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Fim dos livros básicos do D&D 4ª edição?

Como os mais astutos devem ter percebido, tem um tempo que eu parei de lançar notícias sobre o Dungeons & Dragons 4 edição, já que meu interesse na linha caiu para perto de zero depois de várias sessões do jogo nas quais vi que definitivamente a 4e não combinava com o estilo do meu grupo. Ok, acontece… Assim acompanhei com alguma distância mais algumas demissões dos funcionários da WotC e o anúncio do lançamento da linha Essentials, em Janeiro deste ano, e como ela rapidamente foi se transformando de “uma nova linha para os iniciantes” para só “uma nova linha”.

Isto até ontem, quando um rumor sobre o fim das reimpressões dos livros básicos da 4ª edição causou furor na internerd, acendeu o alerta de uma nova edição e jogou o Essentials de “nova linha” para “Dungeons & Dragons 4.5″. O rumor foi divulgado em um site especializado em Magic: The Gathering, e bem desconhecido no ramo de notícias de RPG, então recomendo guardar a credulidade no bolso até a GenCon:

ManaNation has received a tip that Wizards of the Coast has decided to end the print run of the Dungeons and Dragons 4th Edition Core Handbooks, instead aiming to turn the game in the direction of “Dungeons and Dragons Essentials”, a product to be released later this year. The first product for the Essentials line is starting with the ‘Dungeons & Dragons Fantasy Roleplaying Game’ also being called ‘the Red Box’ and is due to be released on Sept. 7th, 2010.

It is our understanding that they are not going to be reprinting any of the three main books, the Players Handbook, Dungeon Master Guide and Monster Manual from this point on to allow them to be phased out. No other books have been mentioned.

Embora a parada deste site de Magic seja meio duvidosa, o fato é que uma série de lojistas gringos têm sido informados que não podem mais pedir os livros básicos da 4ª edição, assim como certos distribuidores vinham recomendando a estes mesmos lojistas que fizessem estoques dos três básicos. E realmente aí eu botei mais fé que no tal ManaNation.

O que isso significa? Veremos o Dungeons & Dragons 4.5 na GenCon? Acho que a Wizards of the Coast vai segurar até o fim a compatibilidade entre as linhas, e pelo pouco que vi dos Essentials nada foi substituído – erratas foram incorporadas e novas opções de classes foram criadas, assim como outras (como o warlord) foram retiradas. E apesar do choque da notícia, na real só vamos saber mesmo se o material do PH1, MM1 e DMG1 será abandonado quando dermos uma olhada no tal Rules Compendium, e em como a WotC vai lidar com este material antigo através do D&D Insider.

Não é impossível que o tal Rules Compendium, com as regras dos livros básicos, e mais importante, já com as centenas de erratas que os básicos da 4ª edição recebeu incorporadas, se torne um novo ponto básico para iniciantes junto ao Essentials. Mas ainda assim seria burrice, afinal depois de criar o tal Essentials para atrair jogadores iniciantes, eles vão jogar pela janela uma das vantagens do modelo de caixa – que é trazer todo o material necessário para o jogo em um só produto, ao forçar, ou pelo menos recomendar, a aquisição de outro livro para jogar Dungeons & Dragons.

Ou então que o Essentials realmente substitua os livros básicos como tudo que um novato precisa para jogar (e o nome da linha deixa isso a entender né?), e que a galera que já está no Dungeons & Dragons 4ª edição tenha que se virar com a combinação D&D Insider, agora mais essencial (ops…) que nunca, e a linha Essentials para suprir os builds antigos e as classes que não terão novas versões como Warlord e Bardo.

