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POD e PDFs na RPGNow e DriveThruRPG

Foi divulgada no ICv2 uma das idéias mais legais a serem futuramente integradas nas lojas pertencentes a One Book ShelfRPGNowDriveThruRPG: a venda integrada de livros impressos sob demanda, serviço popularmente chamado de POD. Esse papo já rolava no fórum interno das editoras desde o início do ano, mas parece que agora as coisas realmente estão caminhando, e que o serviço poderá ser inaugurado até a Gen Con em Agosto. Abaixo o anuncio da ICv2 e as declarações do Sean Patrick Fannon, responsável pelas ações de marketing da empresa, com meus já tradicionais comentários desnecessários:

OneBookShelf, parent of the DriveThruRPG and RPGNow gaming PDF e-commerce Websites, plans to add print-on-demand capability later this year.  “Improvements in POD are going to enable us to offer a new service; we’ll be able to offer print book options in addition to PDFs in one click,” Sean Patrick Fannon,  RPG Marketing, Communications, and Publisher Services Manager for OneBookShelf told us. “The model we have come up with for our publishers, including some very large and well-known publishers, will allow them to abandon doing print runs on their own.”

Bom acho que parar de fazer impressões as editoras médias e grandes não vão, afinal o custo de fazer milhares de cópias no modelo tradicional ainda é menor que fazer milhares por POD, claro, desde que exista a certeza que estas cópias serão vendidas! O serviço de impressão por demanda ataca justamente aí – o custo de impressão por unidade é bem maior, mas não existe risco de encalhe e perda do investimento, já que a tiragem é feita de acordo com o número de consumidores interessados em adiquirirem o produto. Então para editoras menores, e mesmo linhas novas e produtos mais experimentais das editoras maiores, realmente o POD pode ser um substituto completo da impressão tradicional. Mas não espere ver o Mutants & Masterminds 5ª edição somente em POD nos próximos anos!

In addition to continuing to sell directly to consumers, the company also plans to make POD publications available through hobby game retailers.

Isso sim seria impressionante, vender cópias impressas sob demanda através das próprias lojas de RPG! Mas fico pensando como funcionaria, cada loja teria que ter uma espécie de Kinko’s (o McDonnald’s das gráficas rápidas na gringa) acoplada para conseguir fazer livros de capa dura e com qualidade que os PODs de hoje possuem. E se o que ele quis dizer é só a venda dos PODs pelas lojas, com os livros sendo entregues pelos correios, o que é bem mais realista, a parada perde um pouco de sua inovação, afinal isso eu posso fazer da minha casa ou mesmo do meu celular.

The company is hoping to kick off the new program at Gen Con, but no firm date is set yet.  Initial efforts will be devoted to the RPG category, expanding later to the company’s other categories, including comics.

OneBookShelf is “going from the world’s largest PDF download store to become the biggest RPG store, period,” according to Fannon, due not only to the new POD initiative, but also to the launching of sites in French, German, Italian, and Spanish.

Excelentes notícias, quem sabe em alguns anos não teremos uma versão em português também? Isso sim daria uma reanimada no RPG nacional, já que ainda não existe nenhuma loja de RPG virtual no país, e parece que isso vai continuar assim por um bom tempo.

The company recently took a hit to its volume when Wizards of the Coast abruptly halted sales of PDFs of its products (see “WotC Ends PDF Download Sales”).  Although Fannon acknowledged that the move was a negative for PDF sales, he said that Wizards of the Coast was “not even close” to half the company’s sales.  He pointed to steady growth, even during the current Great Recession, and the steady addition of new material, including the recent addition of Palladium Games titles to the PDF offerings.

