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Meus rolês na RPGCon 2011

Opa, bora tirar a poeira disso aqui!

Tradicionalmente todo ano eu faço um relato do grande evento rpgístico nacional, antigamente o Encontro Internacional de RPG, e nos últimos 3 anos a RPGCon. Para os curiosos ou saudosistas, retiro das profundezas os relatos quase etnográficos da primeira RPGCon e da edição de 2010. Mas agora é hora de falar da RPGCon 2011!

Quem queria saber como foi o evento já deve ter achado dezenas de ótimos relatos por aí. O meu vem com algum atraso, e pra piorar um olhar muito focado na Feira de RPGs Independentes, onde eu devo ter passado 80% do meu tempo no evento, na barraquinha da Secular. Mas ainda assim, melhor que nada né?

Caipira e Bob

Caipira e Bob

Cheguei em São Paulo na tarde de sexta, um dia antes do evento e já desfrutando o primeiro dia de minhas férias. Tendo em vista que passei as três semanas anteriores afogado em trabalhos de conclusão do semestre, na diagramação do Mamute#2 e preparativos Seculares, a abertura das férias em SP não foi nada má! Como fui o primeiro dos Seculares a colar em São Paulo, aproveitei a tarde para um rolê com os caras da Jambô guiado pelo Trevisan, e já deu pra sentir o frio cortante que fazia na cidade. Enrolando aqui, comprando uns pockets ali ( Storm Front, o primeiro dos Dresden Files, e o super bem falado Anathem do Stephenson), acabei retornando ao hotel, onde encontrei o grande Caipira, bróder e exilado de BH, e posteriormente o Tiago e CF que vieram direto de Brasília. Ficamos marcando o Giltônio e o Garrell, até recebermos uma mensagem dos caras avisando que haviam perdido o voo. O Giltônio conta melhor a essa saga, a qual eu tenho preguiça só de relembrar ele contando às 3 da manhã…

Enfim, sábado de manhã caímos para a RPGCon, pela primeira vez em um novo espaço, o Colégio Santa Amália, maior e mais legal que o colégio Notre Dame. Chegar no pico foi fácil, mas a entrada meio estranha: vimos um segurança em um portão lateral, que não era o principal portão de entrada, e perguntamos das credenciais da FRI e de palestras. Ele fez uma cara de totalmente perdido e deixou a gente entrar. Queria estar mentindo, porque esse teria sido o melhor e mais fácil caô que já mandei na vida!

Vizinhança

Passamos por uma quadra com uma galera jogando D&D Miniatures, heroclix e acho que Magic, depois pelo imenso espaço para as mesas de RPG, e fomos conduzidos para uma mini-pracinha, super agradável e onde estava instalada a Feira de RPGs Independentes! Na real, antes mesmo da gente chegar o lugar já era o mais do caralho do evento, e logo nos esforçamos para deixar o negócio ainda melhor, atacando com nosso ragga soundsystem, bandeira já clássica do Bob Marley, buttons, Mamutes #1 e #2 e Busca Final! Descolamos um ponto estratégico ao lado da escada que dava para a entrada principal e de frente ao auditório, ou seja, não havia como passar pelo evento sem ser tocado pelo som e o faça-você-mesmo rpgistico! De quebra ainda montamos nossa banquinha do lado do Guilherme e Max da Retropunk, o que proporcionou boas trocas de idéias entre as vendas e correrias nossas e dos caras. Na real, ótimos vizinhos de FRI, só reclamaram no domingo quando o Giltônio começou a tocar pandeiro (mas até eu reclamei disso…).