Definitivamente a GenCon acabou de ficar bem mais interessante. Pessoalmente acho que por um lado faz muito sentido. Desde o começo achei idiota a WotC manter as duas linhas, a da 4ª edição convencional e a do Essentials focada nos novatos. Uma coisa é fazer um produto para novatos, outra é uma linha, e ao fazer o segundo achei que a editora ia repetir os mesmos passos da TSR e começar a fragmentar seus consumidores em mais de uma linha de produtos não compatíveis. Por outro lado, retirar os básicos na 4ª edição de circulação me parece muito mais uma medida tomada para transmitir um determinado ponto, uma idéia, do que devido as baixas vendas, afinal todos sabem que via de regras os livros básicos de um sistema ou linha são seus títulos mais vendidos. Se o problema dos básicos da 4ª edição não é a Crise, e nem as baixas vendagens, o que a Wizards quer transmitir ao retirar os básicos do mercado? Obviamente que os livros básicos da 4ª edição estão desatualizados. Ou elaborando um pouco mais, que os livros que tem todo o fundamento e base do sistema de regras do Dungeons & Dragons 4ª edição estão desatualizados…

Sendo D&D 4.5 ou não, o fato é que dificilmente a galera do marketing da Wizards of the Coast vai conseguir jogar para debaixo do tapete que os livros lançados a 2 anos já estão ultrapassados, não importa quantas frases bonitas e eufemismos eles utilizem daqui pra frente porque é exatamente isso que a empresa está dizendo ao tirar seus livros mais vendidos de circulação.

Mike Mearls é o novo cabeça do D&D

Menos de uma semana depois da última rodada de demissões na Wizards of the Coast, foi anunciado, também de maneira bastante informal que Mike Mearls, principal designer da 4ª edição do Dungeons & Dragons, agora é Group Manager da marca, ou seja, responsável não só pelos livros de D&D, mas também romances, jogos de tabuleiros e basicamente tudo que leva a marca D&D dentro da editora.

O primeiro anúncio da mudança foi feito no twitter de Mearls, e depois confirmado em um tópico da ENWorld. Aliás foi neste tópico, onde o pessoal está  parabenizando o cara e discutindo se Mearls assumiu a posição que antes era de Andy Collins e Jesse Decker, que o novo gerente da marca D&D escreveu algo bem interessante:

It’s funny, because it almost feels like I’ve won some sort of election. I’m acutely aware of the pressure of the position, the expectations, and the current atmosphere among D&D fans. I think I had a few minutes of ecstasy. Since then, it’s been a long week and a lot of thinking.

This is also a new position in the department. I’m taking on a lot of Bill Slavicsek’s responsibilities. Bill’s responsibilities have broadened to include more things like boardgames, novels, Heroscape, and so on. There’s a lot more to D&D than just the RPG. The RPG is my corner to play in, while Bill looks over the entirety of D&D.

Believe me, I realize how difficult this job is. There are far more paths that lead to my screwing up than to my doing a good job. It’s the geek equivalent of running a professional sports team. Do well, and everyone loves you. Screw up, and you’ll never hear the end of it.

There’s something pretty basic to the job, though. The gist of it, when you boil it all down, isn’t rocket science.

Way back in the misty days of the 1980s, when I first discovered D&D, I thought Gary Gygax, Tom Moldvay, Doug Niles, Tracy Hickman, and the entire TSR crew were demigods. I loved poring over Dragon magazine, reading through adventures like Forgotten Temple of Tharizdun again and again, and studying the DMG. I devoured the Dragonlance novels. I fought battles across our basement floor with legions of BattleSystem counters. I filled the few, precious pieces of graph paper I had with dungeons. I designed classes and monsters. I loved D&D.

Then, something happened. TSR dropped Gary. Greyhawk was pushed aside. When 2e came out, I was torn. There were plenty of things to like about the game, but the attitude around it was off. It almost seemed like the people behind D&D didn’t particularly care for the way I loved D&D. Maybe I was completely irrational, but the game felt changed in some insidious way.

As time went on, that feeling only increased. There were bright spots, most notably Dungeon magazine, but a lot of the stuff TSR put out didn’t really speak to why I fell in love with D&D in the first place. I wanted to love D&D, but it wasn’t really clear that the company behind D&D wanted to return that love.

I actually stopped playing D&D for a few years. I ran a grand total of one (terrible) campaign in college. I wasn’t really sure that D&D was something I’d be involved with anymore. I bought a PS 1 and started playing lots of console games. I ended up sticking with RPGs, but I kept to games like Deadlands and Unknown Armies.

