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Freeport para Pathfinder

A Green Ronin anunciou esta semana o lançamento do Freeport Companion: Pathfinder RPG Edition um livro que vai combinar o famoso cenário de piratas da editora (e publicado aqui pela Jambô) com o cada vez mais bombante sistema Pathfinder da Paizo, com data prevista de lançamento para Julho de 2010.

O cenário de Porto livre, como foi batizado do Brasil, comemora este ano uma década de existência (junto com o Scarred Lands foi um dos primeiros cenários para a 3ª edição do Dungeons & Dragons, antes de qualquer coisa lançada pela própria Wizards!), e a Green Ronin pretende comemorar a data com o Freeport Companion:  Pathfinder RPG Edition e suas 160 páginas recheadas de piratas, monstros bizarros, mortos-vivos e sindicatos criminosos. O livro tem um preço estimado de $27.95.

O cenário de Porto Livre sempre me interessou, com sua mistura de piratas e horror cósmico, e acho que deve funcionar muito bem com a pegada do Pathfinder, como um bom contraponto ao mais clássico de Golarion, cenário oficial da Paizo.



Entrevistas sobre 2009 – .20

E estamos nos aproximando do final da série sobre mercado de RPG em 2009! Hoje as respostas para as perguntas que vocês já conhecem são dos caras do .20, outro blog crucial como o Paragons e o Rolando 20, e que ainda marca a forma como um blog de RPG colaborativo deve funcionar. Na época que a entrevista foi respondida o CF (do antigo Covil)  ainda não fazia parte do .20 e por isso não apareceu nas respostas. Relembrando a proposta desta série: em Dezembro de 2009 enviei uma mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma pesquisa elaborada com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco simples com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. Dito isso deixo a palavra com os cinco cavalheiros do .20:

1- Como vocês avaliam o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

ARMAGEDDON: Pra mim foi um ano meio “hiato” pra coisa toda. Das grandes só a Devir lançou material pra 4E e do Novo Mundo das Trevas com certa frequência. A Jambô mesmo só lançou mesmo salvo engano o Guia do Mundo dos Reinos de Ferro e a Contra Arsenal. A Daemon tá mais prá lá do que pra cá… Acho que todo mundo guardou seus “ases” pra 2010.

NUME: Apesar do segundo semestre meio parado, o ano como um todo foi bem melhor que 2008. A Jambô e a Devir lideraram os lançamentos. Pela Jambô tivemos a volta dos livros-jogos, o Guia do Mundo dos Reinos de Ferro, Contra Arsenal e as Guerras Táuricas, que foi o primeiro evento megaboga de Tormenta nesse estilo que os quadrinhos Marvel e DC estão popularizando. A Devir esquentou um pouco a 4E, apesar de não conseguir cumprir a promessa feita na RPGCon de nove livros em sete meses.

TEK: Melhor que boa parte dos anos anteriores, aumento da “influência” dos blogs de RPG em avaliação de material e principalmente em divulgação de iniciativas, que por sua vez incentivam o “consumo” desses sistemas.

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano na opinião de vocês?

ARMAGEDDON: Pois é, nacional não teve nada, acho. As traduções dominaram esse ano nas editoras. De Iniciativa, a que pelo menos aparentemente gerou mais movimento foi aquele Old Dragon, só que deve ser impressão que tenho por causa do spam generalizado nas listas de discussão, dos quais já dei minha opinião e não digo mais nada sobre heheh ;D

NUME: Difícil escolher. A melhor notícia, provavelmente, foi o cancelamento do EIRPG que já estava moribundo a anos. E a melhor iniciativa foi a RPGCon sendo organizada no vácuo deixado pela quase-instituição que foi o EIRPG. Considero que o cancelamento do EIRPG foi importante por dar este espaço para que novas iniciativas fossem criadas. Quanto ao melhor lançamento, temos uma penca deles em 2009 e o melhor só pode ficar por gosto pessoal. Meu preferido é o Guia do Mundo, com suas 400 páginas de puro material descritivo.

SHIDO: Mas tem uma coisa preocupante nessa lista, devo ressaltar: Todos os suplementos da Devir são traduções de importados. Da parte da Jambô, idem para os Reinos; o que sobra, por parte da Jambô, é monopolizado em torno de um único cenário. Lançamentos sim. Produção de coisa nova? Nem tanto.