Que tipo de declaração é essa aliás – “Não era nem perto de metade das vendas da companhia“. Caramba, se fosse a metade a parada já tinha falido nestas duas semanas sem PDFs da Wizards of the Coast. Eu chutaria sem nenhum embasamento, que as vendas da WotC nos sites da One Book Shelf deviam ser tipo um quarto das vendas das lojas, mas vai saber. Enfim, esse final da declaração, que até então estava indo tão bem, é meio retardado. Primeiro ele manda que a WotC não era nem a metade das vendas, nossa, então vocês nem vão sentir falta hein campeão? E depois diz da entrada da Palladium como parceira na venda de PDFs.Palladium, a editora mais capenga e estranha do RPG norte-americano, e que mesmo sendo uma editora média, não é o que era no final dos anos 90 e quase fechou as portas em 2006. Grande substituta…

Podcast da Green Ronin sobre publicação digital de RPG

nona edição do podcast da Green Ronin foi gravada em uma mesa redonda moderada pelo presidente da editora, Chris Pramas, que reuniu também Jeff Combos do Exile Game Studio, Erik Mona da Paizo, Donna Pryor do Flying Lab e David Stansel-Garner do Catalyst Game Labs, para discutirem a publicação digital de livros de RPG em formato eletrônico, além de temas relacionados como a pirataria, comunidades de jogadores, e claro, a decisão da WotC de encerrar a venda digital de seus livros.

Não dá para resumir bem a parada sem perder muito do conteúdo, já que quase toda a conversa, com cerca de 58 minutos de duração é bem informal e dinâmica, com os interlocutores indo e voltando em pontos que circundam a questão da venda eletrônica de livros de RPG. Mas vou tentar fazer algo nesse sentido para quem está sem saco para escutar uma hora um bando de nerds falando de RPG:

Os primeiros 3 minutos: comentários introdutórios do Pramas, falando do contexto em que foi feita a gravação e dos seus problemas técnicos.

03:00 – 10:00: apresentação dos participantes da mesa. Início da discussão com relatos de como era a publicação de RPG em formato eletrônico na década de 90, o que mudou nos últimos 10 anos e como isso afetou a indústria de RPG de forma geral.

Erik Mona fala sobre como no início os livros de RPG em PDF eram espécies de complementos ou material cortado dos livros básicos na edição, material bem secundário ou periférico mesmo, mas que nos últimos anos o paradigma dos livros eletrônicos se tornou muito mais hardcore, com livros de regras e cenários inteiros em formato eletrônico, muitas vezes lançados juntos (ou até antes!) que suas versões impressas. Pramas comenta a prática da Green Ronin de lançar antes os livros em PDF para depois de algumas semanas publicá-los no formato impresso, para que os próprios consumidores possam colaborar com uma possível errata e correções, que são incorporadas gratuitamente na versão eletrônica, mas que não poderiam ser feitas no livro impresso.

Mona também fala como eles enviam de graça seus livros em PDFs junto com as versões impressas compradas diretamente da Paizo, para que os consumidores tenham uma forma fácil de procurar por determinado conteúdo no livro, ou para preparar seus jogos com mais facilidade.

10:00 – 18:00: Pramas pergunta ao Erik Mona se essa prática de dar o PDF junto com o livro impresso nas compras feitas diretamente com a Paizo não tem incomodado os lojistas, que pelo mesmo preço vendem apenas o livro impresso. O editor da Paizo responde que a saída encontrada pela editora tem sido dar outras formas de suporte para os lojistas, como materiais e livros gratuitos em promoções e datas especiais como oFree RPG Day. Ele continua dizendo que entramos em uma época, onde com a competição das livrarias virtuais e as várias formas de distribuir os livros, as lojas tradicionais que vendem livros de RPG tem que oferecer muito mais que apenas livros em uma prateleira, mas também ter dias de jogos, parcerias com editoras e outras formas de sobreviver em meio aos novos tempos. David Stansel-Garner da Catalyst fala de como eles têm desenvolvido uma parceria com os lojistas, para que estes coletem os e-mails de seus compradores, para que les recebam os PDFs dos livros físicos que compraram na loja, integrando os lojistas assim no oferecimento dos livros eletrônicos.