Then something pretty cool happened. In 1999, at my very first GenCon, I sat in the audience as Ryan Dancey announced 3rd edition. It was like a religious revival. One presentation and free t-shirt later, and I was a complete convert. My friend Nate called it a money grab, an appeal to munchkins. I think my exact response was, “**** you dude. This is the best thing that’s ever happened to D&D.”

For whatever reason, the entire presentation of 3e‘s announcement felt like it had been directed straight at me. I was a complete D&D goob again. Hallelujah, praise Gygax, my faith was restored.

A year later, my faith had been well-placed. 3e was awesome. D&D felt like the game I always had wanted it to be.

In looking back, I think that my job is fairly simple. I want people to love D&D. I want people to feel like the game is in good hands, that the hand at the tiller is confident, smart, and genuinely interested in the good of the game.

It’s easy for me to look at this as the chance for me to make D&D into the game I always wanted it to be, but that would be disingenuous. It’d be the height of vanity, a monument to arrogance. D&D can’t be a game that caters to a single person. It’s bigger than that. It lives and dies by the collected spirit of every person that’s ever picked up a d20, put pencil to graph paper, or leaned close to the table as the last character standing, clutching his last hit point, rolled his attack against the BBEG.

Of course, actually doing that isn’t simple, but it helps to have a goal. I can’t force anyone to love D&D. I can’t legislate the game into popularity, or commission a survey that will tell me exactly what to do.

What I can do, though, is watch, listen, and learn. I can put everything I have into D&D and hope for the best. At the end of the day, you guys get to judge whether I’m doing a good or screwing up by buying or avoiding the products I help make. That gets back to the election thing. You guys didn’t put me into office, but you sure as Hell get the chance to kick me out.

If you have any questions, the best way to get in touch is by dropping a line to my work email address (it’s my first name dot last name at wizards dot com, or drop a line to dndinsider at wizards dot com). I can’t answer everything, but I’ll try. I’ll also record answers to interesting questions on the podcast. I’m on vacation this week. I like reading web forums to see what’s up, but they’re not always the best place to answer questions.

Emotivo e meio brega, mas não deixa de ser curioso como ele fala da época pré 2ª edição do D&D de uma forma que muita gente fala hoje dos rumos que a WotC tomou com a 4ª edição do RPG mais famoso do mundo: There were plenty of things to like about the game, but the attitude around it was off. It almost seemed like the people behind D&D didn’t particularly care for the way I loved D&D. Hmmm acho que sei como é isso…

No fim das contas acho que é uma promoção que não muda muita coisa – Mearls é provavelmente o maior responsável pelas mudanças mecânicas da 4ª edição, então quem sabe isso resolva o legado das excessivas erratas deixadas pelo finado Andy Collins. O mais bacana talvez seja o fato de Mike Mearls ser um cara aparentemente boa praça, que se dá bem com todo mundo e participa ativamente de fóruns e espaços de discussão com jogadores, de forma muito parecida com a que o também finado Scott Rouse fazia. Então acho que teremos uma nova cara mais simpática para o Dungeons & Dragons, embora no interior o conteúdo seja o mesmo.

Entrevistas sobre 2009 – Paragons

Como prometido, é hora da segunda entrevista da série sobre mercado de RPG em 2009! Estreamos com a entrevista do Marcelo Cassaro, que já se tornou um dos artigos mais lidos (e debatidos!) do blog, e agora vamos dar continuidade a lista de figuras interessantes do RPG nacional com o pessoal do Paragons, o maior blog de RPG nacional atualmente, que mandam muito bem tanto na cobertura de notícas, mas também com material de jogo e artigos próprios. Enfim, considero os caras o blog de RPG definitivo!

Só para relembrar a proposta desta série: em Dezembro de 2009 enviei uma mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma pesquisa elaborada com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco simples com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. Dito isso vamos as resposta dos Paragons Antonio “Pop” Sá, Felipe “Shingo”, Daniel “D.Darkangellus” e Dan Ramos:

1- Como vocês avaliam o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

POP: Melhor que 2008. Aliás pra piorar só tivéssemos algo catastrófico, como a proibição do RPG no Brasil, quebra da Devir ou da Jambô.

