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Monte Cook vai escrever aventura para o Pathfinder RPG

Nesta última segunda foi anunciado pela Paizo, editora responsável pelo Pathfinder RPG, que Monte Cook, um dos mais famosos  game designers da história do D&D escreverá uma aventura para o sistema variante da 3ª edição da editora. Com lançamento previsto para Julho de 2010, a aventura se chamará Curse of the Riven Sky, terá 32 páginas e marcará a primeira produção significativa de Cook para o Pathfinder RPG, embora ele já tenha dado uma consultoria nas regras do sistema (que eu considero que foi muito mais ter emprestado seu nome para trazer legitimidade pra parada!). Segue a descrição da aventura e outros detalhes do livro:

BOOK FACTS
Title: Pathfinder Module: Curse of the Riven Sky
Author: Monte Cook
ISBN: 978-1-60125-257-9
Product Code: PZO9526
Price: $13.99
Size: 8.5 x 11, 32 pages
Releases: July 2010

A wilderness adventure for 10th-level characters.

Gaming legend Monte Cook comes to the Pathfinder Roleplaying Game with his first published adventure design in years! The heroes unearth an ancient ritual in a treasure hoard that promises power and fortune. The only trouble is, they need a wizard with giantish blood to help them complete it! Venturing to a forlorn cloud giant castle to gain the much-needed aid, the heroes become embroiled in giantish intrigue when they discover the wizard’s fortress under assault by hill giants! Will unraveling the giant wizard’s hidden past convince him to aid their cause, or will it simply bring misfortune, betrayal, and death?

Designed specifically for the new Pathfinder Roleplaying Game rules and written by gaming legend and Pathfinder RPG rules consultant Monte Cook, Curse of the Riven Sky spotlights wilderness adventuring, innovative roleplaying encounters, and problem solving, providing an unforgettable gaming experience.

Será que teremos outro clássico como a aventura de Planescape Dead Gods? A única certeza é que não vai doer nada ter uma aventura escrita pelo Monte, com uma provável capa do Wayne Reynolds… Definitivamente a Paizo tem acertado a mão em agradar os fãs da edição anterior do Dungeons & Dragons!

A arte da 3ª edição

Estou escrevendo uma resenha tamanho monstro do Player’s Handbook da 4ª edição para o D3system, e no começo falo um pouco sobre a arte da 4ª edição. Saiu algo mais ou menos assim:

As ilustrações são bastante coloridas e possuem um estilo mais próximo da fantasia clássica que as vistas na 3ª edição, o que considero uma pena. Os artistas no geral fizeram um bom trabalho, mas algumas imagens deixam a desejar, e algumas não passam à sensação de aventura e dinamismo com as quais estávamos acostumados graças a caras sensacionais como Wayne Reynolds e Todd Lockwood.

Bem não tem muito como falar da arte da 4ª edição sem voltar ao que vimos na 3ª, em especial em relação aos livros básicos. A arte atual é bonita e bem colorida, algo que me atrai, mas claramente retoma uma pegada clássica e mais conservadora com poses muito estáticas. Já a 3ª edição era bem mais revolucionária, com uma idéia de cenas cheia de movimentação e dinâmicas, além de uma estética mais “suja” onde os personagens aparecem cheios de itens, com armas e equipamentos muito variados entre si. Como se os caras tivessem catado a espada do pai deles, o arco de um aliado de terras distantes, o escudo detonado de um inimigo, e a armadura cheia de remendos depois de anos de pancadas. Isso era bem estiloso, me dá uma impressão até meio punk que eu acho que casa bem com o D&D, e que foi exacerbada em Eberron, meu cenário favorito.

Mas a arte da 3ª edição também tinha algo que nunca havia sido feito no D&D. Desde seu desenvolvimento os escritores e artistas pensaram em suas ilustrações (e claro, personagens icônicos) como etnicamente diversas e com uma representação quantitativa proporcional de homens e mulheres. A um tempo atrás o bom e velho e simpático Monte Cook escreveu um excelente artigo sobre os personagens icônicos e a orientação artística do D&D, e como eles tentaram mudar isso na 3ª edição, só para serem parcialmente sabotados com a inclusão de um intruso de última hora.

A parada é muito boa mesmo, leitura altamente recomendada não só para quem tem interesse na questão das ilustrações, mas na própria história do Dungeons & Dragons, e para ver como os designers da Wizards naquela época, apesar de estarem reformulando o jogo completamente, não tinham nenhuma influência em determinados aspectos, como no marketing. E eu sempre quis saber porque diabos os guerreiros são a única classe com dois personagens icônicos!