Ele encerra sua fala com uma analogia muito legal: PDFs são diferentes de livros impressos, da mesma foram que um filme em DVD é diferente de um filme nos cinemas. Ambos tem o mesmo conteúdo, mas em formatos completamente diferentes, com recursos diferentes e preços diferentes.

Jeff Combos do Exile Game Studio diz que por serem um editora muito pequena, eles enxergam os PDFs muito mais como uma ótima forma de divulgar um produto. Se um livro eletrônico é bem sucedido e cria uma base de jogadores e um nome reconhecido, ele então é impresso pela editora, que usa o formato eletrônico como um medidor de como um produto vai ser aceito pelo público, com um investimento muito menor que o de um livro impresso convencional.

18:00 – 27:45: os participantes começam a falar diretamente sobre a decisão da Wizards de encerrar as vendas de todos seus livros em PDF, e conseqüentemente sobre a pirataria e seus efeitos sobre as estratégias das editoras. Chris Pramas diz que quando ouviu pela primeira vez sobre a decisão da WotC pensou que se tratava ou de parte de um plano muito inteligente, ou de um plano muito idiota. Mas que depois das entrevistas do Greg Leeds ele percebeu que as pessoas à frente da Wizards não entendem nada de pirataria, e que se eles realmente acham que com o fim das vendas de PDF vão conseguir impedir os piratas por um pouco mais que algumas horas de lançarem os livros em redes de compartilhamento, eles estão muito errados.

Os debatedores concordam que lutar contra a pirataria é algo que exige muito mais recursos que as editoras de RPG possuem, e que os valores gastos com isso não serão necessariamente traduzidos em vendas. Pramas também diz que a decisão da WotC desencoraja os compradores de livros em PDF, já que agora a único forma onde eles podem conseguir o que antes adquiriam legalmente é através da pirataria.

Erik Mona começa uma choradeira sobre como os jovens estes dias (e ele mesmo zoa isso), enxergam a internet como uma forma de acessar conteúdo de graça, para depois decidirem se vão investir seu dinheiro no produto ou não, se ele vale o que realmente é cobrado. Pramas resalta que esta não é uma prática nova, afinal os livros de RPG xerocados eram muito populares nos anos 80, e foi através deles que muitos futuros consumidores conheceram os jogos. As novas tecnologias só permitiram que está prática se tornasse mais comum.

27:45 – 30:00 : Aqui acho que começa a melhor parte da discussão, quando o David Stansel fala da importância da comunidade de jogadores para o sucesso de uma determinada linha de produtos, citanto a qusae extinção do Battletech. Com a má situação da linha, os própriosfãs começaram a lutar contra a pirataria como uma das formas de apoiar seu jogo favorito, ao mesmo tempo organizando eventos e expandindo o público da linha. Esse tópico da comunidade é algo em que eu venho pensando um monte desde o ano passado, até falei sobre isso no EIRPG do ano passado com algumas pessoas. Acredito que no Brasil as únicas editoras que tenham conseguir fomentar este tipo de comunidade sejam a Daemon, embora ela pareça estar diminuindo, e a Jambô, que tem uma legião bem integrada de seguidores fiéis de suas linhas. Estas comunidades podem servir inclusive como uma proteção contra a pirataria, já que teoricamente a chance de alguém piratear um livro escrito por um cara super acessível que participa ativamente de fóruns e listas, e publicado por uma editora comprometida e que responde seus clientes é menor que a chance de se piratear este mesmo livro se ele fosse escrito por um cara que não tem contato com o público e por uma editora que sequer fomenta canais de comunicação com os clientes. Pelo menos é assim que eu imagino que funcione. Eu e os caras do podcast : )

30:00 – 39:45: Alguém na platéia diz que livros eletrônicos não são apenas PDFs, e que ele tem um Kindle que não lê direito PDFs. Achei essa parte bem chata. Os participantes explicam a dificuldade de re-diagramar um livro de RPG cheio de tabelas e imagens, e que com o PDF isso não acontece, já que é o mesmo arquivo enviado para a gráfica na impressão.

