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Entrevistas sobre 2009 – Paragons

Como prometido, é hora da segunda entrevista da série sobre mercado de RPG em 2009! Estreamos com a entrevista do Marcelo Cassaro, que já se tornou um dos artigos mais lidos (e debatidos!) do blog, e agora vamos dar continuidade a lista de figuras interessantes do RPG nacional com o pessoal do Paragons, o maior blog de RPG nacional atualmente, que mandam muito bem tanto na cobertura de notícas, mas também com material de jogo e artigos próprios. Enfim, considero os caras o blog de RPG definitivo!

Só para relembrar a proposta desta série: em Dezembro de 2009 enviei uma mini-entrevista para 14 figuras e grupos que considero importantes na cena do RPG nacional, com perguntas padronizadas sobre como avaliavam o ano que estava acabando. A idéia não era fazer uma pesquisa elaborada com centenas de entrevistados, mas tentar montar um mosaíco simples com algumas peças chaves do RPG por aqui, e com base nas opiniões e pontos de vistas de cada um iniciar uma discussão sobre os rumos do hobby no Brasil. Dito isso vamos as resposta dos Paragons Antonio “Pop” Sá, Felipe “Shingo”, Daniel “D.Darkangellus” e Dan Ramos:

1- Como vocês avaliam o ano de 2009 para o mercado nacional de RPG? De forma geral foi um ano melhor ou pior que o anterior? Por quê?

POP: Melhor que 2008. Aliás pra piorar só tivéssemos algo catastrófico, como a proibição do RPG no Brasil, quebra da Devir ou da Jambô.

SHINGO: Foi melhor que o ano de 2008 já que vimos uma mudança na estrutura da Devir fazendo com que os lançamentos saissem de forma mais organizadas. Um fortalecimento dos eventos promovidos pelo RPG Arautos. Porém tivemos muitos poucos lançamentos vindos de editoras pequenas, acho que este pode ter sido o ano da comunidade de RPG, mas não das editoras.

D.DARKANGELLUS: Com o advento da 4ª Edição, acredito que 2009 foi melhor do que os últimos anos, e não somente do que o ano anterior. Qualquer lançamento em grande escala afeta o mercado nacional, principalmente quando promovido pela WotC. Infelizmente, nosso mercado nacional caminha somente quando o mercado gringo está em movimento, e sempre após e com uma distância considerável.

DAN: Acredito que o mercado nacional aqueceu muito em relação ao último ano com o óbvio advento da 4E e o excelente trabalho de editoras como a Jambô, de iniciativas de internet e eventos, que fez a Devir finalmente começar a se mexer. Ou seja, nosso mercadinho pode até aprender a andar a partir de 2010.

2- Qual foi a melhor notícia, iniciativa ou lançamento do RPG nacional este ano na opinião de vocês?

POP: Foram duas, o amadurecimento da Blogosfera, capaz inclusive de ter gerado a idéia inicial da RPGCON, competentemente executada pelo D3 e obviamente pelo que representa pro mercado o lançamento do D&D 4e no Brasil.

SHINGO: RPGCon foi a noticia e até apostaria o que salvou o ano do RPG nacional, o lançamento da 4e com a concretização da idéia das prévias e da pré-venda dos produtos fez com que o calendária da Devir pudesse ser olhado com maior credibilidade que os anos anteriores.

D.DARKANGELLUS: Certamente a RPGCON, sobretudo, pelo incentivo aos rpgistas que eventos como estes oferecem. É o mesmo que dizer ao Rpgista: “Cara, você não está sozinho!” ; e por mais que alguns não acreditem, isso é importante para manter o público de um mercado que de fato é pequeno e instável. Eu também gostei da notícia do lançamento dos Livros-Jogos da Editora Jambô.

DAN: Foi o Paragons e o Old Dragon, ora! Brincadeiras à parte, com certeza foi a RPGCon, o crescimento vultoso da blogosfera e o twitter, que integraram completamente o pessoal da “cena” do RPG brasileiro. Hoje em dia uma notícia se propaga com rapidez inacreditável, atingindo até os rpgistas sem internet (existe isso ainda?).

