(Nada mais apropriado que terminar a maratona de 20 posts em 10 dias com uma nota de encerramento, ainda que tardia)
Bom acho que não é nenhuma revelação bombástica, já que só de sacar pelo blog do Círculo dava pra ver o nível de abandono e desatualização, mas como o Galrasia saiu recentemente e foi nosso último trampo juntos, acho que ainda passa um pouco a impressão que estamos ativos e mandando bala. Bem, não… O Círculo realmente acabou, mas me conhecendo vocês não esperam que eu anuncie isso sem uma historinha né?
Mas antes um aviso – essa é minha versão dos fatos. Não que eu acredite que existam várias ou grandes discordâncias, mas o lance é que tudo aqui foi escrito só da minha cabeça sem consultar o resto dos caras, e como minha memória é famosa por ser um lixo, algumas datas e detalhes podem não serem exatamente corretos. Para isso espero que o Barbi ou Giltônio, que estão sempre por aqui dêem uma ajuda!
A parada começou em Agosto de 2004, a exatos 4 anos, quando duas galeras distintas se juntaram para escreverem seguirem esta proposta:
O Círculo é um conjunto de escritores, desenhistas e designers que se reuniram com o intuito de desenvolverem profissionalmente materiais relacionados a RPG na forma de artigos, ambientações e suplementos. O grupo visa elaborar material de qualidade que sirva tanto para jogadores quanto para mestres, ampliando suas opções de campanha, sanando dúvidas ou estabelecendo novas fronteiras a serem exploradas. A equipe se apresenta estruturada de maneira freelancer, ou seja, encaminhando seus trabalhos para diversos clientes, escrevendo para diversas publicações e editoras e lidando com variados mundos e sistemas de regras, atuando com base nas linhas editorias já estabelecidas, porém, com a liberdade de criar também seus próprios projetos inéditos.
A proposta era de algo grande mesmo, envolvendo não só escritores, mas também ilustradores (Ig e Puly) e designers (Leo e Fred), que trabalhariam conosco para entregar um pacote completo ao invés de apenas o texto dos livros. Como eu disse lá em cima todo mundo veio de dois grupos de jogo/convivência distintos – e do meu lado, ou seja, que já jogavam comigo vieram o Barbi, Leo, Aguirre, Ig e Fred, enquanto do outro vieram Garrell, Tiago, Giltônio, Puly e Paulo. O Garrell já tinha publicado alguns artigos na Dragão Brasil e nos orientou um bocado nesta época em relação a como escrever para a revista, e logo lançamos alguns coisas por lá, enquanto em paralelo tentávamos manter uma presença bacana na internet.

Muita gente, pouco trabalho!
Ainda em 2004 o Tiago conseguiu se infiltrar na organização de um evento de quadrinhos daqui de BH, o Nação HQ, e usamos a parada para chamar o Trevisan e Del Debbio, que vieram com o Leonel Caldela para falarem um pouco do primeiro romance de Tormenta que estava anunciado para ser lançado dentro de alguns meses. Também participaram o Thiago Augusto e Shaftiel, e o evento em si foi bem mais ou menos, tanto é que a pasta das fotos no meu computador recebeu o adequado nome de “Evento Esquisito 2004″. Mas foi muito legal sair com os caras por aqui e tomar umas cervejas, em um ritual de intercâmbio cultural que manteríamos vivo por muitos anos ainda!

Da esquerda para direita - Del Debbio, Aguirre, Garrell com 16 anos, Trevisan, Caldela, Paulo e Puly escondidos, eu, e Barbi bêbado.
Depois de um tempo o Paulo e Fred decidiram pular do barco, e o Giltônio teve a idéia de criar uma coluna semanal no site REDERPG, a Curva de Desenvolvimento, que tratava da criação de cenários e se estendeu durante mais de um ano em mais de cinquenta artigos. Foi uma parada que eu acho que não mereceu a atenção suficiente, uma pena, pois o trabalho foi bem completo e minucioso, além de muito divertido de escrever. Temos que lançar isso em PDF!
Nesse meio tempo a Dragão Brasil passou pela conturbada mudança editorial, e nessa nova fase publicamos nosso mini-cenário Varna: Chamado da Guerra. O Varna foi uma experiência maluca e desgastante, embora o resultado tenha sido muito legal, principalmente esteticamente, onde o Ig, Leo, os amigos Glauco Nobre e Kenzo Abeki e especialmente o Puly fizeram um trabalho sensacional. A idéia de mini-cenários, sacada esperta do Barbi, acabou virando um mote da nova DB, e rendeu mais algumas coisas depois. Em outro momento o Varna foi publicado pela editora Daemon, mas eu particularmente não curti o resultado.