Erik Mona retoma a discussão sobre os títulos em PDF serem produtos diferentes dos mesmos títulos impressos, cada qual com sua especialidade. Ele acredita que é um erro tratar PDFs e impresso como iguais, e que a tecnologia está evoluindo mais rápido que as editoras têm conseguido acompanhar ou mesmo entender. Depois de uma longa e simpática história sobre mapas e a revista Dungeon (na época publicadas pela Paizo), ele concluí que nesta época de mudanças e inovações, especialmente em um mercado de nicho como o de RPGs, interagir com a comunidade de jogadores é crítica para o sucesso das editoras.  Muito bom isso aqui: muitas editoras acreditam que interagir com seus consumidores é algo secundário, que seus funcionários podem fazer de casa nas horas de folga, como algo extra ou diferente de trabalho de verdade. Ele diz que como cabeça da Paizo, sempre defendeu que escutar e criar canais para interagir com a comunidade de jogadores é parte do trabalho da editora. E que deixar isso em segundo lugar pode ser uma estrada para o fracasso.

39:45 – 42:00: Uma garota da platéia fala que muitas pessoas já conseguem ler livros inteiros em PDF, e que necessariamente não querem ou precisam das versões impressas, e Mona fala que realmente, à medida que a tecnologia avança e se torna isso mais comum, é uma tendência que vai aumentar.

42:00 – 49:00: Um cara da platéia pergunta o que os participantes acham do modelo de mensalidade adotado pela Wizards com o D&D Insider. David Stansel fala que o modelo é a muito tempo usado pela Catalyst e que é uma forma excelente de construir uma comunidade ativa e dedicada ao jogo, que pode inclusive contribuir com seu desenvolvimento. Pramas e Jeff Combos falam de como a idéia do D&D Insider é excelente, mas que não está sendo tão bem executada como deveria ou prometida. Erik Mona fala que com as novas formas de distribuição e venda, não só de livros, mas de músicas e filmes também, a própria idéia de ser o proprietário de algo começa a mudar. Um serviço de assinatura é uma forma diferente de vender produtos, que se situa entre o aluguel e a venda, e que isso pode assustar um pouco alguns consumidores. Eu acho isso meio bobo, afinal a lógica das mensalidades é de ter acesso a algo todo mês, e depois disso o material acessado é seu, não é devolvido a editora. Mas enfim, quando encontrar o Mona para tomarmos uma cerveja trocamos essa idéia.

49:00 – 58:00: A moça que fala baixo e estranho pergunta novamente, desta vez sobre o que vende mais, livros impressos ou PDFs. Os debatedores são unânimes em responder que vendem muito mais livros impressos que digitais, em média em uma proporção de 10 para 1. Ao serem perguntados sobre a freqüência que encontram seus livros pirateados na internet, eles respondem que sempre (até a Secular tem seus livros pirateados!), mas Pramas diz que fica um pouco tranqüilo por saber que a maioria das pessoas que tem os livros nos computadores são apenas colecionadores de PDFs, que mal vão ler seus produtos depois do download, muito menos usá-los. Ele espera que os que o façam possam pelo menos serem incentivados a comprarem os livros da editora depois de verem a qualidade dos produtos.

Um cara faz uma pergunta estranha comparando o RPG, falando do Radiohead e tal, que descolado… Mona fala sobre estas inovações e como um editor deve ter coragem para tomar decisões arriscadas, e cita a estratégia de ter disponibilizado de graça a versão beta do Pathfinder, e que além disso eles imprimiram uma tiragem limitada dos livros, que se esgotaram nas primeiras horas da Gen Con. Ele diz que a estratégia de dar os livros de graça em PDF provavelmente ajudou nas vendas da versão impressa, já que depois de ver o documento eletrônico muitos queriam usar o novo sistema em suas mesas de jogo. Mas que o teste final será na Gen Con desde ano, quando a versão definitiva do livro será colocada a venda. Aí sim a estratégia se mostrará bem-sucedida ou não.