3- De forma mais geral, como você enxerga o ano de 2009 para o mercado mundial de RPG? E qual a notícia, iniciativa ou lançamento que mais se destacou neste ano?

POP: Sem dúvida o maior destaque do ano vai pro Pathfinder. Ele conseguiu cativar sem decepcionar e foi o ponto alto da GenCon 2009 que é o ponto alto do RPG mundial ao longo do ano.

SHINGO: Pode-se ver que o mercado mundial esta passando por uma transformação. As editoras estrageiras estão em busca de uma nova forma de se ver o RPG. Seja a WotC com o D&D Insider e com a sua nova Comunidade, seja a Paizo se aproximando dos jogadores orfãos da 3,5, a FFG com o novo Warhammer e seus props que parecem ter vindo de boardgame e cardgames e até a Green Ronin com o Dragon Age RPG.

Mas dentro das comunidades pode-se ver que o movimento OldSchool esta ficando cada vez mais forte no exterior, assim como antigas iniciativas que estam tentando resurgir como o D6 System sob a bandeira Open D6.

D.DARKANGELLUS: Acredito que o maior destaque dos últimos dois anos seja da 4ª Edição, já que desde seu lançamento o mercado mundial de RPG tem respondido somente aos seus “atos”, além da constante polêmica. Tanto o Pathfinder quanto (a revolta) OldSchool são resposta e exemplos claros disso.

DAN: Bom, como de mercado de RPG eu sou uma anta, deixo a cargo dos outros paragônicos falar sobre isso. Mas do pouco que sei, a Paizo colheu um ano de hype com seu Pathfinder, os boxed sets estão voltando e etecétera.

4- Quais foram seus principais projetos, lançamentos ou iniciativas em 2009? Eles responderam as suas expectativas?

POP: Foram dois, o Paragons que atendeu ou cumpriu com todas as minhas expectativas e o Old Dragon, mas este, foi muito além de onde eu sequer poderia imaginar que chegaria.

SHINGO: Paragons que é minha menina dos olhos. Todos os meus projetos são relacionados com o blog, e ele superou e muito a minha expectativa. Esperava que chegasse no nível que estamos apenas em meados de 2010. Grande parte disto se deve a comunidade e aos nossos colaboradores.

D.DARKANGELLUS: Sinceramente, não esperava receber um convite para o Paragons, isso superou minhas expectativas. Tinha como pretensão levar o Adrenalina RPG, meu antigo blog, e colaborar de alguma forma com o Rpg. Embora, seja somente por pura diversão. Atualmente, como o PRG está crescendo cada vez mais, estou procurando diversidade para preencher vagas das quais acredito que são importantes, como comentar sobre diversos assuntos nerds, algumas das vezes envolvidos indiretamente com o RPG. E isso também é importante para angariar novos jogadores para o RPG através do site.

DAN: O Paragons de fato nasceu de uma decepção que tive e virou o meu projeto mais importante e divertido, e graças aos deuses tem crescido bastante e valido a pena. Passei um aperto grande e não cheguei nem perto de me envolver tanto quanto gostaria com o Old Dragon, mas fiz o que pude e sempre defendi o projeto com unhas e dentes, e assim fico feliz demais porque ele surpreendeu a nós e deixou calado quem estava falando que o treco não tinha lá muito futuro. É sério, um jogo de nicho dentro de outro, nossa. Outra coisa muito boa é que estou finalmente começando a aparecer nos livros de RPG e começando a conseguir manter uma periodicidade nas minhas tirinhas (Paragolândia), o que pra mim são coisas muito importantes.

5- Quais são suas expectativas para o mercado de RPG nacional para 2010?

POP: Acredito num fortalecimento da linha 4e no Brasil, um destaque ainda maior da blogsfera, talvez com a aproximação destes com as editoras ainda consolidadas no mercado.

SHINGO: Que alguém vindo da blogosfera ou produza material para as editoras ou, em um pensamento muito otimista, publique material sob a própria bandeira.