TEK: Gostei da RPGCon ter acontecido e evitado que muitos ficassem “órfãos” do EIRPG. Outro ponto importante a destacar foi a passagem da DragonSlayer para o pessoal da Jambô, além do final da trilogia de romances de Tormenta mudando drasticamente vários pontos do cenário. Menção honrosa para as Iniciativas dos blogs, que se juntaram para produzir material inédito e de qualidade.

3- De forma mais geral, como vocês enxergam o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

ARMAGEDDON: Idem. Um ano que um jogo sobre ratos combatendo patos foi o grande destaque não pode ter sido muito bom XD

NUME: Positivo, em geral. Houveram muitos lançamentos e uma certa diversificação depois da queda do Sistema d20 provocada pela Wizards. Acho que a melhor notícia foi o anúncio do desenvolvimento de um game dos Reinos de Ferro, a iniciativa e o lançamento que mais se destacou foi o Pathfinder, sem sombra de dúvida.

TEK: Um ano bem atípico, e espero que os próximos sejam bons assim. Destaque para Pathfinder entrando na competição com a Quarta Edição, e o anúncio de Dragon Age RPG.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

LEONEL: Estive bastante ocupado com meus assuntos pessoais em 2009, produzi muito pouco em termos de RPG. Acho que posso destacar os trabalhos para a Mongoose, que têm sido legais de se fazer, ainda mais que a Mongoose pegou títulos clássicos… Fiquei muito contente de ter feito alguns mapas e casas para Conan e Paranóia, por exemplo. Para o Brasil fiz quase nada. Acho que destaco apenas um trabalho para a Jambô, e as tiras constantes para a DS. Mesmo aqui no .20 tenho escrito pouco…

ARMAGEDDON: Eu trabalhei em alguma coisa de RPG ou sobre fantasia no geral, mas não cheguei a lançar nada por uma série de motivos…. provavelmente ficou tudo pra 2010.

NUME: Tiveram várias coisas, mas poucas foram a altura do que esperava, por diversos motivos do mundo real não pude me dedicar como gostaria aos projetos de RPG. Existem algumas coisas que vão sair em 2010, mas que ainda não posso falar. O mais legal é uma antologia de contos de Tormenta que vai sair pela Jambô com a colaboração de vários autores do .20.

SHIDO: A única coisa mais “RPGística” em que estou realmente trabalhando é num romance do Romância. Estava indo bem, até o final de semestre zonear tudo. Em cima disso ainda tem um concurso na área que, caso me classifique, me vai tomar grande parte das férias pra confeccionar. Só romance mesmo. RPG, se for sair, só depois (conforme preceitos já defendidos pelo Leonel). Isso se sair algo em termos de RPG, que eu acho cada vez mais improvável.

TEK: Migrar a .20 para um servidor que atendesse totalmente às necessidades do blog, mudar o tema antigo para algo mais limpo e funcional, trazer novos colaboradores para escrever sobre assuntos diversos, incentivar alguns projetos de fãs que me chamaram a atenção e adaptar (junto com o CF) Tormenta para Quarta Edição, entre outros projetos. São muitos, mas fico feliz de ter atingido um nível bom de satisfação com a maioria deles.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

ARMAGEDDON: Vai ser um ano foda IMHO. Tudo o que ficou engavetado/em produção em 2009 deve sair do limbo em 2010.

NUME: Muitas. Estou especialmente empolgado com a idéia de que em 2010 o vale-cultura que será implantado pelo governo dará um hype legal no mercado editorial, e parte desse hype deve afetar o RPG. Provavelmente quando esta entrevista sair o artigo que estou escrevendo sobre o tema já vai ter saído com mais detalhes. Fora isto, estou realmente empolgado como fã de Tormenta pelo novo livro básico. Acho que será um ano ainda melhor para o cenário e para o RPG do que 2009 foi.

TEK: Espero que tenhamos mais eventos, especialmente em SP, além de aguardar ansioso o lançamento de títulos como Tormenta RPG. Vejo também um ano para a consolidação dos blogs de RPG, com um aumento tanto na quantidade quanto no volume de informações, além da maior participação destes tanto na divulgação quanto na produção de material nacional.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

ARMAGEDDON: Até tenho, mas como não tenho certeza sobre nada nem posso dizer se vai rolar ou não. O grande lance seria o Manual do Aventureiro pra 3D&T no qual ajudei um pouco, mas nem sei a quantas anda o projeto.