Banquinha montada, som rolando, foi só começar a receber os camaradas! Logo de cara trombamos o Guilherme RODO, truta de BH, paragônico e autor de algumas fotos deste relato, além de dezenas de amigos, conhecidos e pessoas que trocamos idéias pela internet, mas nunca tínhamos encontrado pessoalmente. Vibe lá em cima com o som rolando, troca de idéias, e claro, vendendo uns livrinhos aqui e ali!  Na manhã de sábado rolaram dois destaques em nosso stand/barraquinha: o primeiro deles foi não vendermos o Mamute#2! Isso mesmo, havíamos planejado uma jogada de marketing com o Guilherme da Retropunk, e como ele fez um anúncio do Savage Worlds na contra-capa do zine, combinamos de segurar as vendas até a hora que ele anunciasse o novo lançamento da editora mais bombante do Brasil atualmente na palestra das editoras. Foi divertido inventar as desculpas mais imbecis para não vender a parada por algumas horas, e o pessoal entrou de cabeça na brincadeira!

Outra coisa que me impressionou um bocado na manhã de sábado foi o Violentina, do grande Eduardo Caetano. Já havíamos planejado lançar o Violentina pela Secular Games através de um esquema de crowdfunding e estávamos bem animados com a parada, mas ao encontrarmos com o Eduardo ele nos mostrou as 10 cópias beta que fez do livro para vender no evento. Essa é uma prática bem comum no RPG indie gringo, conhecido como ashcans, versão quase prontas dos jogos que são vendidas a preço de custo pra galera testar e dar um feedback. Nos encontramos com o Eduardo por volta das 11 horas da manhã, e às 14 horas do mesmo dia todos os exemplares do Violentina haviam sido vendidos! Na real, nem a gente da Secular comprou os nossos, o pessoal pelo visto já tem acompanhado e apostado muito no trampo do Eduardo, que aliás está sensacional!

Meio dia, hora de cair para nossa primeira atividade, um bate-papo sobre produção de RPG independente no Brasil. Estavam conosco em uma mesa improvisada Fabiano Neme e Antonio Pop da Redbox, Guilherme da Retropunk, Tiago Junges da Coisinha Verde, eu e Giltônio, além é claro de umas quarenta pessoas bem interessantes cheias de perguntas afiadas. Foi um bate-papo no sentido literal do termo, inclusive bem bagunçado,  mas com trocas de idéias, abertura para perguntas e questionamentos, enfim, acho que serviu a seu propósito – mostrar o tanto que o RPG independente nacional cresceu no último ano, e que produzir e lançar jogos aqui não é nenhum bicho de sete cabeças. Mas concordo com o Giltônio, mesmo neste espírito anárquico precisamos planejar melhor a dinâmica da parada ano que vem para potencializar ainda mais a atividade.

Voltamos pra banquinha, só para encontrar o Violentina esgotado e uma pá de gente perguntando sobre a venda do Mamute#2. Já eram 14 horas, ou seja, palestra das editoras! Subimos para a arena eu, Tiago “Coisinha Verde“, Antonio da Redbox, Guilhermes da Jambô e da RetroPunk, além do Cristiano Cuty da Conclave, e depois recebemos a companhia do Douglas Reais e MC Zanini da Devir. Um camarada chamado Arcano teve a moral de filmar as principais partes da palestra, e assim me poupou de descrever as novidades anunciadas. Valeu Arcano!

Minhas breves impressões sobre a Palestra das Editoras: tradicionalmente este sempre foi um espaço bem cheio e esperado dos eventos (EIRPG e RPGCon), mas em 2011 vimos a palestra mais derrubada dos últimos anos. Não por falta de lançamentos e anúncios bombásticos, principalmente com as novidades da RedBox e RetroPunk, mas com baixa participação do público, em número e perguntas. Enfim, achei bem caído, e acho que a culpa pode ser da falta de divulgação da programação do evento, um erro crasso que retomarei mais adiante. Também fiquei viajando em uma teoria – talvez a gloriosa Palestra das Editoras nunca mais seja tão hypada como no início dos anos 2000, já que aquela época se você quisesse saber de RPG tinmha que falar basicamente cara a cara com os editores da sua linha favorita, no máximo através de uma lista de discussão. No caso da Devir, só rolava pessoalmente mesmo, pois eles eram, além de a maior editora de RPG do Brasil, péssimos na parte de comunicação. Então a Palestra das Editoras era uma janela onde isso podia ser rompido.  Hoje as coisas mudaram. As editoras possuem fóruns, trocam idéias no twitter, e mais importante, tem prazer em responder seus consumidores. Então vai ver a Palestra das Editoras nem é mais tão importante, salvo por um ou outro anúncio bombástico. E se essa minha teoria for correta serei o primeiro a dizer que nem precisamos mais da tal palestra, prefiro mil vezes as editoras e jogadores conversando direto do que um espaço privilegiado e pontual para se buscar informações!