D.DARKANGELLUS: Vou torcer para o sistema OLD Dragon, não como quarto paragônico, mas como rpgista oldschool fã de Hero Quest. E também para que as editoras nacionais entendam que “a força” está do lado da blogosfera rpgística!

DAN: O Tormenta RPG e o Old Dragon nas prateleiras das livrarias! Quero muito ver a blogosfera (e o Paragons) crescendo ainda mais, quero que as editoras não deixem a peteca cair e que saia Hunter em português!

6- Vocês já tem projetos, lançamentos ou iniciativas previstos para o ano que vem? Se sim falem um pouco sobre eles!

POP: Tenho um monte de projetos relacionados ao Old Dragon e cenários ligados a ele. No que depender de mim e do acredito que do Paragons como um todo, 2010 será o ano do OD, ou pelo menos o ano onde trabalharemos com ainda mais afinco pelo OD.

SHINGO: Projetos tenho um monte! Quero transferir uns projetos que temos para o OD e além disto trabalhar em um sistema de RPG que seja mais Narrativo. Vamos ver no que dá.

D.DARKANGELLUS: Pretendo continuar promovendo as séries de entrevistas, divulgando curiosidades e opiniões sobre os blogueiros que estão trabalhando em prol do mercado nacional. Sobre o OD, vou aguardar o processo de finalização da versão completa para depois refletir sobre a possibilidade de um projeto.

DAN: Eu vou casar com a Elisa do Paragons! =D


Comentários: Embora os quatro senhores não tenham unificado as respostas, até que eles tem idéias parecidas, o que facilita o meu trabalho de comentar! Concordo com os caras que 2009 foi um ano obviamente melhor que 2008, aliás melhor que os anteriores também, e que um dos fatores para isso foi o lançamento da versão nacional da 4ª edição do RPG mais famosos do mundo pela Devir. Só o número de lançamentos da Devir para o Dungeons & Dragons em 2009 já indica que alguma coisa boa está rolando! Fazendo coro com o Cassaro, os paragônicos também apontaram a RPGCon como ponto alto do RPG nacional no ano que passou, e não tem muito como ser diferente né? Interessante é o ponto que o Pop e o Dan trazem da blogsfera de RPG nacional, que cresceu pra caramba nos últimos 12 meses, e foi inclusive onde a idéia da RPGCon surgiu e foi fomentada por um tempo. Nada mal mesmo, quem sabe esse ano a gente não consegue fazer um encontro de blogs decente?

Já sobre o mercado gringo, além da 4ª edição do D&D e do Pathfinder RPG da Paizo, os caras apontaram também o movimento oldschool, cujo Paragons é um dos grandes proponentes por aqui com seu Old Dragon. Pra ser muito sincero eu não acompanho tanto assim esse movimento lá fora e não vejo grandes lançamentos, embora saiba que exista uma cena pequena, mas forte e coesa, desse nicho. O que vejo mais são ecos dessa pegada mais retrô dentro de outros jogos, como o próprio Dragon Age citado pelo Shingo. E caixas, 2009 tivemos um monte de caixas!

As expectativas dos quatro para o mercado de RPG nacional em 2010 são bem interessantes, focando no lado da produção dos próprios blogs. Uma coisa que temos discutido muito nas reuniões da Secular é justamente isso: já existe muito material foda e de qualidade sendo lançado por aqui através dos blogs de RPG, o que falta às vezes é diagramar, ilustrar e dar uma editada, mas o produto bruto definitivamente já está lá. Ou seja, tenho expectativas muito semelhantes, acho que algumas editoras como Jambô, Daemon e a Devir de maneira tímida, já sacaram que existe muita gente boa de serviço nos blogs, e mais ainda, que eles são um canal essencial de contato com os fãs e consumidores, quem sabe na RPGCon 2010 isso não avança ainda mais?

Espero que tenham bons ventos nos projetos de vocês em 2010, tanto no Paragons e Old Dragon, mas especialmente no casamento do Dan e Elisa! Vocês todos têm mandado muito bem no blog, quem sabe não é hora de pular para o mundo impresso não é? E gostaria de agradecer a entrevista, a disponibilidade, e as traduções do Shingo que eu sempre roubo por aqui ; )

A próxima entrevista será com uma das editoras, mas até lá gostaria de saber o que vocês acharam? Blogsfera de RPG bombando em 2010? Ou já alcançamos o pico e agora é só manter a presença online?