SHINGO: Foi melhor que o ano de 2008 já que vimos uma mudança na estrutura da Devir fazendo com que os lançamentos saissem de forma mais organizadas. Um fortalecimento dos eventos promovidos pelo RPG Arautos. Porém tivemos muitos poucos lançamentos vindos de editoras pequenas, acho que este pode ter sido o ano da comunidade de RPG, mas não das editoras.

D.DARKANGELLUS: Com o advento da 4ª Edição, acredito que 2009 foi melhor do que os últimos anos, e não somente do que o ano anterior. Qualquer lançamento em grande escala afeta o mercado nacional, principalmente quando promovido pela WotC. Infelizmente, nosso mercado nacional caminha somente quando o mercado gringo está em movimento, e sempre após e com uma distância considerável.

DAN: Acredito que o mercado nacional aqueceu muito em relação ao último ano com o óbvio advento da 4E e o excelente trabalho de editoras como a Jambô, de iniciativas de internet e eventos, que fez a Devir finalmente começar a se mexer. Ou seja, nosso mercadinho pode até aprender a andar a partir de 2010.

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano na opinião de vocês?

POP: Foram duas, o amadurecimento da Blogosfera, capaz inclusive de ter gerado a idéia inicial da RPGCON, competentemente executada pelo D3 e obviamente pelo que representa pro mercado o lançamento do D&D 4e no Brasil.

SHINGO: RPGCon foi a noticia e até apostaria o que salvou o ano do RPG nacional, o lançamento da 4e com a concretização da idéia das prévias e da pré-venda dos produtos fez com que o calendária da Devir pudesse ser olhado com maior credibilidade que os anos anteriores.

D.DARKANGELLUS: Certamente a RPGCON, sobretudo, pelo incentivo aos rpgistas que eventos como estes oferecem. É o mesmo que dizer ao Rpgista: “Cara, você não está sozinho!” ; e por mais que alguns não acreditem, isso é importante para manter o público de um mercado que de fato é pequeno e instável. Eu também gostei da notícia do lançamento dos Livros-Jogos da Editora Jambô.

DAN: Foi o Paragons e o Old Dragon, ora! Brincadeiras à parte, com certeza foi a RPGCon, o crescimento vultoso da blogosfera e o twitter, que integraram completamente o pessoal da “cena” do RPG brasileiro. Hoje em dia uma notícia se propaga com rapidez inacreditável, atingindo até os rpgistas sem internet (existe isso ainda?).

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

POP: Sem dúvida o maior destaque do ano vai pro Pathfinder. Ele conseguiu cativar sem decepcionar e foi o ponto alto da GenCon 2009 que é o ponto alto do RPG mundial ao longo do ano.

SHINGO: Pode-se ver que o mercado mundial esta passando por uma transformação. As editoras estrageiras estão em busca de uma nova forma de se ver o RPG. Seja a WotC com o D&D Insider e com a sua nova Comunidade, seja a Paizo se aproximando dos jogadores orfãos da 3,5, a FFG com o novo Warhammer e seus props que parecem ter vindo de boardgame e cardgames e até a Green Ronin com o Dragon Age RPG.

Mas dentro das comunidades pode-se ver que o movimento OldSchool esta ficando cada vez mais forte no exterior, assim como antigas iniciativas que estam tentando resurgir como o D6 System sob a bandeira Open D6.

D.DARKANGELLUS: Acredito que o maior destaque dos últimos dois anos seja da 4ª Edição, já que desde seu lançamento o mercado mundial de RPG tem respondido somente aos seus “atos”, além da constante polêmica. Tanto o Pathfinder quanto (a revolta) OldSchool são resposta e exemplos claros disso.

DAN: Bom, como de mercado de RPG eu sou uma anta, deixo a cargo dos outros paragônicos falar sobre isso. Mas do pouco que sei, a Paizo colheu um ano de hype com seu Pathfinder, os boxed sets estão voltando e etecétera.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

POP: Foram dois, o Paragons que atendeu ou cumpriu com todas as minhas expectativas e o Old Dragon, mas este, foi muito além de onde eu sequer poderia imaginar que chegaria.