Arsenal!

Arsenal!

O resto do sábado seguiu nessa batida – amigos, conversas animadas, vendas e conhecer gente nova. Dei uma breve passada pelo leilão de jogos usados, e pela primeira vez em seis ou sete anos saí de lá sem absolutamente nada. Não tinha quase nada de bom, quantidades absurdas de refugos da Devir, bem ruim mesmo. Acho que rolava uma campanha pra divulgar o leilão pra galera e incentivando que levem seus livros pra vender lá, afinal a graça é que o lixo de um seja o ouro do outro, e o lixo da Devir não interessa muito, pelo pra mim…

Passadinha rápida no hotel e caímos pro Buteco RPG, que este ano rolou em um bar da Augusta esquematizado pelo D3. Achei este o melhor rolê bebedeira nerd de todas as edições do EIRPG e RPGCon. Até então sempre caímos pro tradicional e delicioso Omalley’s com vários amigos, mas a real é que lá é bem apertado pra um mesão brutal. E se um monte de gente legal do Brasil inteiro está na cidade, você quer um mesão brutal certo? No esquema do bar este ano não tínhamos exatamente uma super mesa, mas vários grupos, e se você cansasse de um assunto era só pular pra outra mesinha. Achei muito foda, muita gente legal em um lugar só, acho que conversei com quase todo mundo em um dos momentos mais legais da viagem

Gênios do Marketing

Gênios do Marketing

Domingão de ressaca, batemos nosso recorde de atraso e chegamos no evento às 11 da manhã. Eita. Mesmo processo de montar o stand, conversar com a galera e zoar as caras amassadas pela cerveja e frio de São Paulo. O dia passou voando na FRI, e logo estávamos na Mesa de Vidro, espaço tradicional de avaliação e discussão do evento entre organizadores e a comunidade. Lá fiz minhas críticas, que reitero aqui: esta não foi a melhor RPGCon que eu fui (achei a de 2010 a mais foda, embora tenha sido praticamente igual a de 2009 nos pontos fortes e fracos. A diferença é que a 2010 teve FRI, e FRI é vida!), a divulgação foi terrível, assim como o vacilo tremendo de fechar a programação na quinta dois dias antes do evento!!! Teve o lance de marcar para a mesma data do Anime Friends, mas ainda assim, acho que o mais danosos foi a falta de organização de ter deixado tudo para a última hora. Se nos anos anteriores os sagazes D3 e Wallace deram conta do recado, este ano a parada ficou em cima demais e prejudicou o evento. A RPGCon nasceu como um esforço em conjunto com a comunidade, de divulgação, proposição de atividades e mudanças. Este ano não houve quase nada disso, não porque os organizadores adotaram uma postura diferente, mas por simples falta de organização. Delegar, dividir e fomentar é preciso caras, toda uma comunidade quer que o evento aconteça e seja ainda mais foda, mas a organização tem que dar o espaço, e pra isso um mínimo de err… organização é necessário!