NUME: O Tiago Lobo me convidou para ir morar em Porto Alegre e talvez trabalhar com a Jambô. Tenho pensado bastante sobre isso e estou inclinado a aceitar. Neste final de ano passei a morar sozinho em outra cidade e a experiência está sendo bacana, acho que vale a pena ir em busca de novas experiências na minha idade.

TEK: Para o início de 2010 devemos trazer novos colaboradores, além de retomar as promoções e o desenvolvimento de material de campanha alternativo, além de colaborações esporádicas para a DragonSlayer, Tormenta e Jambô. O site deve receber novas funcionalidades e eu pretendo escrever mais, provavelmente sobre outros assuntos não ligados diretamente ao RPG mas que influenciam ou são influenciados por ele, como mercado e MMOs.

Comentários: Divertido que dos três que responderam sobre como avaliam 2009 em comparação direta com 2008, o Nume e Tek disseram de um avanço, com mais lançamentos e novidades, enquanto o Armageddon já marca 2009 como um “ano parado” mesmo com o lançamento bem feito da 4e do Dungeons & Dragons pela Devir e as novidades da Jambô. Mas realmente, tirando as duas de cena, não sobra muito a ser dito sobre as editoras no ano passado… E novamente a RPGCON aparece como um dos destaques de 2009, que na minha opinião foi a maior surpresa do ano disparada, já que ninguém apostava que fosse ser um sucesso tão grande!

E vários projetos legais, com destaque para o romance de Romância do Shido, um cenário que eu acho que tem uma pegada muito autoral e absurdamente criativa, e os constantes upgrades do .20. E na parte das expectativas, como todo mundo no blog é super fã de Tormenta, é claro que boa parte da espera sobre 2010 recai sobre o lançamento do novo livro básico do mais famoso cenário nacional. Espero que 2010 esteja vivendo à altura das expectativas, pelo menos já deu pra perceber a retomada do .20 em grande estilo!

Gostaria de agradecer ao pessoal do .20, pelas respostas, em especial ao Salomão “Tek”, sempre veloz nos contatos, e que também me deu uma super força quando o Área Cinza saiu do ar e teve uma série de zicas no início do ano. É disso que estamos falando, jogadores e blogs colaborando para produzirem juntos, ou mesmo quebrarem um galho aqui e ali. Te pago uma cerveja na RPGCON cara!

Entrevistas sobre 2009 – Marcelo Cassaro

Em Dezembro de 2009 dei início a um pequeno experimento – enviei uma proposta de mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma mega pesquisa com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. É claro que alguns não responderam a entrevista, mas uma boa parte o fez. E convenhamos, um ou dois já imaginávamos que não iam responder por outros motivos mesmo. Mas pelo menos eu convidei!

Sem mais delongas é hora de apresentar as respostas do primeiro entrevistado, Marcelo Cassaro, cabeça do Trio Tormenta, responsável pelo mais bem sucedido cenário de RPG nacional, além de editor por anos das revistas Dragão Brasil e DragonSlayer:

1- Como você avalia o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

É difícil dizer. Desde o lançamento da Dragão Brasil em 95, este foi o ano em que estive menos envolvido com RPG — mesmo a DragonSlayer não está mais em minhas mãos. Como meu grupo de jogo usa apenas material importado, não acompanhei o mercado nacional tão de perto.

Não percebi nenhum crescimento (ou decrescimento) significativo. A DragonSlayer continua sendo publicada em uma editora conhecida por cancelar títulos de mau desempenho — no passado a Escala teve três ou quatro revistas sobre RPG, sendo que nenhuma passou de três edições. Isso prova que não houve uma grande redução do público (mas não diz que houve aumento).

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano em sua opinião?

A melhor iniciativa do ano foi, com certeza, a RPGCON. Mesmo planejado em tão pouco tempo, o evento conseguiu cobrir falhas que o Encontro Internacional vinha apresentando há anos. Eu e outros autores tivemos tratamento e atenção que nunca recebemos no IERPG — foi um evento excelente e livre de impurezas, só tenho elogios a ele.

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

Por um bom tempo vi os defensores da 4E bradando que “sempre houve reclamações quando as outras edições mudaram, agora vai ser igual”. Eu disse que não. E o tempo normalmente prova que estou certo.

2009 marcou a insatisfação do público com a pretensa 4a Edição de D&D. Pathfinder RPG esgota uma tiragem atrás da outra — até um ano depois de seu lançamento era quase impossível adquirir o livro básico. Os autores da Paizo têm mais afinidade e respeito por Dungeons & Dragons que os próprios fabricantes do jogo oficial; quase nenhum dos grandes autores que nos deu D&D 3E e o Sistema D20 estão atualmente na Wizards.

Eu e meus amigos amamos D&D, jogamos desde a segunda edição. Quando veio a 3E, adoramos e adotamos. Mas quando veio a 4E… não vimos ali o D&D que conhecemos. Nem vimos ali um RPG. Hoje jogamos Pathfinder, e estamos satisfeitos com ele.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

Ainda em 2008, Mauricio de Sousa lançava a Turma da Mônica Jovem. Ele conheceu meu trabalho em Holy Avenger, me convidou para escrever o título, e não parei desde então — meu 2009 foi quase todo dedicado a roteiro de HQ. É a revista em quadrinhos de maior vendagem nas Américas (talvez até no Ocidente, não tenho certeza), então acho que estou trabalhando bem.

Mas isso acabou me mantendo longe do RPG, justamente no aniversário de dez anos de Tormenta. Precisei me afastar da DSlayer. Tive alguma participação no Contra Arsenal, embora menos do que gostaria. E quando posso, mexo no Tormenta RPG, que infelizmente não ficou pronto ainda este ano.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

Acredito que a Jambô continuará crescendo para se tornar a maior editora de RPG nacional — aliás, um posto que ela já conquistou em alguns aspectos. A empresa apóia suas linhas principais no Sistema D20 — que ainda tem muita força no Brasil, com sua grande base de fãs e acervo de títulos —, mas também investe em sistemas para iniciantes, como 3D&T e agora Aventuras Fantásticas. Suas escolhas inteligentes estão gerando frutos merecidos.

6- Você já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim nos fale um pouco sobre eles!

Minha primeira e maior prioridade é concluir Tormenta RPG. Agora que D&D 3E não é mais publicado no Brasil, o cenário não pode mais depender de seus livros básicos.

Eu gostaria de preservar D&D como gostamos dele. Pathfinder RPG seria ideal para isso — mas é um produto caro demais para o Brasil, não tenho conhecimento de nenhuma editora interessada em lançá-lo aqui. Não sei se Tormenta RPG será capaz de cumprir esse mesmo papel, substituir D&D como livro básico; tivemos muitas discussões entre inovar, mudar coisas, mas manter a compatibilidade em respeito ao material antigo e seus fãs. Ano que vem, saberemos se vai funcionar.

Comentários: Acho que a RPGCon como principal destaque do RPG nacional em 2009 não foi nenhuma surpresa – afinal se por algum tempo existiu a possibilidade de um ano sem um grande encontro nacional, a RPGCon não só resolveu isso como superou em inúmeros pontos o EIRPG mesmo com seus dezesseis anos de tradição. Todo mundo que foi na parada saiu de lá animado e afim de produzir mais, trocar idéias e experiências. Um dos pontos altos de 2009 na minha opinião também!

Também compartilho boa parte da animação do Cassaro com o Pathfinder RPG da Paizo, que já roubou o posto de minha editora favorita até então ocupado pela Green Ronin, mas por outro lado nem de longe acho que 2009 foi marcado pela rejeição a 4ª edição do Dungeons & Dragons – o jogo continua forte, e quem não gostou dele em 2008 (uma parte vocal da comunidade vale dizer), em 2009 continuou buscando outras alternativas e criticando a edição mais recente e suas grandes mudanças.

O Tormenta RPG com suas regras baseadas na 3ª edição do Dungeons & Dragons será um lançamento importante deste ano não só para o Cassaro e a Jambô, mas talvez para todo o mercado nacional, já que a editora Devir não mais lança reimpressões dos livros básicos do D&D 3.5. Assim, o Tormenta RPG será a principal forma dos jogadores terem acesso as antigas regras do Dungeons & Dragons em português, além é claro de trazer o cenário de Tormenta. Resta ver como a questão da compatibilidade trazida pelo próprio Cassaro foi contornada, afinal o cenário tem suas peculiaridades e mecânicas próprias.