As demissões de fim de ano da Wizards of the Coast

A Wizards of the Coast manteve este ano a incrível tradição de demitir funcionários importantes de seu quadro na véspera do natal. Se as vítimas no ano passado foram figuras de destaque como Dave Noonan e Randy Buehler, a atual listinha de natal divulgada na EN World por uma fonte anônima, e depois confirmada por alguns dos ex-funcionários, trás nomes como Logan Bonner, Chris Sims, Stephen Radney e pasmém, Rob Heinsoo, não só um dos escritores do Player’s Handbook como uma das mentes por trás da 4ª edição do Dungeons & Dragons. A lista de contribuições dos caras para a 4ª edição é longa:

Rob Heinsoo:

Player’s Handbook

Player’s Handbook 3

Primal Power

Divine Power

Monster Manual 2

Adventurer’s Vault 2

Underdark

The Plane Above

Chris Sims:

Seekers of the Ashen Crown

Monster Manual 2

Adventurer’s Vault

Forgotten Realms Campaign Guide

Death’s Reach: Adventure E1

Além de ser um dos responsáveis pelo D&D Insider, em especial a revista Dragon.

Logan Bonner:

Adventurer’s Vault

Arcane Power

King of the Trollhaunt Warrens: Adventure P1

Logan Bonner fez um post na EN World falando sobre seus colegas de trabalho na WotC e realmente não deu a entender que a saída foi uma decisão dele, ao contrário do que aparentemente ocorreu com Scott Rouse alguns meses atrás. Já Lisa Stevens, uma das cabeças da Paizo e ex-funcionária da Wizards forneceu nos fóruns da sua editora um interessante ponto de vista sobre as demissões que ocorreram nos últimos dois anos:

Having been at Wizards and survived a number of layoffs before finally being ousted in 2000, I can tell you that there is usually some method to the madness. Magic: The Gathering generally doesn’t have many layoffs because it is usually a star player at WotC, though it doesn’t avoid the hatchet every year, just most years. Other teams including D&D, book publishing, organized play, the whole online initiative, Avalon Hill, the miniatures teams, etc. haven’t been as successful at various times in the past, and thus, each year, the layoffs help to lower overhead for those teams that WotC/Hasbro deem need the lowered costs. Sometimes you may not realize that an employee that you think works for one team, has really been working for another team. Jonathan Tweet is a perfect example from last year. We all think of him as an RPG designer, but I believe he was on the team that did other TCGs and things like Dreamblade at the time of his layoff. A lot of the people who were laid off last year were part of the online initiative, which included some D&D stuff but also Gleemax and their aborted online games thing on Gleemax.

The three guys from this year’s layoffs all worked on the pen and paper aspect of D&D as far as I know. What conclusions you derive from that are your own to make. There are implications here that only WotC knows and we can only speculate about. But they don’t lay people off at random. There is a method to it, even if it may seem a bit mad or even random. A lot of good friends and talented people have been laid off in the past, so this doesn’t reflect on the individuals at all.

I hope all find new jobs and can unleash their talents once again into this industry!

-Lisa

A última parte do post da Lisa é bem curiosa – afinal no ano passado rolou justamente o contrário, boa parte das demissões foi de funcionários ligados ao Gleemax, rede social da Wizards que não deu certo. Já este ano parece que o modelo do D&D Insider decolou de vez, e o que nossa amiga Lisa Stevens deixa implícito é que a WotC está focando seus esforços neste modelo online em detrimento do formato clássico impresso. Será? Se a lógica for esta mesmo, me parece estranho que o Chris Sims tenha sido demitido então, afinal o cara ocupava um papel fundamental junto a produção das matérias das revistas eletrônicas. Mas se tem algo no qual eu tenho certeza que a Lisa está correta é na afirmação que as demissões não são aleatórias, como muita gente nos fóruns da EN World parece acreditar. Claro, elas são motivados por uma redução de custos com a chegada do fim do ano fiscal da empresa, mas funcionários mais antigos foram mantidos, então nos resta especular sobre qual a lógica que orienta os cortes, e o rumo que a Wizards e a Hasbro querem para o Dungeons & Dragons.