Como já disse, esta não foi a melhor RPGCon devido a falhas graves de organização e divulgação. Mas foi a RPGCon no melhor espaço e com a FRI mais fantástica possível, na verdade acredito que pouca coisa da Feira de RPGs Independente possa ser melhorada em termos de organização. O preço da inscrição (R$100 pratas) foi justo, o espaço estava excelente, com ótima localização e pontos de energia para todos. A RPGCon 2012 se for no mesmo colégio e mantiver a FRI como está, e ainda corrigir os vacilos deste ano, tem tudo para ser a edição mais foda do evento. Repetindo o que disse em 2010:

Em 2011 estaremos na RPGCON novamente, não só para assistir as palestras, comprar os lançamentos legais e garimpar a feira de livros usados, mas também para sugerir a programação, oferecer palestras, divulgar nosso trampo e conhecer o que os outros estão criando. Não sei para vocês, mas me parece bem mais interessante, desafiador e divertido que uma mera feirinha de RPG!

2012 é nóis! Em breve farei um post sobre as vendas da Secular no evento, mas no site da editora. Espero terminar ainda esta semana. E claro, a missão agora é continuar atualizando o Área Cinza, como nos velhos tempos!

Dada a Largada para a RPGCON 2011

E finalmente foi dada a largada para a RPGCON 2011, terceira edição do evento de RPG mais movimentado do Brasil!

Ontem no D3system o bom e velho Douglas D3 deu as primeiras informações oficiais do evento:

Esse ano, o evento acontece no Colégio Santa Amália, que fica na Avenida Jabaquara, 1673, a cerca de 20 passos de ajuste do Metrô Saúde da Linha Azul do Metrô.

Os ingressos antecipados começam a ser vendidos no dia 02 de junho na d3store, a R$ 15,00.

Os grupos, associações e caravanas terão pacotes especiais. Para obter mais informações, entrem em contato pelo email d3@rpgcon.com.br

Para inscrever uma palestra ou atividade de auditório, envie sua proposta para o e-mail wallace@rpgcon.com.br.

Entre as novidades desse ano, podemos destacar a Boardgame Con, o retorno das Mesas Especiais e uma renovação do sistema de inscrições para mestres e jogadores. Esse ano a gente acerta.

Além disso, teremos o clássico BotecoRPG na noite de sábado para domingo, reunindo pessoas do Brasil inteiro para falar de RPG e acompanhar a primeira edição do Metal RPGCON!

Mais informações todos os dias aqui no d3system e no site do evento.

Informações:

Quando? Sábado e domingo, 09 e 10 de julho de 2011
Que horas? das 09:00 h às 21:00
Onde? Colégio Santa Amália – Avenida Jabaquara, 1673 – Metrô Saúde – São Paulo
Quanto custa? Ingressos Antecipados R$ 15,00 na d3store, a partir de 02 de junho de 2011. No dia do evento: Inteira R$ 30,00 e Meia R$ 15,00; professores pagam meia-entrada.
O que vai rolar? Palestras, III Encontro de Blogs, Boardgame Con,  Feira de RPG Independente, mesas de RPG, Torneio Tentacular, exposições dos grupos e associações, Mesas Especiais, BotecoRPG e Metal RPGCON.

Embora em um novo local (nos anos anteriores o evento aconteceu no Colégio Notre Dame), parece que a RPGCON vai segui a fórmula funcionou muito bem em 2009 e 2010 – muitas atividades rolando ao mesmo tempo, e uma grande abertura as contribuições da comunidade de jogadores, seja através de palestras e atividades ou de sugestões. O site do evento se encontra fora do ar, mas acredito que em breve deve retornar com mais novidades e atualizações.

Agora é começar a contagem regressiva!