Enquanto isso eu, Tiago, Giltônio, Leo e Ig fundamos a Secular Games, que tinha como foco a produção de material para o mercado gringo de livros eletrônicos, e que poderia adaptar coisas feitas pelo Circulo aqui dentro. Foi exatamente neste modelo que lançamos o Shadows of Shinobi, uma versão expandida de uma matéria bacanuda para a DB #115, com a capa pelo Ig.
No Encontro Internacional de RPG de 2005 também fomos convidados a escrevermos um novo cenário oficial para a Dragão, mas vários membros preferiram não participar, assim o que seria um projeto do Círculo se tornou (mais uma!) iniciativa de apenas alguns membros do grupo.
Nesse meio tempo também tivemos a adição do Marcelo no Círculo, que além de ser um ara ótimo (e muito doido) tinha um background interessante trabalhando no Outerspace. Mas ele entrou em uma época meio de baixa, na qual cada um estava totalmente atolado com suas carreiras acadêmicas, trabalhos, enfim, 2006 foi um ano meio parado e morto para nós.
Depois de três anos publicando em um monte de lugares, embora este período tenha sido intercalado com meses de silêncio de rádio e inatividade, finalmente recebemos uma proposta excelente por parte do Cassaro e da editora Jambô. Eles nos deram bastante liberdade para produzir não um, mas dois livros para Tormenta, a aventura Contra Arsenal e o suplemento Galrasia: Mundo Perdido. Isto foi em meados de 2007, e as coisas estavam cada vez mais complicadas, afinal quase todos nós estávamos em nossos últimos meses de suas respectivas faculdades…
Decidimos que a chance era boa demais para ser perdida – afinal montamos o Círculo justamente com a idéia de pegar algo assim! Dividimos a equipe em duas, cada metade com um projeto, mas imediatamente tivemos uma baixa em cada lado: o Barbi e o Giltônio decidiram parar de escrever para se concentrarem em seus mestrados. O resto continuou em frente com os projetos, mas a verdade é que rolou um grande desgaste e todas essas dificuldades de se trabalhar em conjunto, principalmente quando as prioridades se atropelam.
Depois do Barbi e Giltônio foi minha vez de abandonar o barco. Assim que eu, Marcelo e Aguirre (e com o apoio do Cassaro) entregamos o manuscrito do Galrasia, decidi sair do Círculo, embora diferentemente do Barbi, ainda quisesse continuar escrevendo RPG. Mas como um guerreiro solitário a partir dai. Na mesma semana o Aguirre e Garrell anunciaram que também não estavam mais com tempo e condições para manter o grupo, e o Círculo acabou em Dezembro de 2007.
Os caras ainda estão entre meus melhores amigos – encontro alguns deles toda semana, seja no RPG ou nos butecos da vida. Outros deram uma sumida porque estão na correria total, mas ainda dão sinal de vida de vez em nunca. Quando escrever RPG (ou qualquer outra atividade em conjunto) com seus amigos se torna chato, é melhor dar prioridade para o que realmente importa – conversar sobre a vida, beber e jogar RPG : )
Participar do Círculo por 3 anos foi uma experiência excelente, com momentos de real compartilhamento de idéias, debates animados e criação conjunta. Foda que com a correria da vida real isto se tornou cada vez mais difícil, até marcar reuniões era um suplício. Mas ainda assim, foi bacana fazer um monte de contatos, poder participar de tantas coisas, criar a Secular (um post sobre ela no futuro!), enfim, 3 anos muito interessantes com grandes amigos sempre por perto.
Vai ver é por isso que eu nem me importo quando ainda falam que eu sou o Rocha do Círculo, porque no fim das contas eu ainda me orgulho muito da parada.