What You Need to Know About Dungeons & Dragons 4th

A Wizards colocou em seu site o panfleto “What You Need to Know About Dungeons & Dragons 4th edition” que esta sendo distribuído na D&D Experience, com 13 tópicos sobre as regras da nova edição.

Algumas observações interessantes:

  • Além das velhas conhecidas free actions, agora também existem as minor actions, usadas para coisas como sacar uma arma ou abrir uma porta, e as triggered actions, como ataques de oportunidades e ações preparadas.
  • A healing surge não apenas cura o personagem em uma ação padrão, mas também o dá +2 em todas suas defesas por uma rodada.
  • O descanso foi divido em dois agora: curto, que dura 5 minutos e é o suficiente para os personagens recuperarem seus poderes por encontro e usarem seus healing surges para ficarem bem; e o longo, que exige 6 horas e é o equivalente a uma parada para “dormir” que temos atualmente, com a diferença que recupera todos os pontos de vida, além dos healing surges e poderes com usos diários. Curti demais o descanso rápido, uma idéia simples e que efetivamente já acontece nos jogos que participo – depois da pancadaria geralmente a galera conversa sobre o que rolou, pega o loot e levanta os destruídos antes de partir para a próxima.
  • Os testes de resistência ficaram mais simples (e piores) como no D&D Minis – para acabar com um efeito contínuo (como veneno ou paralisia), o jogador rola o d20 todo turno, e encerrando o efeito se tirar 10 ou mais. Só isso, sem somar nível, bônus de atributo, nada…
  • Criaturas com alcance maior que 1 quadrado só os ameaçam em seus turnos. Isso acaba com a mamata de ganhar ataques de oportunidade quando os oponentes se aproximam para te dar porrada.
  • Se os saves ficaram ruins igual no D&D Minis, a carga ficou ótima igual o D&D Minis! Agora a carga é uma ação padrão que permite ao personagem se deslocar apenas seu movimento. E a carga agora pode ser feita através de terreno difícil.

As editoras gringas e a 4ª edição

É certo que as principais editoras gringas que já lançam produtos D20 vão pular para o barco da 4ª edição. Mas a pergunta de 1 milhão de dólares (na verdade de apenas 5 mil) é: quando?

Desde a divulgação da WotC que a liberação da SRD e OGL será feita em duas fases, se especula quais editoras vão pagar pelo direito de lançar livros em 2008, e se o pagamento da taxa de 5000 dólares vai valer a pena em termos de vendas e destaque para os lançamentos.

Algumas editoras já publicaram seus pontos de vista e comentários, mas poucas responderam diretamente se vão ou não aderir à Fase 1 da licença e lançar seus produtos em 2008.

A Green Ronin, velha favorita do nerd que vos escreve, ainda esta em cima do muro. Chris Pramas escreveu em seu blog sobre sua avaliação sobre a posição da WotC e do que se sabe até agora sobre a licença e as regras da nova edição. No fim das contas ele meio que concluí que se sabe muito pouco sobre as regras e o esquema da 4ª edição para desembolsar 5 mil dólares e fala que a situação ainda esta em aberto. O post foi comentado na ENWorld, em uma das discussões mais chatas que eu já vi por lá, o que levou nosso amigo Pramas a escrever outro post explicando as dificuldades e responsabilidades de se manter uma editora (ou restaurante :), que ele admira a equipe da WotC, mas que a situação da editora sobre a 4ª edição em 2008 ainda é incerta. Querendo ou não, a posição da GR define a uma importante editora de PDFs, a Adamant Entertainment, que inclusive estava presente na reunião com os membros da WotC sobre a liberação da licença, já que a editora funciona como uma imprint da Green Ronin.

A Paizo, cuja principal publicação atualmente é a revista Pathfinder também não se decidiu ainda. Erik Mona postou nos fóruns da editora que ainda estão estudando as possibilidades e esperando “que todas as cartas sejam colocadas na mesa”. Mas se eu tivesse que chutar, tanto pela impressão que a mensagem me passou, como pela própria posição favorável da Paizo no mercado – afinal é muito mais fácil e rápido lançar revistas que livros, e com todo o prestígio adquirido com as revistas Dragon e Dungeon, acho que eles vão entrar na fase 1 sim, e lançar material da 4ª edição em 2008. Além disso, a Paizo e a Necromancer Games possuem uma parceria para a publicação da aventura Tegel Manor, que será inclusive uma das primeiras da 4ª edição a serem lançadas, isso porque…

A Necromancer já confirmou sua entrada na 4ª edição ainda em 2008, com direito a lista de produtos e tudo mais. Se não me engano eles foram os primeiros a fazê-lo, e estão com alguns produtos bem legais anunciados.

A Goodman Games também confirmou seu lugar na lista das editoras que vão lançar produtos da 4ª edição este ano, como a série Dungeon Crawl Classics e algumas outras coisas que não entendi muito bem se só serão lançadas em 2008, ou usarão as regras da 4ª edição, como uma caixa de XCrawl.

Finalmente a favorita do público, a boa e velha Mongoose! Para a alegria de milhares de fãs, parece que a editora vai ficar fora da 4ª edição em 2008. Matt Sprange levantou um monte de dúvidas e questões relevantes em um texto bacana, e concluí que deve esperar um pouco mais para fazer a decisão final. mas se novamente eu tivesse que chutar, acho que não teremos os quintessentials e slayer guides em 2008. Sem choro por favor ok?

Fico curioso com o que farão as outras editoras médias, em especial a Fantasy Flight Games e Privateer Press. Devemos ouvir delas, e mais um bocado das editoras acima, nas próximas semanas.

Mais más noticias sobre a SRD

Nos fóruns da WotC, quando alguém perguntou se as pessoas ainda poderiam usar apenas o SRD para jogar D&D, Andy Collins respondeu que a nova SRD não ira substituir o Players Handbook. Logo depois Scott Rouse entrou na conversa e adicionou o seguinte a resposta à anterior:

To elaborate on what Andy said:

The 4e SRD will be a “reference document” for publishers working under the 4e OGL to know what content can be used in their own products. It will reference sections and passages from 4e D&D books and will also contain table/formating guidelines like the monster stat block to allow for consistency among products.

It will not be a stripped down core rulebook (PHB) that largely allows you to play D&D.

I hope this answers the question : )

Esse pacote de noticias sobre a SRD e OGL tem se saído cada vez pior. Se antes quem havia sentido o golpe foram as editoras, agora a questão se volta para os jogadores, que não mais terão uma SRD bacana e completa, com praticamente toda a mecânica do Players Handbook. Pelo que eu entendi a nova SRD será muito mais um guia e index de partes e seções dos livros básicos, o que não deve ser a coisa mais útil do mundo para os jogadores em geral.

Eu não sou daqueles caras que curtem jogar D&D só com a SRD. Tenho meus livros da 3.5 e pretendo comprar os básicos da 4ª edição, assim como muita gente. Mas sempre achei legal a possibilidade do cara poder jogar apenas com a SRD, algo que eu nunca fiz mas no qual não vejo nada de errado, pelo contrário. No que essa mudança vai me afetar na verdade é o fim da comodidade de poder consultar algumas coisas dos livros básicos de qualquer computador, ou de não ter que abrir meus livros toda vez que for preparar um encontro ou aventura. Talvez o D&D Insider tenha alguma ferramenta tão bacana e organizada como um Hypertext d20 SRD, mas mesmo assim, mais uma comodidade até então gratuita que se tornaria um serviço pago…

Enfim, essas noticias dos últimos dois dias não têm sido nada boas, e me colocaram com os dois pés atrás com relação a liberdade e flexibilidade das novas OGL e SRD, o que a médio e longo prazo afeta, e muito, os produtos que teremos das outras editoras que produzem livros d20.

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