Interessante também é ver como os designers e ilustradores (no caso o Todd Lockwood) resistiram a esta imposição maluca por um “guerreiro masculinho branco” como mascote do jogo. Muito bom os escritores pedirem imagens do Regdar apanhando, morrendo e se ferrando em geral, afinal o cara estava lá, mas não exatamente se dando bem.

Outra sacada foi a do Lockwood que tentou ilustrar o Regdar da forma mais ambigua possível, para que ele não pudesse ser definido como de nenhuma etnia em especial. Segundo um post tirado da ENworld, que faz referencia a outro da RPG.net:

Originally Posted by Todd Lockwood
EVEN THOUGH THE R&D BOYS WERE CONVINCED THAT THE ICONIC FIGHTER FOR MARKETING WOULD BE A DWARF, I KNEW THAT A HUMAN FIGHTER WOULD BE ADOPTED FIRST. FOR THAT REASON, I INTENDED HIM TO BE AS RACIALLY AMBIGUOUS AS POSSIBLE–HE SHOULD LOOK LIKE HE COULD BELONG TO ANY RACE, OR NONE AT ALL. TORDEK THE DWARF GRACED THE COVERS OF ALL THE EARLY PRODUCT, BUT REGDAR THE HUMAN FIGHTER MADE THE FIRST APPEARANCE ON STANDEES AND POSTERS. THE DETAIL ON THE RIGHT IS REGDAR AT 5TH LEVEL, IN THE ARMOR THAT DEFINES HIM BEST.

O senhor caps lock ai está falando especificamente do primeiro design do Regdar.

Mas como o próprio Cook descreve no post, á medida que os produtos foram lançados o Regdar foi ficando cada vez mais o guerreiro branco fortão que eles queriam evitar e tomando o lugar do Tordek como o personagem icônico da classe. Ainda assim é interesante ver que a proposta de uma arte mais ousada e menos ligada a uns estereótipos cretinos – afinal a equipe de marketing queria um guerreiro branco por que acreditava que os jogadores de D&D são todos homens brancos, ainda persiste em outras editoras, como na Malhavoc do Monte e na Paizo, que tem ilustrações infinitamente superiores e mais interessantes no seu Pathfinder que as vistas nos livros básicos da 4ª edição.

Monte Cook se junta a equipe do Pathfinder

É isso mesmo, foi anunciado hoje no site da Paizo que o Monte Cook, um dos co-criadores do D&D 3ª edição e provavelmente o mais renomado escritor de RPG da atualidade, se juntou a equipe de criação do Pathfinder RPG, o sistema da Paizo baseado na OGL da edição 3.5 do Dungeons & Dragons.

Segundo a nota, Cook será um consultor de regras do sistema. Em seu blog o autor descreveu seu papel no desenvolvimento do Pathfinder RPG, e como ele se diferencia do apresentado nos dois livros da série Book of Experimental Might:

My role is “rules consultant,” and I’ll be really up-front with you regarding what that means (and doesn’t mean). The way it’s been working for the last couple of weeks is, Jason emails me with the occasional question or bounces an idea off of me, and I tell him what I think. I also review the new material he comes up with and give my 2 cents. And that’s really about it. Jason’s not under any obligation to take any advice I might give. It’s his baby. He makes the final decisions. I’m not a designer on this project, I’m a resource. Don’t, for example, expect to see a ton of stuff from the Book of Experimental Might books showing up in Pathfinder (although there might be a little). Pathfinder and the BoXM books have very different goals. Also, because that’s the way my role works, don’t come to me with your own ideas or feedback regarding Pathfinder–I’m not going to be able to do anything with them. The Paizo folks, however, are eager to get any and all feedback that people provide, which I think is supremely cool and part of the reason I’m glad to be a part of this.

O Pathfinder RPG cada vez mais surge como uma possibilidade real de opção frente a 4ª edição do Dungens & Dragons. O Monte Cook trás não apenas toda sua experiência, mas principalmente seu nome e legitimidade ao projeto, que agora mais que nunca vai seguir como uma espécie de “como teria a 3ª edição evoluído se a 4ª não tivesse sido anunciada”. Não podemos dizer que as coisas não estão interessantes para o futuro do D&D!

Brazil!

O Monte Cook escreveu um artigo sobre sua passagem pelo Brasil durante o XV EIRPG, no qual ele fala um bocado sobre a comida em São Paulo, as pequenas diferenças entre as convenções de RPG nos EUA e a brasileira, e se derrete em elogios aos jogadores e organizadores daqui com toda a simpatia que quem viu as palestras do cara já conheçe.Além das observações legais do Monte Cook sobre toda a experiência, ainda temos um dado interessante – segundo o Douglas Reis da Devir o XV EIRPG teve um público de aproximadamente 7000 pessoas, nada mal para um evento que ocorreu nos mesmos dias do AnimeCon e que todos julgaram que estaria vazio.