De volta da RPGCON 2010

Como já é de praxe, depois de dormir um pouco é hora de escrever minhas impressões sobre a RPGCON 2010 que aconteceu neste último fim de semana em São Paulo. Para quem já foi no evento e conhece a proposta e pegada da RPGCON pode seguir direto com a leitura. No entanto para aqueles que são marinheiros de primeira convenção ou querem saber como surgiu o maior evento de RPG dos últimos dois anos, recomendo dar uma lida rápida no relato da RPGCON de 2009. O post havia se perdido no crash do Área Cinza, mas várias pessoas legais me enviaram backups, então perdidos mesmo foram só os comentários…

Eu e os trutas Tiago, Giltônio e Garrell chegamos na sexta e de cara já trombamos com o Salomão que foi uma espécie de guia para os rolês de comilança e bebedeira na terra da garoa! Além de totalmente sangue bom (deve ser por causa da descêndencia mineira), na sexta mesmo o Salomão começou a agregar a galera, e acabamos fechando o dia bebendo com os também forasteiros  Wallace, CF e Thiago, e o Trevisan velho de guerra.

Sábado caímos cedo para o evento, afinal nossa palestra sobre produção independente de RPG estava marcada para às 10:30 – mesmo horário do jogo entre Argentina e Alemanha e do Encontro de Blogs, ou seja, não esperávamos uma vasta platéia! Eram 11 horas e o auditório estava vazio, e pensamos em desistir e  montar nossa barraquinha na Feira de RPG Independente, mas o sábio Giltônio insistiu que começassemos e garantiu que a sala logo encheria se a discussão rolasse…

Dito e feito. Após uma breve apresentação começamos a desembolar a conversa e o pessoal foi aparecendo, fazendo perguntas e contribuindo para que a discussão fosse muito mais rica. Logo o Guilherme da RetroPunk, editora que surgiu recentemente com uma proposta foda de lançar ótimos livros independentes e que pra mim é a grande promessa para dar uma agitada no RPG nacional no próximo ano, se identificou na platéia e fez um monte de colocações excelentes. Falamos um bocado sobre nossa experiência com a venda no mercado gringo através de PDFs, da proposta e da forma como construímos o Mamute, da neurose obsessiva que muita gente tem com o profissionalismo, como se uma proposta amadora não pudesse ser bem feita, da importância em escolher um formato adequado ao seu material, enfim, foi uma ótima conversa embora um tanto informal e meio atropelada. Gostaria mesmo de agradecer quem trocou o Encontro de Blogs (e o primeiro tempo de Alemanha e Argentina) para conversar com a gente!

Giltônio, Tiago, Garrell e eu

Depois da palestra e de uma ótima conversa com a galera sobre a venda de PDFs e a possibilidade de desembolar isso no Brasil, fomos para o pátio central montar nossa humilde barraquinha e atacar os passantes até que comprassem seus Mamutes! A atividade de ficar na banquinha trocando idéias e apresentando a proposta do fanzine para o pessoal daí pra frente dominou nossa experiência de RPGCON, mas de forma alguma isso foi ruim, na maior parte do tempo a galera era super interessada, fazia sugestões, perguntava do processo de produção e de futuros lançamentos… E tivemos a força inestimável do Renato Caipira, brodér refugiado de BH, que quebrou vários galhos durante o sábado. Valeu cara!

Na parte da tarde participei da palestra das editoras, que foi bem descrita pelo Shingo do Paragons, e na qual o Giltônio foi convidado a subir ao palco no meio da fala do Trevisan para falar do Mamute e da Secular (assim como o Gulherme da Retro) e mandou muito bem. Fiquei só até a metade pois estava mais pilhado de voltar a barraquinha e vender Mamutes, mas a palestra estava bem cheia e com um clima mais animado que a do ano passado, que foi meio morta. Depois rolou a palestra de Tormenta, na qual dei só uma passada rapidinha e pude ver o pessoa da Spell fazendo e recebendo respostas engraçadas do Trio, mas depois de um tempo a brincadeira perdeu a graça… Após mais uma maratona de vendas – no primeiro dia vendemos cerca de 45 Mamutes, para um público que em sua maioria já conhecia o zine através daqui do AC, ou pela divulgação em outros blogs (em especial pelo Trevisan, .20, Jambô e Paragons, valeu pela força pessoal!), tivemos a previsível e chata indecisão de onde beber! Novamente este ano fomos para o já clássico Omalley’s, mas acho que talvez fosse mais legal um rolê meio oficial do evento, marcado em um lugar grande, acessível e com antecedência, para que todo mundo pudesse ir. Acabou que nessa indecisão de última hora o pessoal se dividiu, uma boa parte foi para um buteco na Augusta e outra para o bar irlândes, que repito, é incrivelmente foda, mas como boa parte desse pessoal se encontra só uma vez por ano, podíamos privilegiar a troca de idéias e bebedeira, mesmo que fosse em um lugar menos fodão. Acho que vou pegar pra organizar isso ano que vem! De lá caímos direto para uma festa em que o Garrell tocou em um bairro meio longe, mas acho que fiquei mal acostumado com as festas daqui de BH e nem achei grandes coisas. Mas deu pra ficar bem bêbado…