Entrevistas com o Presidente da Wizards

No fim da semana o Greg Leeds, CEO da Wizards of the Coast deu duas entrevistas, que embora tenha conteúdo muito semelhante, são extremamente interessantes e reveladoras para aqueles curiosos com os rumos da maior editora de RPG do mundo. A primeira delas foi publicada na EN World, e a segunda, mais afiada e enfática nas perguntas, foi feita pelo sempre excelente site ICv2. O Felipe do blog 42 tem mantido seuimpressionante trabalho de tradução, e em menos de 12 horas debulhou as duas entrevistas no blog, que inclusive usarei aqui para comentar alguns trechos. Como as entrevistas são bem semelhantes, não vou diferenciar ou comentar uma de cada vez, até porque as perguntas se repetem:

A última, se a Wizards esta planejando usar outro método para fazer seus conteúdo digital disponível [ além de PDFs], porque acabar com os PDF antes desta alternativa estar pronta para uso? Não criar um ambiente, pelo menos temporariamente, não encoraja aqueles que estavam comprando seu conteudo legalmente de agora conseguir o material por cópias piratas?

O alcance da pirataria foi tal que tivemos que parar toda a distribuição de material digital enquanto procuramos outra opção. Após poucas horas do seus lançamento, o Player Handbook 2 havia sido baixado milhares de vezes. Nós, em uma estimativa conservadora, estimamos que para cada livro baixado legalmente, outros dez foram baixados de forma ilícita. Nós estávamos preocupados que esta atividade começasse a afetar lojas reais, e a Wizards não podia parar e deixar que isto aconteça quando há outras opções para adquirir nosso produtos.

Ah então tá, a preocupação da WotC é com as lojas reais, ok. O ponto central aqui não é o de quantas cópias ilegais do PH2 foram baixadas, certamente foram milhares. Mas sim quantas destas pessoas compraram o livro impresso depois, ou quantas delas jamais o comprariam, com ou sem cópia pirata rolando. Esse é o cerne da discussão sobre a pirataria – como ela afeta realmente as vendas. Dizer que foram milhares de downloads é dizer nada, aliás algumas empresas disponibilizam as versões eletrônicas de seus livros de graça e ainda assim conseguem boas vendas com as versões impressas. Não que eu queria que a WotC faça essa jogada, seria utópico esperar isso, mas esse argumento do número de downalods ilegais sem uma análise qualitativa fica muito mais frágil.

Outra teoria diz que a Wizards planeja vender PDF ela mesma, e queria manter a inteira margem de lucro, ao invés de reparti-la com websites terceirizados. Qual a sua resposta para esta teoria?

Simplesmente dizer que ela esta incorreta. Nós não planejamos vender PDFs, e estamos procurando outras opções para distribuição digital do nosso conteúdo.

toda a minha teoria vai por água abaixo… Bom tentar prever o futuro dá nisso não é? De qualquer forma, modéstia a parte, acho que seria a ação mais inteligente da WotC com base no cenário que temos conhecimento hoje.

A decisão de revogar a venda de PDFs significa que a Wizards não mais fornecerá qualquer outro método para se adquirir livros fora de catalogo como aqueles de edições antigas? Há algum plano de prosseguir com o acesso dos consumidores as cópias destes trabalhos através da Wizards, ou os consumidores deverão ir atrás de outros canais para adquirir estes produtos que estejam fora de catalogo? Se a última for verdade, porque a Wizards escolheu evitar dar este acesso?

Nós não temos qualquer plano de retomar as vendas de PDF, mas estamos atualmente examinando outras opções para a distribuição digital do nosso conteúdo, incluindo antigas versões. Nós entendemos que o conteúdo digital é importante para nossos consumidores.

Se levarmos a sério a parte do “não temos planos de retomar as vendas de PDF“, acho que uma boa aposta seria oferecer parte ou mesmo todo o catalogo da editora como um plano plus do D&D Insider, Isso traria muito mais gente para o serviço, e seria um uso interessante de livros antigos que hoje são peso morto para a editora.

Banindo as vendas de PDF, a Wizards of The Coast agora não tem mais nenhuma forma legal para os consumidores comprar o seu conteúdo digitalmente. Isto parece punir aqueles que estavam pagando pelo seu conteúdo digital, enquanto faz pouco para parar os piratas que podem continuar escaneando seus livros e compartilhando cópias digitais por aí, criando um novo aumento na pirataria. Qual a sua resposta para esta linha de raciocínio?

Nós entendemos que nossas ações não eliminaram totalmente a pirataria, mas não queremos também facilita-la.No fim para melhor suportar e aumentar nossa indústria de RPG, precisamos de uma base de vendas fortes. Entendemos que nossos fãs tem usado PDFs, e nós estamos atualmente procurando outras opções em distribuição digital. No tempo médio, nós precisamos proteger nossa indústria.

Leeds amigão, te contar um segredo: a pirataria de livros de RPG é muito mais antiga que o mercado de PDF’s. Ah, mas o plano é dificultar a pirataria. Ok, antes o nerd gordinho de Atlanta comprava o livro de D&D na RPGNow e liberava em um p2p. Agora o mesmo nerd gordinho gasta uma tarde inteira escaneando o livro antes de jogar no p2p. Talvez a vida dele tenha se tornado alguns mácrons mais miserável, mas para a Wizards, que é o que importa para nós, o efeito é o mesmo – o livro está na rede.

Quais estratégias, você pode compartilhar conosco , que você esta buscando para aumentar ainda mais as vendas e penetração no mercado?

Nós estamos felizes com a performance da 4 Edição. Nós tivemos que reimprimir o Player Handbook da 4 Edição três vezes e o PH2 já esta indo para sua segunda impressão. Ultimamente  o nosso objetivo é manter a indústria de RPG forte, e nossa estratégia para isto é continuar a cria grandes produtos para a 4 Edição que atraiam nosso fãs e mantenha-os jogando D&D. Por sua vez, isto irá aumentar a indústria de RPG.

Achamos a anti-fonte perdida! Piadas à parte, já sabíamos que a 4ª edição estava mandando bem nas vendas, e a única novidade mesmo foi sobre a reimpressão do Player’s Handbook 2.

Enfim, achei ambas as entrevistas decepcionantes, não pelos entrevistadores ou pelas perguntas, definitivamente eu não teria feito melhor, mas pelo nível das respostas. Ou o Greg Leeds está escondendo o jogo de alguma grande mudança e inovação, esperança que se torna a cada dia mais fraca, ou então ele e sua trupe estão tomando uma série de decisões importantes com base em um senso comum maluco, como esse da pirataria. Eu ainda tinha esperança que ele apresentasse um plano de vendas dos PDF’s da empresa, ou ainda algum tipo de estudo ou avaliação do efeito que os downloads piratas possuem nas vendas da 4ª edição, mas não, ao invés disso fomos presenteados com o mais raso senso comum de fóruns de RPG. Diabo, mesmo que eles viessem de volta com aquela idéia imbecil do DRM, eu ficaria puto é claro, mas ainda assim seria um plano. Como as coisas estão, a única impressão que as entrevistas me passaram é que a cabeça da WotC é oca e desorientada.

Livros da Wizards em PDF proibidos. E agora?

Como prometido mais cedo, vou tentar analisar as possíveis repercussões e motivos que levaram a Wizards of the Coast a decretar o fim da venda de seus livros em formato eletrônico. Como vimos no post anterior, o argumento apresentado por um funcionário da WotC nos fóruns da ENWorld foi o da pirataria:

Hey all. I wanted to step in and shine a mote of light on the subject. First off, this cesation of PDF sales has absolutely nothing to do with the Internet Sales Policy. I know it’s the 6th of April and I can definitely see how the two would appear linked, but the truth is, this is a completely seperate matter.

Unfortunately, due to recent findings of illegal copying and online distribution (piracy) of our products, Wizards of the Coast has decided to cease the sales of online PDFs. We are exploring other options for digitial distribution of our content and as soon as we have any more information I’ll get it to you.

Eles até fizeram uma gracinha meio RIAA, que acredito que tenha sido divulgada em tempo de bancar essa justificativa, movendo ações na Justiça contra oito pessoas acusadas de piratearem o Player’s Handbook 2. Mas como muitos leitores perspicazes apontaram nos comentários, qual a lógica de acabar com a pirataria proibindo todo e qualquer tipo de comércio de livros em formato eletrônico da editora? Não seria isso o proverbial “jogar fora o bebê junto com a água do banho“? E mais, se a idéia era dificultar a vida dos piratas (haha…), porque não encerrar a venda das versões eletrônicas apenas dos livros da 4ª edição do Dungeons & Dragons, e faturar uns trocados, com pirataria ou não, com livros que não são mais impressos e que agora não podem mais ser adquiridos legalmente de nenhuma forma? Isso em algum sentido não incentiva a aquisição ilegal de livros das edições anteriores do D&D?

Todas essas são ótimas perguntas, e apontam para a conclusão mais óbvia – a pirataria não foi o fator determinante desta decisão. Até porque, como o Garrell lembrou muito bem nos comentários do outro post, boa parte dos vazamentos de livros da 4ª edição, alguns até antes de seu lançamento oficial, ocorreu através de gráficas ou pessoas próximas a elas, já que os arquivos possuem as marcas de cores e de corte em suas páginas.

De qualquer forma, se a pirataria não parece exatamente ter sido o maior motivo desta decisão por parte daWizards, talvez uma boa pista seja este anúncio de uma nova política para vendas online da editora feito em Março:

In conjunction with the Retailer Rewards program, Wizards of the Coast will also release a new Internet Sales Policy on April 6. The new policy will have clear guidelines for online sales of Wizards’ product, and requires that retailers register with Wizards by signing an Authorized Internet Dealer Agreement.

For more information about the Internet Sales Policy and to become an Authorized Internet Dealer, you can contact a Wizards of the Coast Merchant Relations representative by calling 800-821-8028 or by emailing retailerhelp@wizards.com. You can access the Authorized Internet Dealer Agreement by visiting www.wizards.com/retailer.

6 de Abril, tipo ontem né? Como vocês leram ali em cima, nosso amigo Trevor da WotC, o mesmo que afirmou que a decisão da editora foi motivada pela pirataria disse também que o fim das vendas dos PDFs não tem absolutamente nada a ver com a nova política de vendas online, mas eu não apostaria meus suados reais nisto. Desconsiderando um pouco o post do funcionário da Wizards, o trecho acima nos indica ou que as atuais lojas virtuais, como a RPGNowPaizo não concordaram com a nova política e assim estão fora dos planos de venda em formato eletrônico da WotC, o que é altamente improvável devido ao volume de vendas dos livros da editora. Ou então que a Wizards of the Coast está movendo seus pauzinhos para começar a vender em sua própria loja virtual todo seu catálogo. E é aí que eu apostaria meu dinheiro.

Wizards também é a maior jogadora no mercado eletrônicos de livros de RPG, e realmente não faz muito sentido para eles perderem boa parte de seu lucro para lojas virtuais. Uma editora pequena ou mesmo média se beneficia de uma loja que centraliza milhares de lançamentos de centenas de editoras, afinal o público potencial se encontra aglomerado ali e pode mais facilmente encontrar e se interessar por seu produto. Mas isso não funciona da mesma forma para uma empresa que é líder do mercado e que é dona de uma marca que é sinônimo de RPG como o Dungeons & Dragons.

E de quanto é essa perda atual da Wizards com a venda através das lojas virtuais existentes? A OneBookShelf, empresa que é dona tanto da RPGNow como da DriveThruRPG cobra 30% de cada livro vendido para editoras que vendem seus produtos em outros sites, e 25% daquelas que vendem apenas nestas duas lojas. Por seu tamanho e volume de vendas, definitivamente a WotC deve ter um acordo melhor, que acho que podemos estimar com alguma segurança que deve girar na casa dos 20% por cada livro vendido.

Minha teoria é que eles simplesmente fizeram as contas na ponta do lápis. Quanto dinheiro “perdiam” por mês para as lojas eletrônicas, contra quanto custaria montar uma loja própria, que ainda pode ser integrada ao D&D Insider e tal. Não me parece mesmo um cálculo ruim, afinal eles já tem a marca, os consumidores, e de certa forma até a estrutura de um site e uma comunidade virtual. Só faltava mesmo juntar todas as coisas e fechar a concorrência. Um último indicativo é o trecho final da notícia divulgada no ICv2, onde um porta-voz da WotC afirmou:

“We are exploring other options for digital distribution of our content,” the spokesperson said.

Por mim charada resolvida. Mas só saberemos a resposta oficial em algum tempo, quando a Wizards lançar ou não seu site de venda de livros em PDF. Mas conhecendo a (falta de) habilidade da editora com ferramentas eletrônicas, isso pode demorar um bocado…

E como isso afeta as lojas eletrônicas de RPG e as editoras que vendem nelas? Ambas devem perder uma parte de suas vendas, embora seja difícil precisar o quanto. As lojas perdem basicamente sua maior fonte isolada de vendas, e cientes disso algumas já estão tomando providências para reverter a situação. A OneBookShelf tem tentado outras estratégias, como Sean Patrick Fannon, diretor de marketing da DriveThruRPG e RPGNow explicou em um post no fórum restrito de editoras da OneBookShelf:

Hey, all. Just a quick note, as I am in meetings and such.

Palladium has actually been signed on for a bit now, well before this happened. We’ve just been working on getting the books ready and setting up a “launch” for them.

Certainly, this is an interesting opportunity for Palladium, and I do intend to make it work for them, and for all of us.

I also applaud those publishers, like Green Ronin and White Wolf, who are taking an opportunity to reach out to their PDF customers with special deals and expressions of support and gratitude.

I can’t speak to any details about what’s going on, as things are still very much being discussed at a level much higher than my pay grade. I can tell you that we had record sales in 1Q of this year, and we are going nowhere but up as far as I am concerned. Yeah, this is a big sting if it stands, but it is also an opportunity for many folks.

Onward.

A Paizo por outro lado começou uma divertida campanha – a Paizo Gives PDFs Some Love, com descontos de 35% na linha Pathfinder. Embora seja provável que a Paizo perca alguma grana com o fim das vendas dos livros da WotC, a loja tem um público e comunidade próprios que giram ao redor dos produtos da própria editora, e deve ser a menos atingida das lojas de produtos eletrônicos.

E as editoras pequenas e médias? Estas devem sentir o baque de maneira diferenciada. De forma geral, praticamente todas as editoras que vendem produtos de fantasia medieval se beneficiavam com presença dos produtos da Wizards nestas lojas, já que as vendas conjuntas, nas quais um comprador levava um livro da WotC e algo relacionado ou complementar de uma editora menor por alguns poucos dólares a mais era uma constante, e algumas editoras inclusive chegaram a se especializar nisto, criando produtos dentro das temáticas dos lançamentos do D&D ou pequenos add-ons com regras alternativas que casavam dentro do tema de certo livro da editora, embora isso não fosse dito de maneira explícita. E estas certamente serão as mais afetadas.

Essa mudança, somada com a confusão da nova GSL definitivamente, tornaram a vida das editoras pequenas focadas na venda de produtos eletrônicos mais complicada… Ah não ser é claro, que a eventual loja virtual daWizards também venda produtos de outras editoras. Mas isto já seria, além de muito otimismo, uma especulação um pouco viajada demais.