimento sobre o futuro do D&D Insider. Estou cada vez mais me inclinando para o último ponto de vista – do copo meio vazio. E você?

10 dias sem postar, um novo recorde!

Acho que faz muito tempo que não fico tantos dias assim sem escrever nada por aqui. Uma mistura de trabalho frenético e desanimo de escrever ajudou bastante nesse resultado. E agora o que vai ser dessa humilde página? Abandono e esquecimento pelos próximos dias?

Não! Nos próximos 10 dias farei uma maratona de posts, mais especificamente 2 por dia, até o dia 9 de Agosto. Provavelmente não serão os posts mais longos e inteligentes que o mundo dos blogs já viu, mais ainda assim, serão 20 entradas em 10 dias e sem essa frescura de trabalho ou desanimação. E amanhã já está valendo!

Errata da 4ª edição

Esta semana a Wizards of the Coast disponibilizou a primeira errata oficial do D&D 4ª edição. Os três livros foram corrigidos, e a errata que tem o maior número de páginas, como não poderia deixar de ser, é do Player’s Handbook. Nele as principais correções foram nos poderes, em especial o Blade Cascade que podia ser usado infinitamente desde que os ataques continuassem acertando o alvo, e era base de vários combos malucos como o Orcus Slayer.

O Monster Manual tem a menor errata, com basicamente a correção de pontos de vida, poderes e dano de alguns monstros.

A errata do Dungeon Master’s Guide é a que trás as maiores mudanças. Primeiro a mudança das Classes de Dificuldade dos testes de perícias. Se antes o livro indicava como base para a DC 10 para testes fáceis, DC 15 para moderados e DC 20 para os difíceis, agora todos estes valores foram reduzidos em 5, ou seja, respectivamente DC 5, DC 10 e DC 15. O estrago segue pelas doenças, que também tiveram suas Classes de Dificuldade modificados e pior, para os Skill Challenges que já haviam sido apontados por vários jogadores como matematicamente falhos.

Não tenho nada contra erratas, pelo contrário, erros acontecem e que bom que eles foram corrigidos com rapidez. Mas uma coisa que me incomoda demais é essa burrada matemática das Classes de Dificuldade. Não estamos falando aqui de uma frase má construída que dá margem a interpretações dúbias, ou um poder roubado que foi explorado por jogadores combeiros, mas de uma mecânica básica do sistema! Como assim a parada saiu errada? Nos supostos três anos de playtest ninguém percebeu que a DC 10 em um teste de perícia de um personagem de 1° nível não é tão fácil assim? Ou que um Skill Challenge para aventureiros de 1° nível com DC 15 que termina com 2 fracassos é na verdade bem difícil? Puta bola fora dos designers da 4ª edição…

Pelo lado bom, a Devir já anunciou que a versão traduzida dos livros terão todas as correções da errata. Bacana!

A GSL e SRD foram lançadas!

Essa noite foram publicadas no site da Wizards a Game System Licence (GSL) e o System Reference Document (SRD). Como os documentos possuem muitas páginas, e a escrita de advogado não ajuda, vou postar aqui minhas primeiras impressões de uma leitura rápida, mas que deve ter passada desapercebida sobre um monte de detalhes e picuinhas legais importantes.

Sobre a GSL:

  • Websites, miniaturas e programas de criação de personagens não são produtos válidos segundo a licença. Adeus SRD online.
  • Os produtos que seguem a GSL não podem conter descrição de como criar personagens ou avançá-los de nível, igual na licença d20 antiga
  • O produto não pode conter a expressão “Core Rules” ou “Core Rulebook” em sua capa ou campanha promocional. Como era esperado, a GSL foi elaborada para não permitir os jogos stand alone baseados no D&D, como Iron Heroes e Mutants & Masterminds.
  • É proibida a reprodução de qualquer trecho dos livros básicos (isso inclui imagens) que não estejam na SRD. Apesar desta cláusula já existir na licença antiga, como veremos adiante a SRD é muito mais restrita, o que aperta e muito o cerco apresentado neste trecho da GSL.
  • A WotC pode terminar a licença atual a qualquer momento sem aviso prévio. É claro que isso só vai ocorrer quando sair uma nova edição, mas ainda assim, se é algo meio assustador para mim que tenho bem poucos dígitos em jogo com a Secular, imagino para os caras que estão falando de dezenas de milhares de dólares em livros estocados…

Sobre a SRD:

  • Trocentos monstros clássicos ficaram de fora: demônios, capetas, drows, slaad, beholders, yuan-ti, mind flayers, e o tarrasque são alguns deles.
  • Pelo que eu entendi você não pode modificar ou redefinir nada que esteja na SRD. Assim não são permitidas novas versões do Clérigo ou do Mago, assim como uma nova estatística para o Goblin Warrior ou para qualquer ritual ou poder já existente. Por outro lado você pode criar novos destes elementos, desde que não usem os nomes dos existentes na SRD.
  • Como dito na OGL, é proibida a reprodução de qualquer trecho dos livros básicos que não estejam na SRD. Só que na SRD estão só os nomes das raças, classes, poderes e talentos. Moral da história, se sua aventura tem alguns goblins warriors, você tem que escrever apenas: Monsters (see the D&D 4E Monster Manual) – 3 goblin warriors. O mesmo se aplica para poderes, que devem ser citados no seguinte modelo: Adamantine Strike (Level 27 Fighter Encounter Attack Exploit; see the D&D 4E Player’s Handbook). Ou seja, o uso de produtos de outras editoras que não a Wizards vai ser acompanhado de uma constante, e muito chata, referência aos livros básicos.

No geral eu não gostei mesmo, em especial da SRD. Já sabia que não teríamos uma SRD e licença tão abertas quanto da 3ª edição, mas algumas das coisas parecem ter ficado restritivas demais. A SRD é nada mais que um grande template onde as editoras vão encaixar seu material, com um formato bem rígido, e a impossibilidade de alterar o que está apresentado no documento – sejam classes, raças, talentos, poderes ou rituais é um engessamento absurdo que por si só já mataria mais da metade dos livros que existem no mercado hoje em dia.

Se até aqui eu estava otimista com a 4ª edição, agora eu acho que a coisa muda um pouco de figura, pois ficou claro que dificilmente teremos um mercado de livros tão ricos e interessantes como os que surgiram na 3ª edição, mesmo considerando apenas o que foi publicado sob a licença d20. Por que considerar o que saiu pela OGL já seria até covardia…