Família Mamute representando na palestra das editoras

Domingão de ressaca, e ao montar nossa barraquinha para o segundo dia de labuta, o Garrell nos aparece com uma bandeira do Bob Marley, que ele já tinha levado para a balada na noite anterior. Não pensamos duas vezes e mandamos a bandeira junto com nosso tímido banner o que logo começou a chamar a atenção da galera. Aliás, o perfil das pessoas que se aproximavam da barraquinha no segundo dia era claramente diferente – nunca tinham ouvido falar do Mamute, Área Cinza, Secular Games e essas bobeiras de internet. Chegamos no mundo real! Obviamente isso dificultou o processo de vendas, mas também foi interessante, pois vimos que muitas pessoas que nunca ouviram falar da gente e das nossas presepadas, ao conhecerem a proposta do Mamute e olharem as suas matérias decidiram apostar 7 pratas no nosso trampo.

Como no domingo o movimento na nossa barraquinha estava mais derrubado, e muita gente estava curiosa com o que a bandeira do Bob Marley fazia ali, resolvemos animar mais a parada e com a ajuda inestimável do D3 e do Jaime montamos umas caixinhas de som no iPhone do Garrell e já mandamos um set de reggae para animar mais aquele domingo ensolarado Numa boa, à partir daí tivemos alguns dos momentos mais divertidos do evento, com as dancinhas, fotos com o rei do reggae, piadas nonsense e conversas bem espertas com a galera interessada. Adorei a banquinha do domingo, que seguiu bem a proposta do zine – já que não vamos ganhar dinheiro de verdade com a parada, vamos nos divertir!

Em um próximo post quero falar mais da venda do Mamute e das minhas impressões, mas vamos voltar aqui para a RPGCON. Fechando o domingo e o evento, tivemos a palestra Mesa de Vidro, onde os organizadores se sentam com os participantes para escutarem sugestões, críticas, e darem um retorno de como foi o processo de organização. Pra mim esta é a alma da RPGCON – um evento aberto, colaborativo, que pode ser tão bom ou ruim de acordo com o tanto que você se envolver e fizer acontecer. Na mesa de vidro o D3 abriu falando do principal erro da organização na sua avaliação: a falta da opção de receber por cartão de crédito nas lojas, e explicou que houve um atraso na negociação com a empresa que gerencia os cartões Visa e Master. Também foram apontados outros erros e pontos que poderiam ter sido melhores, como os stands, novamente a sinalização e as poucas opções de lanches no evento. Reparem que são críticas somente a estrutura e organização, se não me engano no que se refere ao conteúdo das palestras, organizações presentes, stands, e atividades em geral a RPGCON 2010, assim como no ano anterior, só recebeu elogios. Nesse excelente relato do evento pelo Shingo (droga, ele de novo!) o pessoal têm discutido o evento e seus pontos fracos, inclusive com a participação do Wallace, um dos organizadores, funcionando quase como uma continuação da mesa de vidro. Altamente recomendado!