SHINGO: Paragons que é minha menina dos olhos. Todos os meus projetos são relacionados com o blog, e ele superou e muito a minha expectativa. Esperava que chegasse no nível que estamos apenas em meados de 2010. Grande parte disto se deve a comunidade e aos nossos colaboradores.

D.DARKANGELLUS: Sinceramente, não esperava receber um convite para o Paragons, isso superou minhas expectativas. Tinha como pretensão levar o Adrenalina RPG, meu antigo blog, e colaborar de alguma forma com o Rpg. Embora, seja somente por pura diversão. Atualmente, como o PRG está crescendo cada vez mais, estou procurando diversidade para preencher vagas das quais acredito que são importantes, como comentar sobre diversos assuntos nerds, algumas das vezes envolvidos indiretamente com o RPG. E isso também é importante para angariar novos jogadores para o RPG através do site.

DAN: O Paragons de fato nasceu de uma decepção que tive e virou o meu projeto mais importante e divertido, e graças aos deuses tem crescido bastante e valido a pena. Passei um aperto grande e não cheguei nem perto de me envolver tanto quanto gostaria com o Old Dragon, mas fiz o que pude e sempre defendi o projeto com unhas e dentes, e assim fico feliz demais porque ele surpreendeu a nós e deixou calado quem estava falando que o treco não tinha lá muito futuro. É sério, um jogo de nicho dentro de outro, nossa. Outra coisa muito boa é que estou finalmente começando a aparecer nos livros de RPG e começando a conseguir manter uma periodicidade nas minhas tirinhas (Paragolândia), o que pra mim são coisas muito importantes.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

POP: Acredito num fortalecimento da linha 4e no Brasil, um destaque ainda maior da blogsfera, talvez com a aproximação destes com as editoras ainda consolidadas no mercado.

SHINGO: Que alguém vindo da blogosfera ou produza material para as editoras ou, em um pensamento muito otimista, publique material sob a própria bandeira.

D.DARKANGELLUS: Vou torcer para o sistema OLD Dragon, não como quarto paragônico, mas como rpgista oldschool fã de Hero Quest. E também para que as editoras nacionais entendam que “a força” está do lado da blogosfera rpgística!

DAN: O Tormenta RPG e o Old Dragon nas prateleiras das livrarias! Quero muito ver a blogosfera (e o Paragons) crescendo ainda mais, quero que as editoras não deixem a peteca cair e que saia Hunter em português!

6- Vocês já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim falem um pouco sobre eles!

POP: Tenho um monte de projetos relacionados ao Old Dragon e cenários ligados a ele. No que depender de mim e do acredito que do Paragons como um todo, 2010 será o ano do OD, ou pelo menos o ano onde trabalharemos com ainda mais afinco pelo OD.

SHINGO: Projetos tenho um monte! Quero transferir uns projetos que temos para o OD e além disto trabalhar em um sistema de RPG que seja mais Narrativo. Vamos ver no que dá.

D.DARKANGELLUS: Pretendo continuar promovendo as séries de entrevistas, divulgando curiosidades e opiniões sobre os blogueiros que estão trabalhando em prol do mercado nacional. Sobre o OD, vou aguardar o processo de finalização da versão completa para depois refletir sobre a possibilidade de um projeto.

DAN: Eu vou casar com a Elisa do Paragons! =D


Comentários: Embora os quatro senhores não tenham unificado as respostas, até que eles tem idéias parecidas, o que facilita o meu trabalho de comentar! Concordo com os caras que 2009 foi um ano obviamente melhor que 2008, aliás melhor que os anteriores também, e que um dos fatores para isso foi o lançamento da versão nacional da 4ª edição do RPG mais famosos do mundo pela Devir. Só o número de lançamentos da Devir para o Dungeons & Dragons em 2009 já indica que alguma coisa boa está rolando! Fazendo coro com o Cassaro, os paragônicos também apontaram a RPGCon como ponto alto do RPG nacional no ano que passou, e não tem muito como ser diferente né? Interessante é o ponto que o Pop e o Dan trazem da blogsfera de RPG nacional, que cresceu pra caramba nos últimos 12 meses, e foi inclusive onde a idéia da RPGCon surgiu e foi fomentada por um tempo. Nada mal mesmo, quem sabe esse ano a gente não consegue fazer um encontro de blogs decente?

Já sobre o mercado gringo, além da 4ª edição do D&D e do Pathfinder RPG da Paizo, os caras apontaram também o movimento oldschool, cujo Paragons é um dos grandes proponentes por aqui com seu Old Dragon. Pra ser muito sincero eu não acompanho tanto assim esse movimento lá fora e não vejo grandes lançamentos, embora saiba que exista uma cena pequena, mas forte e coesa, desse nicho. O que vejo mais são ecos dessa pegada mais retrô dentro de outros jogos, como o próprio Dragon Age citado pelo Shingo. E caixas, 2009 tivemos um monte de caixas!

As expectativas dos quatro para o mercado de RPG nacional em 2010 são bem interessantes, focando no lado da produção dos próprios blogs. Uma coisa que temos discutido muito nas reuniões da Secular é justamente isso: já existe muito material foda e de qualidade sendo lançado por aqui através dos blogs de RPG, o que falta às vezes é diagramar, ilustrar e dar uma editada, mas o produto bruto definitivamente já está lá. Ou seja, tenho expectativas muito semelhantes, acho que algumas editoras como Jambô, Daemon e a Devir de maneira tímida, já sacaram que existe muita gente boa de serviço nos blogs, e mais ainda, que eles são um canal essencial de contato com os fãs e consumidores, quem sabe na RPGCon 2010 isso não avança ainda mais?

Espero que tenham bons ventos nos projetos de vocês em 2010, tanto no Paragons e Old Dragon, mas especialmente no casamento do Dan e Elisa! Vocês todos têm mandado muito bem no blog, quem sabe não é hora de pular para o mundo impresso não é? E gostaria de agradecer a entrevista, a disponibilidade, e as traduções do Shingo que eu sempre roubo por aqui ; )

A próxima entrevista será com uma das editoras, mas até lá gostaria de saber o que vocês acharam? Blogsfera de RPG bombando em 2010? Ou já alcançamos o pico e agora é só manter a presença online?

As demissões de fim de ano da Wizards of the Coast

A Wizards of the Coast manteve este ano a incrível tradição de demitir funcionários importantes de seu quadro na véspera do natal. Se as vítimas no ano passado foram figuras de destaque como Dave Noonan e Randy Buehler, a atual listinha de natal divulgada na EN World por uma fonte anônima, e depois confirmada por alguns dos ex-funcionários, trás nomes como Logan Bonner, Chris Sims, Stephen Radney e pasmém, Rob Heinsoo, não só um dos escritores do Player’s Handbook como uma das mentes por trás da 4ª edição do Dungeons & Dragons. A lista de contribuições dos caras para a 4ª edição é longa:

Rob Heinsoo:

Player’s Handbook

Player’s Handbook 3

Primal Power

Divine Power

Monster Manual 2

Adventurer’s Vault 2

Underdark

The Plane Above

Chris Sims:

Seekers of the Ashen Crown

Monster Manual 2

Adventurer’s Vault

Forgotten Realms Campaign Guide

Death’s Reach: Adventure E1

Além de ser um dos responsáveis pelo D&D Insider, em especial a revista Dragon.

Logan Bonner:

Adventurer’s Vault

Arcane Power

King of the Trollhaunt Warrens: Adventure P1

Logan Bonner fez um post na EN World falando sobre seus colegas de trabalho na WotC e realmente não deu a entender que a saída foi uma decisão dele, ao contrário do que aparentemente ocorreu com Scott Rouse alguns meses atrás. Já Lisa Stevens, uma das cabeças da Paizo e ex-funcionária da Wizards forneceu nos fóruns da sua editora um interessante ponto de vista sobre as demissões que ocorreram nos últimos dois anos:

Having been at Wizards and survived a number of layoffs before finally being ousted in 2000, I can tell you that there is usually some method to the madness. Magic: The Gathering generally doesn’t have many layoffs because it is usually a star player at WotC, though it doesn’t avoid the hatchet every year, just most years. Other teams including D&D, book publishing, organized play, the whole online initiative, Avalon Hill, the miniatures teams, etc. haven’t been as successful at various times in the past, and thus, each year, the layoffs help to lower overhead for those teams that WotC/Hasbro deem need the lowered costs. Sometimes you may not realize that an employee that you think works for one team, has really been working for another team. Jonathan Tweet is a perfect example from last year. We all think of him as an RPG designer, but I believe he was on the team that did other TCGs and things like Dreamblade at the time of his layoff. A lot of the people who were laid off last year were part of the online initiative, which included some D&D stuff but also Gleemax and their aborted online games thing on Gleemax.

The three guys from this year’s layoffs all worked on the pen and paper aspect of D&D as far as I know. What conclusions you derive from that are your own to make. There are implications here that only WotC knows and we can only speculate about. But they don’t lay people off at random. There is a method to it, even if it may seem a bit mad or even random. A lot of good friends and talented people have been laid off in the past, so this doesn’t reflect on the individuals at all.

I hope all find new jobs and can unleash their talents once again into this industry!

-Lisa

A última parte do post da Lisa é bem curiosa – afinal no ano passado rolou justamente o contrário, boa parte das demissões foi de funcionários ligados ao Gleemax, rede social da Wizards que não deu certo. Já este ano parece que o modelo do D&D Insider decolou de vez, e o que nossa amiga Lisa Stevens deixa implícito é que a WotC está focando seus esforços neste modelo online em detrimento do formato clássico impresso. Será? Se a lógica for esta mesmo, me parece estranho que o Chris Sims tenha sido demitido então, afinal o cara ocupava um papel fundamental junto a produção das matérias das revistas eletrônicas. Mas se tem algo no qual eu tenho certeza que a Lisa está correta é na afirmação que as demissões não são aleatórias, como muita gente nos fóruns da EN World parece acreditar. Claro, elas são motivados por uma redução de custos com a chegada do fim do ano fiscal da empresa, mas funcionários mais antigos foram mantidos, então nos resta especular sobre qual a lógica que orienta os cortes, e o rumo que a Wizards e a Hasbro querem para o Dungeons & Dragons.

What You Need to Know About Dungeons & Dragons 4th

A Wizards colocou em seu site o panfleto “What You Need to Know About Dungeons & Dragons 4th edition” que esta sendo distribuído na D&D Experience, com 13 tópicos sobre as regras da nova edição.

Algumas observações interessantes:

  • Além das velhas conhecidas free actions, agora também existem as minor actions, usadas para coisas como sacar uma arma ou abrir uma porta, e as triggered actions, como ataques de oportunidades e ações preparadas.
  • A healing surge não apenas cura o personagem em uma ação padrão, mas também o dá +2 em todas suas defesas por uma rodada.
  • O descanso foi divido em dois agora: curto, que dura 5 minutos e é o suficiente para os personagens recuperarem seus poderes por encontro e usarem seus healing surges para ficarem bem; e o longo, que exige 6 horas e é o equivalente a uma parada para “dormir” que temos atualmente, com a diferença que recupera todos os pontos de vida, além dos healing surges e poderes com usos diários. Curti demais o descanso rápido, uma idéia simples e que efetivamente já acontece nos jogos que participo – depois da pancadaria geralmente a galera conversa sobre o que rolou, pega o loot e levanta os destruídos antes de partir para a próxima.
  • Os testes de resistência ficaram mais simples (e piores) como no D&D Minis – para acabar com um efeito contínuo (como veneno ou paralisia), o jogador rola o d20 todo turno, e encerrando o efeito se tirar 10 ou mais. Só isso, sem somar nível, bônus de atributo, nada…
  • Criaturas com alcance maior que 1 quadrado só os ameaçam em seus turnos. Isso acaba com a mamata de ganhar ataques de oportunidade quando os oponentes se aproximam para te dar porrada.
  • Se os saves ficaram ruins igual no D&D Minis, a carga ficou ótima igual o D&D Minis! Agora a carga é uma ação padrão que permite ao personagem se deslocar apenas seu movimento. E a carga agora pode ser feita através de terreno difícil.

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