E vale lembrar que rolaram alguns boatos sobre a possibilidade de uma editora nacional sondando os direitos do Pathfinder RPG para lançá-lo aqui. Mas definitivamente não será a Devir (que já tem o D&D), e nem a Jambô que vai tentar preencher este nicho com o Tormenta RPG, então parece que não temos mais ninguém no horizonte com capital e habilidade para fazer isso…

Queria agradecer novamente ao Marcelo Cassaro por ter participado da brincadeira e enviado quase imediatamente as respostas, super solícito e acessível como sempre! Esta semana ainda publico a segunda entrevista da série, desta vez com as resposta de um dos blogs para dar uma variada. E vocês o que acharam? RPGCon e Pathfinder RPG na cabeça em 2009?

Tormenta na 4ª edição do D&D?

Pela data do anúncio ser um pouco suspeita, esperei para confirmar tanto com o pessoal da Jambô como com o Trio antes de reproduzir a notícia bombástica sobre o cenário mais famoso do Brasil: Tormenta terá mesmo um módulo básico com regras da 4ª edição do Dungeons & Dragons!

Segue abaixo a notícia postada pelo Guilherme no fórum da Jambô:

Olá a todo mundo,

A seguir iremos disponibilizar o cronograma de lançamentos da Jambô para 2009. Sim, estamos atrasados, mas é porque estamos trabalhando em vários títulos! Vamos ter novidades para todas as linhas da editora: 3D&T, Mutantes & Malfeitores, Reinos de Ferro… e Tormenta, claro. Na verdade, aí vai um pequeno preview do que teremos para Tormenta ainda esse ano:

É isso que vocês imaginaram! Tormenta terá um módulo básico novo, compatível com a mais nova edição de D&D. É o cenário mais popular do Brasil junto com o jogo de RPG mais popular do mundo!

Mais novidades em breve, fiquem ligados!

Claro que esta pequena e misteriosa nota teve repercussões gigantescas. Como quem acompanha o Área Cinza sabe, os três autores que criaram Tormenta são grandes críticos da 4ª edição, e segundo alguns boatos que circulam na internet, inclusive já haviam começado um plano para sabotar o lançamento da nova edição no Brasil através de matérias tendenciosas na revista Dragonslayer. E claro, eles não ficaram nada felizes com o anúncio feito pela Jambô, já que a decisão parece ter sido unilateral e feita às pressas.

O Trevisan postou em seu blog uma versão dos autores sobre esta reviravolta, acompanhada de uma carta de repúdio e desligamento da editora Jambô. Nossos companheiros do .20 foram como sempre rápidos no gatilho e conseguiram uma entrevista exclusiva com o Guilherme sobre a decisão, e apesar de merecer ser lida por completo, destaco uma passagem que considero reveladora:

.20: Porque essa decisão tão repentina? A tal crise alardeada no maior portal de RPG do Brasil tem alguma influência sobre isto?

Guilherme: A decisão foi repentina, mas apenas porque o momento é de crise. A crise é uma Verdade. Alguns lugares argumentam que não há dados concretos sob a crise, e até mesmo que as informações disponíveis apontam para um momento de expansão (o que seria o contrário de uma crise). Mas isso é bobagem.

Essa informação muda muito do que eu imaginava sobre a bolha do mercado nacional e a crise. Afinal se até a Jambô, editora em maior ascensão no mercado brasileiro de RPG, está sentindo o efeito da crise, o que dizer do restante do mercado nacional? Deve ser por isso inclusive que a Devir está sofrendo com o atraso do Livro do Jogador da 4ª edição. Depois dessa, só falta mesmo o pronunciamento da maior editora do país sobre a crise que até então eu julgava ser fictícia e exagerada…

E falando no mercado nacional, quais serão os efeitos deste lançamento? Com a nova GSL a Jambô pode continuar oferecendo suporte ao cenário para 3ª edição enquanto lança simultaneamente material para a nova edição do D&D. Mas será que esta alternativa é viável? E o suporte ao cenário pela revista Dragonslayer, como será feito, já que a nova GSL impede que uma publicação tenha simultaneamente material da 4ª e 3ª edição? Prevejo um racha – onde o Trio vai abraçar a versão antiga do cenário na revista, e a Jambô vai dar suporte a 4ª edição com seus livros. E como fica o Leonel Caldela? Enfim, muitas dúvidas e questões sobre o futuro não só de Tormenta, mas de uma das mais importantes editoras nacionais da atualidade e do já abalado mercado nacional de RPG.