Agora meu ponto de vista. Achei o evento muito parecido com a RPGCON do ano passado, tanto nos pontos positivos como nos negativos. Programação vasta, interessante, com uma transparência e abertura a participação da comunidade que eu nunca vi no RPG nacional, com uma proposta de agregar e fomentar, estes são os destaques do evento, e que pra mim o tornam incomparavelmente melhor que os 4 Encontros Internacionais de RPG que participei. Aliás como disse na Mesa de Vidro, a proposta dos eventos pra mim são tão diferentes que  embora ano passado a RPGCON tenha ocupado a lacuna do EIRPG, não acho que faça muito sentido comparar um com o outro. Colocando de uma maneira simplista, o primeiro era o evento de uma empresa, com as coisas boas e ruins que vem com isso; o segundo é um evento da comunidade, também com seus pontos fortes e fracos próprios.

E comparando a RPGCON 2010 com a RPGCON 2009, vejo que pouca coisa mudou, tanto nos erros como nos acertos. Como disse para o Wallace e Luciana, e depois na própria Mesa de Vidro, algumas coisas que rolaram em 2009 foram completamente compreensíveis, tendo em vista que o evento do ano passado foi organizado em dois meses. Este ano esta justificativa não se aplicava, e isso tornou a repetição das mesmas questões (como a do cartão de crédito, divulgação e sinalização) bem mais grave na minha opinião. São questões importantes que de certa forma tiraram um pouco o brilho do evento, mas que não foram suficientes para estragar a parada, de forma nenhuma. Aliás segundo o D3 este ano o evento teve cerca de 3100 participantes, contra 2800 do ano passado, o que mostra um crescimento, mas que com uma divulgação mais robusta e para além dos parceiros da internet poderia ter sido ainda maior.

Em 2011 estaremos na RPGCON novamente, não só para assistir as palestras, comprar os lançamentos legais e garimpar a feira de livros usados, mas também para sugerir a programação, oferecer palestras, divulgar nosso trampo e conhecer o que os outros estão criando. Não sei para vocês, mas me parece bem mais interessante, desafiador e divertido que uma mera feirinha de RPG!

Momento utilidade pública:

Muita gente já escreveu relatos da RPGCON 2010, e listarei aqui neste post todos que encontrar. Se você escreveu algum relato ou diário da RPGCON, ou leu algum que ainda não está por aqui, coloque nos comentários que atualizo assim que puder ok?

Rumo à RPGCON

Em poucas horas estarei novamente em São Paulo para mais um evento nacional de RPG. E todo ano mando a mesma ladainha – “podem continuar visitando o Área Cinza, tentarei atualizar de SP com as novidades de cada dia…”. Sei. Até hoje em 3 anos de blog nunca conseguir fazer isso. O que não me impede de tentar novamente (desta vez munido de um telefone mais cyberpunk), mas não quero ver ninguém chorando se eu não atualizar isso aqui 4 vezes por dia! De qualquer forma o pessoal do Paragons fez uma cobertura impecável do evento ano passado, e dúvido que estejam planejando menos para esta RPGCON, então recomendo demais acompanharem o blog para notícias em tempo real.

Uma coisa que tentarei mesmo fazer é atualizar constantemente o contador Mamute ali do lado! Todo mundo já está de saco cheio de ouvir sobre nosso zine, eu sei, mas quem tiver um pouco de curiosidade em saber a velocidade na qual as cópias do zine serão vendidas pode checar por aqui. Fizemos 200 cópias (e o plano é não fazer mais), mas temos muitas dúvidas de quantas conseguiremos vender no evento. Voltaremos com muitos Mamutes na mochila? Só os brodérs de blogs e lista de discussão comprarão a parada? Vamos descobrir juntos nas próximas 48 horas!

Na semana que vem escrevo o já tradicional relato do evento, assim como o atrasado Ranking Cinza de Junho!

E para quem vai à RPGCON, vejo vocês lá na Feira de RPGs Independentes – procurem por um banner vermelho e amarelo, ou por uma caixa abarrotada como esta: